29.6.10

Rodada quase sem gols define classificados

No primeiro duelo dos países ibéricos em Copas do Mundo, deu a lógica e a Espanha venceu a seleção portuguesa por um magro, porém seguro, 1 a 0, e agora enfrenta o Paraguai nas quartas de final do Mundial da África do Sul.

Ao contrário do que Carlos Queiroz havia falado antes do jogo, Portugal jogou da mesma forma que fez contra o Brasil: bem fechado, atrás da linha da bola, com o astro Cristiano Ronaldo isolado. Como resultado, pouco ameaçou a meta de Casillas. O capitão português, inclusive, jogou muito mal, não chamou a responsabilidade, como era de se esperar, e foi uma decepção.

Os campeões europeus não mudaram seu estilo de muita troca de passes e dominaram o jogo. Villa, o autor do gol, deu trabalho o tempo todo, pelo lado esquerdo, e apesar de alguns centímetros impedido, mereceu o gol, juntando-se a Higuaín e Vittek no topo da artilharia. O setor defensivo, bem postado e ajudado pela nulidade do ataque luso, foi muito bem. O meio-campo, se não foi brilhante, fez o suficiente.

Depois do choque da derrota na estreia, a equipe espanhola vai ganhando corpo e força com o decorrer da competição. Do lado de Portugal, o único destaque vai para o goleiro Eduardo, que fez pelo menos três grandes defesas, e evitou um placar maior. O lateral Fábio Coentrão, pelo esforço, merece citação.

O adversário da Espanha foi definido somente nos pênaltis. Japão e Paraguai fizeram um jogo fraco tecnicamente, com poucas chances, muitas faltas e correria, e o empate sem gols definiu bem o que foi o confronto. Pela primeira vez em sua história, o time sul-americano chegou às quartas de final.

Também pela primeira vez na história das Copas, há mais seleções sul-americanas que europeias entre os oito melhores. O fraco Paraguai, entretanto, não nos permite sonhar com uma possível semifinal 100% América do Sul: Uruguai e Brasil de um lado, Argentina e Paraguai do outro. Mas já é uma campanha excelente.

Oitavas de final - Parte 4

Paraguai vs. Japão
Duelo histórico

No confronto mais equilibrado desta fase, confrontam-se duas equipes sem tradição, que nunca chegaram às quartas-de-final do torneio. Mesmo com ambos apresentando, até agora, um estilo muito defensivo, provavelmente quem tomará o controle da partida será a equipe tecnicamente melhor, o Paraguai. Dessa maneira os japoneses atuarão do jeito que gostam e sabem. Com todo mundo na defesa, marcando na defesa à espera de um lance genial de Honda, o maestro da equipe. Para passar pelo forte sistema japonês e confirmar o pouco favoritismo que têm, a esperança guarani estará depositadanos pés de sua tríade ofensiva (Barrios-Valdez-Santa Cruz) que, diga-se de passagem, pouco fez neste Mundial.

Raio-X do Confronto
Paraguai (4-3-3): Villar; Caniza (Bonet), Alcaraz, Da Silva e Morel Rodríguez; Vera, Riveros e Ortigoza (Torres); Santa Cruz, Valdez e Barrios (Cardozo). Técnico: Gerardo Martino. Campanha: 3J, 1V, 2E, 0D, 3GP, 1GC – 1º do Grupo F
Japão (4-1-4-1): Kawashima; Komano, Nakasawa, Túlio Tanaka e Nagatomo; Abe; Hasebe, Matsui, Honda e Endo; Okubo. Técnico: Takeshi Okada. Campanha: 3J, 2V, 0E, 1D, 4GP, 2GC – 2º do Grupo E
Desfalques do confronto: Victor Cáceres, meia paraguaio, está suspenso (2 amarelos); já Santana, lesionado, é dúvida.
Porque os paraguaios avançam: São fisicamente mais fortes e possuem maior experiência internacional. Devem explorar os chutes de média distância, com Vera e Riveros, já que Kawashima não é confiável. Se abrirem o placar, os Samurais dificilmente terão poder de reação.
Porque os japoneses avançam: O fôlego e a disciplina tática dos nipônicos são invejáveis, marcam o tempo todo. Têm fortes jogadas ensaiadas de bola parada, seja cobrando na área para aproveitar as subidas de Tanaka, seja direto ao gol, com Endo e Honda. A Dinamarca que o diga...
Palpite: Paraguai 55%, Japão 45%

Espanha vs. Portugal
Um Brasil vs. Argentina europeu

Atual campeã continental, os espanhóis levam certo favoritismo no clássico ibérico por possuir um conjunto mais equilibrado, com um quarteto ofensivo respeitável: Torres, Xavi, Iniesta e Villa, dois volantes confiáveis e uma defesa experiente. Já Portugal vem com um esquema retrancado, preocupado em evitar riscos. Atacando, depende de Cristiano Ronaldo. Quando não resolve sozinho, o gajo ajuda nas articulações pelo meio (tabelando com Raul Meireles e Tiago), ou realiza jogadas de linha de fundo com Simão e Coentrão. Parece pouco. Se a Espanha apresentar o futebol convincente que todos esperam, ela avança com facilidade. Só que, além do adversário, a Fúria deve bater um antigo trauma: o de sempre “pipocar” no torneio.

Raio-X do Confronto
Espanha (4-2-3-1): Casillas; Sérgio Ramos, Puyol, Piqué e Capdevila; Busquets e Xabi Alonso (Javi Martinez); Fernando Torres, Xavi e Iniesta; Villa. Técnico: Vicente Del Bosque. Campanha: 3J, 2V, 0E, 1D, 4GP, 2GC – 1º do Grupo H
Portugal (4-3-3): Eduardo; Miguel (Ricardo Costa), Bruno Alves, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão; Pedro Mendes (Pepe), Raul Meireles e Tiago; Cristiano Ronaldo, Hugo Almeida e Simão. Técnico: Carlos Queiroz. Campanha: 3J, 1V, 2E, 0D, 7GP, 0GC – 2º do Grupo G
Desfalques do confronto: O volante Xabi Alonso recupera-se de lesão, talvez não jogue. Os portugueses contam com 4 lesionados: o atacante Danny, o lateral Duda e os meias Deco e Ruben Amorim; todos são dúvidas.
Porque os espanhóis avançam: Têm uma equipe tecnicamente superior e mais entrosada. A zaga lusa é forte, porém lenta. Arriscar chutes de fora da área com Iniesta e Xavi ou lançamentos em profundidade para Villa são boas opções.
Porque os portugueses avançam: Possuem um talento que pode resolver numa jogada individual: Cristiano Ronaldo. Se mantiverem a postura defensiva adotada contra o Brasil poderão contragolpear com eficiência, aproveitando os espaços que a Puyol e Piqué deixam.
Palpite: Espanha 60%, Portugal 40%

28.6.10

Favoritismos confirmados

Não deu...
Chilenos saem de campo, desolados com a derrota

Nas duas partidas de hoje válidas pelas oitavas de final da Copa do Mundo não houve nenhuma surpresa. Brasil e Holanda agiram dentro do esperado e atropelaram Chile e Eslováquia, respectivamente.

A seleção canarinha não deu chances aos chilenos. Aproveitando-se do fato de o adversário compor uma equipe extremamente ofensiva, com uma meia de ligação (Mark González) e três atacantes (Beausejour, Suazo e Sánchez), os brasileiros souberam usufruir destes espaços para armar velozes contra-ataques. Mesmo tomando um susto nos primeiros momentos do jogo, sofrendo certa pressão do rival, o Brasil soube reverter a situação e chegou a dois gols ainda no primeiro tempo, com Juan e Luís Fabiano. Méritos para o seguro meio-campo formado após as contusões de Felipe Melo e Elano, já que Ramires e Daniel Alves entraram muito bem na equipe e complicaram a vida dos rubro-azuis.

Em desvantagem, La Roja não soube criar situações que favorecessem uma possível reviravolta e as substituições de Marcelo Bielsa não surtiram efeito. El Loco, aliás, foi muito mal. Além de contrariar a lógica de retrancar-se contra os brasileiros, não utilizou o cerebral Matias Fernández, colocando o tecnicamente limitado Suazo no ataque. A arrogância custou mais uma derrota frente ao Brasil. Graças a uma magistral atuação do setor defensivo, sobretudo Gilberto Silva, o Brasil explorou ainda mais os contragolpes e ampliou o placar com Robinho, 3 a 0. Depois disso, o freguês entregou-se e sequer esboçou reação.

O adversário nas quartas de final é uma velha conhecida: a Holanda. Nesta segunda, a Oranje infelizmente mostrou o mesmo futebol presente nas partidas da 1ª fase. Burocrática, a equipe só atuou ofensivamente, atacando os eslovacos, durante 20 minutos (tempo suficiente para Robben abrir o placar). A situação melhorou ainda mais quando Sneijder, o craque do jogo, ampliou. A partir daí, a Laranja Mecânica limitou-se a realizar passes laterais, deixando o tempo passar.

Sem sofrer grandes sustos, exceto pelas duas chances perdidas por Vittek, os holandeses mantiveram o controle da partida. Se não fosse um pênalti cobrado pelo mesmo Vittek, a meu ver inexistente, a Eslováquia não teria quebrado, nos últimos minutos, a invencibilidade do ótimo Stekelenburg. Méritos para o poderio defensivo do time de Bert van Marwijk que, mesmo devendo uma maior qualidade, anulou os principais articuladores balcânicos (Weiss e Hamsik).

Agora, na próxima fase, tanto holandeses quanto brasileiros enfrentarão um rival com o mesmo potencial. Resta saber como se comportarão estes dos dois times quando, ao invés de marcar um gol inicial, saírem atrás do placar, fato inédito para ambos neste Mundial...

Oitavas de final - Parte 3

Holanda vs. Eslováquia
Hora de jogar bonito

A volta do atacante Robben é a esperança não só dos holandeses, mas dos que gostam de futebol, de ver a Holanda atuar de forma que se esperava: pra frente e jogando bonito. Além disso, precisa acabar com o fantasma de chegar como um dos favoritos e nunca corresponder com a espectativa. O adversário é o ideal - apesar da supreendente vitória sobre os italianos e de ter um dos artilheiros da Copa (Vittek), a Eslováquia vai jogar fechada explorando o contra-ataque. O técnico Vladimir Weiss negou que vai em busca de um milagre, acreditando na vaga às quartas de final.

Raio-X do Confronto
Holanda (4-2-3-1): Stekelenburg; Van der Wiel, Heitinga, Mathijsen e Van Bronckhorst; Van Bommel e De Jong; Kuyt, Sneijder e Robben; Van Persie. Técnico: Bert van Marwijk. Campanha: 3J, 3V, 0E, 0D, 5GP, 1GC – 1º do Grupo E
Eslováquia (4-2-3-1): Mucha; Pekarík, Skatel, Durica e Zabavnie; Kopunek e Kucka; Hamsik, Vittek e Stoch; Jendrisek. Técnico: Vladimir Weiss. Campanha: 3J, 1V, 1E, 1D, 4GP, 5GC – 2º do Grupo F
Desfalques do confronto: o volante Strba está suspenso.
Porque os holandeses avançam: O time laranja tem um grupo entrosado e técnico e jogadores que podem desequilibrar, como o cerebral Sneijder e o craque Robben. É uma equipe que tem um bom aproveitamento de passes e abusa dos lançamentos, pois conta com atletas velozes, principalmente pelos lados do campo. Venceu os três jogos da primeira fase.
Porque os eslovacos avançam: Mostraram contra a Itália que não ficam apenas na defesa e que não se intimidam com os grandes. Rápidos, sabem explorar muito bem o contra-ataque e contam com a boa fase do artilheiro Vittek. Começou mal no torneio, mas Weiss parece ter encontrado a formação ideal.
Palpite: Holanda 70%, Eslováquia 30%

Brasil vs. Chile
Freguês em Copas

Durante a era Dunga, foram cinco confrontos entre as equipes e cinco vitórias brasileiras, com 20 gols a favor e três contra. No último encontro em Copas, mais um triunfo canarinho, nas oitavas de 1998, por 4 a 1. Kaká e Robinho, o primeiro suspenso e o segundo poupado contra Portugal, voltam ao time titular e trazem talento e criatividade ao time. O Chile, por sua vez, é uma equipe rápida e habilidosa e gosta de atacar, mas vem desfalcado de sua defesa titular. As duas seleções jogaram na sexta-feira e tiveram pouco tempo para descansarem e recuperarem seus jogadores.

Raio-X do Confronto
Brasil (4-4-2): Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo (Josué), Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano. Técnico: Dunga. Campanha: 3J, 2V, 1E, 0D, 5GP, 2GC – 1º do Grupo G
Chile (4-2-3-1): Claudio Bravo; Mauricio Isla, Pablo Contreras, Gonzalo Jara e Arturo Vidal; Carlos Camona e Millar; Sánchez, M. Fernández e Beausejour; Suazo. Técnico: Marcelo Bielsa. Campanha: 3J, 2V, 0E, 1D, 3GP, 2GC – 2º do Grupo H
Desfalques do confronto: os chilenos Ponce, Medel e Estrada estão suspensos, o último pelo cartão vermelho.
Porque os brasileiros avançam: O Brasil tem muito mais time que o México. O trio Kaká-Robinho-Luís Fabiano (em forma) é mortal. Por jogar pra frente, os chilenos podem deixar buracos na defesa e espaço para os contra-ataques brasileiros. Chile é freguês, principalmente em Mundiais.
Porque os chilenos avançam: Bielsa é bom técnico e deve saber explorar as descidas dos laterais brasileiros, principalmente Maicon. Do meio pra frente, é um time muito habilidoso. É um time que não se limita a ficar com todos atrás da linha da bola e pressionam a saída de bola adversária.
Palpite: Brail 80%, Chile 20%

27.6.10

Erros e outro Déjà vu no caminho argentino

Osório: responsável por um dos erros decisivos para a nova eliminação mexicana diante da Argentina na Copa

Outro grande jogo deste domingo: rivalidade, bolas disputadas, um favorito se impondo, muitos gols e um erro decisivo de arbitragem. Como Alemanha e Inglaterra, a polêmica no apito se sobrepos ao jogo bonito da Argentina diante do México. E assim como o gol não dado obrigou os ingleses a se atirarem ao ataque, o gol irregular dado à Albiceleste desmontou o lado psicológico do México – que já havia perdido nas oitavas de 2006 para nossos hermanos. Ainda assim, não podemos tirar os méritos das equipes que apresentaram o futebol mais consistente desta Copa e que também repetem um duelo de 2006: Argentina e Alemanha se enfrentam , novmente, nas quartas de uma Copa.

Até o gol (em completo impedimento) de Tevez, o México era mais time. Ainda assim, o técnico Javier Aguirre teve um acerto na escalação inicial – a entrada de Hernández em lugar do limitado Franco – e um erro, ao entrar com Bautista como titular, sacando o zagueiro Moreno e recuando Rafa Márquez para a zaga. Mais habilidosos, tanto o velho Blanco, como o jovem Barrera (que entrou bem na segunda etapa no lugar do próprio Bautista) pareciam opções mais acertadas para o meio, diante da questionável zaga argentina.

Uma bola na trave do goleiro Romero e dois chutes perigosos de La Tri já tinham acontecido quando Tevez completou sem nenhum adversário à sua frente toque de Messi. O gol desestabilizou o México e o lateral Osório, que deu presentaço nos pés de Higuaín, que marcou para se isolar na tabela de artilheiros do Mundial, com quatro gols. A Argentina aproveitou o adversário atordoado durante quase todo o primeiro tempo e controlou a partida até o terceiro gol – um balaço de Tevez no ângulo do pequenino Pérez – outro dos erros do técnico Aguirre neste Mundial - já na segunda etapa.

Naturalmente, a Argentina recuou e o México, dentro do panorama da partida, fez bom papel, sem atacar desordenadamente. O gol de Hernández coroou o ótimo torneio deste que, seguramente, é candidato a revelação desta Copa. O novo atacante do Manchester United sai com muita moral com os dois gols marcados no Mundial – com muito mais moral que seu possível parceiro de ataque, o inglês Rooney, a maior decepção deste Mundial, individualmente falando.

Quatro gols da jovem Alemanha e três do fabuloso setor ofensivo da Argentina. Mesmo se Brasil e Holanda se classificarem, este duelo será o mais imperdível destas quartas de final. O time germânico terá seu segundo grande teste, é verdade. Mas o primeiro contra uma seleção que joga tanta bola quanto eles – o que não foi o caso da Inglaterra. Por outro lado, a Argentina – que já teve muito trabalho com o bom ataque mexicano – terá que parar um respeitável Klose no comando de ataque, além dos rápidos Podolski, Müller e o cerebral Özil contra a sua defesa que ainda demonstra muita fragilidade, principalmente se Samuel não voltar à equipe, que conta com os fracos Demichelis e Burdisso no miolo de zaga, além de um goleiro que não inspira tanta confiança assim. O duelo promete!

A história favoreceu os garotos

Alemanha: classificada e "vingada" por 1966

Imprevisível. É o adjetivo que pode qualificar a partida no Free State Stadium entre Inglaterra e Alemanha pelas oitavas de final, a melhor da Copa do Mundo até aqui. Não somente pela partida em si, mas pelos elementos que a envolveram. Em dado momento, parecia que os ingleses que eram o segundo elenco mais jovem da Copa e os alemães, um dos mais experientes.

Capello manteve a formação que conseguiu a classificação diante dos eslovenos, na última rodada do Grupo C. Inclusive com o ineficaz Milner e a linha de quatro homens no meio-campo. Novamente, os dois meias habilidosos da Inglaterra – Lampard e Gerrard – se enroscaram no meio e não conseguiram armar o jogo como deles se espera. Já os alemães voltaram a ter Klose fixo no ataque, com Podolski e Müller aberto nos flancos, enquanto Özil pensava o jogo (o que faltava aos ingleses) e dando jovialidade e dinâmica aos ataques. Pouco mais atrás, Khedira e Schweinsteiger mostraram a versatilidade que se espera de um meiocampista moderno. Valeram os talentos individuais da Alemanha em detrimento dos escondidos ingleses.

No início do jogo, ligações diretas entre defesa e ataque do English Team, enquanto a Alemanha lembrou o bom momento vivido contra a Austrália em sua estreia. Mas o gol de Klose começou em um chutão, que o camisa 11 ganhou na força de Upson e marcou o gol que o igualou a Pelé em tentos marcados na história das Copas: 12 gols. A Inglaterra continuou cochilando até tomar o segundo gol, marcado por Podolski. Então, uma história de quase 44 anos entraria em campo e penderia a balança a favor dos garotos.

O gol do zagueiro Upson colocou a Inglaterra na partida e a equipe de Capello despertou. Até um lance, familiar a ingleses e alemães, sacramentou a partida. Há 44 anos, em Wembley, Geoff Hurst chutava da pequena área, a bola tocava a trave de Tilkowski e tocava fora da meta: o juiz deu gol, a Inglaterra fez 3 a 2 e o gol irregular foi fundamental para o primeiro (e único) título dos criadores do futebol. No Free State, Lampard arrisca de fora da área e a bola pinga dentro do gol do alemão Neuer (33cm, segundo o tira-teima global). O árbitro Jorge Larrionda e seus assistentes não validam o gol e a Alemanha virou o invervalo com vantagem.

Apesar da ironia envolvida, não dá pra se ignorar o erro crasso de uma arbitragem muito mais modernizada que 40 anos atrás. Que assim como em solo britânico, decidiu a partida na África do Sul, mesmo com a atuação impecável feita pelos alemães na segunda etapa. A Inglaterra se atirou ao ataque – talvez cedo demais, da forma como fez – e Müller detonou a equipe vermelha em dois contra-ataques fulminantes. Então, os germânicos – média de idade pouco menor que 25 anos – usaram da experiência e cozinharam os adversários, com autoridade. E ajudaram a manter uma tradição: desde 1938, a Alemanha fica pelo menos entre as oito melhores equipes da Copa.

A Inglaterra volta para casa sem ser sombra de ser a equipe que veio cotada como uma das favoritas. Capello acumulou erros, teve sua cota de azar e perdeu algum comando sobre seu elenco, como no caso Terry. Rooney, Gerrard e Lampard foram decepcionantes.

Já os jovens alemães se agigantam para o prosseguimento do Mundial. E mesmo não sendo constante no bom futebol, a equipe do técnico Joachim Löw soube a hora de jogar bem. E avança para fazer uma boa campanha. Uma Nationalelf cosmopolita, recheada de jovens talentos como Neuer, Khedira, Özil e Müller e assessorada pelos "veteranos" Klose, Schweinsteiger, Lahm e Podolski.

Oitavas de final - Parte 2

Alemanha vs. Inglaterra
O clássico antecipado

Como a Inglaterra não seguiu os prognósticos classificando-se em segundo, já na 2ª fase teremos um clássico internacional. Pela campanha e pelo futebol desempenhado, os alemães saem um pouco na frente. Liderada por Özil, a Nationalelf surpreende com seu futebol vistoso, de bola no chão e muitos passes. O English Team, por outro lado, ainda está devendo melhores apresentações. Com Rooney recuperando-se de lesão e Gerard e Lampard rendendo muito menos do que o esperado, o time da Rainha não se encontra, atuando de forma burocrática. Mesmo assim, não se engane. Os ingleses podem perfeitamente aproveitar-se da inexperiência dos jovens adversários e crescer na competição. Merecem respeito.

Raio-X do Confronto
Alemanha (4-2-3-1): Neuer; Lahm, Friedrich, Mertesacker e Jérome Boateng (Jansen); Khedira e Schweinsteiger (Kroos); Müller, Özil e Podolski; Klose. Técnico: Joachim Löw. Campanha: 3J, 2V, 0E, 1D, 5GP, 1GC – 1º do Grupo D
Inglaterra (4-1-3-2): James; Johnson, Upson (Carragher), Terry e Ashley Cole; Barry; Gerrard, Lampard e Milner; Defoe e Rooney. Técnico: Fábio Capello. Campanha: 3J, 1V, 2E, 0D, 2GP, 1GC – 2º do Grupo C
Desfalques do confronto: O atacante teuto-brasileiro Cacau, lesionado, não joga; já Boateng e Schweinsteiger recuperam-se de lesões e são dúvidas. O zagueiro King é o único inglês contundido que também não participa do jogo
Porque os alemães avançam: Contam com um meio-campo mais criativo e uma equipe mais coesa. Como James não passa confiança, chutes de média distância de Schweinsteiger, e Podolski são uma boa pedida. Sem Ferdinand, o sistema defensivo inglês tornou-se frágil; Özil fará a festa
Porque os ingleses avançam: Possuem um elenco mais tarimbado e experiente. Podem explorar bolas alçadas através da fraca marcação de Lahm e Boateng ou de jogadas rasteiras que deixem o veloz Rooney “mano-a-mano” diante da lenta zaga rival
Palpite: Alemanha 55%, Inglaterra 45%


Argentina vs. México
Clima de revanche

Na reedição de um dos jogos das oitavas da Copa de 2006, os mexicanos chegam “mordidos”, sem admitirem o favoritismo argentino. Se Rafa Márquez tiver liberdade para comandar o meio-campo e Giovani dos Santos finalizar com maior precisão, El Tri até pode complicar. Mas não dá para apostar contra Messi. Decisivo, o meia blaugrana lidera a Argentina e cansa de criar oportunidades para a conclusão de Higuaín. Destaque também para o aguerrido Tevez, avante taticamente perfeito. Aí, fica difícil. Ainda mais com a teimosia de Aguirre, que insiste em não promover Hernandez e Guardado a titulares.

Raio-X do Confronto
Argentina (4-3-3): Romero; Otamendi (Gutierrez), Demichelis, Burdisso e Heinze; Mascherano, Verón (Máxi Rodríguez) e Di Maria; Messi, Higuaín e Tevez. Técnico: Diego Maradona. Campanha: 3J, 3V, 0E, 0D, 7GP, 1GC – 1º do Grupo B
México (4-3-3): Óscar Perez; Osorio, Moreno, Rodríguez e Salcido; Rafa Márquez, Juarez e Torrado; Giovani dos Santos, Guille Franco e Barrera. Técnico: Javier Aguirre. Campanha: 3J, 1V, 1E, 1D, 3GP, 2GC – 2º do Grupo A
Desfalques do confronto: O zagueiro argentino Samuel, contundido, não joga; Verón não está 100%, é dúvida. O atacante mexicano Vela também lesionado, não joga
Porque os argentinos avançam: Messi é craque, pode desequilibrar a qualquer momento. Osorio e Salcido avançam com freqüência, Tevez e Di Maria podem aproveitar estes espaços. Além disso, o time é mais habilidoso e conta com um poderoso banco de reservas
Porque os mexicanos avançam: Liderado por Márquez, o meio-campo marca forte, não deixa lacunas. A defesa argentina não é das melhores. Pressionar a saída de bola albiceleste pode fazer com que um atacante apareça livra para marcar.
Palpite: Argentina 65%, México 35%

26.6.10

É preciso "gana" para vencer!


A Celeste entrou em campo como grande favorita. Além de ostentar dois títulos mundiais, a equipe não havia levado nenhum gol na fase de classificação. Já a Coreia do Sul, aos poucos, tenta impor respeito por estar defendendo a Ásia nas últimas sete Copas. Aparentemente mais defensivo, o time asiático partiu para o jogo de igual para igual. Park Chu Young quase abriu o placar ao acertar uma cobrança de falta na trave, mas o castigo veio rápido. Aos 7min, o personagem do jogo começava a dar as caras. Luis Suárez completou o cruzamento de Forlán e abriu o placar para o Uruguai.

Daí entra a parte onde eu fico puto! O Uruguai tinha o jogo na mão. Mais consistente, defesa forte, melhor toque de bola! Tinha tudo para ampliar e garantir com tranquilidade a vaga, mas optou por recuar e ficar dependendo de contra-ataques.

É lógico que a Coreia foi pra cima! Congestionou o meio campo e começou uma pressão sem tamanho contra o gol de Muslera. Um bombardeio, eu diria! O técnico coreano colocou o time pra frente e, de cabeça, Lee Chung Yong empatou.

Foi aí que o Uruguai lembrou de jogar de bola. Lembrou de ter "gana" e de que poderia vencer no tempo normal! Foi para o ataque novamente. Controlou o meio campo e numa bela jogada no bico de área esquerdo, Luis Suárez bateu no ângulo oposto do goleirão. Golaço que pôs a Celeste à frente novamente. O apito final confirmou a classificação quase previsível do Uruguai que, por ação da teimosia em se retrancar após marcar um gol, por pouco não ficou nas mãos dos valentes Guerreiros Taeguk.


A classificação dos Estados Unidos para as oitavas de final foi heróica, o que encheu de moral todo elenco americano. Já Gana chegou na segunda fase da Copa repleta de incertezas e como única representante do decepcionante futebol africano.

Quando a bola rolou no Estádio Royal Bafokeng, os ganeses surpreenderam. Sufocaram o time de Bobby Bradley com velocidade e marcação na saída de bola. Resultado: com cinco minutos de jogo, Prince Boateng partiu com tudo pra cima da zaga e bateu firme no canto direito do goleiro Howard. Um a zero!

Mesmo à frente no placar, Gana continuou no ataque, apertando os Estados Unidos, que só foram se encontrar na partida a partir dos 30min do primeiro tempo. Mais equilibrado, o confronto seguiu brigado no meio campo e com poucas chances de gol.

O time americano demonstrou muita consciência tática e aplicação. Não existe bola perdida para eles. Foi assim que a equipe entrou para a segunda etapa. Com Bradley e Dempsey aparecendo mais no campo de ataque, por vários momentos o empate ficou perto. Até que em uma boa jogada individual de Dempsey, o zagueiro Jonathan cometeu pênalti . Na cobrança, o ídolo Landon Donovan não desperdiçou: 1 a 1! Depois disso, a melhor chance de matar a partida saiu dos pés de Altidore, que mesmo sem equilíbrio perdeu um gol incrível cara a cara com o goleiro Kingson. Como ninguém marcou, prorrogação!

Nem deu pra descansar e Gyan já saiu fazendo o segundo gol dos africanos no início do tempo extra. Bela arrancada em velocidade. Chute forte na saída de Howard. O 2 a 1 deixou Gana em posição de se defender das ofensivas americanas. E isso foi o que aconteceu durante toda a prorrogação. A raça dos jogadores Ianques se fez presente novamente. Correram, se esforçaram ao máximo, mas diferentemente da partida diante da Argélia, dessa vez o gol não saiu!

A vitória de Gana mantém viva nesta Copa a alegria de quem torce pelo continente africano. O seu único representante começa a escrever uma nova página na história do futebol que poderá ser coroada na próxima etapa diante do Uruguai, com a melhor participação de uma equipe da África em uma Copa do Mundo se avançar às semifinais. Me desculpem o trocadilho, mas esse time realmente mostrou "gana" de vencer e pode chegar ainda mais longe!

Oitavas de final - Parte 1

Uruguai vs. Coréia do Sul
Comprovar o novo favoritismo

Embalado pela boa apresentação na primeira fase, o Uruguai chega para o embate contra a Coréia do Sul com status de favorito. Com uma defesa rígida (que ainda não sofreu gols) e um Forlán inspirado, é difícil imaginar que os Tigres Asiáticos possam resistir. Tanto favoritismo pode trazer problemas. Afinal, todo cuidado é pouco com a dupla formada pelos Park (Ji-Sung e Chu-Young). Existe bom entrosamento entre ambos e numa jogada são capazes de definir o duelo. E disposição física e disciplina tática para ficarem aguardando esta única oportunidade, os sul-coreanos têm de sobra.

Raio-X do Confronto
Uruguai (4-3-1-2): Muslera; Max Pereira, Lugano, Godín (Victorino) e Fucile; Areválo, Pérez e Álvaro Pereira; Forlán; Cavani e Suárez. Técnico: Oscar Tabarez. Campanha: 3J, 2V, 1E, 0D, 4GP, 0GC – 1º do Grupo A
Coréia do Sul (4-2-2-2): Jung Sung-Ryong; Cha Du-Ri (Kim Hyung-Il), Lee Jung-Soo, Cho Yong-Hyung e Lee Young-Pyo; Kim Jung-Woo e Ki Sung-Yeung; Lee Chung-Young e Park Ji-Sung; Park Chu-Young e Yeom Ki-Hun. Técnico: Huh Jung-Moo. Campanha: 3J, 1V, 1E, 1D, 5GP, 6GC – 2º do Grupo B
Desfalques do confronto: O zagueiro uruguaio Godín é dúvida.
Porque os uruguaios avançam: Indiscutivelmente têm um time mais técnico. Os sul-coreanos marcam por zona, ou seja, em apenas um lance individual, Forlán, Suárez ou Cavani podem abrir a defesa adversária. A Argentina venceu assim.
Porque os sul-coreanos avançam: Têm muita força de vontade, nunca desistem do jogo. Apesar de alta, a defesa uruguaia tem dificuldades em marcar bolas paradas. O zagueiro Lee Jung-Soo posiciona-se muito bem e já fez 2 gols no torneio dessa maneira.
Palpite: Uruguai 75%, Coréia do Sul 25%


Estados Unidos vs. Gana
Inversão de papéis

Tempos atrás, este confronto seria exemplificado como o duelo entre a retranca norte-americana e a alegria e habilidade ganesa. Quem acompanha o torneio, sabe, atualmente, tudo mudou. Os EUA levam ligeiro favoritismo por terem um meio-campo mais criativo quando comparado ao dos africanos. O trio Donovan-Bradley-Dempsey precisa ser levado a sério. Já Gana, não empolga. Donos de um futebol burocrático, mais preocupado em não tomar gols do que em marcá-los, os Black Stars depositam suas fichas nos pés do oportunista Asamoah Gyan e do habilidoso, por vezes fominha, Ayew.

Raio-X do Confronto
Estados Unidos (4-1-3-2): Howard; Cherundolo, DeMerit, Onyewu e Bocanegra; Bradley; Dempsey, Mo Edu (Torres) e Donovan; Findley e Altidore. Técnico: Bob Bradley. Campanha: 3J, 1V, 2E, 0D, 4GP, 3GC – 1º do Grupo C
Gana (4-2-3-1): Kingson; Pantsil, Jonathan Mensah, Mensah e Sarpei; Annan e Prince Boateng; Tagoe, Asamoah e Ayew; Asamoah Gyan. Técnico: Milovan Rajevac. Campanha: 3J, 1V, 1E, 1D, 2GP, 2GC – 2º do Grupo D
Desfalques do confronto: O zagueiro ganês Vorsah está lesionado.
Porque os norte-americanos avançam: Além de ter um time mais entrosado, enfrentam um adversário mais inexperiente. Os africanos têm dificuldade com as bolas alçadas na área. Lançamentos de Donovan ou Bradley para Altidore são boas armas para fugir da retranca africana.
Porque os ganeses avançam: Marcam muito bem e sabem utilizar seus contra-ataques com eficácia. Como Howard joga avançado e a marcação ianque não é das melhores, há atletas como Gyan, Ayew e Boateng que podem arriscar chutes de média distância. Algo que a Eslovênia fez.
Palpite: Estados Unidos 65%, Gana 35%

Seleção da 3ª rodada

Na última rodada da 1ª fase da Copa do Mundo, os grandes favoritos pelo futebol demonstrado até o momento (Argentina, Holanda, Brasil e Alemanha) não foram muito bem. Exatamente por isso, os destaques vêm de várias seleções consideradas coadjuvantes. Confira:

Goleiro: Quando chegou ao torneio, Kawashima sequer era considerado titular absoluto da meta japonesa. Aos poucos, vem ganhando confiança e progredindo. Não à toa, até pegou o pênalti cobrado por Tomasson, apesar de não ter conseguido evitar o gol no rebote.

Laterais: Ninguém se destacou na posição com apresentações excepcionais. Melhor para o reserva Caniza, que aproveitou o fato de substituir Bonet e quase marcou para os paraguaios em duas oportunidades. Na esquerda, Fábio Coentrão foi utilizado como curinga. Ora na ponta, ora na ala, foi importantíssimo para o esquema tático português. Contribuiu, e muito, na missão bem-sucedida de bloquear o perigoso ataque brasileiro pelo lado direito.

Zagueiros: Líder de uma das poucas zagas que ainda não sofreram gols, Lugano fez um partidaço e anulou o ataque rival. Além disso, quase marcou um gol, após uma bela cabeçada. Se a Sérvia não passou de fase, um dos culpados foi o australiano Neill que, mesmo com a ingrata missão de marcar o grandalhão Zigic, não titubeou.

Meias: Ele marca, corre, arma a equipe e ainda aparece como centroavante. Realmente não tem como não elogiar o papel tático que o meia Honda exerce no Japão. Contra a Dinamarca, além de abrir o placar numa bela cobrança de falta, foi o cérebro de sua seleção. É o craque da rodada. Mesmo com a eliminação marfinense, Yaya Touré exibiu um grande futebol contra a Coréia do Norte. Mostrou que além de marcar bem, tem qualidade para fazer gols. Por último, vale destacar Donovan, grande líder da equipe norte-americana. Foi merecidamente premiado com o dramático gol que classificou os ianques.

Atacantes: Ao lado de seu xará Park Ji-Sung, Park Chu-Young é o atleta sul-coreano que pode desequilibrar. Marcou o gol da classificação no empate frente à Nigéria. Nesta rodada, Vittek mostrou muito oportunismo e faro de gol. Além de ajudar na surpreendente eliminação italiana, seus dois tentos anotados serviram para fazer com que o eslovaco virasse artilheiro da competição, ao lado de Higuaín e David Villa, um atacante que mostra técnica apurada, garra e velocidade. Hoje, o espanhol é certamente um dos melhores avantes do mundo.

Vale ressaltar que após os jogos das oitavas-de-final, teremos uma pequena prévia com a seleção do campeonato até o momento. Depois disso, só montarei a seleção ideal após a final. Até lá, quem quiser opinar, discutir ou discordar, pode ficar à vontade.

25.6.10

E todo mundo ficou feliz...

Sem jogar, Kaká e Elano acompanham a partida:
Fizeram uma falta...

As oito equipes que entraram em campo para encerrar a 1ª fase desta Copa do Mundo tiveram uma característica principal: a acomodação. Justamente por isso, os quatro jogos do dia pouco empolgaram e serviram somente para o cumprimento da tabela. Enfim, apareceram os jogos de compadres...

Grande esperança de partida tecnicamente equilibrada, o duelo entre brasileiros e portugueses foi marcado pelo excesso de faltas cometidas e pela ausência de finalizações. Sem Robinho, Kaká e Elano, a seleção canarinha não foi capaz de furar a retranca lusa. O único que provavelmente iria furar alguma coisa (como a canela de um adversário) era Felipe Melo, atleta violento, que abusava das faltas e foi corretamente substituído. Já Júlio Baptista correspondia às nossas expectativas mostrando que realmente não é o nome adequado para ocupar o meio de ligação, sendo pouco participativo. Perigo mesmo, apenas em 3 chances: duas delas criadas por Nilmar e outra por Luís Fabiano, numa cabeçada que representaria o melhor lance brasileiro do jogo.

Ruim no primeiro tempo, pior no segundo. Vendo que o Brasil era ineficaz com a bola nos pés, apesar de ter o maior domínio, Carlos Queiroz decidiu avançar a marcação de seu “equipo” e começou a ter oportunidades de abrir o placar em contra-ataques puxados principalmente pelo bom ala Fábio Coentrão. Tomando um banho tático, o time de Dunga não mostrou poder de reação e sem contar com o auxílio de Maicon e Michel Bastos na armação, viu-se Gilberto Silva e Josué viraram meias. Fica difícil, né? Com o passar do tempo, o empate tornou-se um ótimo resultado para ambos (classificando Portugal e deixando o Brasil na liderança) e ninguém fez muita força para tirar o zero do placar.

Situação semelhante ocorreu no jogo de fundo, Espanha e Chile. Necessitando do triunfo para garantir-se nas oitavas e não depender de ninguém, os espanhóis lançaram-se ao ataque. Com o retorno de Iniesta, Xavi ficou menos sobrecarregado. As jogadas começaram a fluir com maior naturalidade. Engana-se, porém, quem acredita que os chilenos apenas defendiam-se. Ousada, a La Roja abusava dos lances pelos flancos do gramado. Alexis Sanchez e Beausejour traziam perigo à meta de Casillas e o gol parecia questão de tempo.

O maior erro sul-americano foi abusar do excesso de confiança na saída de bola da defesa. Num destes erros, os europeus roubaram a bola e marcaram com Villa, o destaque do time. A partir daí, a Fúria tomou conta do jogo e deu a entender que os chilenos seriam goleados. Acontece que, mesmo com o 2 a 0 no placar (Iniesta ampliou) e com um homem a mais (Estrada fora expulso) a Espanha tirou o pé do acelerador. Melhor para o Chile que descontou com Millar e entrou na letargia espanhola. Afinal, no outro jogo do grupo, a Suíça fazia o favor de empatar sem gols com Honduras e o 2 a 1 classificava ambos. Resumindo, não houve mais jogo, apenas passes laterais sem objetividade.

Com estes resultados, os quatro protagonistas dessa rodada agora invertem seus rivais nas oitavas-de-final. Os sul-americanos Brasil e Chile realizam a última partida de segunda-feira, enquanto que os ibéricos Espanha e Portugal duelam na terça. Espera-se que ao menos na próxima fase os quatro voltem a mostrar o futebol que justificaram suas merecidas classificações.

24.6.10

Laranjas e Samurais mecânicos

Se sobrou emoção e dramaticidade na partida entre Itália e Eslováquia, os jogos que definiram os classificados pelo Grupo E foram marcados pela praticidade e mecânica. Mesmo na classificação japonesa – até certo ponto, surpreendente, ainda que com a vantagem do empate – a equipe do técnico Takeshi Okada foi extremamente prática e bateu os dinamarqueses por 3 a 1, igualando a sua melhor campanha da Copa de 2002, quando também chegou às oitavas, jogando em casa.

O Japão povoou o meio-campo com cinco jogadores e deixou o habilidoso meia Honda improvisado como único atacante, recuando o atacante Okubo, e esperou a Dinamarca atacar. Decisivo nos contra-ataques, os Samurais Azuis conseguiram sua vantagem ainda na primeira etapa nas bolas paradas – com Honda e Endo – e só administrou a vantagem, diante do arsenal desordenado de bolas alçadas na área por parte da Dinamarca.

Destaque para Marcus Tulio Tanaka, que fez uma partida segura na defesa e para os meias Hasebe e Endo, que auxiliaram a excelente partida de Honda. Além do golaço de falta, o camisa 18 deu bela assistência para o terceiro gol, marcado por Okazaki. Se atuar dessa forma diante do Paraguai, o confronto de oitavas tem tudo para ser disputadíssimo, já que os paraguaios - com um leve favoritismo - mostraram muita solidez na defesa. Contudo, ainda não mostraram todo o potencial de seu ataque, formado por Santa Cruz, Valdez e Barrios.

Já os holandeses fizeram como nas outras duas partidas: jogaram o necessário para vencer - desta vez, os já eliminados camaroneses por 2 a 1, em outra partida sem brilho. Ou melhor, com uma fagulha de talento: Robben estreou nesta Copa, ao entrar em campo na metade do segundo tempo. Neste pouco tempo, fez ótima trama que resultou no segundo gol, quando arriscou de fora da área em bela jogada e a bola foi no poste, sobrando limpa para Klaas-Jan Huntelaar marcar o gol que garantiu a campanha 100% para a Oranje (além da Argentina, só Brasil e Chile podem igualar o aproveitamento máximo nesta primeira fase). E o camisa 11 mostrou que ainda pode ser um dos grandes nomes deste Mundial, ao lado de Messi, Kaká, Cristiano Ronaldo e Villa, por exemplo.

Camarões se despede da Copa como o pior dos africanos em 2010 e mostrando que não é um time: é o talento de Eto’o cercado por jogadores limitados e individualistas por todos os lados, sem qualquer compromisso com uma mínima estrutura tática.

Com Robben recuperado, a Holanda é amplamente favorita no confronto diante da Eslováquia – que surpreendeu uma confusa Itália na manhã desta quinta. Adormecida, a equipe laranja pode deixar o pragmatismo de lado na fase de mata-mata, diante de um adversário perigoso, mas frágil. E fazer exatamente ao contrário da Eurocopa de 2008, quando a equipe deu show no torneio inteiro, mas parou com pífia atuação diante dos russos nas quartas de final.

Só a camisa não bastou

Cannavaro: de imponente capitão do tetra a um apático capitão do fiasco italiano

Muito se falou que a Itália iria dar a volta por cima, porque, historicamente, a tetracampeã do mundo sempre começava mal o Mundial para depois ficar nas cabeças. Só que em outras campanhas em que a Itália começou mal e fez bom papel, havia um craque adormecido ou um jogador que poderia fazer a diferença em seu elenco: foi assim com Paolo Rossi em 1982, Roberto Baggio, em 1994 e Francesco Totti e Alessandro Del Piero, em 2006.

A Azzurra de 2010, tecnicamente, só oferecia um Pirlo – bom jogador, mas nunca um protagonista no Milan – que veio limitado por uma contusão. A aposta na envelhecida base tetracampeã em 2006 foi insuficiente e os campeões caíram precocemente, mas com justiça. O vexame se converteu na quarta vez em que o campeão mundial caiu ainda na primeira fase da Copa seguinte ao título conquistado (Itália de 1950, Brasil de 1966 e França de 2002)

Só vontade não bastou para um time com o peso da Itália. Resolveu acordar faltando 10 minutos para o fim de sua participação da Copa, diante de uma limitada, mas precisa Eslováquia. Que foi melhor durante quase todo o jogo, fez o placar e conseguiu uma classificação histórica em cima do frágil miolo de zaga italiano, principalmente pela debilidade de Fabio Cannavaro, que há quatro anos atingia seu esplendor técnico – coroado com o prêmio de melhor do mundo da Fifa. Contudo, o capitano de 2010 é apenas sombra do zagueiro vigoroso e técnico de outrora.

Muito contestado quatro anos após conduzir a Itália ao tetra, Lippi apostou nos velhos. É verdade que o futebol local pouco se renovou - a Inter foi campeã europeia sem um atleta italiano na decisão contra o Bayern. Ainda assim, deixou alguns dos poucos atletas que poderiam fazer alguma diferença de fora, como Antonio Cassano, Totti e Fabrizio Miccoli, por exemplo. E levou um elenco que deixou o Grupo F do Mundial na última colocação, atrás até do time "semi-profissional" da Nova Zelândia – de campanha surpreendente e que na rodada anterior havia segurado os italianos. Ao contrário de ingleses e alemães, que se classificaram no sufoco, a Azzurra simplesmente não tinha um time capaz de chegar à segunda fase, dado o futebol apresentado nas três partidas deste torneio.

Tanto se falou na entrada de três atacantes na partida decisiva contra os eslovacos. Lippi veio com a dupla Di Natale/Iaquinta, mas manteve um insosso Pepe como falso terceiro atacante/quarto homem do meio-campo. O problema é que o camisa sete já havia sido ineficiente nas duas primeiras partidas. A opção por Gattuso em lugar de Marchisio ajudou a engessar o meio-campo, completado por um inexistente Montolivo, teoricamente, o armador desta equipe. Tanto que a Itália ganhou mais dinâmica apenas quando Quagliarella foi a campo.

Mesmo com o resultado de Nova Zelândia e Paraguai favorecendo os tetracampeões, a Eslováquia começou melhor. O gol a 25 minutos - numa falha bisonha de De Rossi - desmontou a Itália, que queria passar a impressão de poder empatar a qualquer hora, fazendo uma partida pragmática, sem nenhuma criatividade no meio-campo e isolando a dupla de ataque entre os botinudos zagueiros adversários. A equipe acordou com o segundo gol de Vittek (que alcançou a artilharia da Copa ao lado de Higuaín, com três gols), que se postou cirurgicamente nas falhas do miolo de zaga italiana. Depois do revés, a camisa tetracampeã “assumiu o comando” e os italianos deram uma fagulha de esperança que tudo seria como em 1982 ou 1994. Não foi suficiente e a vergonha se consumou. A eliminação fez com que os dois finalistas da Copa de 2006 caíssem – cada um a seu modo – vergonhosamente.

África dos americanos

Com freio de mão puxado, o Paraguai não se esforçou para empatar sem gols com a Nova Zelândia e confirmou mais uma liderança na Copa do Mundo dos americanos. À exceção de Honduras (que ainda tem chances matemáticas, mas não deve se classificar), o continente já classificou seis equipes: Uruguai, México, Argentina, Estados Unidos, Brasil e Paraguai – sendo que o Brasil está a um empate do primeiro lugar e o México foi segundo colocado no Grupo A, onde os líderes foram os uruguaios. Nas partidas desta sexta, um empate basta ao Chile para garantir a ponta do Grupo H, da badalada (e ainda adormecida) Espanha, e coroar o ótimo desempenho das seleções do continente.

Mais do que nunca, o caminho parece pavimentado para um novo confronto Brasil e Holanda em Copas. Mesmo que a Espanha fique em segundo e cruze com a Seleção nas oitavas, esta parte do chaveamento é a mais simples até a final e por isso, os brasileiros precisam garantir a ponta diante dos portugueses. E fazer valer sua tradição na hora certa, ao contrário da Itália, que a convocou e contou tão e somente com ela desde o início deste Mundial, uma das chaves do seu fiasco.

23.6.10

No fim das contas, sem surpresas

O Grupo C terminou com os dois favoritos - Estados Unidos e Inglaterra, em ordem invertida -, classificados, mas foi no sufoco. Pra falar a verdade, pelo futebol apresentado, nenhuma equipe da chave merecia a classificação: em seis jogos, foram apenas nove gols, e todas as vitórias foram pelo placar mínimo.

A Eslovênia, que jogava pelo empate, se limitou a defender, e estava classificada até o apito final. Como a outra partida entre americanos e argelinos começou depois, e o gol saiu aos 46min do segundo tempo, a supresa eslovena pagou pela omissão e lamentou a perda da vaga ainda no gramado. Já os ingleses ainda não mostraram um bom futebol, mas já foi muito melhor do que o último empate. Gerrard se movimentou bastante e criou boas jogadas. Rooney ainda está fora de ritmo, mas também melhorou. Lampard continua sumido.

Muitos pediram mudanças na equipe. Capello não atendeu o pedido de Rooney para jogar sozinho na frente, mas as suas alterações foram pontuais: optou por Milner no meio e Defoe no ataque, justamente os responsáveis pelo único gol, com cruzamento do primeiro para o segundo. Apesar disso, o italiano tirou o camisa 10 na metade do segundo tempo, tirando a sua referência no ataque e praticamente abrindo mão de ampliar o placar, correndo risco do empate.

No duelo entre Estados Unidos e Argélia, apesar do placar magro, os americanos pressionaram o jogo inteiro, e criaram - e desperdiçaram -, muitas chances. O gol salvador saiu nos últimos minutos da partida, premiando a equipe que martelou durante os mais de 90 minutos, contando os acréscimos, com o talentoso Donovan. O meia Dempsey jogou muito bem e foi outro destaque da partida. Do lado africano, merece menção o setor defensivo. Mas apenas isso. Os argelinos voltam para casa sem marcar um único gol.

No Grupo D, Gana conseguiu a classificação mesmo perdendo para a Alemanha por 1 a 0, e é o único africano classificado para a segunda fase. O resultado foi injusto: pelas oportunidades criadas, o empate seria o mais indicado. A Alemanha mostrou que a exibição da primeira rodada foi a exceção. A regra é o futebol lento, sem criatividade e dependente do talento do meia Özil, autor do gol. Se ele estiver inspirado, as chances da Alemanha crescem.

Os ganeses tiveram muitas chances, mas sempre pecando na hora da finalização. Esse é um defeito difícil de ser corrigido no futebol africano. Tivesse um jogador diferenciado, como o marfinense Drogba ou o camaronês Eto'o, teria mais sucesso. No final das contas, acabou se dando melhor. Por ter ficado em segundo, enfrenta os Estados Unidos nas oitavas, enquanto que alemães e ingleses fazem um clássico mundial.

No outro jogo da chave, a vitória da Austrália por 2 a 1 sobre a Sérvia levou os dois a morrerem abraçados. O empate por 2 a 2, ou uma vitória, classificaria os europeus, mas a grande atuação do goleiro australiano Schwarzer e a incompetência dos atacantes sérvios, que cansaram de perder gols, principalmente no primeiro tempo, foram determinantes para o resultado final. Os jogadores da Sérvia ainda reclamaram de um pênalti nos minutos finais por um toque de Cahill, mas o juiz ignorou os protestos.

22.6.10

Europeus e africanos são eliminados

Tristeza e decepção para os sul-africanos :
Pela primeira vez o anfitrião sai de uma Copa na 1ª fase

Na abertura da derradeira rodada da 1ª fase, África do Sul e França enfrentaram-se para tentar o milagre da classificação. Caso não fosse possível, conseguir, pelo menos, uma vitória para sair da Copa do Mundo de cabeça erguida já seria lucro. Nesse quesito, ponto para os anfitriões: vitória por 2 a 1.

Os Bafana-Bafana tomaram as rédeas da partida. Desde o início, partiram para cima do rival e, por meio das jogadas articuladas por Pienaar (hoje bem mais atuante) e Tshabalala (que aposto: deve ir para o mercado europeu), sempre levaram perigo aos franceses, e até por isso marcaram duas vezes: uma com Khumalo e outra com Mphela. E foi pouco. Com os Bleus jogando com um atleta a menos desde o primeiro tempo graças à expulsão de Gourcuff (só assim para vermos o meia do Bordeaux em campo), o resultado poderia ter sido muito mais elástico.

Aproveitando-se da pouca experiência sul-africana, a França equilibrou as ações do jogo na etapa final, principalmente com a entrada das “cobras-criadas” Malouda e Henry, que, a meu ver, são indispensáveis à equipe. Até descontou com o próprio Malouda. Mesmo assim, os atuais vice-campeões mundiais foram muito mal. Um gol marcado. Um ponto. Uma campanha que beira ao ridículo. Mostraram um conjunto de atletas até que razoáveis, mas que não consegue formar uma equipe. Por tudo o que ocorreu na África, eu tenho certeza: se tivessem bola de cristal, até os franceses prefeririam ver a Irlanda no torneio.

Mais tarde, a Argentina jogou para o gasto contra a fraquíssima Grécia e fez 2 a 0, com Demichelis e Palermo. O gol do atacante, aliás, serviu para mostrar como o rapaz tem estrela. Bastou entrar em campo para o atrapalhado Tzorvas soltar um rebote de Messi em seus pés. Para mim, sensacional. Sabe aquele atacante grosso que dá vontade de torcer? Sinto-me assim em relação a Palermo.

No mais, o jogo foi muito fraco e os insossos atletas helênicos não souberam aproveitar-se da lentidão argentina para poderem atacar os albicelestes. Retrancados, pareciam felizes com o empate que não ajudava em nada. Estranho. Donos de maior posse de bola durante toda a partida, nuestros hermanos mataram o jogo quando e do jeito que queriam. Bastou Messi acordar para a Argentina garantir o triunfo e a classificação em primeiro lugar. E nem venham me dizer que o time era misto. Aguero, Milito, Burdisso e companhia seriam titulares em muitas seleções desta Copa...

Nos outros jogos, surpresa do Uruguai, que não fez o tão esperado jogo de compadres com o México e venceu a partida por 1 a 0 (gol de Suárez). Mesmo com a derrota, a Tricolore passa de fase e terá a oportunidade de vingar-se da Argentina na reedição do mesmo confronto das oitavas da Copa de 2006. Já os Charrúas encaram a inconstante Coréia do Sul que, hoje, não foi além de um empate com a Nigéria. Pior ainda é saber que os tigres asiáticos avançaram muito mais pelas falhas de finalização e marcação das Super Águias do que por apresentarem um futebol convincente. Celeste Olímpica na quartas? Apostaria que sim.

Parecidos, mas nem tanto...

Vejo dois times muito parecidos quando México e Uruguai estão em campo. Duas equipes cautelosas, bem arrumadas, e que dificilmente abrem mão da defesa para atacar. Ambos têm dois zagueiros-comandantes, Lugano e Marquez, e um meio-campo mais esforçado do que criativo.

No ataque, cada um depende muito da eficiência de apenas um jogador. Uruguai de Forlán, México de Giovani dos Santos. E talvez seja essa explicação para vermos nossos vizinhos do Sul mais fortes dessa vez. O atacante do Atlético de Madrid é mais jogador e tem mostrada versatilidade ao recuar para ajudar na armação.

Além disso, os uruguaios como sempre carregam a marca de sua tradição, com uma marcação forte e uma raça peculiar das bandas de Montevidéu. Numa Copa do mundo onde o nível técnico até aqui é baixo, força e vontade passam a ter mais relevância.

Essa combinação explica a boa vitória de hoje sobre os vizinhos latinos. Um triunfo que além de passar mais confiança para aos jogadores, vai garantir um adversário mais tranquilo para a equipe de Oscar Tabárez.

O México não está morto. Conserva o toque de bola que caractariza sua escola, mas sofre das escolhas questionáveis de Javier Aguirre. Deixar "Chicarito" Hernandez no banco para jogar com Guille Franco e "viejito" Blanco é um pecado. Se jogarem mesmo contra a Argentina nas oitavas, vai ser difícil Nossa Senhora de Guardalupe salvar o treinador...

Seleção da 2ª rodada

Mais agitada e com uma melhor média de gols marcados, a 2ª rodada desta Copa do Mundo teve grandes apresentações. A exemplo do que já fora realizado na rodada inaugural, sugerimos uma seleção com os principais destaques. Confira:

Goleiro: Stojkovic foi um dos grandes responsáveis pelo triunfo da Sérvia frente a toda-poderosa Alemanha. Seguro, não de chances para o azar. Até o penalti cobrado por Podolski, o arqueiro defendeu.

Laterais: Sérgio Ramos não é o atleta mais talentoso de sua posição, mas contra a frágil seleção hondurenha, lançou-se ao ataque com uma maior frequência e participou de um dos gols espanhóis. Já Torosidis colaborou para que a Grécia quebrasse um incômodo tabu (de nunca ter vencido em Mundiais) ao marcar o segundo tento, após falha de Enyeama.

Zagueiros: Kjaer comandou a defesa Dinamarca e anulou o camaronês Webo. De quebra, iniciou a jogada do gol de empate. Como o ataque da Coréia do Norte não deu muito trabalho, Ricardo Carvalho quebrou o protocolo lançando-se ao ataque. Quase marcou dois golaços.

Meio-campistas: Na goleada de Portugal, Raul Meirelles foi o nome da partida. Marcou o primeiro gol e deu o passe para o segundo. Depois, seus companheiros acordaram e a goleada começou a se construir. Ninguém jogou como ele. Para mim, foi o craque da 2ª rodada. Rafael Marquez é o grande líder mexicano. Corre, marca e distribui as jogadas ligando a defesa ao ataque. Todas as jogadas passam por ele. Na virada dinamarquesa, Rommedahl foi decisivo. Participou de todas as jogadas dos vikings. Não à toa, deu uma assistência para Bendtner e anotou o outro tento.

Atacantes: Com sua titularidade contestada por muitos críticos (que desejavam ver Milito entre os onze da Argentina), Higuaín mostrou muito oportunismo e marcou três vezes contra a Coréia do Sul. É o artilheiro do torneio. Atuando mais recuado do que de costume, Forlán massacrou a África do Sul. Presente nos três gols uruguaios, o avante do Atlético de Madrid foi eficaz e supriu uma posição carente na Celeste. Com uma ajudinha da mão e da arbitragem, Luís Fabiano, enfim conseguiu balançar as redes. Pior para a Costa do Marfim que viu o brasileiro comemorar em duas oportunidades e ficou ainda mais longe das oitavas.