11.6.10

Copa do Mundo 2010 - Grupo H

Espanha
A hora da verdade chegou

A seleção da Espanha nunca chegou a uma Copa do Mundo em uma condição de favoritismo tão grande. Não se trata apenas da reunião de muitos bons jogadores, alguns deles craques, em todas as posições: é um grande time. As estatísticas impressionam. Nos últimos 48 jogos, foram 44 vitórias, três empates e apenas uma derrota, aquela na semifinal da Copa das Confederações de 2009 para os Estados Unidos, por 2 a 0, e que impediu o esperado confronto contra o Brasil na final. Venceu os últimos 12 jogos e fez 40 gols, média de 3,3 por partida. A campanha nas Eliminatórias foi perfeita, com dez vitórias em dez jogos.

A conquista da Eurocopa de 2008 acabou com a sina da equipe de ter bons times mas sempre fraquejar na hora da decisão, a famosa pipocada. O elenco da Fúria certamente é um dos mais fortes - Xavi e Iniesta estão entre os cinco eleitos no ano passado como melhores do mundo pela Fifa. A dupla de ataque é mortal, com Villa e Torres. No meio, a briga é tão boa que Fabregas é reserva. A defesa é segura e experiente, assim como o goleiro e capitão Casillas.

A Espanha é hoje a seleção com o futebol mais bonito. Pela disposição nas chaves, pode fazer a final dos sonhos contra o Brasil. Não deve ter muitas dificuldades para confirmar o primeiro lugar em seu grupo. Vicente Del Bosque não mexeu na estrutura da equipe quando substituiu José Aragonés, mantendo o 4-4-2. Também pode deixar um atacante isolado e colocar mais um jogador no meio de campo. Iniesta, Fabregas e Torres se recuperam de lesão e estão sem muito ritmo de jogo, o que pode atrapalhar. Chegou a hora de mostrar que a Espanha é um dos gigantes do futebol mundial.

Real Federación Española de Fútbol
Status: Favorita
Ranking da Fifa:
Participações em Copas: 12 (1934, 1950, 1962, 1966, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006)
Melhor participação: 4º lugar (1950)
Ídolos: Zubizarreta, Zamora, Hierro, Camacho, Luís Enrique, Michel, Zarra, Di Stéfano, Butragueño, Gento, Raúl
Uniforme: Adidas
Time Base (4-4-2): Casillas; Sergio Ramos, Puyol, Pique e Capdevilla, Iniesta (Busquets), Xabi Alonso, Xavi e David Silva; Torres e Villa. Técnico: Vicente Del Bosque
Ele é o cara: Tarefa ingrata ter que escolher apenas um. Fico com Xavi. Corre por todo o campo, marca e arma com a mesma qualidade e competência, tem excelente visão, é regular e experiente. Candidato a bola de ouro.
Olho nele: O jovem atacante Pedro foi convocado sem nunca ter sido convocado. Não é craque, mas executa bem todos os fundamentos, é incansável e tem estrela de campeão, como tem mostrado no Barcelona.
Tem Brazuca aí? Não
Pontos Fortes: Todos os setores da Fúria são equilibrados e bem servidos. O meio-campo e o ataque conta com jogadores que estão entre os melhores do mundo em suas posições.
Pontos Fracos: A falta de tradição ainda é um fator que pesa. Apesar de experiente, um momento de dificuldade numa partida da segunda fase, como um gol sofrido no início, podem desestabilizar o time.

Suíça
Deixando a neutralidade de lado

A seleção suíça protagonizou um feito interessante na Copa da Alemanha: foi eliminada sem perder e sem levar um gol sequer. Foram 2 vitórias e um empate na primeira fase (ficou em 1º no grupo da França) e outro empate nas oitavas de final, caindo nos pênaltis para a Ucrânia. Para esta edição do Mundial, a ideia é repetir a campanha na primeira fase, mas ir mais longe.

Mas pelo futebol que vem apresentando, o cenário não deve ser muito diferente. Enquanto sabe se fechar na defesa, o setor de criatividade da equipe é quase nulo, o que dificulta a vida dos atacantes. A 1ª colocação em seu grupo nas Eliminatórias não deve significar muita coisa, já que tinha a Grécia e a Letônia como adversários mais fortes. Vai brigar com os chilenos pela segunda vaga. Para azar dos europeus, se passar, deve enfrentar a Seleção Brasileira nas oitavas de final. Uma vitória suíça certamente entraria para a lista das maiores zebras da história das Copas.

Schweizerischer Fussball-Verband
Status: Zebra
Ranking da Fifa: 24º
Participações em Copas: 8 (1934, 1938, 1950, 1954, 1962, 1966, 1994 e 2006)
Melhor participação: 4º lugar (1950)
Ídolos: Sforza, Chapuisat
Uniforme: Puma
Time Base (4-4-2): Benaglio; Lichtsteiner, Senderos, Grichting e Ziegler; Behrami, Inler, Huggel e Barnetta; Frei e Nkufo. Técnico: Ottmar Hitzfeld.
Ele é o cara: O veterano Frei é a referência no ataque. Recupera-se de uma lesão no braço e está fora de forma, mas é perigoso. Fez 2 dos 4 gols suíços na Copa de 2006.
Olho nele: O jovem atacante Derdiyok, 21 anos, fez 11 gols no último Campeonato Alemão defendendo o Bayer Leverkusen. Por ser forte e alto, sabe usar bem o corpo.
Tem Brazuca aí? Não
Pontos Fortes: Comandados pelo alemão Hitzfeld, os suícos devem priorizar a defesa. A campanha de 2006, quando não perderam nem tomaram gols, deve servir de exemplo.
Pontos Fracos: O setor de criação e ataque é fraco. Derdiyok, em boa fase, deve ficar no banco, o que dificulta a vida do torcedor que queira ver muitos gols.


Chile
A melhor defesa é o ataque

Depois da boa campanha e do surpreendente 2º lugar nas Eliminatórias, o Chile volta a disputar uma Copa do Mundo depois de duas ausências consecutivas. O treinador Marcelo "El Loco" Bielsa deu consistência ao time e o colocou para atacar: teve o 2º melhor ataque (32, um a menos que o Brasil) e o artilheiro do qualificatório sul-americano, Suazo.

O atacante, aliás, é a grande esperança chilena de uma boa campanha no torneio. O problema é que se lesionou no amistoso contra Israel no dia 30 de maio e quase foi cortado - sua participação na estreia contra Honduras já está descartada, e corre contra o tempo para enfrentar a Suíça, adversário na briga pela segunda vaga do grupo.

Se isso acontecer, deve ter pela frente o mesmo adversário que lhe eliminou na sua última participação, em 1998, quando contava com a talentosa dupla Zamorano e Salas no ataque: o Brasil.

Federación de Fútbol de Chile
Status: Pode surpreender
Ranking da Fifa: 18º
Participações em Copas: 7 (1930, 1950, 1962, 1966, 1974, 1982 e 1998)
Melhor participação: 3º lugar (1962)
Ídolos: Figueroa, Leonel Sánchez, Zamorano, Marcelo Salas
Uniforme: Brooks
Time Base (3-4-3): Bravo; Fulano, Ponce e Jara; Vidal, Fernández (Valdívia), Carmona e Beausejour; Sanchéz, Suazo e González. Técnico: Marcelo Bielsa
Ele é o cara: Humberto Suazo é o grande nome chileno. Artilheiro das Eliminatórias com 10 gols, foi o maior destaque na boa campanha. Rápido, habilidoso e bom finalizador, dá muito trabalho aos zagueiros adversários.
Olho nele: O jovem meia Matías Fernández é habilidoso e deixou o ex-palmeirense no banco. Inteligente e com bom passe, é uma das boas revelações entre a nova geração de talentos do país.
Tem Brazuca aí? Não
Pontos Fortes: Bielsa arma um time muito ofensivo, com três atacantes, sendo dois abertos pelas pontas, e meias que chegam bastante ao ataque. Possui jogadores jovens que correm bastante.
Pontos Fracos: Se o ataque é bom, a defesa deixa a desejar - foi a mais vazada entre os classificados na América do Sul. Os alas avançam bastante e deixam muitos espaços nas laterais.


Honduras
Passeando pelos safáris

A seleção hondurenha chega para a sua segunda Copa do Mundo sem nenhuma aspiração. Conseguiu a classificação mais por causa de um grande vacilo da Costa Rica (tradicional terceira força da Concacaf), na última rodada, após uma surpreendente vitória sobre o México por 1 a 0, com um gol contra. Sendo sincero, o melhor jeito de aproveitar a passagem pelo país será ir conhecer o mundo animal de perto.

Para complicar, o técnico Rueda perdeu o atacante Carlos Costly, por contusão. A espinha do time é formada pelo volante Wilson Palacios e pela dupla de ataque formada por Suazo e Pavón. Mais por causa do primeiro, porque o segundo tem 36 anos e não representa muito perigo. Se conseguir sem perder os três jogos já será um bom resultado. Uma vitória, então, seria motivo para desfile em carro aberto na volta ao país.


Federación Nacional Autónoma de Fútbol de Honduras
Status: Figurante
Ranking da Fifa: 38º
Participações em Copas: 1 (1982)
Melhor participação: 18º lugar (1982)
Ídolos: Gilberto Yearwood
Uniforme: Joma
Time Base (4-4-2): Valladares; Sabillón, J. Palacios, Bernárdez e Izaguirre; Guevara, León, W. Palacios e Álvarez; Pavón e Suazo. Técnico: Reinaldo Rueda
Ele é o cara: David Suazo é um atacante habilidoso e experiente, é o mais talentoso da seleção. Chegou a defender a Inter de Milão há três temporadas, depois de boa passagem pelo Cagliari, clube pelo qual marcou 95 gols.
Olho nele: O volante Wilson Palacios é forte na marcação e foi um dos destaques da bom temporada do Tottenham. Protege bem a zaga, sabe sair para o jogo e pode chegar como um elemento surpresa no ataque.
Tem Brazuca aí? Não
Pontos Fortes: Para conseguir algum ponto na competição, precisa contar com Suazo e Pavón, maior artilheiro da história hondurenha (57 gols), inspirados.
Pontos Fracos: O elenco como um todo é fraco, a maioria dos jogadores atua no país. Se tomar um gol e buscar o empate, pode levar uma goleada.

Jogos do Grupo H:
16/06 - 8h30 - Nelspruit: Honduras x Chile
16/06 - 11h - Durban: Espanha x Suíça
21/06 - 11h - Port Elizabeth: Chile x Suíça
21/06 - 15h30 - Johannesburgo: Espanha x Honduras
25/06 - 15h30 - Tshwane/Pretória: Chile x Espanha
25/06 - 15h30 - Mangaung/Bloemfontein: Suíça x Honduras

Um comentário:

gerson disse...

Espanha campeã eu só acredito vendo. Vão morrer nas quartas-de-final ou semifinal.