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14.7.10

A Seleção da Copa

Com um relativo atraso, graças a alguns debates entre os muitos membros do blog, o Opinião FC elegeu a seleção da Copa do Mundo. E olha que ela não contém o polvo Paul, a modelo Larissa Riquelme ou a instável Jabulani... Confira:

Goleiro: Casillas soube superar as críticas e a falha no jogo inicial para fechar a meta espanhola. Cresceu na hora certa. Sofreu apenas 2 gols durante toda a competição, agarrando um decisivo penalti cobrado por Cardozo e realizando uma finalíssima segura, sem sustos.

Laterais: Lahm talvez tenha sido o único atleta que esteve entre os melhores dos torneios de 2006 e 2010. Agora na direita, liderou a defesa alemã e mostrou eficiência tanto no ataque quanto na marcação. Sem um destaque nato no lado canhoto, o destaque foi o português Fábio Coentrão. Meia de origem, primou pela regularidade e pelo bom poderio ofensivo. Sempre aparecia para tabelar com Cristiano Ronaldo.

Zagueiros: Grata surpresa, Alcaraz exemplifica o belo desempenho da zaga paraguaia. Técnico, evita balões desnecessários, tem bom posicionamento e cabeceia muito bem. Até gol, ele marcou. Piqué foi outro jogador que mostrou grande recuperação e não se abalou com sua fraca estreia. Aguerrido, anulou os principais nomes adversários com muita raça e disposição. Muitas vezes deu o sangue pela Fúria. Literalmente.

Meio-campistas: Originalmente ponta-de-lança, Schweinsteiger atuou mais recuado como volante e não fez feio. Destruía sem cometer faltas e saía jogando com tranquilidade. Têm argentinos que devem ter pesadelos com ele. Até as semifinais, Sneijder fora o jogador mais regular da Copa. Quando caiu de produção, a Holanda tornou-se uma equipe comum. Dono de uma técnica apurada, sempre bate com maestria na bola.

Apoiadores: O Nationalelf claramente sentiu a ausência do jovem Müller na derrota para a Espanha. Veloz, a revelação do campeonato ajuda a fechar espaços no meio, contribui na articulação de jogadas e aparece na frente para finalizar. Decisivo, Iniesta sempre apareceu quando a Espanha mostrava dificuldades em superar seu rival. Chilenos e paraguaios que o digam. Esforçado, mesmo não estando 100% fisicamente, esbanjou habilidade e inteligência. Foi premiado, merecidamente, com o gol do título.

Atacantes: Sumido nas duas últimas partidas, Villa carregou o ataque espanhol nas costas. Correu, saiu da área quando preciso e mostrou muito oportunismo ao corresponder às expectativas e balançar as redes por cinco vezes. Ao seu lado, Forlán, o atacante-armador que levou o Uruguai ao incrível quarto lugar. Adaptou-se muito bem aos efeitos da Jabulani e marcou pelos gols de fora da área. Aliando criatividade, técnica e garra, não fora eleito pela Fifa consagrado como craque da Copa à toa. Genial.

Técnico: Oscar Tabárez e superou as limitações técnicas da equipe e alcançou a fase final. Teve uma incrível visão ao notar que o esquema 3-5-2 levaria seus comandados ao fracasso e adaptou sua equipe com primor, suprindo a deficiência de sua não possuir um grande armador.

Independentemente destes nomes supracitados há outros atletas que também não podem ser esquecidos pelo nível que demonstraram. Stekelenburg, por exemplo, calou a boca dos críticos que não tinham confiança em seu trabalho. Já Lúcio, salvou-se da mediocridade apresentada pelo Brasil e anulou importantes atacantes que a Seleção Canarinha enfrentou. A mobilidade de Xavi também foi importantíssima para a Espanha chegar ao caneco. Assim como Honda, que mostrou muita agilidade e disciplina tática para liderar os japoneses. Isso sem falar em Asamoah Gyan, Özil, Boateng, Vittek, Rafa Márquez, Sergio Ramos, Benaglio, Kuyt... enfim, destaques não faltaram.

13.7.10

A hora e a vez do Brasil

POR SHEILA MOREIRA

A Copa do Mundo da África do Sul terminou e todos os brasileiros se mostram muito empolgados com o fato de sediarmos o próximo Mundial. As expectativas são múltiplas, mas o fator realmente preocupante é que ninguém parece se lembrar de que a Copa de 2014, na verdade, já começou em outubro de 2007, quando a Fifa anunciou que o Brasil sediaria o próximo Mundial.

Assistindo ao documentário "Fahrenheit 2010" (2008), sobre os preparativos para a Copa da África do Sul, parei para pensar nos prós e contras de sediar um evento de tão grande porte. A questão é que somos o próximo da fila e muitos elefantes brancos serão criados. Na África, muitas pessoas foram retiradas de suas habitações para a construção de estádios em um país em que o futebol não é a preferência nacional. Ponto para nós, já que aqui é “o país do futebol” e não vamos questionar o evento do ponto de vista esportivo. No entanto, não podemos deixar de pensar nas questões econômicas e políticas que há por trás da Copa.

O que vemos até o momento é uma grande festa, como foi visto no lançamento do logo da próxima Copa , quando Ricardo Teixeira disse para o mundo se preparar para "sair de 2014 um pouco mais brasileiro". Não é isso que queremos, pois a onda Bafana Bafana será esquecida logo, talvez já na semana que vem, quando não houver mais Copa do Mundo. Mais do que ninguém, o povo brasileiro quer o Mundial, porém, infelizmente, pouco saberá dos bastidores. O governo já disse que projetos previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderão ser adiantados para ajudar na preparação do torneio - tomara que esse dinheiro seja utilizado de forma justa.

Por esse e por outros motivos, recomendo "Fahrenheit 2010", para reflexões sobre o antes, o durante e o depois da Copa, afinal também temos Olimpíada pela frente.

11.7.10

Estrela no peito, corações em Fúria

Sem amarelar, Espanha se impôs e ratificou a condição de melhor equipe do mundo, iniciada com a conquista da Euro 2008

Acabou o estigma. Apesar do amarelo em sua bandeira, o título da Copa do Mundo é vermelho. De paixão, de aplicação, de bom futebol. Campeã europeia e do mundo. Com justiça, a Espanha entra no restrito grupo das seleções campeãs mundiais. Um trabalho realizado com planejamento, sem mudanças bruscas – mesmo com a mudança de treinador após a Eurocopa de 2008. A vitória da técnica sobre a força. É importante ter um elenco de jogadores aplicados (ou "guerreiros", como se vende por aí). Mas não é necessário se pautar apenas nisso, quando há um montante de jogadores técnicos e talentosos. E o título da Espanha provou isso.

Na Copa do Mundo da África do Sul, a Espanha foi constante, desde a inesperada derrota diante da Suíça, que atiçou os críticos da Fúria, que precocemente viram na derrota diante do anti-futebol do ferrolho suíço um prenúncio de uma nova “amarelada” espanhola, que nos últimos mundiais chegava com bons nomes, mas que não conseguiam produzir em prol da equipe, como um todo.

Na finalíssima disputada no belo Estádio Soccer City, cada um jogou como vinha atuando na Copa: a Espanha tomava as iniciativas ofensivas sem afobação, tocando a bola e pensando o jogo, como em um tabuleiro de xadrez; a Holanda, pragmática, esperava o adversário no campo de defesa, apostando na dinâmica de Robben e Sneijder. E só. E mesmo tardia, a vitória premiou quem mais procurou vencer a partida, como mostraram as boas entradas de Jesus Navas e Fàbregas na partida - apesar do equívoco na substituição de David Villa por Fernando Torres.

Com a bola nos pés, como sempre, a Espanha começou com a iniciativa da partida e a Holanda parecia cometer o erro da Alemanha na semifinal: ficar acuada na defesa, vendo a Espanha tocar e achar uma brecha na defesa adversária. Porém, a Holanda viu que tal tática a condenaria na partida e passou a diminuir os espaços desde a defesa espanhola. Mas para isso, deixou aflorar o jogo violento de seus defensores. De Jong e Van Bommel devem agradecer ao árbitro Howard Webb por terminarem a final em campo. Até o habilidoso Sneider saiu de suas características e cometeu diversas faltas durante a final

Na segunda etapa, a Espanha permanecia com a iniciativa de atacar e a Holanda adotou os contra-ataques, com a volúpia gradual da Fúria em resolver a partida. Robben perdeu chance incrível, defendida por Casillas - um dos personagens desta final. A Espanha pecava em hesitar na finalização ou no preciosismo com a bola, como Iniesta fez em algumas oportunidades. Robben tentava algumas ações, enquanto Sneijder, sumido em boa parte da partida, era perigoso apenas executando passes no miolo de zaga adversário.


A pressão espanhola, finalmente, deu resultado com a expulsão de Heitinga, já na prorrogação. Com as três substituições feitas, a Holanda ficou com um buraco na defesa e não suportou ao ímpeto ibérico. Tanto que no gol do título, quem afastou o cruzamento de Fernando Torres e tentou bloquear o chute heróico de Iniesta foi o meia Van der Vaart.

Em meio ao mix de emoções por um inédito título mundial, uma emocionante homenagem do elenco espanhol ao defensor Dani Jarque, do Espanyol, que morreu de um mal súbito em agosto de 2009. Jogadores de Barcelona, Real Madrid, Valencia e Sevilla, entre outros, lembravam o colega. Outra prova do coração pulsante deste elenco, onde Casillas já chorava copiosamente com o gol, que viria a ser o da primeira Copa do Mundo vencida pela Fúria.

A vitória da Espanha reflete um pouco o encantamento que muitos de nós tivemos com o Barcelona campeão de tudo em 2008/09. Seis jogadores daquele time fantástico foram titulares neste domingo (o sétimo culé era o recém-contratado David Villa). Tal fato mostra que uma seleção campeã, primordialmente, tem que se basear em jogadores que estão em bom momento, em detrimento de se montar um elenco apenas com jogadores de confiança. A Espanha é, de fato, a merecida e comprovada campeã do mundo.

Bola dentro: Forlán melhor da Copa

Candidatos a melhor da Copa, Robben, Sneijder e Villa pouco apareceram na grande final. Iniesta teve ótima participação e foi eleito como o melhor em campo, mas pecou em muitos momentos por não fazer o trivial.

Em decisão surpreendente – considerando os padrões Fifa – o atacante Diego Forlán foi eleito o melhor jogador da Copa. Decisão acertada da entidade, em minha visão, se considerarmos que o uruguaio foi o principal jogador da equipe mais limitada tecnicamente entre as quatro finalistas e que jogou bem e com versatilidade. Ora como atacante, ao lado do bom Luís Suárez, ora como enganche (armador de jogadas), deixando Cavani em seu lugar no comando de ataque. Thomas Müller, também com justiça, foi eleito como a revelação, além do prêmio Bola de Ouro concedido ao artilheiro. Mesmo empatado em cinco gols na tabela de artilheiros da Copa com Villa, Forlán e Sneijder, dos pés do camisa 13 saíram três assistências para gols do ataque mais positivo deste Mundial.

Por um lugar no clã dos campeões mundiais

Finalmente, após 63 partidas conheceremos o novo campeão mundial. Novo em todos os sentidos, já que Espanha x Holanda trata-se de uma final entre duas equipes que jamais foram campeãs da Copa, fato que não acontecia desde 1978, quando Argentina e a própria Oranje – ainda com boa parte da base da Laranja Mecânica de 1974 – decidiam quem entraria para o restrito rol de campeões mundiais, que atualmente conta com apenas sete seleções: Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra e França.

A Espanha, caloura em finais, tenta ratificar que o seu bom futebol não morrerá na praia – estigma parcialmente dissipado nos últimos anos. Já a Holanda, muito menos brilhante que a geração de quase quatro décadas atrás, pode dar ao país um título que já poderia estar na prateleira de uma das seleções que sempre é bem cotada nas competições em que participa.


Espanha
Cartada final

A Espanha chega ao fim de sua caminhada, que começou na Europa há pouco mais de dois anos atrás: a campanha da Eurocopa, que culminou com o título merecidíssimo diante da Alemanha – derrotada novamente nas semifinais da Copa. Mesmo não praticando um futebol tão vistoso quanto na época da Euro, a Fúria evoluiu. Agora comandada por Vicente Del Bosque, a equipe tem uma zaga mais fortalecida com a entrada de Piqué e a proteção de Sérgio Busquets, ao passo que ficou mais frágil com a não renovação na ala esquerda, que mantém um Capdevilla não tão eficiente quanto o voluntarioso lateral da campanha continental.

No meio campo, que se dá ao luxo de ter Fàbregas como opção no banco, Busquets e Xabi Alonso – este com mais liberdade – carregam o piano para que a afiada dupla do Barcelona possa brilhar: Xavi e Iniesta resumem técnica, obediência tática e eficiência na armação de jogadas. O ataque é menos letal, mesmo com Villa em ótima fase. Torres vive mal momento físico e técnico, enquanto Pedro, talentoso atacante e que deve entrar como titular, ainda peca pelo preciosismo em alguns momentos. Ainda assim, a posse de bola da Espanha (sempre superior a do adversário nas seis partidas espanholas até aqui) mantém o adversário mais longe da meta de Casillas.

Campanha na Copa: 5V e 1D – 7 gols marcado e 2 sofridos
Time base: Casillas; Sérgio Ramos, Pique, Puyol e Capdevilla; Busquets, Xabi Alonso, Iniesta e Xavi; Villa e Torres (Pedro)
Destaques: Candidato a artilheiro do Mundial, David Villa é o maior arrematador da Copa, até aqui: 16 chutes ao alvo, cinco gols.
Olho nele: A má fase de Torres pode dar nova chance para Pedro Rodríguez. O atacante infernizou a vida da defesa alemã na semifinal e pode ser de grande valia para desarticular a rígida linha defensiva holandesa com sua velocidade, abrindo espaço para Villa, Xavi e Iniesta.
Pontos fortes: Além da segurança do trio defensivo Ramos/Pique/Puyol, bem guardados por Busquets, Villa atravessa grande fase. Ao lado de Pedro, pode desequilibrar o confronto contra uma eficiente Holanda.
Pontos fracos: Como time que mais arrematou ao gol (103 vezes em seis jogos), a pontaria espanhola mostra-se péssima. Dos sete gols na competição, cinco foram de Villa, o que mostra a ineficiência dos outros membros da equipe nesse quesito. Capdevilla terá que avançar pouco, já que o perigoso Robben deverá atuar naquele setor.
História: Na história, apenas em duas oportunidades uma seleção ganhou uma Eurocopa e uma Copa do Mundo consecutivamente: a Alemanha Ocidental (campeã europeia em 1972 e do mundo em 1974) e a França (campeã do mundo em 1998 e da Europa em 2000). A Espanha pode repetir o feito, já que conquistou a Euro de 2008.
Curiosidade: Na briga pela artilharia da Copa, David Villa quebrará recordes caso marque gols na final: com um tento, já terá se tornado o maior artilheiro espanhol em uma edição de Copa, superando o consagrado Emílio Butragueño, que marcou cinco tentos na Copa de 1986. De quebra, igualará a marca de Raúl como o maior artilheiro de todos os tempos da Fúria, ao chegar aos 44 gols.


Holanda
Eficiência premiada

Se os holandeses haviam encantado o mundo na década de 70 com a “Laranja Mecânica” do técnico Rinus Michels e de Cruyff e Neeskens, a equipe que chega à final da Copa de 2010 também pode ser considerada “mecânica”. Mas não pelo perfeito funcionamento do esquema de “Futebol Total”, característico dos vice-campeões de 1974 e 1978, e sim pela eficiência do time no campo de jogo. A Holanda não encheu os olhos, mas sempre se manteve fria nos momentos capitais de sua campanha no Mundial, como na partida diante do Brasil, após rever o placar adverso do primeiro tempo, após os piores 45 minutos holandeses no torneio.

Auxiliado por ídolos recentes da história, como Phillip Cocu e Frank de Boer, o técnico Bert van Marwijk criou uma equipe eficiente e pragmática. A competitividade holandesa nos últimos anos não pode ser ignorada: a equipe emplaca uma sequência de 10 vitórias consecutivas, iniciada no amistoso contra os Estados Unidos, em março. A última derrota, foi em um amistoso contra a Austrália, em setembro de 2008, o que significa uma invencibilidade significativa de 25 partidas.

Nesta Copa, se não tinha defensores tão confiáveis ou a segurança de Van der Sar no gol, do meio-campo em diante, a Oranje mesclava eficiência e talento. Operários, Nigel de Jong e Mark Van Bommel “carregam o piano” para que Robben e Sneijder – que já haviam brilhado na temporada europeia antes da Copa com Bayern de Munique e Inter de Milão, respectivamente – possam se destacar. Dirk Kuyt é o “faz tudo” da equipe, que peca por improvisar Robin Van Persie como centroavante. Mesmo não reeditando boas jornadas em campo, a volta de Robben no final da primeira fase - ao lado de Sneijder (candidato a melhor jogador da Copa) são os maiores trunfos deste time, de frieza impressionante

Campanha na Copa: 6V – 12 gols marcados e 5 sofridos
Time base: Stekelemburg; Van der Wiel, Heitinga, Ooijer e Van Bronckhorst; De Jong, Van Bommel, Sneijder, Robben e Kuyt; Van Persie
Destaques: Fato incomum, o meia Sneijder briga pela artilharia da Copa com Villa. Um dos melhores deste torneio, está com a sorte ao seu lado: o gol contra de Felipe Melo veio de um chute despretensioso seu, assim como o segundo gol contra o Uruguai, no qual Muslera colaborou. Na faixa central de campo, arremata bem e é capaz de dar passes precisos de média e longa distância.
Olho nele: Caso precise de mais velocidade nas jogadas de segunda etapa, a Holanda pode recorrer a Eljero Elia. O jovem meia de 23 anos entrou em cinco das seis partidas da Oranje na Copa. Van Marwijk pode adiantar Kuyt como centroavante e deixar Elia aberto em um dos flancos, dando mais qualidade na parte ofensiva da equipe.
Pontos fortes: A variabilidade de jogadas com o meio campo, com Kuyt, Robben e Sneijder é a maior força da equipe, que isola como centroavante um ineficiente Van Persie. Nesta Copa, a falta de pontaria que falta aos meias espanhóis sobra nos holandeses. Dos 12 gols na Copa, oito são do trio.
Pontos fracos: A zaga sofre com jogadores mais dinâmicos, como no primeiro tempo do jogo diante do Brasil, onde Robinho e Luís Fabiano infernizaram a defesa laranja.
História: Seleção que mais convocou irmãos na história dos mundiais (René e Willy van de Kerkhof, em 1974 e 1978; Frank e Ronald de Boer, em 1994 e 1998 e Erwin e Ronald Koeman, em 1990), a Holanda de 2010 pode ser campeã com outro tipo de relação familiar: o técnico Bert van Marwijk é sogro do volante Mark van Bommel.
Curiosidade: Sneijder pode ser o primeiro europeu a conquistar os quatro títulos mais importantes que um atleta pode vencer em uma única temporada: Copa do Mundo, campeonato continental (Libertadores ou Champions League), campeonato nacional e copa nacional/campeonato regional. Entre os sul-americanos, os jogadores do Santos de 1962 (Pelé, Pepe, Gilmar, Mauro Ramos, Zito e Coutinho conseguiram o feito, ao conquistar o Paulista, Taça Brasil (análogo ao Brasileiro), Libertadores e Copa do Mundo.

10.7.10

Alemanha, com méritos, é a 3ª da Copa

Apesar do abatimento por não ter conseguido a vaga na final e da disputa pelo 3º lugar servir praticamente como prêmio de consolação, Uruguai e Alemanha fizeram um bom jogo neste sábado, no Estádio Nelson Mandela, em Porto Príncipe. E os europeus confirmaram o favoritismo, vencendo por 3 a 2.

Destaque para os gols de Forlán e Müller, que deve ficar com o prêmio de melhor jogador jovem da Copa, com justiça, que chegaram a cinco gols e se juntam a Sneijder e Villa no topo da artilharia. Klose, com dores nas costas, não pôde jogar - realmente deve estar lesionado, pois é impensável que não tentaria ao menos igualar o recorde de 15 gols em Copas, que fica com o aliviado Ronaldo.

Merece menção também, mas negativamente, o goleiro uruguaio Muslera, que falhou nos dois primeiros gols alemães. Tivesse num dia melhor, os sul-americanos poderiam ter tido um resultado melhor. Como era esperado, a Alemanha começo melhor, dominando a bola, dando os contra-ataques ao adversário, e fez um gol relativamente cedo. Depois, no entanto, parou de jogar, e o Uruguai melhorou, passou a controlar a partida, e chegou ao empate e virada com justiça, com um belo gol de Forlán, melhor do time na Copa, sem dúvidas.

O segundo gol uruguaio acordou os tricampeões, que voltaram a pressionar e a não deixar o rival respirar com a bola. Parecido com o que a Espanha havia feito na semifinal: marcação por pressão, no campo do adversário, o que deixa a bola mais perto do gol. Sem conseguir sair para o jogo e com mais uma falha de Muslera, os bicampeões tomaram a virada, e quase empataram no último lance do jogo, quando Forlán, sempre ele, bateu uma falta na entrada da área, mas a bola caprichosamente explodiu no travessão.

A campanha alemã, de melhor ataque do Mundial, com 16 gols, deixa uma certeza: vão dificultar, e muito, a conquista do hexa brasileiro na Copa do Brasil, em 2014. É um time muito jovem, com muitos jogadores bons e que têm tudo para melhorar ainda mais. Mostrou um futebol que ninguém imaginava que o time europeu pudesse apresentar - leve, criativo, goleando - responsabilidade, principalmente, de Schweinsteiger e Özil. Ballack deveria evitar uma situação chata e se aposentar da seleção, já que claramente não fez nenhuma falta e já não parece ter clima com os companheiros, como ficou claro com a declaração de Lahm, que não quer deixar de ser o capitão.

O desempenho uruguaio, por sua vez, pode ser comemorado. Depois de se classificar na repescagem, surpreendeu na competição - saiu como líder de um grupo difícil e valorizou a vitória holandesa na semifinal, além de proporcionar talvez o lance mais emocionante - e controverso - da Copa, com a defesa de Suárez que impediu o gol de Gana e a consequente eliminação sul-americana.

8.7.10

10 coisas que devemos saber sobre as vuvuzelas

Amadas e odiadas ao mesmo tempo. Se há um legado que a Copa do Mundo deixará às pessoas, a vuvuzela certamente será um deles. Presente há algum tempo na cultura sul-africana, não houve quem não falasse, ao menos uma vez, sobre seu uso. Quando os amantes de futebol em geral foram apresentados à ela, na Copa das Confederações de 2009, não se tinha a menor ideia do que seu impacto causaria. E o objeto ultrapassaria nossa compreensão de apenas ser um zumbido contínuo para ganhar o mundo. No bom e no mau sentido. Veja algumas das coisas que talvez, você não soubesse que uma simples corneta pudesse ser/causar:

A origem
Apesar de sua evidência na Copa do Mundo de 2010, a vuvuzela remete ao folclore e a antiguidade do continente africano. Sua “parente” era feita com o chifre de kudu (uma espécie de antílope nativo da África) e era usado para convocar os membros da tribo para uma reunião, anúncios ou o sinal para o início de uma batalha.

O nome
Outra controvérsia sobre a vuvuzela é quanto ao significado de seu nome. Alguns dizem que vem do zulu (fazer vuvu, uma onomatopéia para barulho). Já o “disseminador moderno” do instrumento na África do Sul, o empresário e ex-zagueiro Neil Van Schalkwyk – proprietário dos royalties sobre o nome – disse que o significado para o nome é “borrifar e lavar você com barulho”. No período de Copa do Mundo, o Google registrou aumento na procura do termo “vuvuzela” em 650%.

O som
Quando tocada, uma vuvuzela produz um som monocórdico (constante, invariável, monótono). Segundo a revista New Scientist, ela produz uma frequência de 235 Hertz – o que quer dizer que o lábio vibra 235 vezes por segundo. A intensidade do barulho pode chegar a 120 decibéis, equivalente a um show de rock, uma sirene de ambulância ou uma turbina de um jato. O volume que o ouvido humano suporta sem chances de causar problemas de audição está entre 80 e 90 decibéis. A analogia ao som produzido por várias vuvuzelas em campo vai de um enxame de abelhas até o estouro de uma manada de elefantes

Popularização
Mesmo com controvérsias da disseminação da “vuvuzela moderna”, ainda se atribui a sua criação ao torcedor do Kaiser Chiefs, Freddie Maake, na década de 1960. Maake afirma que adaptou a parte metálica de uma buzina de bicicleta, retirando a parte de borracha na qual se aperta para fazê-la tocar. Achando o novo instrumento muito curto, ele prendeu um cano ao objeto de metal. Porém o objeto começou a ser barrado em estádios, já que poderia machucar outras pessoas. Assim ela começou a ser produzida em larga escala pela Masincedane Sport, no início da década, toda em plástico – a empresa produz a vuvuzela “oficial”, licenciada pela Fifa para o Mundial de 2010.

Defensores
O uso de um dos símbolos da Copa da África do Sul não é apenas alvo de críticas. Muitas personalidades defendem ou elogiam a atmosfera de festa que a vuvuzela proporciona ao mundo do futebol. Entre eles, o atacante Peter Crouch classificou o instrumento como “brilhante”; o técnico Carlos Alberto Parreira disse “amá-las”; o zagueiro ganês John Pantsil comemorou seu aniversário com bolo, cerveja e vuvuzelas; o meia Wesley Sneijder afirmou que não se incomoda com o barulho e pediu respeito à tradição, assim como o presidente da Fifa, Joseph Blatter; o atacante nigeriano Ogbuke Obasi apelou para a diversão que o objeto traz.

Críticos
Em número bem maior em relação aos defensores e amantes do instrumento, os críticos alegam, entre outras coisas, o barulho ensurdecedor e a dificuldade de comunicação entre atletas e técnicos dentro de campo. Pelé a classificou de “terrível”; Cristiano Ronaldo a acha “irritante”; jogadores da Argentina a culparam pelo gol sofrido diante da Coreia do Sul, quando o zagueiro Demichelis não ouviu os colegas lhe avisarem que vinha um adversário em sua direção para roubar a bola; o zagueiro suíço Senderos acha o ruído do objeto “incômodo”; o shopping da cidade de Bloemfontein, na África do Sul, proibiu que o objeto foi tocado em seu interior; em Pamplona, terra da festa de San Fermín (aquela da famosa corrida de touros) foi proibido o uso, visando o bem estar dos turistas e da população local.

Tecnologia a serviço da vuvuzela
A popularização da vuvuzela fez com que seu som fosse ouvido ou evitado de várias formas. Desde simples protetores auriculares, passando por diversos softwares que prometiam filtrar o som da vuvuzelas das transmissões de TV. Redes de televisão como a inglesa BBC, a portuguesa Meo e a francesa Canal +, após reclamações dos telespectadores, minimizaram o impacto do barulho do instrumento sul-africano. Físicos da Alemanha e da Croácia ofereciam programas grátis que eliminavam o som e deixavam o ambiente habitual de um estádio. Na era digital, o usuário do iPhone tinha opção de baixar o iVuvuzela, aplicativo criado por holandeses que já registrou mais de 1 milhão de downloads.

Vuvuzelas podem ser prejudiciais à saúde
“Tudo demais é veneno”, já diria a sabedoria popular. Com as vuvuzelas, não é exceção. A sul-africana Yvonne Mayer teve irritações sérias na garganta após participar de um “concurso de sopradores de vuvuzela” na Cidade do Cabo. No Zimbábue, um homem brigou com três adolescentes pelo objeto e acabou perdendo a visão de um dos olhos, após ser espancado pelos jovens. Além dos exageros, os médicos alertam que “compartilhar” a vuvuzela pode fazer com que os usuários contraiam germes e bactérias causadores de doenças por via aérea ou oral.

Valor de mercado
Em média, uma vuvuzela tradicional da África do Sul pode custar de 50 a 70 rands (cerca de R$ 12 a R$ 17). Porém, o “criador” da vuvuzela moderna, Neil van Schalkwyk, alerta para a invasão de objetos fabricados na China, que chegam a custar quase 50% menos. Porém segundo o jornal sul-africano Mail & Guardian, 90% do instrumento em circulação no país da Copa tem origem chinesa, que chega a cobrar, em seu modelo mais simples, pouco mais de cinqüenta centavos de real no atacado.

Outros “usos”
Dois traficantes peruanos aproveitavam-se do formato do instrumento para algo engenhoso e criminoso: esconderam 120 papelotes de maconha dentro de diversas vuvuzelas, que seriam vendidas a estudantes de uma escola em Lima, no Peru. A polícia local descobriu o truque e pegou os gatunos no pulo. Na Áustria, um ourives local resolveu inovar, ao decorar uma vuvzela com diamantes e ouro branco, que foi vendida por 17 mil euros para um cliente russo. O objeto será dado como presente a um parceiro de negócios sul-africano do comprador. Com certeza, vai agradar. Resta saber se ela será “tocada” pelo feliz novo proprietário. E quem disse que o som monótono da vuvuzela não pode ser musical? A banda sul-africana Sergeant Fu fez uma verdadeira ode ao instrumento, com uma música homônima com clipe largamente difundido no Youtube e afins. Ainda no país-sede da Copa, a Vuvuzela Orchestra mostra que é possível “domar” o objeto e extrair melodias surpreendentes do objeto. E a iniciativa é existente muito antes da febre do Mundial: no carnaval de Johannesburgo de 2006, a trupe fazia sua primeira performance.

7.7.10

Semifinais - Parte 2

Por Alexandre Azank e André Augusto

Alemanha
Renovação é teu nome

O que dizer da surpreendente Alemanha? Uma seleção jovem, com um técnico jovem e que carrega a experiência de disputar a fase semifinal pela décima segunda vez em dezessete Copas.

Menos badalada do que Inglaterra, Itália, Espanha, Brasil e Argentina, a seleção alemã levou para a África o que tem de melhor na Bundesliga; Bundesliga que diante do Calcio, da Premier League e de La Liga pode ser considerada inferior tecnicamente.

Os alemães têm sim grandes talentos individuais, porém o conjunto se sobrepõe a eles. As peças se encaixam. De todos os jogadores, o que demonstra menos intimidade com a pelota é Boateng, uma ironia em se tratando de um descendente de africanos, que, na teoria, deveria ser um dos mais habilidosos. Schweinsteiger, volante, meia avançado, carregador de piano ou sei lá como quiseram chamar, desequilibra! Isso graças ao treinador, que encontra espaço para deixá-lo jogar sob a proteção de Khedira e o apoio de Podolski e Thomas Müller, grande desfalque desta semifinal. O atleta do Bayern de Munique tem apenas 21 anos e carrega um sobrenome comum entre os alemães, sobrenome que no futebol nos remete a Gerd Müller, um dos maiores craques germânicos e que defendeu a seleção nas copas de 1966, 1970 e 1974. Ele tem tudo para escrever o “seu”Müller na história também, caso o NationalElf avance.

Para o bem da seleção, Özil apareceu neste Mundial e deu ainda mais ritmo para a saída de bola. Ele não retém o jogo como Ballack, substituído por Khedira - mais jovem e mais tático entre defesa e ataque - e com isso o as jogadas fluem com mais facilidade.

A perspicácia de Joachim Löw em armar uma equipe rápida e que joga coletivamente surpreende. O nó tático alemão dado em cima dos argentinos contou com velocidade em contra-ataques, passes precisos e defesa bem armada. Contra a Espanha, que gosta de reter a bola, a tendência é uma Alemanha a espera do bote. Um time frio, que aguarda um erro do adversário para massacrá-lo. O interessante das vitórias alemãs é que a equipe procura o gol e busca consolidar a vitória ao invés de abrir o placar e se limitar a chutar a bola para as laterais.

O embate entre espanhóis e alemães tem tudo para ser memorável diante de duas escolas tão tradicionais e antagônicas. Nesse momento, a camisa de quem já levantou o caneco três vezes pode mais uma vez fazer a diferença, pois a Alemanha sempre será a temida Alemanha. Mesmo mais jovializada.

Espanha
Continuidade é teu nome

Há pouco mais de dois anos, Espanha e Alemanha decidiam a Eurocopa. Mas se a Alemanha manteve o técnico e (por contusão e necessidade) teve que rejuvenescer a equipe, a Espanha trocou de técnico (Luís Aragonés deu lugar a Vicente Del Bosque) e manteve a base campeã europeia em 2008. Da equipe que atuou na maior parte da competição continental, apenas três mudanças: Marchena deu lugar a Piqué na zaga, Busquets entrou no lugar de Marcos Senna na cabeça de área, além de Iniesta efetivado no meio-campo, em lugar de David Silva – Xavi passou a fazer o lado esquerdo do setor. Naquela finalíssima, Fàbregas havia entrado em lugar do contundido Villa, deixando Torres como único atacante de ofício.

Para o tira-teima, desta vez em solo sul-africano, Torres – em má fase – pode dar lugar a um meio-campista, em outra das coincidências que cercam a partida. Só que a equipe de Del Bosque valoriza ainda mais a posse de bola em relação a de Aragonés, o que às vezes torna as ações da Fúria um pouco monótonas, já que a equipe procura a menor brecha para atacar com seus talentosos atletas com paciência, por vezes, excessiva.

Além das boas investidas de Xavi e Iniesta, a ótima fase do artilheiro David Villa é a grande arma da Espanha. O lado esquerdo, guardado por Capdevilla – pior tecnicamente do que há dois anos – é a maior fraqueza da equipe, que se fortaleceu no miolo de zaga, com a boa dupla do Barcelona formada por Puyol e Piqué. A dinâmica do time alemão, muito ágil do meio pra frente e com uma zaga lenta, além dos constantes avanços de Lahm na direita, podem facilitar o trabalho espanhol, uma equipe que se porta melhor em campo quando seu adversário também se lança ao ataque – vide a dificuldade com times compactos defensivamente como Suíça e Paraguai.

*Relembre a análise tática de Espanha x Alemanha, na final da Eurocopa de 2008 clicando aqui e fazendo eventuais comparações com a semifinal desta Copa.

6.7.10

A terceira Laranja

Não deu para o Uruguai. O favoritismo se fez valer e a final da Copa é europeia. Após um jogo tecnicamente truncado com poucas chances claras de gols para ambas as equipes, os holandeses esperaram a retranca uruguaia e venceram por 3 a 2.

Mais uma vez a Oranje soube ser decisiva. Longe de mostrar um futebol que encanta os olhos do público, a equipe mostrou eficiência e frieza. Sendo mais incisiva e controlando as ações da partida, a Laranja Mecânica aproveitou o primeiro vacilo da marcação sul-americana para abrir o placar, com um petardo de Van Bronckhorst. E mesmo depois de a Celeste igualar o jogo, num chute de Forlán, também de fora da área, os europeus mantivearam a serenidade.

Daí entra o dedo do treinador. No intervalo, Bert Van Marwijk percebeu que o rival estava muito acuado e aproveitou-se disso para lançar o técnico Van der Vaart no lugar do insosso De Zeeuw. A substituição surtiu efeito. Assim, Sneijder, muito bem anulado até o momento, conseguiu arranjar mais espaços para atuar. Não à toa, fora ele o autor do segundo gol e o mentor do terceiro, no qual Kuyt aproveitou seu passe para cruzar na cabeça de Robben.

Os uruguaios, por outro lado, sentiram a ausência de Suárez. Além de Cavani ter se mostrado infinitamente mais fraco que o titular, sem Forlán um pouco mais recuado a Celeste atuou sem um homem cerebral no meio-campo. Ponto negativo para Óscar Tabárez, que poderia ter modificado a situação ainda no início da segunda etapa, promovendo a entrada de Loco Abreu no lugar dos apagados Álvaro Pereira ou Gargano. Ao ver o empate conquistado nos primeiros 45 minutos, o entrenador preferiu não arriscar. Pagou caro.

Ainda assim, a performance uruguaia foi digna de elogios. Mesmo com peças individualmente mais frágeis, nunca faltou disposição e garra aos bicampeões mundiais. Raçudos, chegaram a diminuir a vantagem com um gol de Maxi Pereira. Mas era tarde demais. Méritos para os holandeses que, apesar de não mostrarem um futebol espetacular, são decisivos, intelectualmente equilibrados e disciplinados taticamente.

Semifinais - Parte 1

Por Thiago Barretos e Arthur Kleiber

Uruguai e Holanda abrem as semifinais da Copa em situações totalmente opostas. Apesar de ser detentora de dois títulos mundiais, a Celeste chega como zebra, já que nem o mais fanático hincha suporia que a seleção chegaria tão longe. A Oranje, por sua vez, finalmente correspondeu às expectativas de favoritismo e agora, briga para levantar seu primeiro caneco.

Uruguai
O retorno do 4-4-2

Sem contar com Fucile, Suárez e Lugano (única dúvida), Oscar Tabárez promoverá a entrada de Martin Cáceres, Gargano e Godín, respectivamente. Dessa maneira, a equipe sai do 4-3-1-2 e volta ao habitual 4-4-2. Assim, Forlán, que vinha sido aproveitado como armador, retorna a sua posição de origem fazendo dupla com Cavani.

Essas substituições deverão ter impacto no estilo de jogo uruguaio. Mais compacta, a Celeste conseguirá conter o toque de bola holandês com maior eficiência. O problema é que sem o atleta colchonero mais recuado, a bola chegará ao ataque em menor frequência e pior trabalhada, já que o meio-campo sul-americano já mostrou ser muito mais brigador do que criativo.

Caso alguém contribua na marcação de Kuyt pela direita, Maxi Pereira poderá ser uma boa válvula de escape da equipe, uma vez que, pelo lado esquerdo, Cáceres limitar-se-á a marcar Robben. Na zaga, o líder Lugano fará falta. Com sua ausência, o Uruguai perde experiência, determinação e poder de intimidação.

Apesar dos desfalques, a Celeste pode surpreender. Forlán está em grande fase e precisa de apenas uma oportunidade para marcar. Além disso, a zaga adversária é lenta e suscetível a contra-ataques. Mesmo sendo tecnicamente mais limitado que Suárez, Cavani dará trabalho.


Holanda
Pragmatismo para vencer

A Holanda entrou com oito jogadores pendurados para enfrentar o Brasil nas quartas de final, mas perdeu apenas dois com o segundo cartão amarelo: o lateral Van der Wiel e o volante De Jong. Em seus lugares devem entrar Boulahrouz e De Zeeuw, respectivamente. Recuperado de lesão, o zagueiro Mathijsen deve retornar ao time titular, no lugar de Ooijer.

Mudanças que não devem alterar a forma de jogar da única equipe que venceu todos os seus jogos na Copa do Mundo. O time irá atuar da mesma forma que fez contra o Brasil - provavelmente (e esperam os torcedores) como no segundo tempo. Uma vitória sobre o Brasil sempre traz moral e confiança para uma equipe, e com os holandeses não é diferente. O duelo das quartas também deve ter mostrado que a equipe tem que entrar 100% ligada desde o começo.

Ironicamente, o uruguaio Suárez, artilheiro do Campeonato Holandês, está suspenso e não joga, o que é bom para os europeus. Como o adversário deve jogar recuado, esperando o espaço para o contra-ataque, a Oranje vai precisar de paciência. Robben deve ser bastante acionado, para tentar furar a defesa com uma jogada individual. Sneijder é o responsável por fazer a bola rodar e chegar em condições para os atacantes, ou ele mesmo, chutar ao gol. Com a defesa fechada e com um goleiro que não inspira muita confiança (Muslera), o chute de longa distância pode e deve ser explorado.

O homem a ser marcado de perto, claro, é Forlán, que deverá jogar mais adiantado. Em boa fase, um único vacilo diante do sul-americano pode ser fatal. Apesar de ainda não ter mostrado um futebol vistoso até agora, o pragmatismo tem dado certo, e é pensando assim que Bert van Marwijk vai orientar sua equipe. 1 a 0 é goleada e garante o mais importante: a vaga na grande final.

5.7.10

Porque odiamos amá-lo?

Muitos brasileiros tiveram a frustração da eliminação da Copa “aliviada” pela goleada sofrida pela Argentina diante da ótima Alemanha de Müller, Özil, Klose e cia. A tristeza deu lugar para as gozações com o maior rival, sem títulos mundiais há 24 anos – chegará a 28, em 2014. Os principais alvos: Messi – que não fez uma Copa ruim, mas também não desequilibrou quando foi preciso – e o controverso, polêmico e autêntico técnico Maradona.

Dentro de campo, com a bola nos pés, nem ouso compará-lo com Pelé. Os números e história falam por si só em favor do Rei. Mas certamente, Maradona é aquele cara que você gostaria de sentar no bar para tomar uma cerveja, tal sua simpatia e autenticidade. Enquanto Pelé parece inatingível em todos os locais onde aparece, com aquele ar monárquico, Diego é mais terreno, mais “mortal” – apesar de ser um verdadeiro Deus aos olhos dos argentinos.

Ao contrário de Dunga, que gosta de fazer o tipo “paizão rígido”, Maradona faz questão de descer do pedestal em que o colocam e trata a todos os seus comandados como iguais. Mesmo que não entenda nada de táticas e técnicas de futebol, como ficou novamente provado nesta Copa, ele traz o elenco para si adotando o estilo “paizão liberal” – vide a liberação de churrascos, sexo e vinho na concentração da Argentina. Ou o carinho com que ele trata ao falar de Messi, maior craque argentino da atualidade e constantemente comparado a ele. Não que os métodos sejam os ideais. Mas são a cara de Diego.

Mesmo antagonicamente, Dunga também tinha o grupo da Seleção em suas mãos. Porém, o método que ele utilizou – o da parceiragem, do agradecimento e "ditadura" - acabou condenando a equipe na Copa. Ao fechar com aquele grupo, onde muitos de seus pupilos estavam longe do bom momento técnico, o ex-capitão se viu sem opções quando precisou mudar a equipe. Já Maradona pecou por não chamar os medalhões, principalmente o ótimo lateral Javier Zanetti. Certamente, o veterano da Inter ajudaria a resolver o problema que minou a Argentina contra os alemães: o lado direito da defesa, que ele conhece tão bem.

Mesmo não admitindo, muitos vezes por puro orgulho, que brasileiro não reagia positivamente ao ver Maradona à beira do campo ou durante os treinos? O modo paternal como ele tratava os jogadores, com carinho e paciência? Até um fato que poderia ser considerado anti-profissional, como fumar charuto durante os treinos? E claro, as provocações para com o maior rival, garantia de matérias diferentes ante a um padrão de discursos treinados, como eram as chatíssimas coletivas do Brasil de Dunga.

Maradona não é técnico. É como se fosse um torcedor argentino, desses que ficam no bar cornetando, dando instruções ao time. Não precisa vender a imagem de “time de guerreiros” para provar o comprometimento de sua equipe. Essa “humanidade” que nos aproxima de El Pibe, que faz com que as tirações de sarro para com ele, quando a Argentina toma uma surra, sejam mais carregadas – como acontece com um amigo nosso que torce para o time rival - mostra como é bom ter uma figura como a dele no meio do futebol, cada vez mais quadrado, plastificado e dominado pelo media training dos discursos ensaiados e sem graça.

É saudável ter tal irreverência e paixão por perto. A recepção de 10 mil argentinos aos jogadores (e principalmente ao técnico e maior ídolo) no aeroporto de Ezeiza neste domingo fala por si só. Neste caso, gostamos do jeito "politicamente incorreto" de Dieguito. Muitos odeiam ter que amá-lo e admitir: fora do campo de jogo, Maradona é um dos principais pontos desta Copa, de Jabulanis e vuvuzelas.

4.7.10

A pergunta da vez

Antes da Copa começar, Messi era o favorito ao título de craque
Depois da bola rolar, Schweinsteiger entrou na briga

Restando apenas quatro partidas para o fim do Mundial, uma velha pergunta vem à tona: qual foi o atleta de maior destaque nos gramados da África do Sul até o momento? Quem será considerado o craque da Copa?

Até o início das quartas-de-final, o jogador mais regular e mais participativo do torneio havia sido Lionel Messi. Tendo participado de quase todos os gols argentinos, o meia blaugrana mostrou, principalmente na 1ª fase, muita habilidade e protagonizou lances dignos de quem é considerado o melhor do mundo. Mas a queda de rendimento frente ao México e o sumiço diante da Alemanha são imperdoáveis. E sem marcar gols, Lio sai da lista de apostas...

Em termos de constância, o destaque é Wesley Sneijder. Atravessando o melhor momento de sua carreira, o 10 da Oranje esbanja inteligência, crescendo nos momentos em que a Holanda precisa. Foi assim diante da retranca japonesa e na virada frente ao Brasil. Se a laranja Mecânica avançar à final, é meu favorito.

Ao seu lado, aparece Bastián Schweinsteiger. Ex-ponta-de-lança, agora atua como segundo volante graças à insistência de Joachim Löw. Adaptado à nova função, aprendeu muito bem a fechar os espaços pelo meio e a colaborar na marcação. Quando tem a oportunidade de vir detrás, com a bola dominada, mostra a categoria e a velocidade que o consagraram e vira a arma secreta da Nationalelf. Discreto na fase de grupos, foi imprescindível nos mata-matas.

A terceira opção seria David Villa. Com Fernando Torres em péssima forma, o novo atacante do Barcelona tornou-se a maior e a única referência ofensiva da Fúria. Incansável, aparece em todos os setores do ataque adversário. Artilheiro da Copa, com 5 tentos marcados, é o atleta que pode fazer a diferença contra a sensação Alemanha.

Correndo por fora, outras opções. Se o Uruguai for até a final, a eleição do “faz-tudo” Diego Forlán ganha força. Trata-se de um atleta diferenciado que alia força, garra e técnica apurada. Andrés Iniesta e Xávi Hernández fazem uma grande Copa do Mundo. As revelações Mezut Özil e Thomas Müller também. Se Stekelenburg for mais exigido e manter o nível de suas atuações, ele também vira candidato. Enfim, nomes não faltam. E para você, quem será o craque da Copa?

3.7.10

Europa 3 x 1 América do Sul

O orgulho de ter quatro times sul-americanos nas quartas de finais fez com que teorias contra o futebol europeu fossem elaboradas. Poderíamos ter duas semifinais com quatro times da América do Sul... poderíamos! O sangue frio dos europeus superou nossas expectativas. Temos que nos curvar ao futebol do Velho Continente ou torcer para que a Celeste lave a alma do nosso terceiro mundo!

Argentina x Alemanha

“A Argentina será a grande campeã desta Copa”; “O time argentino é mágico, tem tudo para ser tri”. Foram frases como essas que eu ouvi de muitas pessoas nas ruas. Gente empolgada, que esqueceu a rivalidade Brasil-Argentina e se rendeu ao futebol arte apresentado pelos argentinos e que foi deixado de lado pela nossa própria seleção. Eu mesmo me convenci de que nossos “Hermanos” tinham mesmo a melhor equipe, o melhor jogador, e me rendi ao carisma de El Pibe Maradona com seu jeito bonachão, de respostas diretas e que não faz rodeios. Só faltou uma coisa: A Alemanha se render a eles também!

O time alemão, que também joga de uma forma espetacular, mostrou que Copa se ganha em campo. Não adianta ter o melhor time (haja visto Brasil de 1982 e 2006) - tem que jogar! Em poucos minutos Müller começou a dar as primeiras notas no triste tango argentino.

O mérito do técnico Joachim Löw foi jogar em cima da fragilidade da equipe de Maradona. Foi jogar em cima do lateral improvisado Otamendi e contar com a falta de visão do técnico argentino, que permitiu a Schweinsteiger ficar livre para criar e desequilibrar.

A eliminação da Argentina com certeza doeu mais para os seus torcedores do que a da Seleção Brasileira para os conterrâneos. Eles sim tinham convicção e time para vencer a Copa, nós não!

Muito se esperou para ver Messi reverter a situação. Muito marcado, ele não conseguiu ser brilhante, tampouco pôde fazer seu gol na Copa. Como um bom tango, a paixão acabou virando drama. A sequência de golpes dados por Klose, Friedrich, Schweinsteiger e companhia derrubou a Argentina, que literalmente caiu de quatro caiu na Cidade do Cabo.

A Argentina continua na fila. Vinte e quatro anos de espera. E se o tango é uma musica que fala do homem que sofre por causa de uma mulher, hoje essa mulher se chama Alemanha!

Espanha x Paraguai

Já era de se esperar uma Espanha controlando o jogo, trocando passes e aguardando o melhor momento de atacar um Paraguai recuado e que joga em função dos contra-ataques.

O começo mostrou uma equipe paraguaia apertando os espanhóis na defesa. Em alguns momentos, Haedo Valdéz levou mais perigo para Casillas do que a sensação David Villa para Villar. Em um primeiro tempo de poucas oportunidades, o mérito foi do treinador do time sul-americano, que soube neutralizar Villa e Iniesta, jogadores cruciais na criatividade do time espanhol.

Na segunda etapa os toureiros espanhóis continuaram esperando o melhor momento para dar o golpe fatal nos touros paraguaios, mas em uma jogada isolada Piqué cometeu um pênalti infantil em Cardozo. Daí entra o psicológico, entra o poder de mudar o destino do jogo! Assim como Gyan contra o Uruguai, faltou tranquilidade e de certa forma competência para Cardozo converter a penalidade, defendida por Casillas.

O castigo veio a cavalo, um cavalo paraguaio, diria eu! Na sequência, pênalti para a Espanha. Na cobrança, Xabi Alonso fez mas o juiz anulou alegando invasão na área. Na segunda cobrança, Villar pegou a bola e manteve o zero a zero, para sorte de Cardozo.

As falhas acontecem. Em uma delas, Iniesta conseguiu se livrar da marcação, rolou para Pedro que carimbou a trave. No rebote ela procurou ele, David Villa, que chutou e caprichosamente fez a bola bater nas duas traves antes de entrar. O gol marca a passagem da Fúria para a semifinal, que na minha opinião decidirá o campeão. Alemanha ou Espanha devem faturar o caneco em 2010.

Por sorte não veremos Maradona pelado em Buenos Aires como prometeu em caso de título. Por outro lado, o triste de ver o Paraguai fora é saber que a modelo Larissa Riquelme não vai mais desfilar nua pelas ruas de Assunção...uma pena!!

Quartas de final - Parte 4

Paraguai vs. Espanha
Esquecendo o cavalo paraguaio

A última partida desta fase reunirá paraguaios e espanhóis. Franca favorita para conquistar a vitória, a Fúria traz a campo uma equipe extremamente técnica que deposita em seu quarteto mágico (Xavi, Iniesta, Torres e Villa) a esperança de apagar sua velha fama de “pipocar” em decisões. Inferior também individualmente, caberá ao Paraguai fechar-se na defesa para contra-atacar na medida do possível. Resta saber se seu letárgico ataque, enfim, acordará.

A muralha: Apesar de o experiente Casillas ser extremamente competente, ele não atravessa sua melhor fase. Não passa tanta confiança como outrora. Já Villar nunca passou tranquilidade a ninguém e apresenta falhas em vários fundamentos: saída de gol, posicionamento...

O carrapato: O capitão Puyol destaca-se por sua virilidade e força física. Limitado e um pouco lento, sofre para cobrir os avanços dos alas. Alcaraz é ponto de referência da defesa guarani. Sabe sair jogando e é muito bom no jogo aéreo. Única peça em que a vantagem é paraguaia.

O leão-de-chácara: Xabi Alonso é completo. Marca bem, ajuda na transição do meio ao ataque e ainda surpreende com belos chutes de fora da área. Bem mais fraco, Victor Cáceres é o típico volante-destruidor. Mesmo assim, fez falta no jogo contra o Japão.

O carregador de piano: Voltando de lesão, Iniesta não está no auge de sua forma física. Todavia, mostra muita categoria auxiliando os atacantes com passes açucarados ou bons lançamentos. Riveros é o motorzinho da albirroja. Contribui na marcação, aparece na frente e até marca alguns golzinhos. Os contra-ataques nascem nele.

O cérebro: Sem um articulador de origem, o experiente Santa Cruz faz às vezes de armador. Apesar de técnico, é vagaroso. Quebra um galho. Xavi, por sua vez, é o distribuidor de jogadas da Fúria. Dispensa comentários. Poucos atletas mostram tanta intimidade com a bola como ele.

O matador: Até agora, Barríos não justificou todo “oba-oba” de sua convocação. Sabe jogar bola, mas precisa render mais. Villa, ao contrário, tem um bom desempenho. Oportunista, também sai da área quando preciso e movimenta-se demais. Candidato à craque do torneio.

Palpite: Espanha 70%, Paraguai 30%

Quartas de final - Parte 3

Argentina vs. Alemanha
A melhor defesa é o ataque

Provavelmente o confronto mais esperado e equilibrado tecnicamente reunirá argentinos e alemães. Afinal, as equipes que contam com a melhor média de gols marcados reúnem grandes astros do futebol internacional. Embalada pelo carismático Maradona, a Argentina aposta na capacidade intelectual de Messi e nas jogadas efetuadas pela dupla Tevez-Higuaín. A Alemanha vem com um futebol que foge de suas características burocráticas e confia nas criações de Özil e no potencial artilheiro do trio Podolski-Müller-Klose. Favorito? Impossível apostar...

A muralha: Neuer passa muito mais segurança do que Romero. Além de já enfrentar a cobrança de uma torcida fanática por futebol (atua pelo Schalke 04), o alemão sai bem do gol e tem melhor posicionamento. Já o argentino é uma incógnita e mostrou insegurança sempre que exigido.

O carrapato: Apoiado apenas por Maradona, o inconstante Demichelis não passa nenhuma segurança a zaga albiceleste. Fraco, apenas esforçado. Mesmo sendo mais lento que seu adversário, Mertesacker é mais técnico e consegue sair jogando com maior facilidade.

O leão-de-chácara: Num time recheado de meias, Mascherano cumpre o legítimo papel de cabeça-de-área. Marca, chega junto, sai jogando, é o atleta que inicia a maioria dos ataques. Schweinsteiger é menos vigoroso. Compensa essa dificuldade apresentando habilidade e boa chegada para remates de longe. É o volante mais ténico do Mundial. Duelo equilibrado.

O carregador de piano: Em campo, Tevez é um exemplo de dedicação e raça. Marca a saída do lateral, volta no meio para colaborar na armação e aparece na frente para finalizar. Podolski, mesmo correndo menos, tem um papel tático importantíssimo. Ao cair pelos dois flancos do campo, sempre vira opção ofensiva.

O cérebro: Messi é o atleta que mais chama a responsabilidade para si neste Mundial. Craque, pode decidir o jogo em apenas um toque na bola. Özil é a grande reveleção do torneio. Canhoto, representa o toque refinado do meio-campo da Nationalelf. Mas Messi é Messi.

O matador: Empate. Limitado, o experiente Klose exerce um ótimo trabalho como pivô e passa tranquilidade aos mais jovens. Quando não jogou, fez falta. Outrora contestado, Higuaín mostrou oportunismo ao marcar 4 gols no torneio. Ninguém lembra mais de Milito...

Palpite: Argentina 50%, Alemanha 50%