29.6.07

Bandeiras e Tabus

A nudez da assistente Ana Paula de Oliveira e a suposta revelação de um jogador homossexual na TV mostram o quanto o futebol é um meio machista. A sociedade brasileira é, mas o futebol potencializa toda essa tendência. No seio da sociedade, mulheres cada vez mais conquistam seu espaço, são responsáveis por famílias e cargos de confiança. Os homossexuais são responsáveis por organizar no Brasil a maior reunião do gênero em todo o mundo, a Parada GLBT, além de começarem a conquistar espaço nas artes, cultura e mídia em geral. Mas no futebol, o simples fato de se mencionar coisas que já se tornaram “comuns” na cultura brasileira são motivo de alarde nas mesas-redondas, nos botecos e afins.

Mesmo concordando com a igualdade, há alguns pontos a serem colocados. No caso da Ana Paula, talvez esse não seja o melhor momento de sua carreira para aceitar posar nua. Com erros capitais nas partidas entre Santos e São Paulo pelo Paulistão, e de Botafogo versus Figueirense pela semi-final da Copa do Brasil, ela foi posta de lado pela comissão de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF). Foi obrigada a apitar jogos de quarta divisão e jogos festivos, o que por si só é uma humilhação a um profissional que alcançou o patamar técnico que Ana Paula alcançou. Por que Ana Paula não pode errar e árbitros como Carlos Eugênio Simon, Héber Roberto Lopes e Márcio Resende de Freitas, autores de erros grotescos em diversos jogos decisivos, erram e não são punidos como a auxiliar? Isso só mostra o machismo nada velado que rege o mundo do futebol. No entanto, na minha opinião, acho que faltou bom senso a Ana Paula. Sabendo que estava num mau momento da carreira e sendo ela uma das pioneiras da arbitragem feminina no Brasil, porque ela acenou positivamente com a proposta da Playboy? Se tanto ela lutou para ser reconhecida pelo seu trabalho, ela toma essa outra decisão que pode reforçar o machismo que tanto a massacra como profissional. Claro que o dinheiro deve ter sido ótimo, mas a ponto de ela correr o risco de pôr todo o seu trabalho a perder. Será que valerá a pena? Para ver o quanto é difícil conquistar algum respeito no campo da arbitragem, nessa semana, a Federação Alemã de Futebol anunciou que a juíza Bibiana Steinhaus vai apitar jogos da segunda divisão do país. A alemã, de 28 anos, é filiada à FIFA desde 2005 e apitava jogos das divisões inferiores da Alemanha. Ela será a primeira mulher a apitar jogos do tipo por lá. Imaginem o quanto ela não ralou para chegar a esse nível.

A questão da homossexualidade no futebol é muito mais delicada. Antes da polêmica envolvendo o dirigente do Palmeiras José Cyrillo Jr. e o jogador do São Paulo Richarlyson, onde o cartola afirmou que o atleta do Tricolor era gay, toda a discussão gerada pelo infeliz comentário foi alimentada pelo alvoroço de um suposto anúncio da homossexualidade de um jogador de um clube grande de São Paulo no Fantástico. Mas antes desse episódio, o diário Lance já havia feito em sua manchete um trocadilho infeliz envolvendo o jogador. Quando Richarlyson marcou o gol contra, na partida frente ao Palmeiras, a manchete do jorna no dia seguintel “Que time é teu” mostrou-se uma brincadeira de muito mau-gosto, levando em consideração a importância que o Lance tem no cenário do jornalismo esportivo nacional.

Mas assumir a homossexualidade no futebol é tabu. No discurso, todos dizem que aceitam e que não há problema, mas nos bastidores não ocorre dessa forma. O homossexualismo existe no futebol, como em qualquer outro setor da sociedade, mas não é admitido no futebol por este se tratar de um antro que mostra a masculinidade exacerbada de dirigentes, atletas, imprensa e torcedores. Caio Maia, do site Trivela, destaca bem um exemplo desta passagem ao citar em sua coluna o exemplo do jogador Justin Fashanu, que atuou pelo Nottingham Forrest da Inglaterra nos anos 80. Atleta assumidamente gay e negro, o jogador incomodava a muitos no meio do futebol inglês, que declaradamente assumiam o preconceito contra ele. O jogador acabou se suicidando oito anos depois de assumir a sua opção sexual.

De lá pra cá, os homossexuais conseguiram diversas conquistas, mas o tabu parece longe de ser quebrado, infelizmente. Atletas podem posar nus, homossexuais ganham espaço na mídia. Para muitas pessoas, manter esteriótipos como corpos sarados e artistas gays faz parte dos interesses mercadológicos. Mas que clube quer associar sua marca a um atleta gay? Enquanto a hipocrisia reinar no futebol, o espaço para esse tipo de profissioinais será cada vez menor e mais reprimido.

28.6.07

Se é Bayern... é bom??

Caras novas: Será que Luca Toni e Franck Ribery conseguirão reerguer o Bayern?

O Bayern de Munique iniciou a temporada passada com apenas um pensamento: mostrar sua hegemonia local conquistando, pela quarta vez em sua história, três Campeonatos Nacionais consecutivos. Com o título da Bundesliga assegurado, uma boa campanha na Champions League seria conseqüência. Contudo, a temporada acabou, o time não engrenou sem Ballack e o sonho do tri caiu no esquecimento.
A pífia campanha da equipe bávara (18 vitórias, 6 empates e 10 derrotas) trouxe efeitos ainda piores. Ao ficar na quarta colocação (a dez pontos do campeão Schalke), o Bayern sequer alcançou a zona classificatória para a Champions League.
O vexame fez o presidente do clube, Franz Beckenbauer, abrir os olhos e as mãos. Insatisfeito com o desempenho de algumas estrelas, o Kaiser decidiu ir às compras e, não à toa, fez o time de Munique ser aquele que mais adquiriu novos atletas até o momento.
Inicialmente, o Bayern repatriou o meia Zé Roberto (melhor jogador no Brasil neste ano) e realizou um sonho antigo: contratou, enfim, o habilidoso meia Ribery, ex-Marselha. Além deles, chegaram duas revelações da seleção Sub-20 alemã: o lateral Marcell Jansen (ex-Borusia Monchengladbach) e o avante Jan Schlaudraff (ex-Alemania Aachen).
Mas a maior novidade do Bayern ficou reservada ao ataque. A dupla detentora de 25 gols na Bundesliga 2006/2007 foi embora: Cláudio Pizarro se mandou para o Chelsea, enquanto Makaay fez as malas e retornou a sua pátria para defender o Feyenoord. Em seus lugares, chegaram dois novos goleadores: o italiano Luca Toni (ex-Fiorentina) e o alemão Miroslav Klose (ex-Bremen).
A atual ordem no time de Munique é privilegiar a juventude. Dessa maneira, apostas como Lahm, Schweinsteiger, Ottl, Podolski e Rensing ganham prestígio no clube. Em contrapartida, alguns jogadores, outrora irretocáveis, poderão ser negociados ou relegados ao banco de reservas. O brasileiro Lúcio, que cansou de dar declarações polêmicas durante o ano, o lateral Sagnol, o grandalhão Santa Cruz e o veteraníssimo Oliver Kahn têm tudo para se tornarem as primeiras vítimas dessa nova ideologia.
Ninguém duvida que no papel o time é bom e tem trazido ótimos jogadores. Uma pergunta, porém, torna-se inevitável: será que esse promissor elenco conseguirá fazer com que o clube retorne à elite européia?

26.6.07

Especial Copa América 2007 - Grupo C

Pra variar, o "Grupo da Morte" tem a Argentina, cotada como uma das favoritas ao título. Paraguai e Colômbia têm tradição, mas ainda buscam uma identidade em meio a renovação de seus elencos, enquanto os Estados Unidos vêm com uma seleção jovem e renovada, mas com moral alta após ter vencido a Copa Ouro recentemente. Com a Argentina sendo a virtual primeira colocada desse grupo, a briga pela segunda vaga promete ser acirrada, sendo que esse Grupo também tem potencial para classificar o melhor terceiro colocado, entre as três chaves da Copa América, para as quartas-de-final. É a última parte do Especial Copa América, aqui no Opinião FC.


ARGENTINA
Pressão para sair da fila

Engasgada pela perda do título da última Copa América para o maior rival e após uma Copa do Mundo onde poderia ter chegado mais longe, a Argentina vem com força máxima para a competição. Ao contrário dos astros brasileiros, os principais jogadores argentinos fizeram questão de jogar a competição sul-americana, a qual os hermanos não conquistam desde 1993. A base da equipe é o elenco da Copa da Alemanha, mas a Argentina dessa Copa América traz ao torcedor a chance de conhecer alguns jogadores promissores e outros velhos conhecidos, sumidos há tempos. Jogadores como os atacantes Palacio e Diego Milito, o volante Gago e o zagueiro Gabriel Milito tem atuado bem pelos seus clubes e buscam um lugar mais cativo na equipe. Em compensação, alguns jogadores que foram assíduos frequentadores da albiceleste retornam, como são os casos de Verón, Aimar e Riquelme, este último aclamado por toda imprensa argentina por liderar o Boca Juniors ao hexacampeonato da Libertadores. No entanto, o camisa 10 do Boca não atua pela seleção desde a final da Copa da Confederações de 2005, quando os hermanos perderam a finalíssima para o Brasil.

O desfalque mais sentido na equipe é a do bom goleiro Ustari, do Indepiendiente. Os argentinos terão de aguentar o irregular Abbondanzieri no gol de novo, sem sombras. A Copa América é uma ótima oportunidade para os comandados de Alfio Basile começarem a formar a base para a próxima Copa. E mais do que ganhar essa Copa América, os argentinos desejam despachar o Brasil em sua eventual campanha vitoriosa. E de quebra, podem-se tornar os maiores campeões do continente, já que a supremacia é dividida com os uruguaios, com 14 conquistas cada.

Raio-X - Asociación del Fútbol Argentino
Ranking da FIFA: 5º lugar
Status: Favorita
Melhor resultado no torneio: 14 vezes campeã (1921, 1925, 1927, 1929, 1937, 1941, 1945, 1946, 1947, 1955, 1957, 1959, 1991, 1993)

Os convocados
Goleiros: Roberto Abbondanzieri (Getafe/ESP), Juan Pablo Carrizo (River Plate) e Agustín Orión (San Lorenzo)
Defensores: Javier Zanetti e Nicolás Burdisso (Inter de Milão/ITA), Roberto Ayala (Valencia/ESP), Gabriel Heinze (Manchester United/ING), Gabriel Milito (Zaragoza/ESP), Daniel Díaz e Hugo Ibarra (Boca Juniors)
Meio-campistas: Luis González (Porto/POR), Javier Mascherano (Liverpool/ING), Esteban Cambiasso (Inter de Milão/ITA), Fernando Gago (Real Madrid/ESP), Juan Sebastián Verón (Estudiantes), Pablo Aimar (Zaragoza/ESP) e Juan Román Riquelme (Boca Juniors) Atacantes: Lionel Messi (Barcelona/ESP), Hernán Crespo (Inter de Milão/ITA), Diego Milito (Zaragoza/ESP), Carlitos Tévez (West Ham-ING) e Rodrigo Palacio (Boca Juniors)

Time-base: Abbondanzieri; Burdisso, Ayala, Gabriel Milito e Heinze; Zanetti, Cambiasso (Mascherano), Messi e Riquelme; Tevez e Crespo (Diego Milito). Técnico: Alfio Basile
Esquema tático: Basile pode montar a equipe de duas formas. Atualmente ele está testando o 4-4-2, onde os laterais não avançam tanto e os volantes possuem mais liberdade para chegar na frente como elemento-surpresa. Zanetti é uma boa opção pelo lado direito, com Riquelme cadenciando o jogo mais pela meia e Messi na esquerda. Outra opção é adotar o 3-5-2, esquema que os hermanos adotaram por muito tempo. Nesse caso, Zanetti passaria para a ala direita e Heinze poderia ser deslocado para a esquerda, apoiando mais o ataque e deixando a zaga com uma sólida formação de três zagueiros.
Ele é o cara! Juan Román Riquelme está em alta. O meia liderou o Boca ao título da Libertadores 2007, marcando sete gols. Foi demovido da idéia de não mais vestir a camisa da Argentina, com apelos até de sua mãe. Falar que ele pode desequilibrar é chover no molhado.
Olho nele! Apesar dos 28 anos, o atacante Diego Milito jogou muito na temporada europeia e busca um lugar ao sol na seleção. Foi o vice-artilheiro da Liga Espanhola, com 22 gols em 37 jogos. Se Crespo cochilar, Milito pode entrar no comando de ataque alviceleste.
Pontos fortes: Um meio-campo bem servido. Cambiasso, Zanetti, Messi e Riquelme atravessam fases ótimas. E no banco ainda tem Aimar, Lucho González, Verón, Gago e Mascherano. Além dos meias, Carlitos Tevez, velho conhecido da torcida corinthiana, Crespo e Diego Milito também gozam de boa fase e podem marcar os gols que a Argentina necessita.
Pontos fracos: "Pato" Abbondanzieri não passa confiança com a camisa 1; Heinze pode complicar jogando pelo lado esquerdo da zaga.


PARAGUAI
Falta de gols preocupa guaranís


A linha de frente é o que mais preocupa o técnico da seleção do Paraguai, o argentino Gerardo "Tata" Martino. Sob seu comando, a seleção guarani marcou apenas dois gols em cinco jogos. E a fraca atuação contra a Bolívia, no último amistoso, mostra que o Paraguai leva desvantagem no confronto da vaga pela segunda posição do Grupo C para os colombianos. Consequentemente, se fizer má campanha e entrar como um dos melhores terceiros, o Paraguai pode pegar nas fases eliminatórias seleções mais qualificadas dentro da competição, como Brasil ou México.

Campeão em duas oportunidades (1953 e 1979), os paraguaios ainda contam com boa defesa e possui bons atacantes, como Cuevas, Cabañas e Santa Cruz, que podem desencantar no torneio e levar o Paraguai mais longe do que se espera. Mas as ausências de jogadores como Haedo Valdez, que se desentendeu com o técnico, o experiente Denis Caniza, cortado por lesão e o jovem meia José Montiel, cortado por opção do técnico, farão muita falta ao já carente elenco guarani. Mas a tradição adquirida nos últimos anos de ser a terceira força do continente pode ajudar o Paraguai a alçar vôos mais altos.

Raio-X - Asociación Paraguaya de Fútbol
Ranking da FIFA:
37º lugar
Status: Incógnita
Melhor resultado no torneio: Duas vezes campeão (1953 e 1979)

Os convocados
Goleiros: Justo Villar (Newell's Old Boys, Argentina), Aldo Bobadilla (Boca Juniors, Argentina) e Joel Zayas (Bolívar, Bolívia).
Defensores: Paulo da Silva (Toluca, México), Claudio Morel (Boca Juniors), Julio César Cáceres (Tigres, México), Darío Verón (Pumas, México), Julio Manzur (Guaraní), Carlos Bonet (Libertad) e Enrique Vera (LDUQ, Equador).
Meias: Edgar González (Cerro Porteño), Cristian Riveros (Libertad), Aureliano Torres (San Lorenzo, Argentina), Jonathan Santana (Wolfsburgo, Alemanha), Edgar Barreto (NEC Nimegue, Holanda), Domingo Salcedo (Cerro Porteño), Julio dos Santos (Bayern Munique, Alemanha).
Atacantes: Salvador Cabañas (América, México), Dante López (Crotone, Itália), Roque Santa Cruz (Bayern Munique), Oscar Cardozo (Newell's Old Boys), Nelson Cuevas (América).

Time-base: Villar, Cáceres, Morel Rodríguez, Manzur e Bonet; Barreto, Julio dos Santos, Torres e Rivero (Santana); Cabañas (Cardozo) e Santa Cruz. Técnico: Gerardo Martino.
Esquema tático: 4-4-2, com uma linha de quatro zagueiros onde os laterais avançam pouco. Torres ou Santana, quem entrar, será responsável pela articulação das jogadas, enquanto Julio dos Santos é o volante com mais liberdade no ataque. Santa Cruz joga fixo na área, com Cabañas buscando mais o jogo pelos flancos.
Ele é o cara! Salvador Cabañas, o artilheiro da Libertadores 2007 com 10 gols. É veloz e objetivo
Olho nele! O arisco atacante Nelson Cuevas surgiu como uma promessa, mas ainda não estourou pra valer. Aos 27 anos, ainda possui a velocidade e habilidade de outrora e a experiência adquirida no América mexicano pode ajudar o Paraguai a suprir a ausência de gols que tanto aflige a equipe.
Pontos fortes: Zaga e volantes que marcam forte; Santa Cruz tem faro de gol
Pontos fracos: Falta um articulador mais constante na equipe, pois a bola não chega com qualidade aos atacantes.


COLÔMBIA
Nova safra + experiência


O técnico Jorge Luis Pinto está muito satisfeito com a produção ofensiva demonstrada pelo elenco colombiano nos treinamentos visando a Copa América. Após a vitória no último amistoso preparatório (3 a 1 frente ao Equador), o técnico destacou o bom futebol apresentado pelo grupo e afirmou: "Vamos lutar pelo título na Copa América. Não será fácil, mas vamos manter a filosofia de triunfar na Venezuela". Tanta empolgação vem da vitalidade da equipe, com muitos jogadores jovens e promissores. Do Cúcuta vem o habilidoso meia Macnelly Torres, de 23 anos, que fez ótima Libertadores. O ataque tem Hugo Rodallega, 22 anos e Edixon Perea, 23, como boas promessas. Isso se conseguiram deixar de lado as suas individualidades e conseguir produzir dentro de um futebol coletivo.

Aliada a essa juventude, está a forte e experiente zaga colombiana, capitaneada por Iván Córdoba, campeão italiano pela Inter de Milão. Yepes (PSG) e Amaranto Perea (Atlético de Madrid) formam o ferrolho dos Cafeteros. Para os brasileiros, fica o lembrete dos colombianos que jogam por aqui, casos de Ferreira (Atlético-PR) e Vargas (Internacional).
Se Pinto conseguir aliar a eficiência da defesa com a habilidade do ataque, a Colômbia pode repetir a Copa América de 2001, quando se sagrou campeã. É favorita a segunda vaga do grupo.

Raio-X - Federación Colombiana de Fútbol
Ranking da FIFA: 31º lugar
Status: Pode surpreender
Melhor resultado no torneio: Campeã em 2001

Os convocados
Goleiros: Robinson Zapata (Cúcuta) e Miguel Calero (Pachuca, México).
Defensores: Jair Benítez (Cali), Javier Arizala (Tolima), Gerardo Vallejo (Tolima), Iván Ramiro Córdoba (Inter de Milão, Itália), Amaranto Perea (Atlético de Madrid, Espanha), Mario Yepes (Paris Saint Germain, França).
Meio-campistas: Jorge Banguero (América), John Viáfara (Real Sociedad, Espanha), Jaime Castrillón (Medellín), Camilo Zúñiga (Nacional), Macnelly Torres (Cúcuta), Alvaro Domínguez (Cali), Andrés Chitiva (Pachuca, México), David Ferreira (Atlético Paranaense, Brasil), Fabián Vargas (Internacional, Brasil), e Vladimir Marín (Libertad, Paraguai).
Atacantes: César Valoyes (Medellín), Hugo Rodallega (Monterrey, México), Luis Gabriel Rey (Morelia, México), Edixon Perea (Bordeaux, França).

Time-base: Calero; Amaranto Perea, Iván Córdoba, Yepes, Javier Arizala (Benítez); Viáfara, Fabián Vargas (Banguero), Alvaro Domínguez, Torres (Ferreira); Edixon Perea e Rodallega. Técnico: Jorge Luis Pinto.
Esquema tático: 4-4-2, com uma zaga sólida formada por Córdoba e Yepes, com Amaranto Perea podendo atuar na lateral-direita, ganhando poder de marcação. No meio, três volantes fixos, formado por Viáfara, Vargas e Dominguez, com um jogador atuando na criação (Ferreira ou Torres). Quando é atacada, o meia criativo se alinha aos volantes formando uma linha de quatro, protegendo a zaga. É um time rápido e com muito fôlego.
Ele é o cara! Iván Córdoba, capitão e mais experiente da equipe. Está com muita moral por ter sido campeão com a Inter, na Itália. E consegue manter as boas atuações do clube também com a camisa cafetera.
Olho nele! Macnelly Torres, meia de 23 anos que fez boa campanha com o Cúcuta, levando o time até as semi-finais da Libertadores-2007. É habilidoso e sabe cadenciar bem o jogo.
Pontos fortes: Zaga sólida e ataque rápido.
Pontos fracos: A equipe deve jogar mais objetivamente, deixando de lado a excessiva individualidade de seus jogadores, característica que sempre deixa a Colômbia com gostinho de "quero mais" nas competições que disputa.

ESTADOS UNIDOS
Laboratório de testes



A conquista da Copa Ouro, neste último final de semana, sobre os rivais mexicanos vai credenciar a seleção norte-americana de futebol como pedreira para esse Grupo C da Copa América, certo? Provavelmente não. O técnico Bob Bradley optou por deixar os principais jogadores da equipe de fora da competição sul-americana. Donovan, Beasley, Bocanegra, Dempsey e Ching figuram em muitos guias sobre a competição, mas verão a Copa América no conforto de seus lares.

Bradley optou por dar experiência a jogadores mais jovens. Dos 22 convocados, 16 fizeram menos de dez partidas pela Seleção e 14 jogadores têm menos de 25 anos. Apenas oito jogadores do elenco campeão da Copa Ouro irão à Venezuela. O nome mais conhecido dessa seleção é o do veterano goleiro Kasey Keller, 37 anos, duas Copas do Mundo no currículo e mais de 100 jogos pela seleção do Tio Sam.

Visto com dúvidas pela imprensa local e com desconhecimento por parte do restante dos times, o novo time norte-americano luta para não cair no ostracismo de ser um mero saco de pancadas no difícil Grupo C. E os novos comandados de Bob Bradley terão uma prova de fogo, encarando logo de cara um dos favoritos a vencer o torneio, os argentinos.

Raio-X - United States Soccer Federation
Ranking da FIFA: 16º lugar
Status: Incógnita
Melhor resultado no torneio: 4º lugar em 1995

Os convocados
Goleiros: Brad Guzan (Chivas/USA), Kasey Keller (Borussia Mönchengladbach, Alemanha) Defensores: Jonathan Bornstein (Chivas/USA), Bobby Boswell (D.C. United/USA), Dan Califf (Aalborg BK/DIN), Jimmy Conrad (Kansas City Wizards/USA), Jay DeMerit (Watford/ING), Drew Moor (FC Dallas/USA), Heath Pearce (FC Nordsj¦lland/HOL), Marvell Wynne (Toronto FC/USA)
Meias: Kyle Beckerman (Colorado Rapids/USA), Ricardo Clark (Houston Dínamo/USA), Benny Feilhaber (Hamburgo/ALE), Eddie Gaven (Columbus Crew/USA), Sacha Kljestan (Chivas/USA), Justin Mapp (Chicago Fire/USA), Lee Nguyen (PSV Eindhoven/HOL), Ben Olsen (D.C.United/USA)
Atacantes: Charlie Davies (Hammarby IF), Herculez Gomez (Colorado Rapids/USA), Eddie Johnson (Kansas City Wizards/USA), Taylor Twellman (New England Revolution/USA).


Time-base: Keller, Bornstein, DeMerit, Boswel e Califf; Feilhaber, Gaven, Klesjtan e Olsen; Johnson e Twellman. Técnico: Bob Bradley
Esquema tático: Bradley deve manter o 4-4-2 do time campeão da Copa Ouro.Feilhaber e Gaven tem ótimo domínio de bola e bom passe, enquanto Olsen fica responsável pela armação das jogadas.
Ele é o cara! Kasey Keller, de 37 anos, pode passar a segurança necessária para tranquilizar a defesa norte-americana.
Olho nele! Benny Feilhaber, herói do título da Copa Ouro após um lindo gol de sem-pulo com a perna direita. Nascido no Brasil mas naturalizado norte-americano, foi para os EUA aos seis anos de idade e construiu toda sua carreira por lá. A imprensa norte-americana aposta no meio-campo de apenas 22 anos, que atualmente defende o Hamburgo. Tem boa posse de bola, passa bem e chuta bem de fora da área.
Pontos fortes: Time jovem e descompromissado por bons resultados
Pontos fracos: A falta de experiência do elenco pode pesar em jogos-chave contra os tarimbados e catimbeiros argentinos, paraguaios e colombianos.

25.6.07

Especial Copa América 2007 - Grupo B

O Brasil é o grande time a ser batido no grupo B. Com adversário complicados, a seleção verde e amarela deve ter como principal adversário o México de Hugo Sanchez. Equador e Chile devem se degladiar pela terceira vaga em um grupo que tem apenas o Brasil como país com titulo na competição.


BRASIL
O favorito mais uma vez

Dramática. Este adjetivo resume perfeitamente a vitória do Brasil sobre a Argentina na última Copa América disputada em 2004. Assim como a seleção que desembarcou em Caracas, a equipe daquela época tinha várias caras diferentes, longe dos “medalhões” que haviam sido campeões da Copa do Mundo em 2002.
O atacante Adriano, artilheiro da competição, tentava um lugar ao sol, assim como Gustavo Nery, Renato, Edu, Luís Fabiano e Júlio César. A seleção de Dunga não foge muito à regra. Um time com poucas estrelas, mas com muita motivação para esquecer o fiasco da Alemanha.
Doni vive um grande momento na carreira embora Helton seja o titular. Dani Alves, Kleber, Gilberto e Maicon são laterais que costumam chegar no ataque com muito arranque e velocidade.
A zaga é sólida. Alex e Juan têm tudo para formar a dupla titular embora Naldo não tenha nada a cever paa seus companheiros. No meio campo, a criatividade de Anderson, Diego, Elano e Zé Roberto protegida pelo vigor de Mineiro, Josué e Gilberto Silva. Na frente, Robinho comanda as ações ofensivas para Fred, Vagner Love ou Afonso, todos no mesmo nível técnico praticamente, irem às redes.
Não é o time ideal. Longe disso! Mas é uma equipe com valores e que se colocada no papel, é até superior a de 2004. Vale a aposta na renovação proposta por Dunga, muito temida pelos críticos.

Raio X - Confederação Brasileira de Futebol
Ranking da Fifa: 3ºlugar;
Status: Favorito
Melhor Resultado no torneio: Campeão 7 vezes (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999 e 2004).

Os Convocados
Goleiros: Helton (FC Porto, Por) e Doni (Roma, Ita).
Defensores: Alex (PSV, Hol), Daniel Alves (Sevilla, Esp), Gilberto (Hertha Berlim, Ale), Alex Silva (São Paulo), Juan (Bayer Leverkusen, Ale), Kleber (Santos), Maicon (Inter, Ita), Naldo (Werder Bremen, Ale).
Meio campistas: Anderson (Manchester United, Ing), Diego (Werder Bremen, Ale), Elano (Shakhtar Donetsk, Ucr), Fernando (Bordeaux, Fra), Gilberto Silva (Arsenal, Ing), Josué (São Paulo), Mineiro (Hertha Berlim, Ale), Zé Roberto (Santos).
Atacantes: Afonso Alves (Heerenveen, Hol), Fred (Lyon, Fra), Robinho (Real Madrid, Esp), Wagner Love (CSKA Moscou, Rus).

Time Base: Helton; Daniel Alves, Alex, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro, Elano e Diego; Robinho e Vágner Love.
Esquema Tático:
O 4-4-2 de Dunga as vezes parece lerdo. O excessivo toque de lado do time muitas vezes irrita quem assiste ao jogo. Diferente do estilo de Parreira, o esquema de Dunga privilegia a habilidade de jogadores que partem para cima do adversário e a arma dessa equipe é a habilidade e a vontade.
Ele é o Cara! Robinho está no seu auge. Depois de ter feito uma boa Copa do Mundo e ter ficado isento das reclamações pela eliminação para a França, o atacante foi peça fundamental na conquista do Real Madrid no Campeonato Espanhol e é referência do ataque brasileiro.
Olho Nele! Embora venha de um time pouco conhecido como o Heereveen e não seja muito conhecido do grande público, Afonso Alves tem experiência e pode se tornar “o cara” nesta seleção. Faro de gol, posicionamento e velocidade são as armas para este mineiro de BH ficar conhecido também no seu país natal.
Pontos Fortes: A camisa amarelinha pesa muito na hora da decisão. Só isso já coloca o Brasil entre os favoritos. O time é jovem e todos querem dar o melhor. A habilidade brasileira ainda é o diferencial do nosso futebol para o resto das equipes.
Pontos Fracos: A ausência de um líder de fato em campo prejudica o time. Não existe neste grupo uma referência de liderança dentro do gramado e isso pode prejudicar o time em momentos de adversidade.

MÉXICO
Para apimentar a briga


A derrota na final da Copa Ouro para os Estados Unidos por 2 a 1 pode até influenciar no desempenho dos mexicanos na Copa América. A seleção costuma apostar alto na disputa da competição da Concacaf e perder para o principal rival do norte balança a moral da equipe.
Com os desfalques de Pardo e Osório que pediram dispensa alegando que estão extremamente cansados devido ao forte ritmo na Europa e Carlos Salcido,(PSV), que também alegou cansaço, o México deve desembarcar na Venezuela com um time de bastante ritmo, mas com certo desgaste.
Hugo Sanchez quebra a cabeça para montar a defesa do time e não sabe se opta por Fausto Pinto (Pachuca) ou Israel Castro (UNAM) para fazer dupla com Rafa Márquez (Barcelona).
Tendo uma Liga nacional milionária e que a cada ano fica mais disputada, o México figura hoje entre os principais países do mundo do futebol. Um título de grande porte iria premiar o “efeito chicano” e a evolução do país na última década no esporte.
Os mexicanos querem repetir as façanhas de 1993 e 2001 quando chegaram à grande decisão da competição e perderam de Argentina e Colombia, respectivamente.
Vencer o Brasil e principalmente a Argentina são as grandes metas para chegar ao título, ressalta o treinador Hugo Sanchez:” Respeitamos a todos. É lógico que sempre fica um desejo de vingança pela derrota na Copa de 2006 mas vamos respeitar e encaram com seriedade cada um dos jogos”.

Raio X - Federación Mexicana de Fútbol
Ranking da Fifa: 26 ºlugar;
Status: Pode Surpreender
Melhor Resultado no torneio: Vice Campeão 2 vezes (1993 e 2001).

Convocados
Goleiros: Oswaldo Sánchez (Santos), Guillermo Ochoa (América) e Jesús Corona (Tecos). Defensores: Jonny Magallon (Guadalajara), Fausto Pinto (Pachuca), Rafael Márquez (Barcelona/ESP), Israel Castro (UNAM), Gonzalo Pineda (Guadalajara), José Antonio Castro (América), Francisco Rodríguez (Guadalajara). Meio campistas: Gerardo Torrado (Cruz Azul), Jaime Correa (Pachuca), Ramón Morales (Guadalajara), Jaime Lozano (Tigres), Andrés Guardado (Atlas), Fernando Arce (Monarcas). Atacantes: Alberto Medina (Guadalajara), Omar Bravo (Guadalajara), Adolfo Bautista (Guadalajara), Cuauhtémoc Blanco (América), Nery Castillo (Olympiacos/GRE), Jared Borgetti (Cruz Azul), Juan Carlos Cacho (Pachuca).

Time Base: Oswaldo Sánchez; Rafael Márquez, Jonny Magallon, Francisco Rodríguez e José Antonio Castro ; Gerardo Torrado , Fernando Arce, Andres Guardado e Alberto Medina; Cuauhtémoc Blanco e Jared Borgetti.
Ele é o Cara! Cuauhtémoc Blanco não está na flor da idade. Longe disso! O atacante de 34 anos tem história de sobra para faze-lo um ídolo no país. Com três Copoas do Mundo na bagagem o jogador do América do México deve ser a referência do time na competição.
Olho nele! Andrés Guardado do Atlas é um meia defensivo jovem e de raro talento. Foi dele o único gol do time na final da Copa Ouro contra os Estados Unidos. Destro e rápido, o atleta de 20 faz parte da nova geração de atletas mexicanos.
Esquema Tático: O 4-4-2 de Hugo Sanchez é clássico. Laterais que apóiam, dois meias de contenção e dois de criação. No taque a experiência de Blanco e Borghetti.
Pontos fortes: O México possui dois atacantes natos e excelentes finalizadores. Blanco e Borghetti não perdoam e costumam não pipocar na hora de arrematar para as redes.
Pontos Fracos: Embora Rafa Marques seja referência na defesa, falta um companheiro a altura na zaga do México. Muitos nomes rodam e poucos ficam e isso torna a defensiva mexicana um problema insolúvel para o técnico Hugo Sanchez.



EQUADOR
Para se firmar entre os grandes


As copas de 2002 e 2006 já são o suficiente para evidenciar a evolução do futebol equatoriano nos últimos anos. A mesma base que disputou o Mundial da Alemanha foi convocada para a Copa América da Venezuela e o desejo do técnico colombiano Luis Suarez, que esta no comando do time desde 2004, é chegar ao ponto mais alto: o título.
Para isso, “La tricolor” deverá usar da experiência de nomes como Ivan Hurtado, Carlos Tenório, Edwin Tenório, Patrício Urrutia e o talento de Antonio Valencia para fazer frente ao Brasil e México, adversários mais complicados do grupo B. A surpresa da lista de convocados ficou a cargo da ausência de Iván Kaviedes do El Nacional e Agustín Delgado da LDU.
O corte do meia Luis Caicedo as vésperas da estréia contra o Chile fez o treinador convocar as pressas Pedro Quiñonéz, do El Nacional, que junto com Ivan Hurtado se juntou a seleção nesta semana na luta pelo primeiro título do país na competição.
Com muita disposição para alcançar as alturas, o Equador tem tudo para se tornar um “osso duro de roer” para brasileiros e mexicanos e a classificação para a próxima fase é algo certo para um time que alcançou com mérito as oitavas de final da Copa do Mundo 2007, sendo eliminado pela Inglaterra em um magro 1 a 0.

Raio X - Federación Ecuatoriana de Fútbol
Ranking da Fifa: 44 ºlugar;
Status: Corre por fora
Melhor Resultado no torneio: 4º colocado (1959 e 1993).

Os convocados
Goleiros:
Cristian Mora (LDU) y Marcelo Elizaga (Emelec). Defensores: Renán Calle (LDU), Oscar Bagüí (Olmedo), Ulises De la Cruz (Reading /ING), Iván Hurtado (Atlético Nacional/COL), Giovanny Espinoza (Vitesse/HOL), Jorge Guagua (Colón/ARG) y Neicer Reasco (Sao Paulo/BRA). Meio-campistas: Edison Méndez (PSV/HOL), Pedro Quiñonéz (El Nacional) Antonio Valencia (Wigan/ING), Segundo Castillo (Estrela Vermelha), Edwin Tenorio, Patricio Urrutia (LDU), Walter Ayoví y David Quiróz (El Nacional). Atacantes: Carlos Tenorio (Al Sadd/ARS), Félix Borja (Olympiakos/GRE), Cristian Benítez (El Nacional), Felipe Caicedo (Basel/SUI) y Pablo Palacios (Deportivo Quito).

Time Base: Mora; Reasco, Hurtado, Calle e De La Cruz; Ayoví, Castillo, Urrutia e Valencia; Tenório e Benitez.
Esquema tático: Mais um time que joga no 4-4-2. O lado direito do time é forte com Reasco, Castillo e Ayoví. Edwin Tenório e Cristian Benitez jogam lado a lado no ataque recebendo os cruzamentos das laterais e as bolas enfiadas por Urrutia. Valencia é o homem que vem de trás para arrematar as jogadas.
Ele é o Cara! Ivan Hurtado, 32, vestiu a camisa da seleção equatoriana 132 vezes e é o grande xerife da equipe. Capitão da equipe na disputa do Mundial 2006, Hurtado é a segurança que o time tem para criar do meio para frente.
De Olho Nele! Antonio Valencia apareceu na Copa 2006 e logo virou sensação da equipe. Com rapidez e habilidade o
meia do Wigan já atuou pelo Villareal e leva sua experiência e juventude para a competição.
Pontos Fortes: A força física equatorial chama a atenção. O preparo físico dos atletas se assemelha muito aos africanos, rápidos e troncudos. As escapadas de Valencia e a eficiência de Tenório no ataque tornam o time perigoso.
Pontos Fracos: Os equatorianos costumam ter o pavio curto e freqüentes expulsões atrapalham o desempenho da equipe. A marcação do meio campo é forte porem muito violenta.


CHILE
Para espantar fantasmas

A equipe chilena comanda por Nelson Acosta necessita aumentar a auto-estima após o fraco desempenho obtido nas eliminatórias da Copa 2006 (7º lugar), no Sul americano Sub 20 (4º lugar) e os desfalques que a seleção sofreu para a disputa da Copa América deste ano.
Os atacantes Roberto Gutierrez do Universidad Católica e Rodolfo Moya do Audax Italiano foram cortados devido a contusões, mas o principal revés dos chilenos será de Cláudio Maldonado que não conseguiu se recuperar de uma lesão a tempo de disputar a competição.
Para erguer pela primeira vez um título da Copa América os representantes de “La Roja” terão de mostrar muita maturidade para enfrentar três equipes que disputaram a Copa do Mundo de 2006. O time, que tem média de idade em torno dos 25 anos, é dependente da velocidade dos meias Valdívia e Mark González e do bom posicionamento de seu principal atacante, Andrés Suazo, para alcançar o gol adversário. Se uma dessas peças estiver fora dos eixos, a chance do Chile em não passar para a próxima fase é enorme


Raio X - Federación de Fútbol de Chile

Ranking da Fifa: 53º
Status: Incógnita
Melhor resultado no torneio: Vice Campeã 4 vezes (1955, 1956, 1979 e 1987)

Os convocados
Goleiros: Claudio Bravo (Real Sociedad/ESP), Nicolas Peric (Audax Italiano), Fernando Hurtado (Cobreloa). Defensores: Pablo Contreras (Celta de Vigo/ESP), Ismael Fuentes (Jaguares de Chiapas/MEX), Álvaro Ormeño (Gimnasia y Esgrima de La Plata/ARG), Sebastian Roco (Santiago Wanderers), Rodrigo Tello (Sporting Lisboa/POR), Jorge Vargas (Salzburg/AUS), Gonzalo Jara (Colo Colo), Miguel Riffo (Colo Colo), Boris Rieloff (Audax Italiano), Gonzalo Fierro (Colo Colo). Meio-campistas: José Luis Cabion (Melipilla), Matias Fernandez (Villarreal/ESP), Manuel Iturra (Universidad de Chile), Arturo Sanhueza (Colo Colo), Rodrigo Melendez (Colo Colo) Jorge Valdivia (Palmeiras/BRA), Carlos Villanueva (Audax Italiano), Mark González (Liverpool/ING). Atacantes: Reinaldo Navia (Atlas/MEX), Juan Gonzalo Lorca (Colo Colo) e Humberto Suazo (Colo Colo).

Time Base: Peric; Vidal, Fuentes, Vargas e Fierro; Sanhueza, Cabion, Mark González e Valdivia; Navia e Suazo.
Esquema tático: O Chile joga no bom e velho 4-4-2 com Mark González e Valdívia carregando a bola para Suazo. Navia joga mais recuado e também auxilia o centro avante na frente. Fierro apóia pela esquerda enquanto Vidal é um lateral mais fixo.
Ele é o cara! Jorge Valdívia, 23, é o grande nome de um time de poucas referências. O meia avançado do Palmeiras chama a atenção pela sua disposição e garra embora suas finalizações sejam um pouco ineficientes.
Olho Nele! Matias Fernandes saiu do Colo Colo a peso de ouro para o Villareal. O meia de 21 anos é um dos mais jovens do elenco e se destaca pela velocidade e posicionamento
Pontos Fortes: A garra chilena pode superar a ausência de técnica desta seleção. A velocidade do meio para frente é alta e Valdívia deve ser acionado constantemente
Pontos Fracos: A defesa chilena não inspira muita confiança e até a estréia da competição não existe uma zaga titular fixa, pois vários testes ainda estão sendo feitos por Nelson Acosta.

24.6.07

Especial Copa América 2007 - Grupo A

E vai começar mais uma Copa América. Na edição desse ano, disputada na Venezuela de Hugo Chávez, o torneio gerou muitas polêmicas entre as federações nacionais e os clubes europeus. Os clubes alegam que o torneio sul-americano deveria se adequar ao calendário da Eurocopa, que será disputada em 2008. As federações não abrem mão de seus craques para não esvaziar a Copa América.

Na última edição do torneio mais antigo entre seleções do mundo (disputada pela primeira vez em 1916), o Brasil sagrou-se campeão, após jogo emocionante contra os arqui-rivais argentinos. Após empate no tempo normal, conseguido no último minuto por Adriano, a seleção canarinho bateu os hermanos nos pênaltis e garantiu o seu sétimo título. Mas o Brasil ainda está longe de ter o maior número de títulos dos maiores vencedores do continente, Argentina e Uruguai, com 14 títulos cada.
Buscando identidade e reformulação, vai começar mais uma Copa América. E o Opinião FC vai acompanhar de perto o torneio, fazendo um breve raio-x dos grupos. Hasta la vista!


URUGUAI
Em busca da tradição perdida



Se estivéssemos no meio da década de 80, a classificação da Celeste Olímpica, neste grupo, já seria dada como certa. Acontece que, após vinte anos se passarem, o Uruguai não demonstra a mesma força de antes.

A derrota para a Austrália, que ocasionou a não-classificação para a disputa da Copa do Mundo de 2006, fez o ambiente uruguaio mudar. Jorge Fossati foi demitido e no seu lugar assumiu Oscar Washington Tabárez, experiente treinador que já havia dirigido o selecionado azul-celeste durante a Copa do Mundo de 1990 (torneio que os uruguaios caíram nas oitavas-de-final após perderem para os italianos).

Nesse espírito de renovação uruguaio, quem acabou perdendo espaço foram alguns atacantes, que outrora eram intocáveis. Certamente, a maior surpresa de Tabárez foi ter deixado fora da lista três renomados homens de frente: Carlos Bueno (Sporting), Walter Pandiani (Espanyol) e Javier Chevantón (Sevilla).

O bom desempenho dos times uruguaios nesta última edição da Libertadores pode ser um indício de que os bom tempos voltaram. Mas ainda é cedo para fazer prognósticos.

Raio-X – Asociación Uruguaya de Fútbol

Ranking da FIFA: 23º lugar

Status: Corre por fora

Melhor resultado no torneio: 14 vezes campeão (em 1916, 1917, 1920, 1923, 1924, 1926, 1935, 1942, 1956, 1959, 1967, 1983, 1987 e 1995).

Os convocados

Goleiros: Fabián Carini (Internazionale-ITA) e Juan Castillo (Peñarol).

Defensores: Diego Godín (Nacional), Diego Lugano (Fenerbahçe-TUR), Darío Rodríguez (Schalke 04-ALE), Andrés Scotti (Argentinos Juniors-ARG), Carlos Valdéz (Treviso-ITA) e Jorge Fucile (Porto-POR).

Meio-campistas: Fabián Canobbio (Celta-ESP), Carlos Diogo (Zaragoza-ESP), Pablo García (Celta-ESP), Walter Gargano (Danubio), Maximiliano Pereira (Defensor Sporting), Diego Pérez (Monaco-FRA), Cristián Rodríguez (Paris Saint-Germain-FRA) e Ignácio González (Danubio).

Atacantes: Sebastián Abreu (Tigres-MEX), Fabián Estoyanoff (Deportivo La Coruña-ESP), Diego Forlán (Villarreal-ESP), Alvaro Recoba (Internazionale-ITA), Vicente Sánchez (Toluca-MEX) e Gonzalo Vargas (Monaco-FRA).

Time-base: Carini; Diogo, Lugano, Scotti e Dario Rodríguez; Cannobio, Pablo García e Diego Pérez; Recoba; Forlán e Estoyanoff. Técnico: Oscar Washington Tábarez.

Esquema tático: Tábarez monta um 4-3-1-2 que prioriza o avanço dos laterais. No meio, os três volantes dão liberdade para Recoba assumir a criação do meio-campo e municiar a dupla de ataque.

Ele é o cara! Depois de um início de temporada apagada, Diego Forlán vive um grande momento. Dos seus 20 gols em La Liga, 13 foram marcados nos últimos 4 meses.

Olho nele! Jorge Fucile, de 22 anos, é a grande surpresa da Celeste. Além de veloz, o jovem ala também é polivalente: atua tanto na direita quanto na esquerda.

Pontos fortes: O talento de Recoba pode desequilibrar; o ataque Forlán-Estoyanoff merece atenção; a tradição uruguaia pesa em momentos decisivos.

Pontos fracos: Recoba é muito inconstante; atletas como Carini e Lugano não vem atuando com regularidade em seus clubes; o time não tem reservas a altura.

VENEZUELA

Lugar ao sol no futebol sul-americano



Boxe, beisebol e basquete. Futebol? Quarta opção. Para mudar esse quadro, os venezuelanos apostam na organização da Copa América como forma de incentivo a prática do esporte bretão.
Muitos pensam que a equipe vinotinta ainda é o eterno saco de pancadas do continente. Enganam-se. A cada ano que passa, a Venezuela mostra um time mais competitivo e aguerrido. O progresso venezuelano pode ser verificado pelo número de jogadores que atuam no futebol europeu. Oito dos 22 convocados passam por esta condição, um recorde.
Richard Paez leva o que tem de melhor no país e espera que os venezuelanos façam sua melhor campanha e atinjam, ao menos, a fase semi-final. A maior surpresa de Paez foi o corte do veterano goleiro Rafael Dudamel. Por outro lado, a presença de Ricardo Paez, filho do técnico e um dos destaques da equipe, está confirmada.
Familiaridades a parte, ousaria dizer, inclusive, que os vinotintos poderão brigar por uma das vagas sul-americanas que dão direito a disputa da Copa do Mundo de 2010. E a Copa América, certamente, mostrará se este sonho é possível.

Raio-X – Federación Venezolana de Fútbol
Ranking da Fifa: 70º
Status: Pode surpreender
Melhor resultado na Copa América: 5º lugar (em 1967).
Os convocados
Goleiros: Javier Toyo (Caracas) e Renny Vega (Carabobo).
Defensores: José Manuel Rey (AEK Larnaca-CHP), Héctor González (AEK Larnaca-CHP), Oswaldo Vizcarrondo (Caracas), Andrés Rouga (Caracas), Leonel Vielma (Caracas), Luis Vallenilla (Unión Maracaibo), Jorge Rojas (América de Cali-COL) e Alejandro Cichero (Litex-BUL).
Meio-campistas: Pedro Fernández (Unión Maracaibo), Miguel Mea Vitali (Unión Maracaibo), Luis Vera (Caracas), César González (Caracas), Alejandro Guerra (Caracas), Edder Pérez (Marítimo-POR) e Ricardo Páez (Mineros).
Atacantes: Fernando de Ornelas (Odd Grenland-NOR), Juan Arango (Mallorca-ESP), Giancarlo Maldonado (O'Higgins-CHI), José Torrealba (Mamelodi Sundowns-AFS) e Daniel Arismendi (Unión Maracaibo).

Time-base: Toyo; Jorge Rojas, José Rey, Cichero e Hector González; Vera, César González, Ricardo Páez e Miguel Mea Vitali; Arango e Maldonado. Técnico: Richard Páez.
Esquema tático: Paez usa um 4-4-2 bem defensivo. Os alas descem pouco e o setor de criação depende apenas de Páez e Vitali. Quando o time perde a bola, Arango ajuda a marcar o adversário, deixando Maldonado isolado na frente.
Ele é o cara! Mesmo jogando de meia, Arango marcou 8 gols na temporada espanhola. Na seleção vinotinta, ostenta o status de intocável e grande astro local.
Olho nele! O lateral-volante Edder Pérez não figura entre os titulares, mas é uma promessa. Canhoto e preciso nos lançamentos, fez boas partidas na Libertadores - 2007.
Pontos fortes: A habilidade e os fortes chutes de Arango; a experiência de Rey e Vitali; o fato de jogar em casa cria uma motivação nos venezuelano;
Pontos fracos: Toyo não passa segurança; a marcação que a equipe exerce não é tão forte; falta um atacante matador.



BOLÍVIA
Saco de pancadas?

O fato da FIFA ter proibido a disputa de partidas em locais que tenham mais de 2500 metros de altura dificultou muitos países. Consequentemente, nenhum deles sentiu-se tão prejudicado quanto os bolivianos.
Afinal, de 1994 (ano que a Bolívia disputou sua primeira e única Copa) para cá, o selecionado nunca mais conseguiu obter nenhum resultado de grande expressão. Exceto em 1997, quando os bolivianos aproveitaram-se do fator casa (altitude) e conseguiram o vice-campeonato da Copa América.
No banco, a equipe é dirigida pelo ex-atacante Erwin “Platini” Sánchez. Apesar do inexperiência, o ex-craque acumula bons resultados em seu repertório, casos do empate com a Irlanda e da vitória sobre a África do Sul.
Atualmente, os Verdes passam por uma renovação. O torneio servirá como laboratório na tentativa de uma futura classificação para a próxima Copa. O time sentirá, porém, a ausência de dois experientes atletas: o ala Gatti Ribeiro e o meia Limberg Gutiérrez.
Mostrar ao mundo que a altitude não influencia nos seus resultados. Será que Sánchez supera esse desafio?

Raio-X – Federación Boliviana de Fútbol
Status:
Incógnita
Ranking da Fifa: 92º
Melhor colocação no torneio: 1 vez campeã (em 1963).
Os convocados
Goleiros: Hugo Suárez (Jorge Wilstermann) e Sergio Galarza (Oriente Petrolero).
Defensores: Miguel Hoyos (The Strongest), Jorge Ortíz (Blooming), Limbert Méndez (Jorge Wilstermann), Edemir Rodríguez (Real Potosí), Ronald Raldes (Rosario Central-ARG), Lorgio Álvarez (Cerro Porteño-PAR) e Juan Manuel Peña (Villarreal-ESP).
Meio-campistas: Leonel Reyes (Bolívar), Ronald García (Aris-GRE), Sacha Lima (Jorge Wilstermann), Joselito Vaca (Blooming), Gualberto Mojica (Paços de Ferreira-POR), Darwin Peña (Real Potosí), Gonzalo Galindo (The Strongest), Jhasmani Campos (Oriente Petrolero).
Atacantes: Juan Carlos Arce (Corinthians-BRA), Nelson Sossa (Jorge Wilstermann), Augusto Andaveris (La Paz), Jaime Moreno (DC United-EUA) e Diego Cabrera (Aurora).

Time-base: Galarza; Hoyos, Peña, Raldes e Alvarez; Ronald Garcia, Mojica, Joselito Vaca e Reyes; Juan Carlos Arce e Moreno. Técnico: Erwin Sánchez.
Esquema-tático: Sánchez traz um 4-4-2 britânico, formado por duas linhas de quatro. Com exceção feita a Vaca, todos os outros jogadores possuem características mais defensivas. No ataque, Arce abre espaço para servir o veterano Moreno.
Ele é o cara! Ninguém no Corinthians acreditava no potencial de Arce. Hábil, o jovem avante mostrou muita categoria e é o motorzinho boliviano.
Olho nele! Gualberto Mojica tem apenas 22 anos, mas impressiona por sua determinação e liderança. Tanta segurança garantiu sua transferência para a Europa.
Pontos fortes: A habilidade da dupla Vaca-Arce; o entrosamento do setor defensivo; a precisão de Ronald Garcia.
Pontos fracos: A inexperiência de Sánchez como técnico; o meio-campo é muito defensivo; falta um grande craque que chame a responsabilidade para si.

PERU
Será que levanta?

Indefinição. Essa é a palavra que melhor representa a seleção peruana. A divergência inicial começou com Nolberto Solano. Bastou a Federação Peruana alterar os mandos da seleção para a cidade de Cuzco que o meia do Newcastle abriu a boca. Reclamou tanto que não foi mais convocado.
Para piorar, o experiente ala Juan Vargas sentiu uma recente luxação no cotovelo e teve de ser cortado às pressas.
Até o técnico, Julio César Uribe, também tem seus traumas antigos. Para quem não sabe, em sua primeira passagem pela seleção, ele foi demitido por conduta anti-profissional. Na ocasião, o selecionado alvirrubro voltava de um amistoso quando o técnico abandonou a equipe e foi até uma danceteria.
Na tentativa de refazer sua imagem, Uribe mantém praticamente os mesmos atletas. Novidades apenas no meio-campo, setor mais rejuvenescido da seleção.
Mesmo sabendo de todas as qualidades do ataque andino, um dos melhores do continente, convenhamos que esse time não cria grandes expectativas. Será que depois de tantos problemas, o Peru é capaz de reviver a sua época de glória?

Raio-X – Federación Peruana de Fútbol
Status:
Incógnita
Posição no ranking da Fifa: 64°
Melhor resultado na Copa América: 2 vezes campeã (em 1939 e 1975).
Os convocados
Goleiros: Juan Flores (Cienciano), Leao Butrón (San Martín) e George Forsyth (Alianza Lima).
Defensores: Santiago Acasiete (Almería-ESP), Alberto Rodríguez (Braga-POR), Walter Vílchez (Cruz Azul-MEX), Edgar Villamarín (Cienciano), Miguel Villalta (Sporting Cristal) e John Galliquio (Universitario).
Meio-campistas: Juan Carlos Mariño (Cienciano), Juan Carlos Bazalar (Cienciano), Paolo de la Haza (Cienciano), Jhoel Herrera (Alianza Lima), Pedro García (San Martín), Damián Ismodes (Sporting Cristal) e Jair Céspedes (Sport Boys).
Atacantes: Jefferson Farfán (PSV-HOL), Andrés Mendoza (Metallurg Donestk-UCR), Paolo Guerrero (Hamburg-ALE), Claudio Pizarro (Chelsea-ING), Roberto Jiménez (San Lorenzo-ARG) e Ysrael Zúñiga (Melgar).

Time-base: Butrón; Acasiete, Alberto Rodriguez e Villalta; Vílchez, Bazalar, De La Haza, Mariño e Villamarín; Farfán e Cláudio Pizarro. Técnico: Julio César Uribe.
Esquema tático: Uribe monta um 3-5-2 que une forte marcação com rápidos contra-ataques. A zaga é forte e os alas atacam pouco. Mariño é o principal articulador dos rojiblancos e arma as jogadas para municiar os artilheiros Fárfan e Pizarro.
Ele é o cara! Apesar de temporada apagada do Bayern de Munique, Pizarro conseguiu destacar-se. Eficiente e exímio finalizador, marcou 8 gols na Bundesliga.
Olho nele! Daniel Ismodes é a grande esperança do futebol peruano. O jovem de 18 anos alia boa visão de jogo, velocidade e inteligência. Promete.
Pontos fortes: A dupla Farfán-Pizarro é a grande opção de gols do time; o meio-campo tem grande entrosamento; a liderança de Vilchez passa tranqüilidade a defesa.
Pontos fracos: A zaga é jovem e muito inconstante; falta um nome forte no gol; a inexperiência do time pesa em momentos decisivos.

21.6.07

Notícias lá de cima...

Novos capitulos para o veto da FIFA para jogos em cidades localizadas a mais de 2500 metros do nível do mar. Nicolás Leóz, presidente da Conmebol, irá ao Comitê Executivo da FIFA para que esta decida deixar o veto provisioriamente de lado, até que estudos provem os reais efeitos da altitude no metabolismo dos atletas. Inclusive, a entidade sul-americana já acordou junto aos seus filiados que o veto imposto pela FIFA não será adotado na América do Sul, o que ao meu ver é uma decisão sensata e acertada.

É necessário um estudo detalhado antes de qualquer decisão, ainda mais uma decisão tão severa quanto a proibição da prática de futebol, profissionalmente falando. Falando sobre a polêmica, o fisiologista Cláudio Pavanelli, do Santos e membro do CEMAFE (Centro de Medicina e Atividade Física e do Esporte), responde algumas questões-chave ao Opinião FC sobre os efeitos da altitude nos atletas. Questões essas que são importantes para nos ajudar a entender toda a polêmica desencadeada pela decisão da FIFA, já mostrada aqui no Opinião FC.


Opinião FC - Quais os efeitos que a altitude traz ao metabolismo do jogador? Esses efeitos impedem que ele possa praticar a atividade física?
Cláudio Pavanelli - Os efeitos são decorrentes a uma menor pressão barométrica, ou seja, na altitude a pressão exercida no gás(Oxigênio) é menor, ocasionando uma dificuldade em sua absorção e prejudicando seu transporte para serutilizado pelo músculo na obtenção de energia. Os efeitos causados pela hipóxia não impossibilitam a prática regular de atividade física (dependendo da altitude). Esta questão é importante salientar sobre a individualidade, ou seja, cada atleta é mais ou menos sensível de acordo com seu organismo.

Opinião FC - Existe risco de morte ao atleta que sai do ambiente ao nível do mar para jogar uma partida de futebol de 90 minutos na altitude?
Cláudio Pavanelli - O risco só será relevante se o atleta tiver alguma patologia ou exposto a altitudes mas elevadas, não seria um grande risco a altitudes menores que 3000m.

Opinião FC - Outras condições adversas, como frio ou calor intenso e pouca umidade relativa do ar, entre outros, podem ter efeitos tão ou mais severos quanto os efeitos sofridos na altitude?
Cláudio Pavanelli - Cada adversidade climática possui suas características e cuidados a ser tomado na prática desportiva. Se levados ao extremo sem uma conduta adequada, pode-se provocar problemas sérios à saúde como a desidratação ou hiponatremia devido ao calor por exemplo.

Opinião FC - Você acha correto vetar a prática de partidas de futebol em cidades com mais de 2500 metros de altitude?
Cláudio Pavanelli - É uma questão muito complexa e vários fatores envolvidos, porém acredito que a partir desta conduta, pode-se questionar a exigência física em um jogo em temperaturas elevadas. Acredito que um campeonato ou um torneio possa ser vetado, onde as equipes teriam que permanecer vários dias e participar de vários jogos, porém acho complicado "punir" um clube que tem sua sede em níveis elevados quando participa de campeonatos e apenas um jogo com cada adversário é exposto a altitude.

20.6.07

França caribenha

Sonho verde: Guadalupe sai do ostracismo e atinge semi-final da Copa Ouro

Lilian Thuram rouba a bola no setor defensivo e passa para o lateral-direito Pascal Chimbonda. Chimbonda avança pela linha de fundo, corta dois adversários e cruza. Franck Ribery domina a bola com o peito, dribla o zagueiro, chuta da entrada da pequena área e marca um golaço. Gol da França? Não, gol de Guadalupe...
Guadalupe é uma ilha caribenha de colonização francesa, que sequer é habitada por 500 mil pessoas. O arquipélago não possui autonomia própria, é, na verdade, um Departamento Ultra-Marinho da França. O fato de não ser propriamente um país faz com que Guadalupe não seja filiada à FIFA, apenas à Concacaf. Até mesmo a sua entidade nacional de futebol, a Liga Guadalupense de Futebol, é subordinada a França.
Por não fazer parte da FIFA, Guadalupe não pode participar das Eliminatórias para Copas do Mundo. Dessa maneira, a seleção do território concentra todas suas forças para a disputa do qualificatório da Copa Ouro (espécie de Copa América da América do Norte e Central).
E surpreendentemente, neste ano, Guadalupe foi muito bem e credenciou-se, de forma inédita, para a Copa Ouro-2007, conquistando uma das quatro vagas reservadas às equipes caribenhas. No caminho, Guadalupe passou por Martinica (principal rival da equipe), Saint-Martin, Dominica, São Vicente e Granadinas, Antígua e Barbuda e República Dominicana. Derrotas apenas para a Guiana (por duas vezes), Cuba e Haiti.
Após este bom retrospecto, todo mundo acreditava que Guadalupe já estaria satisfeita apenas por estar entre as doze maiores seleções da Concacaf. Ledo engano.
O empate em um gol com o Haiti (na estréia) e a vitória por 2 a 1 em cima do Canadá mostrou que a equipe tinha potencial para galgar vôos maiores na competição. Nem mesmo a derrota para a Costa Rica por 1 a 0, tirou o brilho da campanha e a conseqüente classificação às quartas-de-final do torneio.
Para muitos, Guadalupe já havia chegado longe demais. Ninguém acreditava que frente a um adversário mais tradicional, Honduras, a equipe verde atingiria outro sucesso. Resultado final: Guadalupe 2, Honduras, 1. E pensar que os hondurenhos comandados por Leon (meia do Genoa, da Itália) haviam batido o poderoso México, na primeira fase e, pelo mesmo placar...
O próximo desafio da zebra caribenha serão os próprios mexicanos, inclusive. Apesar de ser o maior detentor de títulos da Copa Ouro (quatro), Los Chicos ainda não mostraram seu melhor futebol. Ninguém duvida que Guadalupe possa surpreender novamente...
A equipe do Guadalupe é modesta. Ela é formada em quase sua totalidade por jogadores que atuam na Segunda Divisão francesa ou no semi-profissional campeonato guadalupense. Exceção feita a presenças de quatro jogadores: o defensor David Sommeil, do Sheffield United; o atacante Aurelien Capouen, do Nantes; e o goleiro Franck Grandel e o centroavante Loic Loval, ambos do Utrecht – HOL.
Mesmo assim, grande parte do sucesso de Guadalupe deve-se a outro nome: Jocelyn Angloma. O jogador que já passou por grandes clubes europeus, como Paris Saint-Germain, Internazionale, Olympique de Marselha e Valencia, estava encerrando sua carreira em um clube do território, o Etoile de Morne-à-l'Eau, quando decidiu aceitar o convite da federação e jogar pela seleção de Guadalupe.
O curioso é que o veterano Angloma atuou pela seleção francesa durante aproximadamente cinco anos. Em 36 partidas com os Le Bleus o lateral-direito marcou, inclusive, um gol. Hoje, aos 41 anos, Angloma adaptou-se. Virou meio-campista e principal articulador da equipe. Seus números melhoraram progressivamente: após 12 jogos, já anotou 4 tentos.
Você deve estar se perguntando: pode isso? Pode sim. Como Guadalupe não é filiada à FIFA, qualquer atleta nascido neste território pode jogar pela seleção francesa, sem nenhum problema. Isso faz com que Angloma possa jogar livremente pelo país. Algo que jogadores da seleção da França, como Thuram, Chimbonda e Ribery também podem fazer. Basta querer...

Raio-X da Zebra:
Nome da federação: Ligue Guadeloupéenne de Football
Como chegou: 4º lugar na Copa das Nações do Caribe
Participações na Copa Ouro: Estreante
Ranking da Fifa: -
Primeira partida internacional: em 1934, na Martinica: Guadalupe 0X6 Martinica
Maior goleada aplicada: em 2001, no Haiti: Guadalupe 11X0 Ilhas Virgens
Maior goleada sofrida: em 1975, na Martinica: Guadalupe 2X8 Martinica
Campanha no último ano (até 20/06): 29 jogos, 17 vitórias, 3 empates e 9 derrotas. 56 gols marcados e 34 gols sofridos.
Time-base: Grandel; Fleurival, Vertot e Sommeil; Commingues, Auvray, Angloma, Socrier e Tacalfred; Capoue e Loval. Técnico: Roger Salnot.

19.6.07

Realmente campeão

Jogadores do Real comemoram o título espanhol. Uma temporada de sangue, suor e lágrimas.

Após um caminho pedregoso e de muitos tropeços, o Real Madrid finalmente conseguiu levantar o caneco da Liga Espanhola. É uma conquista especial, pois os madrileños voltaram a conquistar um título importante após quatro anos em jejum. Claro que o futebol apresentado pelo Real durante o campeonato não foi tão empolgante, mas além do fim da seca de títulos, essa conquista marca a superação do time durante essa temporada.

O Real 2006/07 depositou suas esperanças na contratação de um técnico renomado dentro do cenário europeu - entre junho de 2003 e junho de 2006, foram nada menos do que cinco treinadores que passaram pelo Real, entre eles Luxemburgo – e na contratação de jovens promessas. O escolhido para comandar a equipe foi Fabio Capello, campeoníssimo na Itália e campeão pelo próprio Real, em sua primeira passagem pelo clube em 1996. E jogadores jovens como o brasileiro Marcelo, os argentinos Gago e Higuaín e o meia espanhol Reyes foram contratados para marcar a passagem da época galáctica de Zidane, Figo e Ronaldo. Além deles, Capello trouxe seu “homem de confiança” , o volante Émerson, campeão com o técnico italiano na Roma e na Juventus. Um bom time no papel, mas uma incógnita para se apostar o quão longe o elenco merengue iria nas competições européias. E o começo foi conturbado.

Após um início razoável, conquistando 11 dos primeiros 18 pontos, a vitória sobre o rival Barcelona na sétima rodada colocou o Real Madrid nas cabeças da Liga. Após a perseguição ferrenha aos líderes Sevilla e Barça, que se alternavam na ponta, o Real , que apresentava um futebol de altos e baixos, sofreu seus primeiros surtos de crise aguda. Após a vitória magra sobre o Zaragoza, em janeiro de 2007, Capello perdeu a linha e mostrou o dedo para a torcida. A partir desse episódio, o relacionamento entre torcida e treinador começou a ficar muito hostil, tendo reflexos no jogo da equipe dentro de campo. O mês de fevereiro foi infernal para os merengues, pois completaram o mês sem vencer uma partida na Liga Espanhola. E nesse meio tempo, Capello começou a procurar culpados pela má fase da equipe. O primeiro a deixar o time foi Ronaldo, transferido para o Milan ao final de janeiro. Visivelmente aborrecido com as poucas chances dadas pelo italiano a ele, Ronaldo desabafou: "Gostaria de agradecer a todos os treinadores que tive, menos um". A próxima vítima e último jogador da era galáctica também foi deixado de lado por Capello. Ele afastou David Beckham do elenco e o meia logo acertou com outro clube , os americanos do Los Angeles Galaxy. Outros jogadores do elenco tornavam públicas a insatisfação com os métodos do técnico, como Robinho, Reyes e Émerson. A ironia é que, fora Ronaldo, todos que reclamaram de Capello foram decisivos de alguma forma na campanha merengue durante a reta final do Espanhol.

A eliminação traumática para os alemães do Bayern na Liga dos Campeões pois mais lenha na fogueira. Amplamente culpado pela imprensa, Roberto Carlos e Capello foram considerados os principais responsáveis por mais um fracasso continental do Real. A saída de Capello parecia uma questão de tempo e sua sorte dependia do resultado com o jogo frente ao Barcelona, no Camp Nou. E o empate em 3 a 3, apesar de não deixar o Real em boa situação no Espanhol (estava a cinco pontos dos líderes Barça e Sevilla) deu um fôlego para que a equipe começasse a virar o quadro negativo. E após quase um mês e meio sem vitórias na Liga, a virada começou a se desenhar após a vitória sobre o Gimnástic. A arrancada iniciada na 27ª rodada culminou na chegada à liderança após a vitória contra o Espanyol, faltando quatro rodadas para o fim da Liga. E na penúltima rodada, veio a “sorte de campeão”. Com o Barça vencendo o Espanyol e a derrota do Real para o Zaragoza, os catalães chegariam a última rodada com a vantagem. Mas nos últimos minutos de suas respectivas partidas, saíram os gols de empate e a torcida sentiu que o campeonato não escaparia de Madrid. E a última rodada não deixou de se dramática. Com o Real perdendo o primeiro tempo frente ao Mallorca, em casa, o título poderia fugir. Mas Reyes entrou na partida e seus gols garantiram a taça, enquanto os torcedores estavam em êxtase no estádio Santiago Bernabéu.

O trigésimo título espanhol da história do Real tem várias facetas: Primeiro a irregularidade de Barcelona e Sevilla, que perderam a chance de disparar no campeonato enquanto o Real capengava. A virada de Capello, que conseguiu fazer com que o time voltasse a apresentar um futebol eficiente. A volta de David Beckham, que estava desacreditado e desmotivado. O meia inglês, com seus cruzamentos venenosos e passes decisivos deu outra cara, mudando a dinâmica tática do time. Nistelrooy, com seus 25 gols, conseguiu achar o seu futebol dos tempos de Manchester United e tornou-se arma letal dos merengues. Também houve a volta por cima de outras peças importantes no esquema de Capello, como Robinho, Raúl, Reyes e Émerson, que contribuíram decisivamente para a arrancada do Real.

Com o título, David Beckham sai por cima, além de todo o merecido reconhecimento para a passagem de Roberto Carlos no Real Madrid, pois o lateral-esquerdo foi um dos maiores vencedores de todos os tempos na equipe, além de ser o estrangeiro que mais vestiu a camisa merengue.

O Real precisava desse título para dar moral, pois se trata de um grande vencedor no futebol , mas que estava adormecido. Depois de ver o Barça triunfar na Europa, é a vez da torcida madrilenha sonhar. Com a contratação de reforços para as lacunas deixadas por Beckham e Roberto Carlos (que se transeriu para o Fenebahçe), o Real pode voltar a ser novamente um protagonista de peso na Europa. E com certeza, o Real não nasceu para ser coadjuvante.