12.6.10

A nova polêmica velha

POR WILLIAM DOUGLAS

Jabulani. Eis o nome da mais nova polêmica velha da Copa do Mundo. Criticar e contestar a pelota é algo tão velho quanto o próprio torneio. O exemplo mais claro é a final de 1930, logo na primeira edição dos mundiais. As seleções da Argentina e do Uruguai tiveram uma ferrenha discussão antes da partida decisiva, que acabou sendo resolvida de forma curiosa: o primeiro tempo disputado com uma bola fabricada na Argentina e o segundo com uma gorduchinha uruguaia. Fato é que os argentinos foram para o intervalo vencendo por 2 a 1 (ganharam com a pelota fabricada em seu país), mas tomaram a virada – 4 a 2 no placar final. O Uruguai se tornou campeão o primeiro do Mundo ao mandar para as redes mais vezes a bola produzida por seus conterrâneos.

Mesmo com o problema em 1930, a Fifa só passou a adotar uma bola oficial para a Copa do Mundo a partir de 1970 – desde então, a responsabilidade é da Adidas. A tecnologia fez o couro sumir – hoje as bolas são fabricadas de material sintético e praticamente “a prova d’água”, diferente das pelotas antigas que dobravam de peso após as chuvas.

Com tantas inovações e fabricantes diferentes, as bolas passaram a ser cada vez mais diferentes, apesar de obedecerem algumas normas estipuladas pela Fifa. De volta à polêmica atual, as principais críticas à Jabulani – ou Jaburu, para os mais críticos – é sobre a leveza e as constantes mudanças de trajetória.

Ridícula a resposta da Adidas que culpa a altitude de algumas cidades sul-africanas. Tudo bem que a mesma deve interferir (quem de nós pode discordar da lei da física?) , porém, o óbvio ululante neste caso seria projetar uma bola já prevendo estas condições – ou será que apenas agora a Adidas descobriu que nem todas cidades-sedes da Copa ficam ao nível do mar?

As polêmicas sempre vão existir, mas há uma forma simples e eficiente de minimizá-las. A bola usada na Copa do Mundo deveria ser a mesma nas eliminatórias. Afinal, é ali que começa o torneio mais importante do planeta. Atualmente, a bola usada nas eliminatórias não segue um padrão – a seleção mandante da partida é quem escolhe a pelota (ou seja, o torneio imita a moderna lógica de 1930).

Copa do Mundo não é lugar para testes. Nem de jogadores e muito menos de material esportivo – que o diga a Nike e a repercussão negativa da chuteira que “demoliu” os pés de Ronaldo às vésperas da Copa de 2006.

O único “prejudicado” com a adoção da mesma bola da Copa nas eliminatórias seria o departamento de marketing da fabricante. Afinal, todo o estardalhaço em torno da pelota da Copa não existiria. Porém, a perda não é total – já que a redondinha estaria exposta ao longo de anos e não seria achincalhada às vésperas da Copa, causando danos irreparáveis à imagem da fabricante.

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