31.8.07

Opinião FC, um ano depois...

Nesse derradeiro dia do mês de agosto, é comemorado o Dia do Blog. E aproveitando o ensejo desse dia, quero deixar registrado aqui que agosto também marca o início do Opinião FC. Quando o Felipe nos propôs a criação e manutenção regular de um blog voltados para o jornalismo esportivo, abraçamos a idéia, mesmo sendo totalmente novatos no que diz a respeito ao universo da blogosfera. Claro que as ferramentas que os blogs oferecem aos usuários são facilitadoras para a possibilidade de se colocar um canal desses na web, mas o maior desafio era escapar da mesmice, do Crtl+C Crtl+V das notícias na rede. Contextualizar o visitante e fazer um blog de qualidade, aplicando os conhecimentos obtidos no curso de jornalismo da UNESP, era o desafio inicial.

A partir daí, fomos descobrindo várias nuances do universo dos blogueiros: aumento da interatividade, elaboração de um logotipo, posts mais objetivos, mas sempre enfatizando a opinião. No começo – com um corpo de nove colaboradores – nós mesmos comentávamos os posts escritos. No entanto e aos poucos, fomos percebendo que pessoas diferentes passaram a nos visitar, a expressar suas impressões e isso foi um elemento incentivador para continuarmos a tocar o barco. E no caminho de divulgar o Opinião FC, seja via Orkut, via programas que produzimos na webradio UNESP Virtual (Eurogol e Pela Linha de Fundo) ou mesmo na oralidade entre os colegas de faculdade, conhecemos muitas pessoas que partilhavam dos nossos preceitos a respeito do jornalismo esportivo. E hoje, posso dizer que há muita gente boa vagando na blogosfera, como os blogs parceiros do Opinião FC.

Desde o primeiro post, em 18 de agosto de 2006, onde o Felipe entrevistou o ex-goleiro Carlos (com passagens por Ponte, Corinthians e Seleção Brasileira), evoluímos muito. E uma série de conquistas foram surgindo para nós. Compramos o domínio.com para o Blog; ultrapassamos a barreira de 10 mil visitas em julho de 2007; fizemos diversos posts especiais do Brasileirão, Copa América e Liga dos Campeões; entrevistamos algumas personalidades do futebol como Carlos, Afonso Alves e Cláudio Pavanelli, entre outros. Mas acima de tudo, tivemos o reconhecimento de muitos colegas, motivo esse que nos faz seguir. Quero deixar registrado aqui um grande abraço aos blogueiros Felipe Leonardo, Gerson Sicca, Dassler Marques, Arthur Virgílio, entre tantos outros que já passaram por este espaço e que também desenvolvem ótimos blogs.

Um ano, 168 posts e 13.630 visitas depois, somos um blog tentando alcançar a maturidade, mas sabendo que temos muito a aprender. E tendo a consciência de que o Opinião FC foi e é um espaço onde conseguimos praticar o jornalismo esportivo, essa editoria que por vezes é marginalizada pelo próprio jornalismo e mesmo dentro do ambiente acadêmico, que deveria primar pela pluralidade e pela democracia.

Equipe Opinião FC – Turma de Jornalismo UNESP 2008 “Juca Kfouri”
Alexandre Azank, André Augusto, Arthur Kleiber, Bruno Calixto, Erick Amirat, Felipe Brisolla, Jefferson Pacaembu, Jota Assis e Thiago Barretos

30.8.07

Choque de Gestão


A empresa aérea irlandesa Ryanair recentemente inovou o mercado oferecendo uma proposta irrecusável a seus clientes: vôos grátis. Como é possível uma companhia aérea não cobrar passagem? Eles cobram por todos os serviços de bordo, e vendem espaços para propagandas nas poltronas. A partir dessa curiosidade quero comentar a passagem de David Beckham pelo Real Madrid. Comprado pela bagatela de 36 milhões de euros Beckham incrementou o time de nomes estrelares que ficou conhecido como galáticos. Como acompanhamos os galáticos não foram tão
brilhantes como o esperado, e o time acabou desmontado. Fracasso? Depende do ponto de vista. Com a vinda de Beckham o Real Madrid pode subir em 60% o valor que cobrava por anúncios. As camisetas com o nome do astro venderam sem parar e pagaram grande parte do valor do seu passe, logo nas suas primeiras semanas no Santiago Bernabéu. O valor cobrado por amistosos disparou, e o mercado asiático passou a contratá-los. Saldo da conta: Beckham rendeu ao real, segundo o próprio clube, 440 milhões de euros, em 4 anos.

Enquanto isso os grandes clubes brasileiros, salvo as raras exceções, amargam constantes contas no vermelho, não conseguem segurar os jovens talentos nem por uma temporada, e não podem fazer grandes contratações. Elas só aparecem se algum grupo estrangeiro resolve lucrar em cima da paixão nacional, nada de andar com as próprias pernas. No mundo em que vivemos, de capitalismo globalizado, os clubes perderam o momento, fazendo a manutenção de suas estruturas paternalistas pseudodemocráticas, ignorando noções básicas de gestão e vendendo barato uma mina de ouro, com um público consumidor que os trata não como clubes, mas como verdadeiras religiões. Além disso, os times se mostram cegos ao não adaptar seus produtos à capacidade de consumo da maioria de seus torcedores, mantendo os materiais ditos “oficiais” de suas marcas com preços astronômicos, limitando-os a uma pequena classe com alto poder de consumo, ou obrigando o pobre trabalhador brasileiro a empenhar metade de seu salário com uma camiseta. E depois criticam a pirataria...

O pior é que essa oligarquia que “administra” os clubes está arraigada em várias estâncias, formando um poderoso cartel (clube dos 13) que obriga autoridades a se dobrarem a suas decisões, e controlando a confederação brasileira, haja vista a manutenção eterna do cargo de seu presidente. A resposta ao atraso se materializa no nível do campeonato brasileiro, baixíssimo como sabemos, mas só vai ter seu desfecho quando o público responder abandonando estádios e marcas, e cobrando efetivamente mudanças na direção de seus clubes do coração.

28.8.07

E a tragédia se repete...

27 de abril de 2006. Após mais de cem anos de história, enfim a equipe do Sevilla poderá disputar a final de um torneio europeu, a Copa da Uefa. Antes disso, a melhor colocação dos rojiblancos havia sido uma eliminação na fase de quartas-de-final da longínqua Copa dos Campeões de 1958 pelo Real Madrid.

Os torcedores que estão presentes no estádio Ramón Sánchez Pizjuán acompanham uma equilibrada semi-final frente ao Schalke 04. Partida esta que, para muitos, seria uma final antecipada. Ao final da etapa complementar, o resultado da ida em Gelsenkirchen se repetia (empate em 0 a 0) e o jogo ia para a prorrogação.

Quando todos já acreditavam que a vaga para a finalíssima contra o Middlesbrough seria resolvida nos pênaltis, brilhou a estrela de um jovem lateral canhoto que tinha entrado há poucos minutos atrás no lugar do brasileiro Adriano. O rapaz dominou uma bola do lado esquerdo do campo e desmarcado acertou um belo chute de longa distância no gol de Hildebrand. O nome do herói? Antônio Puerta, mais um atleta representante da geração de ouro do time, ao lado de promissores nomes como Sérgio Ramos, Jesus Navas e Kepa.

Dezesseis meses se passaram e as coisas mudaram totalmente. O Sevilla vive a melhor fase de sua existência, tornou-se um clube respeitado na Espanha e detém o atual bicampeonato da Copa da Uefa. Nesse tempo, Puerta também amadureceu, tornou-se titular da equipe e consagrou-se como uma das maiores revelações européias da última temporada. Conseguiu até uma inédita convocação para a Fúria para uma partida contra a Suécia, válida pelas Eliminatórias da Eurocopa – 2008.

Mas, na abertura do campeonato espanhol, sábado passado, tudo mudou. Getafe e Sevilla faziam sua estréia na competição quando um lance chocou os espectadores. De repente, Antônio Puerta sentiu um mal súbito, botou as mãos no joelho e desmaiou no gramado. O motivo? Uma inesperada parada cardio-respiratória.

Ainda no campo, Puerta recobra seus sentidos, mas volta a sentir-se mal no vestiário e desmaia novamente. A equipe médica consegue reanimar o atleta com a ajuda de um desfibrilador para levá-lo ao Virgen del Rocio, hospital em que o camisa 16 permanece em estado crítico até a manhã de hoje, quando não agüenta o baque e falece três dias depois de ser internado na UTI do local.

A morte de Antônio Puerta suscita uma discussão que se tornou comum neste novo milênio. Afinal, a preparação física que os atletas são submetidos é suficientemente boa para a disputa de uma estafante temporada? Até que ponto, eventos como este, são apenas fatalidades? Os gananciosos dirigentes das equipes se preocupam com a saúde ou com o fortalecimento descabido de seus jogadores?

Casos como os de Puerta, Serginho, Marc-Viven Foé e Fehér fazem que eu permaneça com uma dúvida: Será que no mundo atual não existe adventos tecnológicos que possam acabar com futuras situações semelhantes?

O incrível desta história é saber que a diretoria do clube andaluz já tinha consciência que o lateral de 22 anos poderia ter algum problema cardio-respiratório. Afinal, vários jogadores do clube, como Luís Fabiano, já afirmaram a imprensa que, na última temporada, Antônio Puerta havia desmaiado em duas oportunidades esparsas.

O inegável é que as federações precisam cobrar uma maior responsabilidade de seus clubes filiados o quanto antes. Somente assim, atletas que surgem como promessas de serem futuros craques poderão ter uma vida mais saudável e uma carreira profissional mais segura. Afinal, futebol definitivamente não é lugar para a ocorrência de tragédias como essas.

24.8.07

Armada Espanhola

Será que o "Quarteto Fantástico" do Barcelona conseguirá impedir o bicampeonato do Real ou a consagração do Sevilla? (montagem: Globoesporte.com)

A exemplo dos cartolas ingleses, que estão acendendo seus charutos com notas de libras esterlinas, os clubes espanhóis não mediram esforços para contratar grandes jogadores do futebol mundial. No entanto, diferente dos ingleses - onde clubes médios e pequenos como Tottenham, Manchester City e Sunderland também gastaram muito dinheiro em reforços – apenas os mais tradicionais clubes do país não mediram esforços para contratar. Isso pode fazer com que a diferença técnica entre as equipes seja muito grande. Mas a Liga Espanhola tem tudo para empolgar com uma boa briga pelo título em alto nível técnico. A irregularidade vista na temporada passada, quando Real, Barça e Sevilla acumulavam tropeços não deve acontecer novamente.

Em time que está ganhando não se mexe certo? Não para o campeão Real Madrid, que perdeu várias peças do elenco vitorioso, começando pelo comando técnico. Mesmo sendo figura importante na arrancada dos merengues rumo ao título da última temporada, Fabio Capello não resistiu e acabou deixando Madrid. Para seu lugar chegou Bernd Schuster, que encara seu primeiro grande desafio na carreira de técnico. Schuster - que dirigiu clubes como Colônia, Shakhtar e Levante – fez uma boa temporada com o limitado Getafe e chega ao Real com carta branca para a construção de uma nova base para a equipe, a qual perdeu muitos jogadores como Reyes, Beckham, Roberto Carlos, Emerson e Cicinho. As falhas da defesa, mal que assola o Real há tempos, tentarão ser corrigidas através das contratações de Pepe (ex-Porto,
30 milhões), Gabriel Heinze (ex-Manchester United, 12 milhões) e Christian Metzelder. Ao lado de Cannavaro, podem dar a establidade necessária para que a equipe tenha mais tranqüilidade para a disputa do título. No meio-campo, a grande carência da equipe é a criação de jogadas. Tanto que, quando Beckham havia retornado à equipe após seu afastamento, o Real arrancou rumo ao título da última temporada. Com a saída do inglês, os merengues trouxeram jovens talentos para suprir essa deficiência, como Wesley Sneijder (ex-Ajax, 27 milhões) e Arjen Robben (ex-Chelsea, 36 milhões), segunda contratação mais cara da Europa nessa temporada. A dupla holandesa tem a missão de controlar o jogo e ao mesmo tempo, dar velocidade aos contrataques madrilenhos para que a bola chegue redonda para o matador Van Nistelrooy, que vive grande fase. Outro grande nome que poderá aparecer pelo lado esquerdo do Real é o ala/meia Royston Drenthe. O holandês, eleito o melhor jogador do último Europeu sub-21, é uma ótima opção para Schuster para dar velocidade ao jogo. E Drenthe tem estrela, pois já marcou um golaço na final da Supercopa da Espanha, onde o Real acabou perdendo o jogo e o título para o Sevilla. É um time fortíssimo no papel, mas a falta de entrosamento pode pesar, em um campeonato onde forças como Barcelona, Valencia e Sevilla mantiveram suas bases.

No Barcelona, que deixou o tricampeonato escapar por um triz, o assunto mais falado é como Rijkaard vai armar a equipe. Muitos aguardam ver o “Quarteto Fantástico” em campo, formado por Messi, Ronaldinho, Eto’o e Henry. O técnico do Barca quebra a cabeça para montar a equipe, que manteve a base e perdeu jogadores de importância secundária na última temporada. Trouxe bons jogadores para reforçar o elenco, principalmente na defesa, como o zagueiro Gabi Milito (ex-Zaragoza,
20 milhões) e o lateral-esquerdo Eric Abidal (Ex-Lyon, 15 milhões). Os dois chegam para arrumar de vez a zaga dos catalães, grande dor de cabeça da temporada passada. O marfinense Yaya Touré chega para compor elenco e pode ser boa opção para a meia. Mas o ponto alto da janela de transferências é o atacante Thierry Henry. O francês, que fez história no Arsenal e chegou ao Barcelona por 24 milhões, chega a Espanha para ganhar o único título que lhe falta no currículo: a Champions League. Municiado por Messi e Ronaldinho e fazendo parceria com Eto’o, Henry tem tudo para formar o ataque mais letal da Europa, basta saber como Rijkaard vai posicioná-lo. Os reforços que vieram deram muita qualidade ao elenco catalão e se Rijkaard conseguir posicionar bem seus volantes e acionar o “Quarteto”, o Barcelona pinta como o grande favorito na Espanha, pelo menos tecnicamente falando. Sem falar que, aos poucos, o meia mexicano Giovani dos Santos vai aparecer na equipe e pode se tornar uma ótima opção para Rijkaard, pois trata-se de uma grande promessa.

O Sevilla é uma boa equipe, tem tudo para conquistar vaga para a próxima Champions League e fazer bom papel novamente, mas corre por fora na conquista de La Liga. O atual bicampeão da Copa UEFA é um time muito compacto, que tem no conjunto o seu grande trunfo. O técnico Juande Ramos indicou bons nomes para fortalecer a equipe rojiblanca, como o zagueiro colombiano Aquivaldo Mosquera (ex-Pachuca,
7,5 milhões), o zagueiro/lateral Khalid Boulahrouz, o volante Seydou Keita (ex-Lens, 5 milhões) e o meia-atacante Tom de Mul (ex-Ajax, 4 milhões), além do goleiro Morgan de Sanctis, que fará sobra ao bom Palop. Jogadores-chave como Renato e Kanouté podem fazer a diferença, além de Dani Alves, se este permanecer na equipe.

A fama de “amarelão” do Valência faz com que a equipe quase nunca seja apontada como uma das favoritas ao título. Mas a exemplo do Sevilla, a equipe é boa e manteve a base, podendo sonhar com uma boa temporada. A perda do experiente Cañizares, que se aposentou, foi prontamente reposta com o bom goleiro Timo Hildebrand. E para compor o elenco, que não teve perdas significativas, o Valencia trouxe o zagueiro-revelação da Espanha, Aléxis (ex-Getafe,
6 milhões), o meia-atacante Angel Arizmendi (ex-La Coruña, 6,5 milhões) e o grandalhão Nikola Zigic (ex-Racing Santander, 15 milhões), que promete fazer sombra ao experiente Fernando Morientes. Aliado aos reforços, pode pesar a boa fase do matador David Villa e do ótimo meio-campo David Silva para que o Valencia deixe o estigma de “morrer na praia”, que o acomete a algumas temporadas.

Querendo retornar ao grupo das grandes equipes, o Atlético de Madrid imitou o seu grande rival e também não economizou nos reforços. Segundo time espanhol que mais investiu em reforços, os colchoneros estão montando um bom time para brigar por uma vaga a Champions League. Recontruindo o time, a equipe trouxe para o gol o experiente Christian Abbiati e montou um bom meio-campo, com as vindas de Reyes (ex-Arsenal,
12 milhões), Luís Garcia (ex-Liverpool, 6 milhões), Raúl García (ex-Osasuna, 13 milhões), Cléber Santana (ex-Santos, 6 milhões) e Simão Sabrosa, um dos principais jogadores da Liga Portuguesa por impressionantes 20 milhões. Para o ataque e com a missão ingrata de substituir Fernando Torres, grande ídolo da torcida colchonera, o uruguaio Diego Forlán chega a Madrid por 21 milhões. Javier Aguirre terá aquela “boa dor de cabeça” para montar a equipe, que tem muito potencial. Olho no melhor jogador do último Mundial sub-20, Sergio Agüero. “El Kun” pode finalmente estourar no futebol espanhol.

Os medianos e pequenos clubes espanhóis se reforçaram muito entre eles, mas o abismo técnico para os grandes citados acima é enorme. Destaque para o Villarreal, que trouxe bons jovens e pode surpreender. Giuseppe Rossi, atacante prodígio italiano e Rio Mavuba, bom volante francês podem dar a vitalidade que a equipe tanto necessita. O Zaragoza, assim como na temporada passada, é outro que promete dar dor de cabeça, principalmente com boas aquisições como Ricardo Oliveira, o volante Matuzalém e a aquisição definitiva do bom meia Andres d’Alessandro. Vale destacar os bons nomes que migraram para o futebol espanhol, como o do promissor goleiro Óscar Ustari, do Getafe, que finalmente pode ter a chance de chegar a titularidade da seleção argentina através de boas atuações dentro do Getafe, onde desbancará o seu concorrente direto, o velho Abbondanzieri; o meia-esquerda Andrés Guardado, revelação mexicana que reforça o La Coruña; Carlos Vela, atacante mexicano emprestado pelo Arsenal ao Osasuna e que se destacou no time do México campeão do Mundial sub-17 de 2005, jogando ao lado de outro prodígio que começa a brilhar no Barça: Giovani dos Santos.

As armadas espanholas estão prontas e podem fazer com que o campeonato espanhol recupere seu status de melhor e mais técnico campeonato do mundo, perdido para o campeonato inglês. E essa Liga tem tudo para ser uma das melhores dos últimos anos.

23.8.07

Especial Copa 2014 - Turismo nas cidades-sede

Eleito recentemente como uma das sete maravilhas do mundo, o Cristo Redentor é um dos trunfos turísticos que o Brasil pode oferecer como atrativo para sediar uma Copa do Mundo.

A extensão territorial do Brasil e a variabilidade de localidades que podem ser exploradas pelo turismo fazem com os empresários do setor torçam pela escolha do Brasil como sede da Copa de 2014. Das áreas a serem preparadas para receber o torneio, a infra-estrutura turística é a mais bem preparada e precisará de poucas adaptações para preencher os requisitos exigidos pela FIFA.

Além da presença massiva no turismo tradicional, que inclui destinos conhecidos como o Rio de Janeiro, Litoral Nordestino e Pantanal, o turismo de negócios e eventos também cresce a cada ano. Em ranking divulgado esse ano, o Brasil foi o sétimo destino mais procurado para sediar encontros de porte internacional. Nesse segmento, destacam-se as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A realização de uma Copa do Mundo aliará esses dois tipos de turismo e divulgará para o mundo toda a beleza da biodiversidade brasileira e da cultura nacional, fazendo com que o número de turistas após a Copa permanecerá em contínuo crescimento.

De olho neste filão, os governos estaduais se apressaram em apresentar a candidatura de suas sedes para a Copa. A CBF, principal articuladora da candidatura brasileira, recebeu a inscrição de 21 cidades de todo o país. A expectativa é que, caso o Brasil seja escolhido, o número de sedes selecionadas possa variar de 10 a 12 cidades. Pela Região Sul, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre podem aproveitar-se de seu clima ameno para atrair os turistas menos chegados ao intenso calor tropical. Na Região Centro-Oeste, Cuiabá, Brasília, Campo Grande e Goiânia têm como grande trunfo turístico as regiões do Pantanal e do Cerrado. Para quem sempre teve curiosidade de conhecer a Amazônia, a região Norte pode abrigar uma das sedes, pois Manaus, Belém e Rio Branco estão na briga. As belezas do litoral brasileiro poderão ser conhecidas se João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Maceió, Natal, Teresina ou se a candidatura conjunta entre Recife e Olinda forem selecionadas para receber as seleções do Mundial na Região Nordeste. E na Região Sudeste, coração econômico do país, as candidaturas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo são cotadas como certas, devido a importância estratégica dessas grandes cidades brasileiras.

E mesmo que a cidade não seja escolhida como sede, a proximidade com as cidades-sede também pode render frutos. As seleções participantes terão que se hospedar próximo as sedes e para isso, necessitam de lugares que lhes dêem toda a infra-estrutura de hospedagem e locais adequados para preparação e treinamento. As possibilidades proporcionadas pelo evento aliadas ao potencial turístico brasileiro podem se constituir em um dos fatores diferenciais para que a escolha do Brasil como sede da Copa seja acertada.

LEIA MAIS SOBRE O ESPECIAL COPA 2014:

20.8.07

"Sevillaticos"

Considerado o melhor Sevilla da história, a equipe comandada por Juande Ramos meteu cinco no Real em pleno Bernabéu, garantindo mais um título.

Neste último domingo, o Real Madrid precisava vencer o Sevilla por dois gols de doferença para conquistar o título da Supercopa da Espanha sobre o Sevilla. Mas a equipe rojiblanca esteve impossível, não se intimidou com um Santiago Bernabéu lotado e jogou água no chopp dos merengues. Claro que é apenas começo de temporada e começo de trabalho do técnico alemão do Real, Bernd Schuster. Mas o feito do Sevilla é notável e não constitui-se em nenhuma surpresa para quem acompanhou as duas últimas temporadas na Espanha, onde o Sevilla teve uma ascensão meteórica, deixando para trás equipes do primeiro escalão espanhol como o Valência e o Atlético de Madrid. E a consquista desse título frente ao Real aponta mais uma temporada em que os Palanganas darão muito trabalho as estrelas e ao glamour que Real Madrid e Barcelona gozam dentro da península ibérica.

O nome principal dessa fase do Sevilla, já apontado pela imprensa espanhola como o melhor Sevilla de todos os tempos, é o técnico Juande Ramos. Ele chegou aos rojiblancos em 2005, dizendo à época que enfim, "estava treinando uma equipe grande". Mas o que ele não sabia era que essa equipe poderia se tornar grande através de seu comando. E há de se destacar a visão do técnico em trazer e revelar grandes promessas sem fazer loucuras financeiras, sendo esse um dos fatores que o colocaram como um dos principais técnicos dessa nova safra espanhola, ao lado de Rafa Benítez.

Por suas mãos, desabrocharam jogadores como o seguro goleiro Andrés Palop, reserva do Valencia até 2005, mas que chegou, firmou-se com a camisa um rojiblanca e constituiu-se em um dos principais personagens dessa fase vencedora do Sevilla. O valorizadíssmo Dani Alves começou a jogar o seu melhor futebol nas mãos do técnico, assim como seus compatriotas Adriano e Renato, sendo que o volante brasileiro desempenha função importantíssima na equipe. Além de apoiar, o camisa 11 chega com qualidade ao ataque, característica que o marcou fortemente nos tempos do Santos campeão brasileiro. O meio-campo montado por ele conta com jogadores-revelações das categorias de base, como Jesus Navas e Antonio Puerta; os experientes Martí e o "carregador de piano" Christian Poulsen, além de Enzo Maresca e o português Duda.

Esse leque de opções montado por Ramos lhe dá opções de manter o padrão tático do time, sem perder a qualidade na reposição das peças. O ataque também não conta com nenhum jogador badaladíssimo, mas as opções da equipe são deveras eficiente. O uruguaio Chevantón, o russo Aleksandr Kerzhakov e o bad-boy Luís Fabiano revesam-se constantemente como eficientes opções de ataque, liderado por Frédéric Kanouté. O malinês, de 1,92m e 29 anos tem faro de gol e é o homem-gol de Ramos. Desde que chegou ao Sevilla em 2005 - após passagens regulares por Lyon, West Ham e Tottenham - o avante marcou 44 gols em duas temporadas (30 em 2006/07) e se tornou a principal referência dos Palanganas. Jogador temperamental, já ameaçou deixar a equipe por algumas vezes, mas é inegável que vive na equipe rojiblanca a melhor fase de sua carreira. Nos cinco títulos que o Sevilla conquistou nessas duas últimas temporadas - 2 Copa UEFA, 1 Supercopa da Europa, 1 Supercopa Espanhola e 1 Copa do Rey - o malinês marcou em todas as finais, contabilizando 7 gols nas cinco partidas derradeiras.

A versatilidade do elenco e a boa reposição das peças perdidas durante o tempo em que comanda a equipe faz com que o Sevilla seja temido e notado dentre os grandes espanhóis. A possível saída de Dani Alves, cobiçado pelo próprio Real e pelo Chelsea numa transação que pode ultrapassar os 35 milhões de euros, já tem peças de reposição. O bom lateral Andreas Hinkel e o reforço Boulahrouz podem suprir a ausência do ala brasileiro. Para a possível saída de Puerta, o Sevilla trouxe os meias Seydou Keita, o meia belga Tom de Mul e Fazio, zagueiro campeão pela Argentina sub-20. Fora que a equipe rojiblanca conta em seu elenco com Diego Capel, uma das revelações espanholas do último Mundial sub-20 e cotado como grande promessa para o futuro da Fúria.

O atual bicampeão da Copa UEFA chega como uma das equipes favoritas a brigar pelo título espanhol da temporada, além de ter boas pretensões na Champions League. Para combater os milionários Real (dos caros Pepe, Snejder e Drenthe) , Barcelona (de Henry e Abidal), o Atlético (de Simão), e o Valência, o Sevilla conta com seu entrosamento adquirido e a manutenção da base, além da experiência na Liga Espanhola 2006/07, quando a equipe tinha plenas condições de conquistar o título diante dos irregulares merengues e catalães, mas deixou de ganhar pontos decisivos que lhe garantiram "apenas" a terceira colocação. Mesmo com o vacilo na última Liga, foi o melhor resultado da equipe Palangana (ao lado da temporada 1969/70) desde o seu único título espanhol, em 1945/46. Ainda mais embalado, essa temporada promete para o Sevilla.Por isso, olho nos "sevillaticos"!

18.8.07

Campeonato Português: Trio de Ferro ainda dá as cartas

A vitória do Sporting, na abertura do Cameponato Português, nos mostra que nessa temporada as coisas não devem ser diferentes. Porto, Sporting e Benfica novamente investiram mais e brigarão pelo título luso. E ao contrário de campeonatos como inglês ou espanhol, que movimentam cifras estratosféricas, a liga portuguesa se pautou pelos pés no chão e a aposta em jovens valores.

O bicampeão Porto busca manter a hegemonia, mesmo tendo perdido duas de suas principais peças do elenco vencedor na temporada passada. A soma das vendas do zagueiro Pepe e do meia Anderson ultrapassa os 60 milhões de euros. Mas os Dragões resolveram investir parte do lucro de caixa em jogadores que se destacaram em Portugal ou na América do Sul. O meia polonês Kazmierczak, que fez boa temporada pelo Boavista chegou junto ao rodado lateral-esquerdo Lino, procedente da Acadêmica de Coimbra e ao centro-avante Edgar (aquele da passagem relâmpago pelo Sâo Paulo). Chegando do futebol latino, temos jogadores como Luis Aguiar e Mario Bolatti, desconhecidos. Já o atacante Ernesto Farias, ex-River Plate é mais conhecido do grande público, junto ao meia Leandro Lima (aquele do decepcionante Brasil sub-20). Procedentes do futebol europeu chegam Mariano González (ex-Inter e Palermo) e o sérvio Milan Stepanov. O maior investimento dos portistas foi a aquisição do passe de Lucho González em definitivo, por mais seis milhões de euros. Jesualdo Ferreira, muito questionado no campeonato passado por quase perder um título ganho, terá de administrar esse monte de possíveis promessas para tentar manter a hegemonia em Portugal. Caberá a Lucho González ser o cérebro pensante e principal líder dessa equipe, que pode ver a afirmação de Ricardo Quarema como principal jogador português do certame. As saídas de Nani e de Simão abrem caminho para o camisa 7 do Porto brilhar e afirmar-se como melhor jogador luso na Liga Portuguesa.

O Sporting já começou a temporada com o pé direito. Venceu a Supertaça de Portugal sobre o Porto e começou o campeonato com goleada. Mesmo com a perda da revelação Nani para o Manchester United, a equipe do técnico Paulo Bento conseguiu manter a base vice-campeã da temporada passada e promete caçar o Porto com unhas e dentes. Muitos jogadores procedentes do Leste Europeu chegaram aos Leões, como o goleiro sérvio Vladimir Stojkovic, o meia e eterna revelação russa Marat Izmailov e os montenegrinos Milan Purovic e Simon Vukcevic. O bom zagueiro braseilro Gladstone também chega para brigar por um lugar na zaga. Mas a maior esperança da torcida sportinguista é o matador Liédson, há quatro temporadas no futebol luso. Mesmo estando de molho por um bom tempo, o avante ainda conseguiu ser um dos principais artilheiros do campeonato passado. Boas revelações portuguesas como o zagueiro Miguel Veloso e João Moutinho (já convocados por Felipão), além do meia Yannick Djaló podem ajudar os Leões a, enfim, quebrar a secura de títulos nacionais que já dura três temporadas.

Mesmo com a terceira colocação da temporada passada, o Benfica foi o clube português que trouxe os jogadores mais expressivos e promissores para o campeonato. Os 22 gols do paraguaio Óscar Cardozo pelo Newell's neste ano fizeram com que as Águias abrissem a carteira para pagar 9 milhões de euros pelo avante. O campeão mundial sub-20 Ángel di Maria também chegou por quatro milhões de euros. O meia argentino, que fez ótimo mundial no Canadá, pode ser de grande valia para suprir a ausência do ídolo encarnado Simão, vendido ao Atlético de Madrid. Outro que fez bom Mundial sub-20 chega ao Benfica. Trata-se do americano Freddy Adu, consideado uma grande promessa. Será a primeira chance do meia-atacante de mostrar seu real potencial em um clube europeu. O goleiro Butt, os zagueiros Marc Zoro e Fábio Coentrão, o meia Díaz e o atacante Bergessio também chegam à Lisboa, ajudando a formar um elenco numeroso e de qualidade para o técnico Fernando Santos. Se bem entrosado, pinta como o grande favorito a peitar o Porto.

Em meio ao mar de jovens jogadores-incógnitas, estão todos os outros clubes portugueses. Com contratações modestíssimas, é impossível apontar que qualquer um deles possa fazer sombra aos grandes de Portugal. Destaques para o Sporting Braga, que fez boa campanha na Liga passada e acertou o retorno de João Tomás junto ao futebol árabe, além de trazer o atacante brasileiro Lenny, que ficou só na promessa jogando pelo Fluminense. Olho no Belenenses e no Boavista, que brigarão junto com o Braga por uma vaga na UEFA e que foram os dois únicos clubes, além do trio de ferro, que conseguiram conquistar um Campeonato Português.
E vocês, em que bicho apostariam: Dragões, Leões ou Águias?

16.8.07

Restam dezenove... - Parte II

Valdívia: Afinal, o chileno é o maior destaque do certame, até o momento?

Dando sequencia ao meu balanço sobre o 1º Turno do Campeonato Brasileiro, relato aqueles que, sob meu ponto vista são, até agora, os melhores jogadores da competição. Primeiramente gostaria de explicitar que, desta análise, excluo jogadores que já estiverem atuando no exterior. Assim, Diego (ex-Atlético-MG), Welliton (ex-Goiás), Josué (ex-São Paulo) e outros nomes que poderiam ter sua presença discutida, sequer foram avaliados. Contudo, do jeito que andam as negociações, não duvidaria que até o final deste post algum jogador aqui citado fosse vendido.
No gol, muitos atletas têm um relativo destaque em seus clubes. Mas, não há como competir com Rogério Ceni. Sofrer apenas 7 gols em 19 partidas, já poderia credendiar Ceni ao título de melhor da posição. Como se não bastasse, o são-paulino acumula 4 gols marcados (vice-artilheiro do clube) e uma assistência. Nem mesmo as defesas milagrosas de Felipe ou os penaltis agarrados por Diego Cavalieri superariam este índice.
As laterais não vivem seus melhores dias. Na direita, o atleticano Coelho é o melhor muito mais pela ausência de adversários a altura do que por suas qualidades. Coelho não é tão ruim, somente não convence. Seus cruzamentos importantes e seus chutes de longa distância, são suficientes para ficar a frente de nomes discutíveis, como Wágner Diniz (Vasco) e Sidny (Náutico).
Na esquerda, um show a parte Kléber é. Ora escalado na meia, ora escalado na ponta, Kléber mostra muita disposição física e habilidade. Ao meu ver, a posição está tão necessitada de bons atletas que os outros nomes de destaque têm origem meio-campista, casos do tricolor Jorge Wágner e do cruzeirense Fernandinho.
A zaga sai de uma mistura entre os líderes. Juninho, capitão botafoguense, é o responsável por organizar a deficiente defesa do time da Estrela Solitária. Desarma bem e, quando sobra tempo, até sobe ao ataque para marcar seus golzinhos. Já Miranda é o representante da ótima fase vivida pela defesa do Tricolor Paulista. Joga sério, é eficiente e dita o ritmo da marcação. Aqui, outros jovens nomes merecem destaque, como William (Grêmio), Tiago Silva (Fluminense) e Breno (São Paulo).
A dupla de volantes repete a mesma receita da zaga. Leandro Guerreiro pode até não ser um excepcional atleta, mas compensa sua falta de habilidade fazendo jus a sua alcunha. Richarlyson também serve como exemplo de raça. Porém, diferente de Leandro, o volante sai para o jogo e através de sua técnica ajuda na armação e finalização. Os regulares volantes palmeirenses Pierre e Martinez, assim como os já rodados Túlio (Botafogo) e Marcão (Juventude) também fizeram um bom 1º turno.
Na armação o maior destaque não é brasileiro. Por ser a grande inspiração do meio-campo palmeirense com seus refinados passes, “El Mago” Valdívia certamente tem vaga garantida. Outro nome que agrada é o de Thiago Neves, meia que, aos poucos, consegue reviver no Fluminense os seus áureos tempos de Paraná. Virtuoso, basta ele jogar mal para o time das Laranjeiras sucumbir.
Nesta posição destaco duas reviravoltas: Wágner, que retornou do ostracismo árabe para levar o Cruzeiro às primeiras colocações; e Paulo Baier, veterano meia que parece saber jogar apenas com as cores do Goiás. O arisco William (Corinthians) e o argentino Darío Conca (Vasco) também apareceram com um bom futebol.
No ataque também temos muitos atletas medianos. Dentre todos, o que apresenta maior qualidade, é o rodado Dodô. Se o matador fosse mais participativo, teria espaço até em clubes europeus. Além dele, não há como esquecer do trombador Josiel. Bastou o artilheiro do campeonato entrar em má fase, para o Paraná despencar na tábua classificatória.
A coisa está tão feia que até os esquecidos Kléber Pereira (Santos) e Roni (Cruzeiro) voltaram a ganhar renome no cenário nacional. A grata surpresa, cabe ao jovem Guilherme. Não dá para entender por que o avante cruzeirense ficara de fora do Mundial Sub-20. André Lima, reserva de luxo do Botafogo, Marcos Aurélio do Santos e Carlinhos Bala do Sport também vem fazendo seus gols.
Dos 34 nomes aqui supra-citados, certamente há muitos que podem ser contestados. Com tantos atletas sendo vendidos, essa é a triste realidade que nosso futebol vive. Fazer o quê?

14.8.07

Restam dezenove... - Parte I

Festa são-paulina:
Jogada ensaiada entre Rogério Ceni e Jorge Wágner abre caminho para o título do 1º Turno

Depois de 19 rodadas não completas e 185 partidas em que tivemos as redes balançadas em 520 oportunidades, conseguimos, chegar à metade do Campeonato Brasileiro. Durante todo este tempo, o equilíbrio marcou o torneio. Mais uma vez, o campeonato mostra que não há uma equipe que possa vangloriar-se de ser muito melhor do que qualquer outra. A imprevisibilidade dos resultados fez com que tivéssemos jogos disputados, embora fracos tecnicamente.

Na ponta da tabela aparece o São Paulo, campeão do 1º turno. Graças a sua força defensiva e ao poderio marcador de sua dupla de volantes, o Tricolor Paulista desponta como principal favorito ao caneco.

Depois que Muricy Ramalho foi eliminado do Campeonato Paulista diante do São Caetano tentando pressionar o Azulão, parece que o treinador descobriu a verdadeira estratégia vencedora: o contra-ataque. Atualmente a principal arma da equipe é neutralizar o adversário, evitando correr grandes riscos. Depois, sim, pensar em atacar.

Apesar do São Paulo não ter marcado muitos gols, a postura ofensiva do time cresce gradativamente. Cerca de 62% dos gols anotados pela equipe do Morumbi (15 gols), aconteceram nas últimas sete partidas.
O principal rival paulista é o Botafogo, time que apesar de ter liderado o campeonato durante mais tempo, perdeu fôlego no sprint final, no qual conquistou apenas 5 pontos dentre os 15 disputados.
O destaque do time da General Severiano é seu forte poder ofensivo. Os 36 gols marcados (2º melhor ataque do torneio) fizeram com que, inclusive, dois jogadores aparecessem entre os artilheiros da competição.
Mesmo assim, ultrapassar o Tricolor não será tarefa fácil. Afinal, os alvinegros têm um elenco inferior ao do São Paulo, uma defesa não confiável e uma estigma de “cavalo-paraguaio”. Como se isso já não fosse o suficiente, o Fogão passa também por vários problemas internos (leia-se imbróglio Zé Roberto).

Mais abaixo da tabela, aparecem o Cruzeiro e o Vasco. Como ambos, a exemplo do Botafogo, têm um jogo a menos, não seria surpresa tão grande vê-los com a faixa de campeão no fim do torneio.

O Cruzeiro está embalado por sua boa série de resultados (nos últimos 8 jogos, 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota) e por seu elenco totalmente renovado. Hoje, nenhum dos jogadores que representaram a equipe na estréia (dia 12 de maio) é titular!

Embora a defesa ainda apresente falhas quanto a seu posicionamento em jogadas aéreas, principalmente, do meio-campo para a frente, a equipe de Dorival Júnior vai “muito bem, obrigado”. Além de possuir o melhor ataque com 40 tentos anotados, o Zêro não é dependente de um ou dois atletas já que 6 de seus jogadores já fizeram, no mínimo, 4 gols.

O Vasco, é o time que mais surpreendeu neste turno. Apesar de ter em mãos um elenco desconhecido e deveras fraco, Celso Roth mostra que futebol deve ser ganho dentro do gramado. A organização tática vascaína faz com que dificilmente percam pontos atuando em casa.

O empenho do conjunto cruzmaltino pode ser representado pelas estatísticas, haja vista que os cariocas são os únicos que conseguem estar simultaneamente entre as cinco melhores defesas e os cinco melhores ataques.

No resto, dificilmente alguma equipe chegará ao título. Menções apenas para Palmeiras, Internacional, Grêmio e Santos que, ao meu ver, são os únicos que poderão lutar por uma vaga restante na Copa Libertadores – 2008.

13.8.07

Especial Copa 2014 - Planejar é preciso


O legado da Copa não fica apenas para o esporte. As melhorias no trânsito, abertura de novos empregos e cuidado urbanístico atingem toda a sociedade. Foto do Estádio João Havelange - "Engenhão".


A decisão do Brasil em sediar a Copa do Mundo de 2014 se divide em opiniões favoráveis e contrárias quanto ao fato do país receber grandes eventos. Investir quantias que iriam ser destinadas para finalidades sociais mais emergenciais ou de maior relevância para a população, visando viabilizar a realização dos jogos, gera um paradoxo em um país que busca se destacar internacionalmente, mas que no seu interior convive com uma enorme desigualdade social.

Para o jornalista esportivo Flávio Benvenuto, a aplicação de recursos do governo federal em eventos esportivos de grande porte é uma forma de melhorar a infra-estrutura das cidades que serão sedes do evento: “O governo terá de fazer obras que facilitem o escoamento do trânsito, melhorias nos setores urbanísticos, contenção da violência e reformas em estádios que promoverão a criação de empregos temporários e agirão no desenvolvimento social e tecnológico no Brasil”.

Aldo Azevedo, especialista em Sociologia do Esporte e professor da UnB, acredita que o Pan-Americano 2007 irá trazer boas lições para os organizadores do projeto da Copa do Mundo no Brasil quanto ao orçamento e desperdício de recursos: “Durante a realização das obras no Rio de Janeiro, foram destinados cerca de R$ 3,5 bilhões de reais para a concretização do evento que inicialmente havia sido orçado em R$ 300 milhões”, ressalta o professor.

A respeito da realização da Copa de 2014 no Brasil, o presidente Lula, em nome do Governo Federal, enfatiza que a aplicação de recursos públicos é uma forma de divulgar a grandeza do país e melhorar a auto-estima do brasileiro. Já a CBF, espera que o Estado apenas haja como um facilitador e indutor, deixando o capital privado tomar conta dos preparativos da competição.


Cléber Bernucci, jornalista da rede SportTV, acredita que o planejamento é fundamental para o Projeto 2014 vingar: “ Já tivemos exemplos de países como o México, o Chile e mais recentemente Japão e Alemanha, que destinaram recursos para a realização das Copas e melhoraram seus sistemas viários, deixaram seus estádios mais modernos e criaram um sentimento de zelo pelo patrimônio construído”, e conclui: “A Copa passa mas o legado fica”.

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10.8.07

Campeonato Inglês: As jóias da Rainha nunca valeram tanto

Nada de Galácticos, Quarteto Fantástico, Super Bayern ou o timaço da Inter formado para comemorar seu centenário. O que está sacudindo a Europa são as contratações milionárias do Campeonato Inglês. E não estamos falando de quantias exorbitantes por supercraques mundiais, mas muitas transações dentro da própria Grã-Bretanha por jogadores "revelações" ou de técnica mediana. Como apontou Tomaz Alves, do site Trivela, os clubes estão rindo à toa. Esbanjam dinheiro porque a partir do ano que vem, entrará em vigor em novo contrato entre a Premier League e os clubes. Só pelos direitos de TV, cada clube vai passar a abocanhar uma incrível quantia de 90 milhôes de euros. E os clubes foram as compras. Os grandes querem brigar diretamente com o campeão Manchester United, os médios sonham com uma classificação para a Champions League e os pequenos sonham com as Copas Européias.

Falando do campeão, o Manchester United reforçou ainda mais o seu bom elenco. A vinda do meio-campo Owen Hargreaves promete dar mais qualidade e pegada na meia dos Red Devils, enquanto a aposta nos jovens Nani e Anderson se deve a falta de fôlego apresentada pelo time no final da última temporada. A falta de opções no meio e no ataque certamente custou a Champions League ao United, visivelmente estourado pelo excesso de jogos. E Carlitos Tevez chega a equipe com pinta de formar um ataque infernal com Wayne Rooney, pois a dupla consegue aliar a hablidade a força física, o que pode vir a ser um dos diferenciais da equipe junto com a experiência de jogadores como Scholes, Giggs, Ferdinand e Van der Sar. Além dos reforços, o melhor jogador do Campeonato Inglês passado está cheio de fôlego: Cristiano Ronaldo, um dos possíveis cotados para o prêmio de melhor jogador do ano da FIFA, mostra-se o principal jogador do time comandado por Sir Alex Ferguson.

O Chelsea definitivamente colocou a mão no freio na busca por contratações. O grande investimento do manda-chuva Roman Abramovitch foi o meia-atacante Florent Malouda, que veio por 21 milhões de euros. Malouda chega com pinta de titular, provavelmente em lugar de Arjen Robben, praticamente acertado com o Real Madrid. Os outros reforços vieram a custo zero e possivelmente vão compor o elenco dos Blues neste início de temporada: os meias Steve Sidwell e Tal Ben Haim; o zagueiro brasileiro Alex e o atacante Claudio Pizarro. Malouda promete dar mais dinamismo na transição entre o meio e o ataque da equipe ao lado de Lampard. A esperança de José Mourinho é que, além de Drogba repetir a boa temporada que fez na temporada 2006/07, o ucraniano Andriy Shevchenko volte a jogar o futebol perdido de outrora. Outra dor de cabeça, que pode ser resolvida com a chegada de Alex e a volta do lateral Glen Johnson, é a defesa, tão desfalcada por suspensões e contusões no ano pasado e que foi um dos fatores determinantes para que o Chelsea perdesse o tricampeonato inglês. Capitaneada por Terry, bem guardada pelo excelente Petr Cech e vigiada com eficiência por Essien, Mourinho torce para que a sorte lhe seja mais favorável nesta temporada.

Segunda equipe que mais investiu dinheiro em contratações (cerca de € 70 milhões, só perdendo para o Manchester United), o vice-campeão europeu Liverpool vem com tudo para tentar levantar o caneco da Premier League, algo que não acontece há 18 anos, desde a temporada 1989/90. E para isso, o time do ótimo técnico Rafa Benítez abalou a Inglaterra e a Europa com uma contratação de impacto: "El Niño" Fernando Torres chega para ser o grande centro-avante e resolver os problemas de finalização no ataque dos Reds. Além dos 35 milhões de euros por Torres, o Liverpool reforçou o setor de frente com o jovem e arisco holandês Ryan Babel (€ 17 milhões) e o ucraniano Andriy Voronin. Na meia, mais grana torrada em Yossi Benayoun (€ 7 milhões) e no Bola de Ouro do Brasileirão 2006, o volante Lucas (€ 10 milhões). Os novos reforços aliados a base vice-campeã da Europa na temporada passada prometem muito. A boa fase de Pepe Reina; a segurança da zaga de Agger e Carragher; a eficiência e a boa marcação de Riise, Mascherano e Xabi Alonso; mais a liderança de Gerrard são fatores que colocam o Liverpool como um dos favoritos ao título. E para mim, só não é mais favorito que o Manchester United.

O Arsenal continua cada vez mais jovem. A perda de jogadores que fizeram parte da geração mais vitoriosa dos Gunners, como Ljungberg e Henry, faz da equipe uma grande incógnita. Com reforços bem mais "modestos" em relação aos seus concorrentes diretos, o Arsenal de Arsène Wenger tentará disputar essa Premier League na base do fôlego e da disposição. Para o lugar de Henry, veio Eduardo da Silva, artilheiro da seleção croata e das duas últimas ligas croatas. No mais, vieram os jovens Bakary Sagna, zagueiro, e Lukas Fabianski, goleiro e provável reserva de Lehmann. Com isso, o fardo de carregar a equipe fica a cargo dos experientes defensores Gallas e Gilberto Silva aliados ao entrosamento e a juventude de bons jogadores como Fabregas,Touré, Rosicky, Walcott e Adebayor. Mas ainda é muito pouco para um time do porte do Arsenal, como já foi destacado aqui neste espaço no post de Alexandre Azank.

Entre os médios, o Tottenham mostra que vem para brigar por uma possível quarta vaga na próxima Champions League. E o time do técnico Martin Jol, com base na boa quinta colocação do campeonato passado foi as compras. Darren Bent, atacante inglês que fez boa temporada pelo rebaixado Chalton, chega pela bagatela de € 24 milhões e vai brigar por uma vaga no ataque, que já conta com a boa dobradinha Robbie Keane/Berbatov. Trouxe ainda o lateral Gareth Bale, da seleção galesa além dos meias Kaboul e Boateng. Além do bom nível do ataque, os Spurs ainda contam com a boa visão de jogo de Aaron Lennon, meia que também é constantemente convocado para a seleção inglesa. Mantendo-se a boa campanha, principalmente na reta final da última temporada, não é impossível sonhar com uma vaga na Champions League, além de incomodar bastante os grandes.

O Newcastle também tenta engrenar uma boa temporada. Nos últimos anos, vêm montando bons times, mas sempre fracassa. A contratação do técnico Sam Allardyce pode ser um dos diferencials para a equipe engrenar de vez na Inglaterra. Reforços como o polivalente Géremi, os zagueiros Caçapa e o tcheco Rozehnal e dos atacantes Mark Viduka e Alan Smith pintam como um processo de formação de um elenco forte para essa temporada. E o principal nome da equipe continua sendo o infernal Oba-Oba Martins, que jogando praticamente sozinho, conseguiu levar a equipe nas costas no último Inglês. Se finalmente se recuperar, Michael Owen também pode ser de grande valia à equipe.

Outras equipes de porte médio também receberam bons reforços para essa temporada. Destaques para o Manchester City, de novo manda chuva (o tailandês Taksin Shinawatra) que trouxe os meias Elano e Martin Petrov, além dos atacantes Rolando Bianchi, Valeri Bojinov - ambos com retrospectos de boas temporadas pelo futebol italiano - e Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona e Benfica). O Portsmouth tem como principais reforços o meia Sulley Muntari e o atacante John Utaka. A equipe - que chegou a liderar o início do campeonato da última temporada - ainda tem nomes tarimbados do futebol inglês como o goleiro David James, o zagueiro Lauren e o atacante Kanu. O Blackburn fez boas aquisições no ataque com a vinda de Maceo Rigters (revelação do sub-21 da Holanda) e do matador Roque Santa Cruz. Já o West Ham, que ainda está em uma confusão causada pela contratação de Tevez junto à MSI durante o ano passado, não quer repetir a campanha do ano passado, quando fugiu do rebaixamento na última partida. Para isso, mesclou reveleções com jogadores experientes para compor a equipe. Ljungberg e Scott Parker se juntam ao meia Faubert e o atacante Bellamy, ex-Liverpool, para subir os Hammers de patamar na Inglaterra. Essas equipes brigam diretamente pela vaga na Copa da UEFA, ao lado de Bolton, Aston Villa, Middlesbrough e Reading, que mantiveram sua base, mas trouxeram reforços que podem estourar, mas despertam muitas dúvidas e incertezas. Os recém-promovidos Sunderland, Birmingham e Derby County tem como pretensão inicial brigar para não voltar à Segunda Divisão, ao lado de equipes como o Fulham e o Wigan, que fizeram contratações modestíssimas em termos técnicos.

Com um gasto total em contratações que passa os € 600 milhões, o Campeonato Inglês mostra porque atualmente é o mais técnico e badalado campeonato nacional do momento. Com um abismo técnico menor dos grandes em relação aos médios e dos médios em relação aos pequenos, a disputa promete ser acirrada. Nunca se viu uma Premier League tão valorizada, tanto para clubes, quanto para organizadores e patrocinadores.

Top 10 - Contratações na Premier League (De acordo com o site alemão Transfermarkt.de)

Fernando Torres (Liverpool) - € 35 milhões
Anderson (Man United) - € 31,5 milhões
Nani (Man United) - € 25,5 milhões
Owen Hargreaves (Man United) - € 25 milhões
Darren Bent (Tottenham) - € 24,7 milhões
Florent Malouda (Chelsea) - € 21 milhões
Ryan Babel (Liverpool) - € 17,2 milhões
Gareth Bale (Tottenham) - € 14,7 milhões
Craig Gordon (Sunderland) - € 13,5 milhões
Rolando Bianchi e Vedran Corluka (Man City) - € 13 milhões

9.8.07

Especial Copa 2014 - Grandes eventos esportivos em países emergentes: ótimo negócio

Copa do Mundo e Olimpíadas são indicativos de grandes investimentos na infra-estrutura dos anfitriões. Na foto, o novo Shakhtar Stadium na Ucrânia, que custou 250 milhões de dólares e será inaugurado em 2008.

Em outubro, a FIFA vai decidir qual país sediará a Copa de 2014 e o Brasil se apresenta como forte candidato a receber o maior evento do futebol mundial. Mas há quem defenda que o país não tem infra-estrutura suficiente para receber um evento de grande porte, como uma Copa ou uma Olimpíada. No entanto, a tendência dos últimos anos é a aposta em países emergentes para receber competições desse porte. As vantagens sediar um grande evento esportivo são enormes, pois as obras de adequação necessárias para recebê-los são de grande valia para auxiliar no desenvolvimento desses países. Por outro lado, os grandes investidores vêem nesses países um grande filão para lucrar, com a venda de direitos exclusivos e uso do marketing massivo do evento.

Há exemplos recentes dessa nova tendência, como a escolha recente da sede da Eurocopa, terceiro torneio de futebol mais importante do mundo, atrás apenas da Copa do Mundo e Liga dos Campeões da UEFA. Polônia e Ucrânia, países pertencentes a área de influência soviética durante a Guerra Fria, receberão as melhores seleções da Europa em 2012. Para se medir a importância de tal evento, desde 1976, quando a ex-Iugoslávia recebeu a Euro, o Leste Europeu não recebia uma competição desse porte.

Mesmo com muitos problemas de infra-estrutura, poloneses e ucranianos venceram a eleição facilmente e agora correm contra o tempo para poder proporcionar toda a estrutura necessária para a realização da Eurocopa. O ministro de transportes e comunicação da Ucrânia, Mykola Rudkovsky, acena com a possibilidade de construção de uma estrada que ligue os dois países a Europa Ocidental, além da melhoria da malha rodoviária de ambos, visando à interligação entre as 10 cidades-sede. Outros investimentos a serem feitos são a ampliação dos principais aeroportos da Ucrânia, a ampliação da estrutura hoteleira e a melhoria nas tecnologias de comunicação. Além disso, 20 mil presidiários serão recrutados para ajudar nas obras polonesas, como forma de reabilitá-los e baratear a mão-de-obra.

Polônia e Ucrânia se espelham no exemplo de Portugal, que sediou a Eurocopa em 2004. Além das obras estruturais, os principais estádios do país foram reformados, fato esse que ajudou a desenvolver o futebol local e colocar a seleção lusitana como uma das principais do mundo na atualidade.

Outros eventos futuros que poderão auxiliar países emergentes são a Olimpíada de Pequim, em 2008 e a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a primeira Copa a ser realizada em continente africano. Baseado nesses exemplos, o economista e especialista em marketing esportivo, Antônio Afif, afirma que se bem planejada, a realização da Copa é possível: “Como é em 2014 temos tempo hábil para nos adaptarmos. É possível, desde que nos preparemos adequadamente”. E os benefícios para o Brasil estariam além de melhorias estruturais, segundo pensa o professor em Adminstração de Empresas da FGV-SP, Marco Aurélio Klein: "Teríamos procedimentos que vão ficar marcados como uma herança cultural no colo da torcida. Esse, por exemplo, é um retorno que não tem preço pelo que acarretará no desenvolvimento do esporte."

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8.8.07

Atacar ou defender: eis a questão

No ano passado, Botafogo e São Paulo enfrentaram-se pela 15ª rodada do Brasileirão, no Raulino de Oliveira. O jogo terminou empatado: um a um.

Após dezessete rodadas de pouca inspiração, finalmente os torcedores brasileiros poderão acompanhar uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro que despertará um interesse maior: Botafogo e São Paulo. Não restam dúvidas também, que no cenário futebolístico nacional não há equipes que aliem tanta qualidade técnica em seu conjunto, senão estas duas.
Desde o início do torneio, há três meses atrás, ambos já chegavam com pinta de favoritos ao caneco. Hoje, apoiada pela inconstância de seus adversários na luta pelo título, a dupla confirma as expectativas e travam, com sobras, um duelo a parte.
De um lado, temos o Fogão dirigido por Cuca, que apesar de não ter um grande elenco, consegue montar um esquema muito fluído e ofensivo. Não à toa, o time de Cuca tem o segundo ataque mais positivo da competição, com 35 gols marcados. Só para termos uma idéia, somente o ataque formado por Dodô e André Lima tem 18 tentos anotados juntos. Já o time inteiro do São Paulo só marcou 20 gols...
Se o ataque é infernal, não podemos dizer o mesmo da defesa alvinegra. Com exceção feita ao bom zagueiro Juninho, nenhum nome é uma unanimidade no grupo. Até mesmo Marcos Leandro, goleiro reserva do Paraná, foi contratado às pressas na tentativa de resolver as falhas defensivas.
Do outro lado temos o Tricolor Paulista de Muricy Ramalho. Ao contrário do time carioca, o que surpreende no São Paulo é o número de gols sofridos: apenas sete (impressionante média de 0,41 gols levados por jogo). Prova de que a trinca formada por Miranda, André Dias e Alex Silva ou Breno (revelação do Brasileirão até o momento) tem mostrado resultados. Tanto empenho certamente contribuiu para que o clube apresentasse a melhor campanha como visitante.
Já no ataque, o Tricolor é uma lástima. Não dificilmente depende de esporádicos momentos de inspiração dos seus meio-campistas ou de alguns chutes de longa distância. Podem até dizer que Borges passa por uma boa fase, mas o avante não convence ninguém...
E nesse confronto de ataque versus defesa, muita polêmica. No Botafogo, o aspirante a craque Zé Roberto acaba de ser suspenso por indisciplina técnica e não tem data para retornar aos gramados. Pelo São Paulo só comenta-se todo o embróglio produzido pela declaração preconceituosa de um dirigente palmeirense contra o atleta Richarlyson.
Na minha modesta opinião, o confronto entre o antigo e o atual líder será muito nervoso e acabará empatado em um ou dois gols. Por melhor visitante que o São Paulo seja, realmente não acredito que poderá quebrar a invencibilidade do Botafogo no Maracanã, que já dura 25 jogos. Na verdade, também aposto no empate para que esta briga seja levada até o final da competição. Afinal, quem não gostaria de ver uma situação semelhante daqui a quatro meses, em plena 37ª rodada? Como diria Galvão Bueno: “Haja coração...”

7.8.07

Especial Copa 2014 - Copa do Mundo no Brasil?

A partir de hoje, postaremos aqui neste espaço uma série de reportagens apontando as várias nuances que envolvem a realização de Copa no Brasil. Essas matérias foram originalmente redigidas por alguns de nós do Opinião FC (Azank, André, Felipe e Jota) para o hiperdocumento da Disciplina de Jornalismo Digital II, ministrada pelo professor Mauro de Souza Ventura. A Copa no Brasil é possível?

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, reconhece: O país deve se modernizar para receber a maior competição de futebol do planeta


JOTA ASSIS


A Federação Internacional de Futebol (FIFA) tem em seus planejamentos trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2014. A Colômbia, outro país latino candidato a sediar o torneio, já desistiu da disputa de quem vai sediar o maior torneio de futebol do planeta. “Tudo indica que o Brasil realmente será o país sede em 2014, mas devemos nos preparar desde já”, argumenta Toni de Paula, radialista esportivo da rádio Jovem Pan.

Para o radialista o país deve saber direcionar a verba empregada de maneira correta, para que após o torneio haja um retorno de benefícios para a população. “A maioria dos brasileiros ama o futebol e seria importante sediar uma Copa novamente, mas ainda faltam muitas melhorias, como o trânsito caótico das grandes cidades, o problema aéreo e a falta de segurança. Temos 7 anos para tentar mudar esse panorama”, complementa.Paula cita como exemplo, os jogos Pan Americanos, que estão sendo realizados com sucesso no Rio de Janeiro e explica que “o governo em parceria com a CBF pode muito bem trazer as mudanças necessárias para que a competição de futebol seja realizada no país”.

O jornalista e historiador Luciano Dias Pires também aponta os problemas atuais que o Brasil enfrenta, mas no seu entender, o país não deve trazer a Copa do Mundo, “pois os problemas que estamos enfrentando hoje não fazem do Brasil um bom candidato”.

Pires relembra a Copa de 1950 e explica que na época o contexto era outro, “para se ter uma idéia, a Segunda Guerra Mundial tinha acabado fazia pouco tempo, o Brasil estava recebendo muitos imigrantes e as inovações tecnológicas concebidas durante a guerra estavam em pleno vapor. Todo o contexto favorecia a realização do torneio”.

“Com estádios sem uma boa infra-estrutura, a segurança deficitária e desempregos, o Brasil teria que repensar a possibilidade de sediar um torneio de tão grande expressão e colocar em primeiro plano a resolução desses problemas”.
Pires acredita que seria necessário “um grande salto econômico para conseguirmos sediar novamente uma Copa com sucesso".

3.8.07

Made in Brasil

Quac! Alexandre Pato engrossa a lista de exportação e vai para o Milan
Para estrangeiros, jogadores brasileiros viraram mercadorias

Diego (Atlético-MG); Ilsinho (São Paulo), Gladstone (Cruzeiro), Schiavi (Grêmio) e Fellype Gabriel (Cruzeiro); Marcelo Mattos (Corinthians), Cléber Santana (Santos), Michael (Palmeiras) e Renato (Flamengo); Araújo (Cruzeiro) e Welliton (Goiás).

Diante da safra tão ruim de atletas que percorrem os gramados brasileiros no Campeonato Nacional, poderíamos elencar o time acima como uma reunião entre os poucos destaques deste ano. Poderíamos. Isto é, se o time acima ainda estivesse atuando pelo Brasileirão de 2007...

Na medida que os anos se passam, mais jogadores abandonam o futebol tupiniquim mais recentemente. O portal virtual da Globo divulgou nesta última semana uma matéria que relatava números acerca do assunto. Segundo a reportagem, durante o período que corresponde ao primeiro semestre de 2007 (de janeiro a julho), cerca de 600 atletas foram vendidos para o mercado estrangeiro.

Além disso, a matéria apresenta dados alarmantes: cada vez mais os nossos jogadores saem mais jovens e por preços mais baratos. Em 2005, os 804 jogadores que se aventuraram em terras estrangeiras renderam 159,2 milhões de dólares para o país (média de 19,8 mil dólares cada). Se o mesmo cálculo for realizado através do preço dos atletas, concluimos que neste ano, até agora, cada jogador foi negociado pela média de 8,3 mil dólares cada. Ou seja, em dois anos, nossos atletas desvalorizaram-se em quase 60% de seu valor.

Hoje em dia, os jogadores abandonam seus clubes para irem cada vez mais longe. Atualmente até os petrolíferos times do Oriente Médio são procurados. Mas será que tudo isso compensa? Sinceramente, salvo algumas exceções, normalmente essas negociações não dão em nada.

O jogador brasileiro precisa perder esta mania de pensar que o futebol estrangeiro é a terra das mil maravilhas. De nada adianta sair do país, se você ainda não tem potencial o suficiente para se manter numa relativa posição de tranquilidade em sua equipe. O jogador não se adapta, joga mal, come mal e às vezes nem receber salário, recebe (como ocorreu com Denílson, por exemplo). É justamente esta afobação que faz atletas como Wágner, Ibson e companhia voltarem ao solo brasileiro.

Mas, como resolver este problema cultural? Já que este dilema é algo que já aparece implicitamente na cabeça do jogador quando ele surge, a solução seria instruir melhor nossos atletas e olhar para as categorias de base com maior respeito e dedicação. Os clubes têm de exercer uma política mais autoritária e menos comercial, sim.

Somente assim, empresários sentir-se-íam ameaçados o suficiente a ponto dos clubes conseguirem segurar seus atletas por mais tempo. E talvez, quem sabe, voltaríamos a ver grandes jogadores desfilando todo seu futebol-arte.