31.12.10

Salvando o fim de ano

No Brasil, o fim de ano marca a intertemprada da grande maioria dos esportes, principalmente, o futebol. Retrospectivas, inúmeros VTs de jogos marcantes, transmissão ao vivo das peladas de final de ano e as matérias "diferentes" dos programas esportivos, que tem de rebolar para extrair dessa época uma boa pauta (o que, quase sempre, não é possível). Além disso, somam-se as especulações, algumas delas, absurdas, que cansam a paciência e até mesmo, a inteligência do torcedor/telespectador.

Eis que, na ESPN braslieira (infelizmente, fechada nos canais à cabo ou satélite), começam a ser transmitidos os excelentes "30 for 30", pequenos filmes documentados que retratam alguns dos grandes ou marcantes acontecimentos esportivos dos últimos 30 anos (na época em que se iniciou o projeto, em 2009, a emissora esportiva completava três décadas de vida), na ótica de renomados diretores. Um primor, em 30 minutos de película (mais 30 de comerciais).

Tem produções para todos os gostos e modalidades. Desde o cultado futebol americano, passando pelos sucessos "made in USA" da NBA, NHL (hóquei) e MLB (baseball), até outras modalidades como basquete, Nascar, BMX, rúgbi e até mesmo o futebol – que ainda tenta ganhar espaço por lá.

Obviamente, não consegui assistir as 30 produções. Porém, vi três: "Once Brothers", "Reggie Miller vs New York Knicks" e "Jordan Rides the Bus". A primeira, uma história trágica do basquete iugoslavo, promissor entre o final da década de 1980 (quando foi prata nas Olimpíadas de Seul) até pouco tempo após a fragmentação do país, que viu Croácia e Eslovênia se tornarem independentes, travando violento conflito contra a ex-nação. Único de origem sérvia daquele time, Vlade Divac se envolveu num incidente onde tomou a bandeira da Croácia de um torcedor durante as comemorações do título mundial conquistado pela Iugoslávia, em 1990 – ele alegou que a conquista era iugoslava, não sérvia, nem croata. Seu melhor amigo e croata, Drazen Petrovic (além dos outros de mesma nacionalidade da equipe) tomaram a atitude como ofensa pessoal e patriótica e "isolaram" Divac, que nunca falaria mais com o ex-companheiro, promissor talento do New York Nets, morto em um acidente de carro, em 1993.

O outro contra a história dos confrontos entre o Indiana Pacers, de Reggie Miller, diante do New York Knicks, nos playoffs da NBA de 1994 e 1995. Visto como o confronto dos "metidos" da cidade grande da Big Apple contra os "caipiras" de Indiana, conta a rivalidade que se formou em torno desse jogo, com Miller sendo o protagonista. Já Michael Jordan não é abordado pela ótica de "Pelé do basquete", quando conduziu o fantástico Bulls dos anos 1990. Mas da sua transição de "deus" daquele esporte ao nível dos mortais do baseball, esporte que não praticava desde que se tornou profissional e pelo qual abandonou sua gloriosa carreira atendendo um desejo de seu pai, então, recém-falecido. Sem a mesma habilidade com o bastão, em relação à bola laranja, foi realizar seu sonho de atuar profissionalmente pelo baseball em uma equipe fora da elite da Major League Baseball (MLB), envergando a camisa do Birmingham Barons, do segundo escalão do esporte, sem nenhum tipo de vaidade comum a um astro.

Reggie Miller, dos Pacers, já foi o "inimigo número 1" de Nova York

Há outros (lista completa, aqui), como "The 16th Man" (a história da atuação da lenda sul-africana Nelson Mandela, no incentivo à seleção de seu país para a conquista da Copa do Mundo de Rugby, em 1995), "The Two Escobars" (que conta sobre as "conexões" do zagueiro Andrés Escobar, famoso pelo gol contra que ajudou a eliminar a Colômbia da Copa de 1994, e do traficante Pablo Escobar, ambos assassinados) ou "The Band That Wouldn't Die" (espécie de charanga do antigo Baltimore Colts, franquia de futebol americano que depois se mudaria para Indianapolis, que permaneceu na ativa mesmo após a troca da franquia, em 1984).

Alguns desses títulos saíram em DVD, que infelizmente, são importados. Porém, vale a pena uma espiada em qualquer um dos títulos, já que a ESPN anda transmitindo alguns deles neste final de 2010 – principalmente pelo período de entressafra de futebol. É o esporte sendo abordado por outras óticas, diferentes das convencionais.

PS: Apesar do longo tempo de inatividade neste mês de dezembro, o blog segue com as atividades em 2011. Um ótimo Ano Novo aos leitores e visitantes, com muitas realizações.

19.12.10

Efeito Iniesta

Torcida do Espanyol exibe homenagem ao "rival" Iniesta, com camisa de número do falecido capitão blanquiblau Dani Jarque: gratidão dupla

Bicampeão Espanhol, Campeão do Mundo – com direito ao gol do título inédito da Fúria – e postulante ao prêmio Bola de Ouro, concedido ao melhor jogador do ano, ao lado dos companheiros de Barcelona Messi e Xavi. Este 2010 foi um ano mágico para Andrés Iniesta, verdadeiro reloginho do fantástico Barcelona de Pep Guardiola. O incansável meio-campo teve evolução espantosa nas últimas temporadas e se tornou um dos principais atletas da atualidade.

Mas quando parecia que o camisa 8 blaugrana tinha fechado um ano fantástico, aconteceu o dérbi deste último sábado entre Espanyol e Barcelona, em Cornellà El-Prat, novíssimo estádio dos Blanquiblaus. Como de praxe, todos os torcedores do estádio vaiavam os jogadores e rivais do Barça, até que foi anunciado o nome de Iniesta. E as hostis vaias se transformaram em salva de aplausos e agradecimento. Esse cenário, que soa surreal, aconteceu porque no momento máximo da história do futebol espanhol, Iniesta fez o gol do título mundial sobre a Holanda, no Soccer City de Johannesburgo. E comemorou mostrando a mensagem de homenagem a Dani Jarque, 26, capitão dos Periquitos que morreu por um problema no coração em agosto de 2009, durante a pré-temporada da equipe na Itália. "Dani Jarque, siempre com nosotros" (Dani Jarque, sempre conosco), eram os dizeres de Iniesta ao amigo.

Lembrar de um dos símbolos recentes da história do rival – estava no clube desde os 12 anos e havia assumido a tarja no início daquela temporada – de forma tão espontânea e depois doar a camisa que foi exibida para o mundo todo para o museu do clube fez com que a rivaldade fosse posta de lado. O agradecimento foi tão espontâneo quanto o gesto de Iniesta na África do Sul.

No mesmo dia da ovação a um atleta arquirrival, as diretorias dos dois clubes já haviam selado as pazes antes do clássico catalão. As relações entre ambos estava estremecida desde 2005, quando o Barcelona se recusou a vender o atacante Javier Saviola, então dispensável nos blaugranas, para o "inimigo". Mas o gesto de Iniesta na final da Copa e ao doar a camisa que homenageou Jarque ao Espanyol, no último mês de novembro, ajudou decisivamente nesta reaproximação.

"Acima de qualquer rivalidade, estão as pessoas", disse o meia, após o jogo e as homenagens. Quando deixou o campo para dar lugar ao volante Seydou Keita, o estádio explodiu em novas e incessantes palmas, retribuidas pelo homenageado (vídeo abaixo). E o Barcelona, como de costume, massacrava o rival dentro de seus próprios domínios, por 5 a 1. Nada que impedisse o gesto de gratidão, uma das cenas mais surpreendentes do futebol nos últimos tempos.

O jogo bonito deste que caminha para ser o maior e mais vencedor Barcelona de todos os tempos ganhou mais um capítulo com o gesto entre Iniesta e Espanyol, que transpôs uma rivalidade de muitos anos. (Mais um) ponto para o Barça. Olé, aos torcedores blanquiblaus.

16.12.10

O retorno do Rey

Texto originalmente redigido para a seção "Meninos ganham campeonatos", do Olheiros

Como na Sul-Americana de 2010, Independiente mesclou experiência com nova geração para conquistar a América e o Mundo em 1984

Campeão da edição 2010 da Copa Sul-Americana, o Independiente claramente se inspirou no glorioso passado para retomar as conquistas que o fizeram temido na América do Sul. O Rey de Copas é o maior vencedor da história da Copa Libertadores, heptacampeão do torneio (1964, 1965, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1984).

A atual geração, que conduziu o Rojo a um título continental após 15 anos – desde a conquista da Recopa de 1995 –, possui alguns jovens oriundos da base, como os zagueiros Velásquez e Galeano, os volantes Godoy e Fredes e o meia Patrício "Pato" Rodríguez. Da mesma forma, a equipe que conquistou a última Libertadores do clube e o Mundial em 1984 também tinha diversos jovens em seu elenco, como o zagueiro Nestor Clausen e o meia Jorge Burruchaga. – campeões do mundo com a seleção em 1986 –, além do lateral Carlos Enrique e do atacante José Percudani.

Regidos pelo experiente Ricardo Bochini, também vencedor da Copa do Mundo de 1986 e cria da própria “cantera del diablo”, o time fluiu. O sangue novo foi primordial para fortalecer a boa equipe, que conquistou sua última grande glória naquele 1984, um ano após o fim da repressiva ditadura militar na Argentina.

Campeonato dos sonhos

A equipe comandada pelo técnico José Omar “Pato” Pastoriza amargava jejum de quase seis anos sem um título nacional e oito sem um título continental em 1983, ano em que ele chegou ao comando do clube de Avellaneda. No caminho para o fim desta incômoda escrita estava o arquirrival Racing Club, adversário da última rodada do Argentino, que estava ferido por um rebaixamento à segunda divisão decretada na partida anterior. O Independiente, líder com um ponto de vantagem sobre San Lorenzo e Ferro Carril Oeste, precisava vencer em casa para ser campeão e esfregar a taça na cara dos rivais.

E a “partida perfeita” se concretizou em 22 de dezembro de 1983. Os Rojos venceram por 2 a 0, gols de Giusti e Trossero, evitaram de perder o título do Campeonato Metropolitano (equivalente ao atual Torneio Apertura) e foram campeões no ano em que o maior rival foi rebaixado pela primeira vez. “Nunca vi um clima tão especial. Era festa numa metade de Avellaneda e funeral para a outra”, resumiu Pastoriza à época.

Trossero (à dir.) marca e o já rebaixado Racing não impede a festa do título dos arquirrivais

Mescla campeã

Boa parte da equipe campeã nacional foi mantida para a Libertadores de 1984, na qual as equipes argentinas encarou as paraguaias na primeira fase – antes, a Conmebol organizava o confronto das chaves pelos países que as equipes representavam. Com cinco grupos, apenas os campeões se classificavam às semifinais, que com a entrada do campeão do ano anterior (no caso, o Grêmio), formavam duas chaves, onde o vencedor de cada uma delas faria a grande final.

Assim, entrou em campo a mescla vencedora. Aquela equipe tinha em Ricardo Bochini, 30 anos, seu grande referencial técnico e icônico. Cria do clube e eleito como um dos melhores jogadores argentinos da história, “El Bocha” havia feito parte do time tetracampeão da América, entre 1972 e 1975 – inclusive, sendo companheiro de elenco do então meio-campista Pastoriza na conquista de 1972 – e multicampeão nacional. Com 638 jogos, detém o recorde de atuações pelo clube, única camisa que defendeu em sua carreira, de quase 20 anos. Dos seus pés, saiam passes preciosos para o ataque formado pelo jovem Percudani, 19, e o experiente Alejandro Barberón.

Bochini era auxiliado por Jorge Burruchaga, meia com vocação de goleador. Revelado no Arsenal de Sarandí, tinha apenas 22 anos e chegou à Avellaneda em 1982. Na zaga, mais duas revelações: Clausen e Enrique entraram nas laterais naquela temporada, dando mais vitalidade à defesa de 1984. Com os ingredientes misturados neste caldeirão, Pastoriza construiu uma equipe primava pelo jogo ofensivo e de toques precisos. Mas que não se envergonhava de ficar retrancada atrás, caso a situação assim pedisse. A dosagem perfeita para se jogar um torneio tão peculiar como é a Libertadores.

Num grupo composto por Estudiantes, Olímpia e Sportivo Luqueño, o Independiente só se classificou na última rodada, ao vencer o Olímpia, em Avellaneda, por 3 a 2. Porém, no triangular das semifinais, os Rojos utilizaram o famoso jogo copeiro, tão característico ao futebol argentino: empatar fora e vencer em casa. Por isso, classificou-se sem dificuldades frente ao Nacional de Montevidéu e à Universidad Católica. Porém, a grande final era um verdadeiro osso duro: o atual campeão Grêmio, que tinha em suas fileiras jogadores como o zagueiro uruguaio Hugo de León e o atacante Renato Gaúcho, polêmico e goleador.

Nas duas finais, jogos parelhos. Contudo, brilhou a estrela de Burruchaga, que no primeiro jogo marcou o gol da vitória em pleno Estádio Olímpico – dois anos depois, o fiel escudeiro de Maradona mostraria novamente sua vocação de herói, ao marcar o gol do título mundial para a Argentina, diante da Alemanha Ocidental. Na partida de volta, o Rojo segurou o placar sem gols e garantiu sua supremacia continental.

Vingança contra os ingleses

A coroação da equipe de Pastoriza, Bochini e compania viria em Tóquio, na final do Mundial Interclubes, diante do Liverpool. O confronto contra os Reds acabou transcendendo as quatro linhas. Para o povo argentino em geral, a cicatriz da derrota para a Inglaterra na Guerra das Malvinas, dois anos e meio antes, estava aberta. E aquela partida era a primeira entre equipes argentinas e inglesas após o conflito. “Pela rua, nos paravam e quase nos exigiam que ganhássemos aquela partida. Se tornou uma vingança. Era impossível que aquilo não nos influenciasse. Por isso, trabalhamos para dominar este sentimento”, analisou Carlos Goyén, goleiro uruguaio campeão argentino, sul-americano e mundial daquela equipe.

O jogo foi tenso, amarrado e sofrido para o Rojo, que saiu em vantagem logo no início da partida, com Percudani. Dono de quatro das últimas oito taças da Champions League, o Liverpool pressionou muito. Mas a raça argentina falou mais alto e o Estádio Nacional de Tóquio foi palco da doce vingança dos hermanos, personificada na camisa vermelha do Independiente. Ao menos no campo de futebol, a batalha pendeu para o outro lado.

A conquista em terras japonesas marcou novamente o auge do Rey de Copas no futebol argentino. Terceiro maior vencedor de títulos nacionais (14 conquistas, atrás de River Plate e Boca Juniors), a parte vermelha de Avellaneda conquistou apenas mais três argentinos, duas Supercopas e uma Recopa contabilizando os últimos 26 anos. A última conquista de expressão foi o Apertura de 2002.

Por isso, o elenco campeão da Copa Sul-Americana trouxe de volta um clima de nostalgia à Avellaneda. Jogadores rodados ou experientes como o zagueiro Tuzzio, o ala Mareque e o volante Battión deram ao Rojo um novo título continental – mesmo secundário dentro da América do Sul –, ao lado de jovens criados na “cantera del diablo”, casos de Velásquez, Galeano, Godoy, Fredes e Rodríguez. Uma bela e justa homenagem aos precursores da geração de 1984.

Ficha Técnica

Clube: Independiente
Treinador: José Omar Pastoriza
Competição: Copa Libertadores/Mundial Interclubes
Ano: 1984
Escalação: Goyén; Clausen, Villaverde, Trossero e Carlos Enrique; Giusti, Marangoni, Bochini e Burruchaga, Percudani e Barberón

13.12.10

Os 11 do Brasileirão 2010

Os onze Bola de Prata da Placar/ESPN também são os onze deste blog

Em meio a acusações de malas brancas e polêmica e "jogos entregues", encerrou-se mais um Brasileirão. E quem apostou em jogos fáceis ou de cartas marcadas aos três postulantes ao título, quebrou a cara. Emoção até o final, resultados apertados e o Cruzeiro garantiu o vice-campeonato no final da partida. Prova de que os pontos corridos tem sim boa dose de emoção. E apesar da regularidade do Corinthians, sempre entre os três primeiros, falou mais alto o equilibrado elenco do Fluminense, que mesmo atravessando período de contusões, não foi tão devastado pelas perdas quanto o rival paulista. O mesmo vale para o Cruzeiro, que demorou um pouco mais para embalar, mas esteve sempre entre os cabeças do torneio.

Nos prêmios mais importantes destinados aos melhores do campeonato, domínio natural dos três primeiros. Porém, o Timão emplacou mais jogadores, tanto na seleção escolhida para a Bola de Ouro na Placar/ESPN (quatro), quanto na equipe escolhida pela dobradinha Globo/CBF (três). Mas a sorte não sorriu ao Corinthians, único dos postulantes ao caneco que precisou trocar de técnico e que sofreu maior seca sem vitórias (sete, contra cinco do Flu e apenas três do Cruzeiro). Comparando os 11 titulares do trio, vejo o time paulista com qualidade um pouco superior aos adversários. Mas, como dito acima, faltou elenco, primordial para se chegar a uma conquista de um longo campeonato como o Brasileiro. E o Corinthians perdeu pontos preciosos para times pequenos, como Ceará, Atlético-GO, Grêmio Prudente e Goiás, apesar de ter se dado melhor diante dos grandes e jogando dentro de casa – com desempenho pífio fora de casa, com somente quatro vitórias.

O título ratifica o esplendor do argentino Dario Conca, de longe, o destaque do torneio. Exalta a estrela de Muricy Ramalho, demitido após dar o tricampeonato ao São Paulo e sofrer no Palmeiras problema semelhante ao Timão deste ano: contusões de jogadores-chave. O técnico, com quatro títulos nacionais em seis anos (além do vice por um fio, em 2005), superou os problemas internos e até mesmo políticos do Tricolor carioca, conduzindo-o justa e brilhantemente ao título.

Meus onze são idênticos ao da seleção da Placar/ESPN (à excessão do técnico) e constata uma aberração na zaga do time escalado pela Globo/CBF, a diferença entre as duas. Enquanto Miranda fez a pior temporada desde que chegou ao São Paulo, em 2006, o jovem Dedé, 22 anos, pode ser considerada uma das revelações da competição e possui alguns números importantes, como o terceiro maior ladrão de bolas (161, no total). Porém, longe de ser um dos melhores do torneio da nona defesa mais vazada do certame. Abaixo, os 11 no tradicional esquema 4-4-2.

Fábio – O capitão e camisa 1 do Cruzeiro, há tempos, faz atuações consistentes no gol celeste. Porém, ainda não foi lembrado por Mano Menezes na seleção. É tão bom quanto Victor e melhor que Jefferson, do Botafogo, que também era postulante ao gol das seleções. Revelação, Neto do Atlético-PR fez ótimo papel. Na reta final, surgiram boas atuações de Júlio César, Ricardo Berna e Deola, assim como o veterano Rogério Ceni. Mas o arqueiro celeste foi mais constante.

Mariano – O futebol nacional ainda vive problemas agudos nas duas laterais. Renascido no Flu, depois de ter surgido com destaque no Cruzeiro e ficado só como promessa, é ótimo e incisivo apoiador, apesar de não mostrar a mesma eficiência na defesa. Porém, o camisa 2 do Tricolor carioca não teve adversários à altura na posição.

Chicão – Experiente, mostrou sua importância durante a ausência de mais de dois meses na zaga Alvinegra. William, longe da melhor técnica, e substitutos como Thiago Heleno e Leandro Castán não deram a mesma segurança ao setor defensivo. O retorno do camisa 3 e a chegada de Tite melhoraram sensivelmente a zaga da equipe. Nas últimas nove rodadas, foram apenas três gols sofridos.

Alex Silva – No retorno ao Tricolor, Pirulito mostrou a qualidade habitual: ótimo no jogo aéreo e na saída de bola, se saiu melhor que o companheiro de zaga, o ótimo Miranda. Na compararção com Dedé, rouba menos bolas (21,7 contra 15,3 por partida). Porém, é melhor passador (aproveitamento de 87,3, contra 78,9) e comete menos faltas que o adversário vascaíno.

Roberto Carlos – A exemplo de Mariano, sofre com a falta de adversários em sua posição. Apesar de veterano, o camisa 6 fez um campeonato razoável, mesmo com uma pequena queda no segundo semestre, por conta de uma lesão na coxa que o limitou. Único em atividade que dosa com qualidades idas ao ataque com coberturas na defesa, está entre os quatro maiores assistentes de gol do Brasileirão: foram nove passes que terminaram em gol.

Jucilei – A evolução do camisa 8 corintiano no segundo semestre foi espantosa. Marcador, ótimo na transição ao ataque e forte fisicamente, o volante era arma poderosa no Timão para desmonstar a defesa adversária. Maior ladrão de bolas do Brasileirão (167), possui ótimo índice de acerto de passes (86,4%). A Europa parece questão de tempo, caso continue evoluindo.

Elias – Volante de ofício, Elias fazia também as vezes de armador da equipe, o caso clássico do segundo volante extremamente rápido e técnico. Apesar de não ser tão eficiente na marcação quanto seu companheiro, é mais ágil, tem melhor índice de passes certos e finaliza melhor ao gol. Tanto incentivou a disputa entre Benfica e Atlético de Madrid pelo seu passe. Melhor para os espanhóis, vencedores do leilão.

Montillo – A excelente Libertadores com o Universidad de Chile fez o Cruzeiro dar o bote neste meia argentino, decisivo para o crescimento do Cruzeiro no Brasileirão. Mais constante que Bruno César, Montillo é o meia clássico, de passes e cruzamentos precisos. Mesmo com o faro goleador do incisivo Bruno, o hermano teve atuações mais regulares, já que o corintiano alternava boas partidas com jogos muito apagados.

Conca – Em meio às contratações galácticas dos "europeus" Deco e Belletti, além de Émerson, o camisa 11 do Flu desequilibrou decisivamente. Em campo nas 38 rodadas, ajudava na marcação, deu o maior número de assistências da competição (19 passes), marcou nove gols e decidiu outros tantos jogos para o campeão brasileiro. Assim como o compatriota Tevez em 2005, foi o diferencial do campeão.

Neymar – Polêmicas à parte, a joia santista teve um ano de 2010 de franca evolução. Ao contrário de Jonas, seu parceiro de ataque nesta seleção, ainda é franzino fisicamente. Mas mostra capacidade espantosa de converter gols em situações de extrema dificuldade. Mesmo com um Santos enfraquecido com a ausência do maestro Ganso, o garoto não fugiu da raia e marcou 17 gols, arrebatando a vice-artilharia. E ganhou do gremista no quesito artilharia do ano, com 42 gols marcados, um a mais que Jonas.

Jonas – Mostrou faro de gol impressionante em situações diversas: pênalti, de cabeça, oportunamente, com técnica, arremate de longa distância. Não à toa, é chamado de “Mestre Jonas” pelos torcedores gremistas. Depois de Conca, foi o grande destaque deste torneio, com impressionantes 23 gols e oito passes para gol. Porém, terá de quebrar uma espécie de maldição: à exceção de Romário (2005) e Washington (2008), os artilheiros de Brasileirão desde 2003 fazem temporadas pífias ou discretas na temporada seguinte: Dimba, Souza, Josiel, Keirrison, Kléber Pereira, Adriano e Diego Tardelli.

Renato Gaúcho - Muricy é brilhante, escreveu seu nome na história com o quarto título e conduziu com destaque o Fluminense até o bicampeonato nacional. Mas não é possível se ignorar a condução do Grêmio da 18ª posição à Libertadores graças ao ótimo aproveitamento de Renato: 68% de pontos disputados – 75%, considerando somente o segundo turno, do qual o Grêmio foi a melhor equipe, com 43 pontos conquistados de 57 possíveis. Sem a arrogância que marcou sua ótima passagem final pelo Flu vice-campeão da América em 2008, o técnico mostrou não ser mais motivador do que estrategista. Dosou ambas com precisão, deixando o Tricolor gaúcho mortal nesta segunda metade do certame.

10.12.10

Colômbia 3: possíveis adversários do Timão na pré-Libertadores

O gol no final da partida contra o Palmeiras, na última rodada, colocou o Cruzeiro com a vaga direta à Libertadores e relegou o Corinthians para a fase preliminar da competição. Mas ao contrário do Grêmio, que na mesma situação já sabe que vai enfrentar o Liverpool uruguaio – clube desconhecido do país celeste e que entrou por conta do desempenho no Apertura e Clausura (terceiro na classificação geral) – o Timão só vai conhecer seu adversário após a definição do “Colômbia 3”, equipe com a melhor campanha na soma entre o Apertura e o Finalización do país. A rodada final do quadrangular semifinal acontece neste domingo, quando o torneio conhecerá seus postulantes ao título (Colômbia 2). São três os possíveis candidatos: o Deportes Tolima, Santa Fe e o mais conhecido dentre eles, o Once Caldas – campeão da Libertadores em 2004 batendo Santos, São Paulo e Boca Juniors.

Situação do Recolocación, a uma rodada do final do quadrangular semifinal

Mesmo sem resultados expressivos nos últimos anos (exceção feita ao próprio Once Caldas), alguns ainda temem o futebol colombiano. Outros não enxergam tantas dificuldades e analisam uma passagem com facilidade pelas equipes cafeteras. Por isso, o Opinião FC procurou um especialista no futebol local: Tomás Guzmán Torres, editor de esportes do site Colombia.com, analisou os possíveis candidatos a confrontar o Alvinegro, na luta pela vaga ao também complicado Grupo 3, que já tem o Cruzeiro garantido, o Guaraní-PAR e um argentino (Vélez Sarsfield ou Estudiantes de La Plata, o campeão do Apertura).

Santa Fe Corporación Deportiva
Cidade: Bogotá, 2.625m de altitude

Conhecido como Los Cardenales, a equipe da capital Bogotá não ganha um título nacional desde 1975. Líder do Grupo A do quadrangular semifinal com 10 pontos, enfrenta o rival direto Deportes Tolima na última rodada precisando apenas de um empate em casa para chegar às finais, diante do já classificado Once Caldas. A força da equipe nesta temporada esteve na compactação defensiva, com a ajuda do meio-campo de contenção dos jovens Daniel Torres – chamado de El León pelos companheiros – e Alejandro Bernal. O cérebro da equipe é o argentino Omar Pérez, 29, revelado pelo Boca e rodado dentro do futebol portenho na própria Colômbia. O homem-gol é o grandalhão Cristian Narazit, 1,90m, 20 anos e sete gols no torneio. “O favorito para ganhar o jogo é o Santa Fe pelo o futebol que tem mostrado nas últimas rodadas”, destaca Tomás. Porém, dentre os três postulantes ao título, é o menos ofensivo, com 59 gols em 41 jogos nesta temporada.

Corporación Club Deportes Tolima
Cidade:
Ibagué, 1.285m de altitude

Campeão colombiano apenas em uma oportunidade (2003), Los Pijaos mostraram muita regularidade na temporada colombiana. É a melhor equipe na tabela do Recolocación, cinco pontos à frente do Santa Fe, o qual enfrenta neste domingo, fora de casa. Caso não chegue à final, tem grandes chances de ser o adversário do Timão na Libertadores. A cidade de Ibagué, onde o time manda seus jogos, dista 180 km da capital Bogotá e tem altitude relativamente moderada, boa pedida para os brasileiros. “Possuem ótimo contra-ataque, pela velocidade de seus atacantes [Jorge Perlaza e Wilder Medina] e verticalidade em seu jogo, com o trabalho de Diego Chara no meio-campo. É um dos melhores times de futebol colombiano nos últimos anos. Permanece no topo. Sua última aparição internacional foi na Sul-Americana de 2010 e foi eliminado nas quartas de final contra o Independiente. A equipe de Ibagué mostrou bom jogo, mas foi afetada pela arbitragem”, explica Tomás. Medina disputa a artilharia do campeonato, com 15 gols, enquanto Perlaza tem 10. Duas vezes semifinalista da Libertadores nos anos 80, foi eliminado na fase de grupos em suas duas últimas participações (2004 e 2007).

Corporación Deportiva Once Caldas
Cidade: Manizales, 2.160m de altitude

A equipe que surpreendeu a América do Sul em 2004 não é mais a mesma. Ainda assim, Los Albos são uma equipe forte e experiente, que sempre sufoca os adversários atuando em seu estádio, o Palogrande. A equipe atual é muito mais ofensiva do que o ferrolho defensivo montado pelo técnico Luis Fernando Montoya na equipe campeã da Libertadores. “Tem um poder ofensivo letal. Dayro Moreno e Fernando Uribe se destacam na frente. Jaime Castrillón é o equilíbrio no meio-campo e Felix Micolta dá o oxigênio no lado direito”, explica Tomás. Apesar de ter a dupla mais goleadora da competição (Moreno tem 15 gols e Uribe, 12), perde no total de gols marcados, em relação ao Tolima (84, contra 79). Classificado para a final com sobras, é o favorito ao título nacional. Atrás dos dois rivais na soma do Recolocación, dependerá de uma vitória na última rodada para ficar em boa situação na tabela e enfrentar o Corinthians, caso perca o campeonato.

Mesmo ainda em processo de reconstrução do elenco, o Corinthians é favorito nos duelos, que acontecerão entre 26 de janeiro e 2 de fevereiro. Porém, a equipe de Tite necessita de um bom resultado em casa para atuar com tranquilidade na Colômbia, onde pode encarar a temida altitude. Mas todo cuidado é pouco. Ainda mais porque os colombianos já tiveram uma amostra do Corinthians em 2010, quando encarou o Independiente Medellín na fase de grupos da última Libertadores. E não ficaram tão impressionados assim. “Ronaldo e Roberto Carlos são respeitados por sua carreira, mas não deixaram uma boa impressão neste ano, quando visitaram o Independiente Medellín pela Libertadores, especialmente Ronaldo. Ele mostrou uma falta de ritmo e excesso de peso. Roberto Carlos parece que não é o mesmo da época de Real Madrid”, analisa Tomás.

Nota do blog (13/12, 17h41): Com a rodada final do quadrangular neste último domingo, que teve a vitória do Tolima sobre o Santa Fe por 1 a 0 e a derrota do Once Caldas para o Cucuta por 2 a 1 (perdendo uma invencibilidade de 16 jogos), o Finalización terá Once Caldas e Tolima na final. Não há gol fora e em caso igualdade nas duas partidas, a decisão vai para os pênaltis. Posto isso, a definição do "Colombia 3" tem três variantes:
  • Se for vice-campeão empatando um dos jogos e perdendo o outro por até dois gols de diferença, o Once Caldas chegará a 75 pts e empata com o Santa Fe. Porém, ganharia na diferença de saldo de gols (atualmente tem 19, contra 17 do Santa Fe) e no número de gols marcados (80 a 59), os dois primeiros critérios de desempate, de acordo com o regulamento do torneio, artigo 16. Com isso, seria o Once Caldas o adversário do Corinthians.
  • Caso o Once Caldas empate uma e perca a outra partida por mais de 3 gols de diferença (ou perca ambas), dá Santa Fé x Corinthians na pré-Libertadores.
  • Já com o Once Caldas campeão, o Timão enfrenta o Tolima. Mesmo se os Albos ganharem os dois jogos, chegariam apenas a 81 pontos no Reclasificación (Tolima tem 83, além de não poder ser mais ultrapassado pelo Santa Fe, terceiro).

7.12.10

Título em boas mãos

Apesar de algumas polêmicas no final, o título do Campeonato Brasileiro ficou em boas mãos. Merecidamente, o Fluminense conquistou o bicampeonato tendo como principais figuras dois maestros: Conca comandou o time dentro das quatro linhas, e Muricy Ramalho fora delas.

O argentino brilhou com gols, assistências e uma incrível regularidade. De forma incrível, jogou todas as 38 partidas da equipe na competição, mostrando que além de rara habilidade, visão de jogo e técnica, tem também um condicionamento físico invrível e grande disciplina, já que tomou apenas dois cartões amarelos durante o certame. O Tricolor carioca sofreu com muitas lesões, algumas entre os principais jogadores, mas Conca chamou a responsabilidade e manteve o time sempre nas primeiras colocações. Claro que ninguém faz tudo sozinho, mas fazia tempo que não via apenas um jogador praticamente levar o time nas costas, e por tanto tempo.

No banco, Muricy Ramalho mostrou que a queda com o Palmeiras na temporada passada foi uma fatalidade, que envolveu muitos fatores, e também que o tricampeonato conquistado com o São Paulo não foi fruto apenas da estrutura do time paulista, como gosta de se vangloriar a arrogante e ultimamente incompetente diretoria são-paulina. O treinador soube utilizar o elenco e valorizar alguns atletas esquecidos, como sempre fez no São Paulo, superou a ausência de jogadores como Fred e Emerson (Deco um pouco mais no final) durante quase todo o segundo turno, para chegar ao seu quarto título brasileiro nos últimos cinco anos! Sem contar que ficou com o vice em 2005, no campeonato manchado pelo escândalo da arbitragem de Edilson Pereira de Carvalho.

Outro mérito de Muricy foi saber tirar o melhor proveito do grupo, sem que vaidades pudessem interferir no seu trabalho. Teve oportunidade quem treinava bastante, se dedicava e mostrava serviço dentro de campo. Como o técnico gosta de dizer, "isso aqui é trabalho".

Quanto ao fato de o Fluminense ter tido a "sorte" de ter enfrentado os grandes rivais do Corinthians (São Paulo e Palmeiras), adversário direto na luta pelo título, sorte para o time carioca, azar para o paulista. Um time é campeão porque vence seus jogos, e não porque outros perdem. Depender de outro time, ainda mais rival, é incompetência.

Pode-se pensar em alguma mudança para as últimas rodadas da competição, mas a fórmula dos pontos corridos é, na minha opinião, disparada a melhor para o Campeonato Brasileiro. Todos os outros torneios são disputados em formato mata-mata. Times "entregando" ou poupando jogadores vai acontecer em qualquer formato - basta ver o histórico do futebol brasileiro. Outro assunto também já bastante debatido, sou contra a mala branca. Quem recebe pra ganhar, pode receber para perder também. Mas isso sempre aconteceu e deve continuar a se repetir. É uma questão mais ética do que esportiva. Parabéns ao Fluminense!

6.12.10

Fábrica de melhores do mundo

Títulos: rotina para o trio made in Barcelona, que disputam o prêmio de melhor do mundo em 2010

Se a França produz o melhor vinho do mundo e a Itália tem as melhores massas, na Catalunha se desenvolvem os melhores futebolistas do planeta. Ao menos, com a escolha dos finalistas da Bola de Ouro/Melhor do Mundo Fifa. Os três finalistas são do Barcelona: Messi, Xavi e Iniesta. Na história dos prêmios – respectivamente, organizados pela Revista France Football (desde 1956) e Fifa (desde 1991), que se fundiram em 2010 –, os três melhores jogadores do planeta foram de uma mesma equipe em 1989: Marco Van Basten, Franco Baresi e Frank Rijkaard, do Milan – bicampeão da Champions League, campeão italiano e do Mundo.

Porém, há uma diferença sensível entre o trio rossoneri e o trio blaugrana: enquanto apenas o lendário zagueiro Baresi foi formado na base, os três finalistas deste ano são filhos do Camp Nou, feito louvável. Mas que é fruto de um trabalho que dá fantásticos frutos desde cedo. No Barcelona campeão europeu de 2008/09, pelo menos sete dos onze considerados titulares eram formados pelo clube. A campeã da edição seguinte, na última temporada, foi a Internazionale. Seguindo a risca o nome do clube, nenhum titular que entrou em campo para bater o Bayern de Munique era, sequer, nascido na Itália.

O Barcelona é um dos grandes orgulhos da história da Catalunha, ao lado de nomes históricos, como o arquiteto Antoni Gaudí, ou o pintor Joan Miró. E o fato de escrever, novamente, seu nome na história do futebol ao conseguir tal feito, só vem a corroborar que o clube catalão é diferenciado porque está na contramão desse capitalismo selvagem que dita as regras do futebol (como as escolhas da sede para as Copas de 2018 e 2022, no post anterior). O Barcelona também tem suas compras extravagantes. Mas procura formar suas joias em casa. Dentro de campo, as jogadas falam por si só, como no massacre diante de sua contraparte, o Real Madrid.

Pela regularidade de 2010, escolheria Iniesta, que já tem seu lugar guardado na história do futebol espanhol por marcar o gol do primeiro título mundial, diante da Holanda. Seu companheiro Xavi, apesar de bem, não foi tão brilhante quanto em 2009. E Messi, apesar de ser, tecnicamente, o mais genial do trio, falhou em seu objetivo principal da temporada: boas atuações em uma Copa – fato compensado pelo futebol monstruoso no clube catalão. A prata cairia bem ao atual melhor do mundo.

2.12.10

Copas mercadológicas ou desbravadoras?

Blatter anuncia Qatar como sede da Copa de 2022: ineditismo e muito dinheiro para gastar pesaram decisivamente

Nesta quinta, em Zurique, a Fifa definiu os países incumbidos de organizar as Copas seguintes ao Mundial do Brasil, em 2014: Rússia (2018) e Qatar (2022) terão a chance de receber o mundial pela primeira vez. "Nós vamos para terras novas", disse o presidente da entidade, Joseph Blatter, argumentando a ida da competição para países inéditos sob essa bandeira. Mas não foi o principal peso na balança dos 22 membros do Comitê Executivo. Aliás, uma eleição manchada pelas denúncias de propina em troca de apoio, que culminaram na queda de dois membros desse comitê: o nigeriano Amos Adamu e o taitiano Reynald Temarii.

Desde que a Fifa implantou o sistema de rodízio entre continentes para sediar a Copa, em 2006, passou verdadeiros apuros com a África do Sul – que no fim, realizou a Copa sem problemas muito relevantes – e sofre para emplacar a série de obras prometidas pela candidatura brasileira para 2014, permeada pela politicagem e interesses diversos, sob o olhar passivo do presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Que fique claro que acho russos e qataris tem chances de organizarem grandes torneios. Melhores até que o Brasil, antecessor de ambos. Porém, a dupla está entre as maiores produtoras e exportadoras de petróleo do planeta. E é daí a principal força motriz para a escolha: dinheiro não será problema para atender as inúmeras exigências da Fifa, que cada vez mais quer ter controle sobre todas as nuances da organização do torneio. E dentre todas as candidatas aos dois Mundiais, Rússia e Qatar tinham os piores critérios técnicos, estabelecidos pela própria entidade.

O antagonismo começa dentro dos próprios territórios. Enquanto os russos possuem a maior área territorial do globo (tanto que engloba Europa e Ásia), o Qatar tem território com quase metade da área do estado do Sergipe, o menor entre todos do Brasil. O maior problema apontado na sede de 2018 é o transporte, principalmente com o defasamento da malha aérea. O Qatar tem um ousado projeto de ligar todos os estádios por uma malha ferroviária, dada a pequena distância entre as sedes. Porém, vai começar a construção de ferrovias praticamente do zero. Aeroportos e rede hoteleira também não comportariam uma estrutura de Copa.

Aí entra uma fonte quase que inesgotável de dinheiro. A Rússia orçou gastos US$ 3,8 bilhões (R$ 6,5 bilhões) somente em estádios, e US$ 11,5 bilhões (R$ 19,8 bilhões) em melhoria da infraestrutura. Para erguer estádios da areia, os qatarianos prometem US$ 3 bilhões (cerca de R$ 5,1 bilhões). Juntando os dois eleitos, serão erguidos 22 novos estádios. Inglaterra, Portugal/Espanha e Estados Unidos, por exemplo, precisariam de pouquíssimos investimentos para se adequar, já que possuem infra-estrutura sólida e arenas relativamente novas.

Projeto do Doha Sport Stadium, no Qatar: belos e faraônicos estádios marcarão primeira Copa no Oriente Médio

Apesar da candidatura russa não ser a melhor, o país – integrante do chamado Bric (Brasil, Rússia, China e Índia, maiores economias emergentes do planeta) – é tradicional no futebol (principalmente, nos tempos de URSS), tem uma liga relativamente rica, técnica, forte e terá mais benefícios, tanto no campo esportivo, quanto na área de infraestrutura. Mas assim como o Brasil – escolhido por ser candidato único das Américas – a Rússia convive com escândalos de corrupção.

Além disso, há o fato de possuir bilionários investindo com força na compra de clubes de futebol, dentro e fora do país., na última década. O maior exemplo é Roman Abramovitch, dono do poderoso Chelsea. Alexander Gaydamak teve em suas mãos o Portsmouth, afundado em dívidas e rebaixado à segundona inglesa na última temporada. Proprietário do tradicional Spartak Moscou, Leonid Fedun mostrou interesse de adqurir a Roma. Ambos têm como parte dos negócios grandes petrolíferas, como a Lukoil e a Sibneft (adqurida pela estatal de capital aberto Gazprom, uma das líderes mundiais em combustíveis fósseis).

Já o Qatar, segunda maior renda percapta do mundo (R$ 206 mil por habitante/ano), não é um país pobre/em desenvolvimento e que precise desenvolver ou incentivar o futebol local. No campo ineditismo, a Austrália poderia perfeitamente sediar a primeira Copa na Oceania – EUA, Japão e Coreia do Sul já sediaram Mundiais recentemente. Doha, capital do país árabe, é grande centro de negócios, movimentado canteiro de obras e fonte de muito dinheiro. Zinedine Zidane foi seu principal garoto propaganda e o último clássico envolvendo sete títulos Mundiais, entre Brasil e Argentina, foi sediado na capital qatari. Com a bola rolando, o país já ofereceu dinheiro a jogadores para se naturalizar pelo país (que jamais foi a uma Copa) para fortalecer sua seleção, prática podada pela própria Fifa. Ex-São Paulo, o meia Fábio Montezine integra a seleção local, ao lado do zagueiro Marcone Amaral, revelado no Vitória, além de um uruguaio e dois oriundos do continente africano.

O caso é semelhante a escolha do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016: muitas obras a serem feitas. Resta saber o que interessa ao COI e a Fifa. Se usar torneios gigantescos como Copa e Olimpíada como instrumento para incentivo do esporte e desenvolvimento econômico e social ou como chance de faturar, tendo como foco principal um grande balcão de negócios a competição em si. Fico com a segunda opção, infelizmente.

29.11.10

Rotina blaugrana

Com ambos em ótima fase, pode-se dizer que El Clásico entre Barcelona e Real Madrid, nesta última segunda, era um dos mais esperados dos últimos anos. Se o Barcelona mantém a mesma base vencedora, com uma ou outra contratação de impacto, o Real continua nas apostas megalomaníacas. E desta vez, seu banco tinha um dos maiores técnicos do momento e que havia sido responsável por acabar com o sonho do bicampeonato europeu blaugrana, ao detê-lo com a fortíssima zaga da Inter, que levantaria o caneco da Champions 2009/10.

E já havíamos abordado aqui no blog a diferença que o técnico português fez ao time merengue. Até antes do embate deste primeiro turno de La Liga, o Real tinha o melhor ataque (ao lado do Barcelona, com 33 gols) e a melhor defesa, com apenas seis bolas nas redes em 12 partidas (média de um gol a cada duas partidas). O incômodo tabu de três anos e meio sem vitórias do time blanco poderia cair, mesmo atuando na casa do adversário. Porém, o massacre catalão evidenciou a grande diferença entre os rivais – que fazem um campeonato à parte na Espanha: a uniformidade.

Analisando nome a nome dos 22 jogadores que entraram em campo (10 deles integravam a Espanha, campeã da Copa do Mundo), são pouquíssimas diferenças técnicas. Porém, além de jogar há mais tempo junto, o Barça é um conjunto, onde Messi é o grande destaque com naturalidade. No Real, por vezes, a individualidade de Cristiano Ronaldo se sobrepõe ao time, que foi destroçado pela habilidosa frente ofensiva dos blaugranas.

Teoricamente com três homens de meio-campo (Busquets, Xavi e Iniesta), somente o jovem camisa 16 é o “brucutu”. A experiente e entrosada dupla faz de tudo um pouco: ajuda a compor a defesa, dão passes preciosos e sabem fazer gols. Pedro, Messi e até Villa tem tal senso de ajudar na defesa, quando preciso. Já o Real tem entrou em campo tem uma forte dupla de volantes (Khedira e Xabi Alonso). Porém, ambos não recebem o mesmo auxílio de Özil, Di Maria e Cristiano Ronaldo. E com Marcelo, um lateral ofensivo por vocação e deficiente na defesa, o Barcelona fez a festa. Principalmente na troca de passes rápida e abusando de tabelas e enfiadas de bola em meio à zaga rival.

Messi não marcou, mas ainda assim, foi o grande nome da partida. Caçado em campo, não fugiu da raia e deu dois passes açucarados para o matador Villa deixar a sua marca. A estrela de Pedro voltou a brilhar e o jovem asturiano deixou o seu. Dani Alves desfilou pela lateral direita e pouco foi exigido na defesa, uma de suas deficiências. A cada gol, era visível a decepção de Casillas, capitão do Real. Já a maior aparição de Cristiano Ronaldo foi num suposto pênalti cometido por Valdés na primeira etapa e no desentendimento com Guardiola, na lateral de campo.

Pior derrota na carreira de José Mourinho, que havia sido goleado por 4 a 1 quando ainda comandava o modesto União de Leiria, frente ao Sporting, em 2002. O jejum perante o Barça sobe para cinco partidas. A primeira e dolorosa de Mourinho em jogos oficiais à frente da equipe merengue. Perda da liderança de La Liga, além de uma invencibilidade que durava desde 10 de abril, quando o Real foi derrotado pelo...próprio Barcelona.

Após a surra de cinco, entrará em campo a capacidade de Mourinho de trazer o grupo pra si e se preparar para a segunda partida da “final” espanhola, já que ambos passeiam nesta temporada no país. E continuar com a jornada quase perfeita até antes do próximo clássico, para impedir o tri, jogando no Santiago Bernabéu.

27.11.10

Dupla fazendo história

O Barcelona recebe nesta segunda-feira, no Camp Nou, o grande rival Real Madrid, num clássico que vale muito mais que a liderança do Campeonato Espanhol - o time merengue lidera com 32 pontos, um a mais que o adversário, passadas 12 rodadas. É também o embate entre os dois atuais melhores jogadores do mundo - a discussão sobre quem está acima é polêmica: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo.

A temporada da dupla tem sido espetacular, principalmente depois da Copa do Mundo, onde ambos não conseguiram ir muito longe com as suas seleções. Mas depois da decepção no torneio sul-africano, o argentino e o português trataram de voltar a brilhar. Segundo o site oficial dos clubes, entre a Liga Nacional, a Liga dos Campeões e a Copa da Espanha, o camisa 10 do Barça já contabiliza 20 gols em 16 jogos, com uma média de 1,25 por duelo. O número 7 do Real fica pouco atrás - foram 19 gols em 19 confrontos, um por partida. Fora as assistências e participação decisiva em muitos outros momentos.

Na temporada passada, o Real fez a melhor campanha de sua história no Espanhol e ainda sim ficou com o vice, justamente por ter falhando ante o rival nos clássicos disputados. Ciente disso, o elenco está concentrado e quer acabar o tabu – Casillas já disse que o time vai até o Camp Nou para vencer. Aliás, as declarações envolvendo o aguardado duelo vêm de todos os lados e torcidas. Se Mourinho acertou a equipe da capital, o grupo de Guardiola continua com seu futebol vistoso e ofensivo.

Entre tantos tabus e duelos particulares, alguns se sobressaem. Messi, por exemplo, nunca marcou gols em um time dirigido por Mourinho, apesar de já ter tido sete oportunidades. No entanto, balançou as redes sete vezes em oito confrontos contra os merengues.

Fosse só por isso, já seria um grande jogo. Mas ainda tem o Xavi, Di Maria, Iniesta, Özil, Daniel Alves, Marcelo, Villa, Higuaín etc. Ingredientes não faltam. Eu, pelo alto e constante nível apresentado nos últimos anos, ainda sou mais Barcelona. Mas o Real Madrid, nas mãos de Mourinho, parece ter se revitalizado, mostrando uma personalidade e confiança que não via no clube desde as últimas conquistas do esquadrão comandado por Zidane. É esperar para ver.

24.11.10

Dois Cantonas

Um dos jogadores mais lendários da história do Manchester United. Ator, técnico (campeão do mundo com a seleção francesa de futebol de areia), cantor, pintor, fotógrafo, brigão dentro de campo e polêmico, fora dele. E na conta de atribuições de Eric Cantona, adicione “candidato a revolucionário”. Tudo graças a um vídeo que ele postou no YouTube (vídeo no final desta postagem), onde conclama a população mundial a ir ao banco e sacar todo o seu dinheiro, ao mesmo tempo, no próximo dia 7 de dezembro. Dessa forma, os bancos – bases do atual sistema financeiro – “quebrariam”, ouvindo os protestos dos insatisfeitos com o sistema vigente. Um site foi criado por internautas para a iniciativa, que já conta com 12 mil adeptos.

“Nós não pegaremos em armas para matar pessoas para começar uma revolução. É muito fácil se fazer uma revolução nos dias de hoje. Qual é o sistema? O sistema é construído sobre o poder dos bancos. Por isso, deve ser destruído através dos bancos”, analisa o francês. O sentimento de repulsa contra o atual sistema financeiro veio após a situação recente da economia irlandesa. Em crise, o país pode ter que aceitar uma ajuda correspondente a 50% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para tentar se reerguer. Segundo economistas, uma das causas para este fato foi a concessão de créditos de forma desenfreada e com poucos critérios. A inadimplência e a retração no mercado imobiliário do país aumentaram uma situação, que chega a três anos de duração.

A vida deste francês – que já declarou ser maior que Platini e Zidane – é cheia de controvérsias. Da famosa agressão a um torcedor do Crystal Palace durante uma partida, em 1995, da qual declarou inúmeras vezes que nunca se arrependeu e que não pretendia ser um modelo para ninguém, a uma conscientização econômica. “Quanto mais você observa mais percebe que a vida é um circo”, disse ele mesmo à Four Four Two inglesa. Emblemático demais, para este descedente de italianos e espanhóis, que já gravou comerciais para Nike e L’Oreal, por exemplo. Mas que já lançou um livro de fotografias chamado “Ela, ele e os outros”, onde retrata a vida dos sem-teto, com sua venda revertida para uma fundação que atende a essas pessoas.

Seu avô materno foi um soldado espanhol que lutou contra a ditadura do General Francisco Franco, na Guerra Civil Espanhola ocorrida no final da década de 1930. O avô paterno, italiano da Sardenha, construiu a casa da família em um antigo observatório nazista na França, dominada pela Alemanha de Hitler. Radicado no país, se tornaria pintor e psiquiatra. Eric diz ter forte influência de ambos – tanto que tem um projeto onde quer contar a história de seu avô paterno, ao lado de seu irmão Jöel. Longe do esteriótipo de ignorante, que permeia a maioria dos atletas, é amante do teatro e da filosofia, ambas notadas no filme em que teve a atuação mais aclamada pela crítica, À procura de Eric (analisado aqui).

Uma das fotos do ensaio de Eric para o livro "Elle, lui et les autres"
(Ela, ele e os outros), que retrata moradores de rua


É o enorme quebra-cabeças que se molda num pedido como esse, com um quê maradoniano. Cantona está interpretando um personagem? Não sabemos. Contudo, uma de suas comparações mais famosas é de que o futebol é muito semelhante a um palco de teatro. Mas fico com Platini, ao analisá-lo para um perfil traçado pelo jornal inglês Independent. “Temos dois Cantonas: um que existe e um que se expressa”. Fico com o segundo, neste caso.


21.11.10

Quebrando tabus

Se não é um multicampeão na Inglaterra, o Tottenham prima pela tradicionalidade. Equipe com quase 130 anos de vida, acumula apenas dois títulos do campeonato inglês ( o último ganho há exatos 50 anos). Porém, proporciona com o Arsenal um dos clássicos mais antigos e tradicionais da terra da rainha: o North London derby, com o por muito tempo "vizinho" Arsenal – quando a equipe jogava no estádio de Highbury, o estádio dos Spurs, White Heart Lane, estava a poucos metros de distância.

Porém, o clássico havia perdido um pouco da graça, tão grande era a freguesia dos Spurs frente aos Gunners nas últimas décadas. Entre 1999 e 2008, o Arsenal não conheceu a derrota diante dos arquirrivais. E a quebra do tabu só se deu por conta do uso de um "mistão" na Copa da Liga. Com força máxima, o Tottenham meteu 5-1 e chegou à final da competição – da qual acabaria com o caneco, ao bater o Chelsea.

Pela Premier League, eram 17 anos sem bater o time de Arsene Wenger na casa do adversário e contra os outros adversários de Big Four (além do Arsenal, Manchester United, Chelsea e Liverpool), nenhuma vitória em 68 jogos no principal torneio nacional. Porém, o Tottenham vem mostrando que pode igualar o seu último grande feito, quando foi campeão inglês (1960-61) e quase bateu o Benfica de Eusébio e compania, na antiga Copa dos Campeões europeus.

A virada sobre os Gunners, no clássico deste sábado, além da quebra dos tabus, mostrou um Tottenham com um time tão bom quanto o rival, analisando posição a posição. Arsenal este que estacionou no tempo desde o vice-campeonato da Champions League, em 2005-06, último momento de relevância da equipe de Arsène Wenger. Se Gomes não é um poço de segurança do gol, quando inspirado, pega muito. A defesa ainda é frágil (uma das piores da Premier League), mas do meio para a frente, é uma equipe perigosíssima. Muitos meias de habilidade povoam o setor, como Modric, Jenas, Palacios. Mas principalmente dois vêm comendo a bola: Van der Vaart, comandante da virada contra o Arsenal com um gol e dois passes, e Gareth Bale, promissor meia galês que deixou o ótimo Maicon comendo poeira na vitória sobre a Inter na Inglaterra. Esforçados no ataque, Pavlyuchenko, Crouch e Keane não são geniais, mas fazem o trivial: gols.

Todos comandados pelo técnico Harry Redknapp, desde 2008 na equipe e que vem crescendo no conceito dos ingleses e ganha força numa eventual substituição a Fábio Capello, que perdeu a rota do bom trabalho à frente do English Team desde o fiasco na Copa do Mundo de 2010. Empolgado com a vitória e apenas a seis pontos dos líderes Chelsea e Manchester United, o técnico se pergunta: "Porque não podemos vencê-la [a Premier League]?". Muita pretensão, mas a boa campanha na Champions (muito perto da classificação ao mata-mata) e subindo de produção no Inglês, os torcedores já se permitem sonhar com os dias de glória, onde jogar em White Heart Lane era sinonimo de pedreira.

18.11.10

Vitória do 10 que decide

O velho e o novo: Messi encanta hoje tanto quanto Ronaldinho nos encantou, num passado recente

Se o clássico entre Brasil e Argentina não foi tão empolgante quanto se esperava – e tenho grande convicção que o fato da partida ser no distante Catar tem influência –, ao menos, os torcedores puderam ver boa parte do futuro de ambas as seleções em campo: Thiago Silva, David Luiz, Ángel Di Maria, Javier Pastore e Neymar. Porém, o que chamou a atenção foi o duelo dos camisas 10.

De um lado, um Ronaldinho melhor do mundo em 2004 e 2005 e que atualmente é uma sombra de si mesmo dentro de campo e longe de encantar no Milan, como fez na Catalunha. Nos nossos eternos rivais, tinha o atual melhor do mundo e candidatíssimo ao bicampeonato Lionel Messi. Criticado por não conseguir exibir sua mágica no Mundial da África do Sul (como já disse o jornalista PVC, azar da Copa do Mundo), ele segue comendo a bola no Barcelona. Em 14 jogos oficiais pelos blaugranas nesta temporada, são impressionates 16 gols.

Ronaldinho não foi apático na partida. Procurou ser participativo e buscou a armação de jogadas. Mas faltou ser aquele jogador incisivo de outrora, como é, atualmente, seu ex-companheiro (e admirador) de Barça. Mesmo bem marcado pela boa e jovem dupla de zagueiros da Seleção, Messi quase havia deixado a sua marca na primeira etapa. E o cochilo de Douglas no fim da partida deu início a obra-prima de Messi, que venceu praticamente todo o sistema defensivo brasileiro e bateu sem chances para Victor. Gol de craque, tirado da cartola. Como só os grandes sabem fazer.

Não há demérito nenhum em perder para a Argentina. Mas a derrota poderia fazer Mano Menezes a repensar algumas escolhas. A exemplo de Ronaldinho, Robinho não pode atuar na equipe só pelo passado. Há tempos, o jogador do Milan está longe de fazer a diferença. Além dele, está na hora de Júlio César, da Inter de Milão, reassumir seu posto no gol. Nada contra Victor, que é bom arqueiro, mas nada justifica a ausência exagerada do camisa 1 da meta verde-amarela dos últimos anos.

Quanto aos albicelestes, o problema continua na frágil defesa. Do meio para a frente, muito potencial, que deve crescer nas mãos de Sérgio Batista, comandante da medalha de ouro olímpica argentina em Pequim/2008, tendo muitos jovens desse atual elenco sob a sua batuta.