Esse é um Blog de Jornalismo Esportivo que nasceu para trazer opinião de verdade para Internet brasileira. Nosso principal objetivo é acabar com o "Emcimadomurismo" que há anos assola a crônica esportiva nacional.

14.12.09

Pato de ouro

Em eleição promovida pelos italianos do Tuttosport, o atacante brasileiro Alexandre Pato foi escolhido como o melhor jogador sub-21 da Europa. Assim como a Bola de Ouro promovida pela France Football, o prêmio Golden Boy é tradicional no Velho Continente, já que conta com votos de 30 jornalistas das principais mídias especializadas no esporte. Pato faz a dobradinha brasileira, já que o meia Anderson, do Manchester United, foi o vencedor do prêmio em 2008, fazendo do Brasil o maior vencedor do prêmio, até aqui. Na edição 2009, o camisa sete deixou para trás nomes talentosos como o atacante ganês Adiyah, campeão e maior destaque do último Mundial sub-20; o “rival” Mário Balotelli, polêmico atacante talentoso da Inter; o espanhol Bojan Krkic, que perdeu espaço para Pedro Rodríguez nesta temporada do Barcelona e o montenegrino Stefan Jovetic, que vem fazendo sua primeira temporada de afirmação na Fiorentina.

A boa fase do avante rossoneri é resultado de muita paciência. Mesmo com 20 anos, Pato já está em sua terceira temporada no Milan. Veio como aposta de Carlo Ancelotti - que fez de tudo para leá-lo consigo ao Chelsea - e aos poucos, foi cavando sua posição de importância ao time. Seguramente, é o jogador mais imprescindível ao Milan de Leonardo na atualidade. Titular em 20 das 24 partidas oficiais do Milan na temporada, Pato já anotou nove gols. - sete na Série A e dois na Champions. E vem alcançando a maturidade dentro dos campos gradualmente, como deve ser. Como ponto alto desta temporada, o brasileiro foi primordial para a vitória do Milan em pleno Santiago Bernabéu, diante dos galácticos do Real Madrid, ao anotar dois gols da vitória por 3-2. Atualmente, está a apenas quatro gols da artilharia do Calcio, encabeçada pelos 11 gols do atacante Antonio Di Natale, da Udinese.

Contudo, para azar de Pato, ele não deverá ser um dos atacantes brasileiros para a Copa do Mundo, que deverá ter Luís Fabiano, Robinho, Nilmar e provavelmente Adriano, se a convocação para o Mundial fosse hoje. Nas oportunidades que teve com a amarelinha, Pato surgiu com muitas expectativas, ao estrear com um gol frente aos suecos, em fevereiro de 2008, em Londres. Acabou não se firmando, mesmo sendo chamado com alguma regularidade por Dunga. Nilmar chegou e praticamente garantiu sua vaga entre os 23. Porém, se as coisas seguirem seu curso natural, Pato deve ser o titular da posição para a Copa 2014.

12.12.09

Surpresa no topo

Ao fim da fase de grupos da Champions League, quase tivemos algumas zebras passeando. Mas no final, Rubin Kazan, Dínamo de Kiev e Unirea Urziceni não conseguiram vencer os favoritos Inter, Barcelona e Stuttgart, respectivamente. Já o Marseille não foi competente para eliminar o ascendente, porém ainda fragilizado Milan, ao desperdiçar uma cobrança de penalidade com o argentino Lucho González. A decepção é o Liverpool de Rafa Benítez, cada vez mais ameaçado no cargo. Porém a melhor equipe dessa fase é tão inesperada quanto a eliminação dos Reds: o Bordeaux, do treinador Laurent Blanc.

Os girondinos cravaram a melhor campanha com 16 pontos de 18 possíveis, com cinco vitórias e um empate em um grupo que possuía Bayern de Munique – que ficou com a segunda vaga do Grupo A, seis pontos atrás dos franceses -, a Juventus, que teve que se contentar com a Europe League e o Maccabi Haifa que foi mero turista e deixou a competição sem marcar um gol sequer nos seus seis jogos. A equipe francesa garantiu o primeiro lugar do grupo com uma rodada de antecipação, batendo a Juventus.

O maior mérito do atual campeão francês – quebrando uma sequência de sete títulos do Lyon -, que até aqui, vem sendo muito bem dirigido pelo ex-capitão dos Bleus, Laurent Blanc, é a coletividade. Mesmo tendo o jovem Gourcuff como referência técnica, a equipe como um todo foi capaz de levar a equipe à boa fase no torneio continental. O meia brasileiro Wendel é o grande faz-tudo do Bordeaux: defende, faz a transição ao ataque, é responsável pelas bolas paradas e anota seus gols. O camisa 17 é um dos campeões de assistência da fase de grupos, com quatro passes para gols. Fernando Menegazzo e Alou Diarra combatem no meio, com Gourcuff armando, auxiliado por Wendel. Na frente, quatro boas opções para composição no ataque: Chamakh, Cavenaghi, Jussiê e Bellion. Eventualmente, o tcheco Jarolsav Plasil pode compor o meio, com a equipe migrando para o 4-5-1 em lugar do usual 4-2-2-2.

Resta saber se no confronto das oitavas, o sorteio vai favorecer os girondinos para não pegar um favorito logo de cara, já que apesar da boa campanha, o Bordeaux ainda continua sendo zebra frente aos poderosos e estelares Barcelona, Real Madrid, Manchester United e Internzionale, por exemplo. Ainda assim, a boa campanha do Bordeaux é um alento para o futebol francês, que mesmo com um Lyon forte, não consegue figurar com destaque na Champions desde que o Monaco foi derrotado na final de 2003/04 para o Porto, do então treinador José Mourinho.

9.12.09

Os onze do Brasileirão

Os Bolas de Prata 2009, na 40ª edição do tradicional prêmio concedido pela revista Placar

Fim de temporada brasileira é assim: avaliação dos resultados obtidos durante o ano, (tentativa) de planejamento para a temporada seguinte e tempo de analisar quem se destacou no campeonato nacional. Nesta semana, Placar e CBF/Globo divulgaram seus respectivos premiados do Brasileirão. Com bases muito parecidas, a seleção que eu vou listar aqui seria uma espécie de mix entre as escolhidas nas duas premiações. Vamos aos onze, no tradicional 4-4-2:

Victor (Grêmio) – Mesmo sem boas atuações do sistema defensivo do Grêmio – principalmente fora de casa – o arqueiro gremista sempre aparecia com grandes intervenções. Sua regularidade embaixo da baliza impressiona e pode levá-lo à Copa de 2010, como o terceiro goleiro de Dunga. Sofreu 33 gols em 28 jogos (1,17 por partida).

Jonathan (Cruzeiro) – Muito se falava em Vítor do Goiás e Léo Moura do Flamengo. Contudo, acompanhando a tendência cruzeirense, o ala de 23 anos foi um dos jogadores da equipe de Adílson Batsta que mais evoluiu dentro do Brasileirão, principalmente após a virada do turno. Vitor e Léo foram importantes, mas apresentaram um futebol consistente apenas na reta final do torneio. Em 27 jogos, o lateral celeste fez três gols e deu seis assistências.

Miranda (São Paulo) – Zagueiro técnico, classudo e há tempos, o melhor em atividade no país. Bom na jogada aérea, de boa velocidade contra os atacantes e quando necessário, arrisca boas transições ao ataque. Atuou em 28 partidas.

Rever (Grêmio) – Como Miranda, o zagueiro gremista é especialista no 3-5-2. Mas formaria boa dupla ao lado do sãopaulino em um eventual sistema com dois zagueiros. Ótimo pelo alto – tanto na defesa, quanto no ataque - e sabe usar da força física sem ser truculento como André Dias, parceiro de Miranda e escolhido como melhor zagueiros nos principais prêmios, que na minha visão, estaria melhor nas mãos do gremista na edição 2009. Atuou por 31 vezes e marcou cinco gols.

Kleber (Inter) – Na posição mais carente do futebol brasileiro na atualidade não houve unanimidade. Pelo contrário. Júlio César, do Goiás, que vinha de boas jornadas, acabou caindo bruscamente de produção e até esquentou banco na equipe esmeraldina. Já Kleber não é mais o jogador agudo dos tempos de Santos e Corinthians, mas ainda assim, e um dos melhores da posição no país. O lateral Colorado de oito assistências em 28 partidas acabou brilhando mais no fim.

Guiñazu (Inter) – Fôlego e entrega invejáveis marcaram o argentino, que poderia ter seu esforço coroado com a conquista do título. O palmeirense Pierre seria um rival à altura, mas passou bom tempo machucado. Willians, motorzinho alvinegro e maior ladrão de bolas do campeonato também seria boa pedida. Menos faltoso nas jogadas que o rubro-negro, Guiñazu terminou o campeonato sem um vermelho sequer nas 32 vezes em que esteve em campo, marcando um gol.

Hernanes (São Paulo) – Quando atua como segundo volante, quase sempre vai bem. Talvez o fato de ter que armar o São Paulo a todo momento fez com que o volante de origem não fosse tão unânime nas votações de 2009. Ainda assim, mostrou boa regularidade, externada nas 33 partidas em que defendeu o Tricolor, com seis gols marcados.

Petkovic (Flamengo) – O termômetro da ascensão flamenguista até o título. Maestro nas bolas paradas e passes, os oito gols e cinco assistências foram de suma importância para a equipe de Andrade nos 23 jogos que esteve em campo. Se estivesse em condições físicas para jogar desde o início do certame, com certeza seria candidato a melhor do Brasileirão.

Diego Souza (Palmeiras) – Principal peça do Palmeiras no torneio, Diego Souza também seria candidato natural ao prêmio de melhor do campeonato. Porém, a derrocada dele e do Palmeiras na reta final foi decisiva para que eu não o escolhesse como tal. Ainda assim, é impensável deixar o meia-atacante de fora dessa seleção, já que o camisa 7 atuou bem na maioria dos 34 jogos que fez, com oito gols - entre eles, o mais belo desse Brasileirão, contra o Atlético/MG no Palestra Itália - e seis assistências.

Diego Tardelli (Atlético/MG) – Maior destaque do primeiro turno, o atacante não conseguiu levar o Galo sozinho na metade derradeira do torneio. Ainda assim, manteve a regularidade e o faro de gols que lhe valeram a artilharia – ao lado de Adriano – com 19 gols em 33 partidas (média de 0,58) e a briga por uma das vagas na Seleção de Dunga – também com o Imperador.

Adriano (Flamengo) – De quase “aposentado” a destaque no Brasileirão, Adriano foi manchete em toda a mídia nacional e internacional ao conduzir o Flamengo rumo ao hexa. O futebol força, de oportunismo e técnica limitada, porém eficiente, voltaram e hoje o Imperador herdaria tranquilamente a vaga como atacante do elenco do Brasil para a Copa, à frente de rivais como Ronaldo - de técnica inegável e físico ainda duvidoso – e o "recuperado" Tardelli – de pouca bagagem internacional.

Vale a pena também conferir algumas seleções montadas por outros blogueiros e tirar suas próprias conclusões na escolha dos titulares dos melhores do Brasileirão: Blog do Carlão | Papo de Craque

7.12.09

Campeão da superação

De segundo turno impecável, o Flamengo reencontra o mais importante título do páis do fuetbol após 17 anos de jejum.

O título brasileiro conquistado pelo Flamengo premiou a equipe que se superou em campo. O Flamengo não apresentou um futebol plástico, encantador. Mas saiu da adversidade, após a queda de Cuca na 13ª rodada e o posterior período de instabilidade de Andrade, quando este ainda parecia apenas um interino dirigindo a equipe. Já com Andrade no comando, o Flamengo fechou o primeiro turno do Brasileirão na metade da tabela com 29 pontos, tendo anotado 27 gols e sofrido 29. Terminou o campeonato como a segunda melhor campanha do segundo turno, com 38 pontos e apenas três derrotas, com 31 gols pró e 15 contra, mostrando que uma das chaves para a arrancada rubro-negra foi o acerto da defesa, composta na maioria dos jogos do returno por Álvaro e Ronaldo Angelim.

O Flamengo ainda está longe de ser um clube organizado administrativamente, como já é de praxe nos últimos anos. Mas acertou – direta ou indiretamente – na manutenção de Andrade, na recuperação de Adriano e Petkovic ao futebol brasileiro. O Imperador, que havia perdido a alegria de jogar, era um caso menos emblemático e mesmo com as supostas regalias, seu retorno em alto nível era questão de tempo. Já Pet veio prioritariamente para amortizar dívidas do passado entre ele e o clube da Gávea. De passagem apagada pelos últimos clubes que havia defendido, o veterano meia ditou o ritmo da recuperação da equipe, fazendo com que a esmagadora maioria da mídia esportiva queimasse a língua, assim como ocorreu no caso do Fluminense, dado como morto e que emplacou uma recuperação fantástica no Brasileirão. Nos dois casos, este escriba também fez coro com a maioria da opinião pública.

Com isso, o Flamengo e os outros três postulantes ao título proporcionaram o Brasileiro mais disputado da era dos pontos corridos. Com o coração e apostando principalmente em suas raízes, - já que resgatou em Andrade, Pet e Adriano a força para vencer as adversidades -, o Flamengo ganhou o hexa com o coração e na superação, passando a dividir com o São Paulo a hegemonia de maior campeão brasileiro da história. A coesão do grupo e a vontade que faltaram ao Palmeiras – maior decepção deste segundo turno – sobraram ao Flamengo. E na reta final, isso fez toda a diferença para o título, que no fim, foi benéfico ao futebol nacional, já que quebrou a hegemonia paulista, estado vencedor dos últimos cinco campeonatos nacionais até então. De quebra, a Libertadores 2010 promete ser a mais democrática para os brasileiros, já que aos principais centros do futebol nacional estarão representados na mais importante competição continental – Corinthians e São Paulo (São Paulo), Flamengo (Rio de Janeiro), Cruzeiro (Minas Gerais) e Inter (Rio Grande do Sul).

Peças-chave para o hexa:

Adriano – Dividindo a artilharia deste Brasileirão com Diego Tardelli, a volta do Imperador foi o grande alento motivador do Flamengo para este Brasileirão. O camisa 10 ajudou a encher o Maracanã nos jogos da equipe e viu na volta às origens um incentivo para voltar a jogar um bom futebol. No fim, os “mimos” de Andrade, diretoria e da torcida foram incentivadores para que o atacante fosse o principal responsável pelo título, visto que ele estava ajudando a equipe desde o início, ao contrário de Petkovic, que cresceu na metade decisiva do campeonato. Foram 19 gols em 30 jogos que coroaram a volta por cima do polêmico atacante.

Petkovic – De quase aposentado a principal figura na arrancada do hexa. Esse é o retrato do meia sérvio, que atuou em 23 partidas, marcou oito gols e deu cinco assitências. Com o sérvio em campo, o Flamengo perdeu apenas uma partida – por 3-2 contra o Goiás na 17ª rodada, quando ainda não era titular absoluto. As venenosas bolas paradas, melhora na armação das jogadas e o retorno da antiga identificação com o clube deram o tom para o veterano de 37 anos.

Andrade – Ídolo como jogador, Andrade sempre quebrava um galho nos momentos de turbulência no comando técnico da equipe – que não foram poucos nos últimos anos. Porém, o técnico nunca havia conseguido emplacar uma boa sequência para se firmar. Íntimo da Gávea, abrigou as voltas de Adriano e Pet e apaziguou os ânimos acirrados de jogadores como os laterais Léo Moura e Juan e o atacante Zé Roberto, indispostos com a torcida. Com isso, a equipe cresceu na hora certa e o treinador fez história como o primeiro técnico negro campeão brasileiro.

Reforços pontuais e “voltas” – As vindas do volante Maldonado – que acabou machucado na reta final – e do zagueiro Álvaro melhoraram sensivelmente a defesa. No segundo turno, o Fla sofreu menos de um gol por partida (0,79 gols sofridos por jogo), contra a campanha irregular do primeiro turno (1,47 gols sofridos por partida). Além deles, Juan e Léo Moura tiveram sensível melhora no momento de crescimento da equipe, assim como o também desacreditado Zé Roberto, que de quase dispensado, teve sua importância como parceiro de Adriano no ataque rubro-negro.

6.12.09

Final espetacular

Adriano e Petkovic: maiores responsáveis pelo hexa do Flamengo comemoram o título brasileiro.

Para aqueles que insistiam em defender o sistema com playoffs, este domingo acabou com qualquer discussão. A final do campeonato brasileiro de 2009 foi fantástica, se olharmos apenas do ponto de vista da disputa. Quatro times brigando pelo título, quatro lutando para não cair, disputa pela libertadores, rivais torcendo a favor dos próprios rivais, técnicos beneficiando e prejudicando ex-equipes, enfim, um tarde completa, histórica, inesquecível.

Brilho Carioca

Flamengo e Fluminense protagonizaram duas reações épicas. Mesmo tendo sido uma luta contra o descenso, a do tricolor carioca não foi menor que a do Mengo. De um lado, Fred, Conca e Cuca (quem diria?) carregaram o piano do único e verdadeiro “Jason” do campeonato. Do outro, Adriano, Petkovic e Andrade calaram paulistas e gaúchos para devolver o topo do Brasil à nação rubra negra.Justamente no ano em que o Rio recuperou o orgulho carioca com as Olimpíadas de 2016, os quatro grandes fecham o ano comemorando o desfecho da temporada. Uns com títulos, outros com brio. Todos com honra.

Derrocada Paulista

São Paulo e Palmeiras “travaram” no momento crucial da competição. O primeiro teve o mérito de reagir, entrar no G-4 e conquistar a liderança. Mas pecou nas rodadas finais e viu um título que parecia certo escorrer pelas mãos. A vaga na libertadores serviu de consolo. Já o Verdão deixou sua torcida no fundo do poço com a ausência na principal competição continental. O aproveitamento pífio no último terço do brasileirão tirou torcedor do céu e deixou no inferno. Esquecido, o Santos se despediu da temporada sem dizer a que veio, enquanto o Santo André confirmou as expectativas: voltou à segunda divisão.


Recorde de Público e violência

As torcidas deram show nas arquibancadas. A CBF ainda não divulgou os números da última rodada, mas já é garantido que essa edição vai ter a melhor média de público da era dos pontos corridos. Até esse fim de semana, a média era de 17.601 torcedores por jogo. Com ascensão de Ceará e Vasco, 2010 promete mais festa nos estádios. E fica a esperança de menos violência nos jogos, o que infelizmente não ocorreu no Couto Pereira. A torcida do coxa protagonizou cenas de selvageria e rebeldia. Inexplicável e inadmissível.É incrível a capacidade do Brasil de evoluir e retroceder ao mesmo tempo. É incrível como alguns torcedores conseguem ser estúpidos e covardes...

Coadjuvantes?

Até as equipes que chegaram às últimas rodadas sem brigar por grandes conquistas tiveram espaço na mídia e a atenção dos holofotes. Corinthians, Goiás, Grêmio, Avaí foram exemplos de que mesmo sem grandes objetivos, os patrocinadores podem ficar tranqüilos. Em campeonatos por como o nosso, sempre sobram motivos para se termos grandes polêmicas e belas partidas. Oportunidades não faltam para jogadores brilharem, técnicos se promoverem e novas histórias serem escritas.

Fim de papo, vamos à copa!

Com o fim do Brasileirão, o próximo grande evento esportivo que vai unir os brasileiros é a Copa do Mundo. Fechamos o ano com uma disputa memorável e com a quebra da hegemonia paulista. Há dois meses, escrevi que não acreditava num título do Flamengo ou do Atlético Mineiro. Quebrei a cara. A culpa é minha? Claro que não. É da “entediante” fórmula dos pontos corridos.

5.12.09

Sem morte antecipada

Muito se alardeou sobre o Brasil ter caído em um “grupo da morte” no sorteio dos grupos da Copa do Mundo. Não vejo dessa forma. Tecnicamente, é um grupo difícil, já que Costa do Marfim é a seleção africana que pratica o melhor futebol da atualidade – com Drogba jogando demais - e Portugal, apesar da classificação na bacia das almas, tem bons valores – inclusive, três brasileiros em posições chave: Pepe na defesa, Deco na armação e Liédson na conclusão.

Contudo, a ordem dos confrontos favorece a seleção canarinho. Ao enfrentar a misteriosa Coréia do Norte na estréia, o Brasil deve superar o nervosismo da estréia diante de uma seleção mais frágil, com marfinenses e portugueses se enfrentando logo de cara. Apesar de acreditar mais nos Elefantes do que nos Tugas hoje, há reais possibilidades de Brasil e Portugal chegarem garantidos às oitavas na rodada derradeira do Grupo G.

Grupo G: difícil, mas nada mortal

Vejo o Grupo D (Alemanha, Austrália, Sérvia e Gana) como o mais equilibrado do Mundial. Falar sobre a força e tradição da Alemanha é chover no molhado. A equipe de Joachim Löw está longe do brilhantismo, mas possui uma equipe organizada. A Austrália – que surpreendeu na Copa passada ao se classificar para as oitavas – tem um time experiente e mais maturado do que em 2006. Está longe de ser um saco de pancadas, como acho que África do Sul, Coréia do Norte e Honduras deverão ser. A Sérvia foi responsável por jogar a França na repescagem ao vencer o Grupo 7 das Eliminatórias Européias. Tem zaga e meio-campo de respeito, com nomes como Vidic, Ivanovic, Krasic e Stankovic. Já Gana, do excelente Essien, só não é melhor que a Costa do Marfim no continente africano. E já surpreendeu na Copa passada, ao deixar os tchecos para trás na Copa da Alemanha.

O Grupo G (Holanda, Dinamarca, Camarões e Japão) também chega a ser duro, mas não vejo estabilidade e confiança em Japão e Camarões. Espanha, Itália, e Inglaterra caíram em grupos mais fracos e devem passar voando às oitavas. A França conseguiu cair na chave que lhe era mas favorável, já que não era cabeça de chave. A África do Sul é uma seleção muito limitada. Tanto é que nem será possível observá-la na próxima Copa Africana de Nações, que vai ser disputada em janeiro de 2010, pois os Bafana-Bafana nem conseguiram a classificação nas eliminatórias para o torneio. O Uruguai, apesar de possuir nomes importantes como Lugano, Rodríguez, Suárez e Forlán, é uma equipe instável e que não vêm fazendo jogos bons contra equipes mais técnicas, como vimos nas Eliminatórias Sul-Americanas. O México é a equipe mais perigosa para os Bleus.

Já a Argentina deu sorte em relação às últimas Copas, mas ainda assim, enfrenta um grupo emblmático. A aplicada e veloz Coréia do Sul tem o ponto fraco no sistema defensivo, que é o ponto forte dos gregos. Já a Nigéria é uma incógnita. Tem bons valores individuais, mas que não conseguem jogar em prol do coletivo. As Super Águias só garantiram lugar no Mundial graças ao tropeço da Tunísia, rival dos nigerianos nas Eliminatórias Africanas, frente a modesta seleção de Moçambique na última rodada. Mesmo não praticando um futebol convincente, a Argentina tem amplas condições de passar bem no Grupo B.

Alguns grupos complicados, mas nenhum mortal e totalmente imprevisível. Mesmo assim, não deixaremos de ter emoções e algumas surpresas chegando ao mata-mata na África do Sul.