7.7.10

Semifinais - Parte 2

Por Alexandre Azank e André Augusto

Alemanha
Renovação é teu nome

O que dizer da surpreendente Alemanha? Uma seleção jovem, com um técnico jovem e que carrega a experiência de disputar a fase semifinal pela décima segunda vez em dezessete Copas.

Menos badalada do que Inglaterra, Itália, Espanha, Brasil e Argentina, a seleção alemã levou para a África o que tem de melhor na Bundesliga; Bundesliga que diante do Calcio, da Premier League e de La Liga pode ser considerada inferior tecnicamente.

Os alemães têm sim grandes talentos individuais, porém o conjunto se sobrepõe a eles. As peças se encaixam. De todos os jogadores, o que demonstra menos intimidade com a pelota é Boateng, uma ironia em se tratando de um descendente de africanos, que, na teoria, deveria ser um dos mais habilidosos. Schweinsteiger, volante, meia avançado, carregador de piano ou sei lá como quiseram chamar, desequilibra! Isso graças ao treinador, que encontra espaço para deixá-lo jogar sob a proteção de Khedira e o apoio de Podolski e Thomas Müller, grande desfalque desta semifinal. O atleta do Bayern de Munique tem apenas 21 anos e carrega um sobrenome comum entre os alemães, sobrenome que no futebol nos remete a Gerd Müller, um dos maiores craques germânicos e que defendeu a seleção nas copas de 1966, 1970 e 1974. Ele tem tudo para escrever o “seu”Müller na história também, caso o NationalElf avance.

Para o bem da seleção, Özil apareceu neste Mundial e deu ainda mais ritmo para a saída de bola. Ele não retém o jogo como Ballack, substituído por Khedira - mais jovem e mais tático entre defesa e ataque - e com isso o as jogadas fluem com mais facilidade.

A perspicácia de Joachim Löw em armar uma equipe rápida e que joga coletivamente surpreende. O nó tático alemão dado em cima dos argentinos contou com velocidade em contra-ataques, passes precisos e defesa bem armada. Contra a Espanha, que gosta de reter a bola, a tendência é uma Alemanha a espera do bote. Um time frio, que aguarda um erro do adversário para massacrá-lo. O interessante das vitórias alemãs é que a equipe procura o gol e busca consolidar a vitória ao invés de abrir o placar e se limitar a chutar a bola para as laterais.

O embate entre espanhóis e alemães tem tudo para ser memorável diante de duas escolas tão tradicionais e antagônicas. Nesse momento, a camisa de quem já levantou o caneco três vezes pode mais uma vez fazer a diferença, pois a Alemanha sempre será a temida Alemanha. Mesmo mais jovializada.

Espanha
Continuidade é teu nome

Há pouco mais de dois anos, Espanha e Alemanha decidiam a Eurocopa. Mas se a Alemanha manteve o técnico e (por contusão e necessidade) teve que rejuvenescer a equipe, a Espanha trocou de técnico (Luís Aragonés deu lugar a Vicente Del Bosque) e manteve a base campeã europeia em 2008. Da equipe que atuou na maior parte da competição continental, apenas três mudanças: Marchena deu lugar a Piqué na zaga, Busquets entrou no lugar de Marcos Senna na cabeça de área, além de Iniesta efetivado no meio-campo, em lugar de David Silva – Xavi passou a fazer o lado esquerdo do setor. Naquela finalíssima, Fàbregas havia entrado em lugar do contundido Villa, deixando Torres como único atacante de ofício.

Para o tira-teima, desta vez em solo sul-africano, Torres – em má fase – pode dar lugar a um meio-campista, em outra das coincidências que cercam a partida. Só que a equipe de Del Bosque valoriza ainda mais a posse de bola em relação a de Aragonés, o que às vezes torna as ações da Fúria um pouco monótonas, já que a equipe procura a menor brecha para atacar com seus talentosos atletas com paciência, por vezes, excessiva.

Além das boas investidas de Xavi e Iniesta, a ótima fase do artilheiro David Villa é a grande arma da Espanha. O lado esquerdo, guardado por Capdevilla – pior tecnicamente do que há dois anos – é a maior fraqueza da equipe, que se fortaleceu no miolo de zaga, com a boa dupla do Barcelona formada por Puyol e Piqué. A dinâmica do time alemão, muito ágil do meio pra frente e com uma zaga lenta, além dos constantes avanços de Lahm na direita, podem facilitar o trabalho espanhol, uma equipe que se porta melhor em campo quando seu adversário também se lança ao ataque – vide a dificuldade com times compactos defensivamente como Suíça e Paraguai.

*Relembre a análise tática de Espanha x Alemanha, na final da Eurocopa de 2008 clicando aqui e fazendo eventuais comparações com a semifinal desta Copa.

2 comentários:

gerson disse...

André, e tem gente que cansa de repetir a história de que os alemães sempre foram durões, etc.
A Alemanha em 90 era disparado o melhor time da Copa. Matheus fez com q a Alemanha tivesse uma ligação meio-ataque muito boa e veloz.
Em 74 eu não tinha idade pra ver o time jogar, mas duvido que um time com Beckenbauer fosse ruim tecnicamente.
Quanto ao jogo de ontem, tens razão que o erro não foi crasso, mas duas coisas depõem contra a arbitragem: 1) o árbitro sempre erra para o mais forte em momentos decisivos(isso pra mim sempre tirou um pouco da graça do futebol); 2) há um histórico lamentável de "erros" de arbitragem em Copas(há inúmeros exemplos-Brasil e Espanha em 62, Chile e Itália em 62, Alemanha e França em 82, Argentina e Alemanha em 90, Argentina e Inglaterra em 86, Brasil e Suécia em 78, Coréia e Espanha em 2002 e por aí vai).
Em suma, eu acho q a Holanda está na final por mérito, mas o bandeirinha deu uma baita força. De todo modo, o Uruguai foi firme até onde conseguiu ir. Suárez fez muita falta ontem, e não para colocar a mão na bola, hehehe.
Abraço!

Vinicius Grissi disse...

Vai ser um grande jogo. São dois ótimos times, e que jogam muita bola. Vai ser gostoso assistir.

Acho que a Alemanha leva, mas confesso que torço pela Espanha, que merece pelos últimos 4 anos.