2.7.10

"Guerreiros" sem cabeça

Nervoso, o Brasil perdeu o foco no segundo tempo e foi eliminado por uma eficiente e pragmática Holanda

Considerado a antítese do time que foi derrotado em 2006 para a França – marcado pela zona na concentração de Weggis e pelo excesso de individualidades -, a Seleção Brasileira de Dunga foi vendida como “o time de guerreiros”, da união do grupo em detrimento das individualidades. Na eliminação desta sexta para o ótimo time da Holanda, faltaram opções no banco para mudar uma partida, como foi largamente abordado pela imprensa desde que foram divulgados os 23 convocados. Contudo, mais do que mais opções talentosas, faltou cabeça para a experiente equipe de Dunga. E para o próprio Dunga, principalmente nos momentos capitais da partida: o gol de Robinho e o gol da virada, marcado por Sneijder.

No primeiro tempo, o Brasil se impôs e poderia ter ido para o intervalo com uma vantagem muito maior. A equipe jogava direito, marcando a Holanda no campo de defesa, forçando os erros e jogando na velocidade de Robinho e Kaká, com Luís Fabiano abrindo espaços em meio à defesa laranja. A Oranje estava irreconhecível e jogava mal - de longe, sua pior partida no torneio até então.

O gol de empate, em falha mista de Felipe Melo e Júlio César, desestabilizou a equipe de forma inexplicável. A eficiência da primeira etapa sumiu e se transformou em desespero em um segundo gol fortuito, em falha do miolo de zaga brasileiro – que antes do segundo tempo contra os holandeses, vinha fazendo uma Copa quase impecável.

E o volante Felipe Melo completou sua tríade na partida: o passe genial para Robinho, inesperado e muito bem executado; a falta de comunicação e uma falha - até certo ponto, perdoável - dividida com o arqueiro brasileiro, no gol de empate; e a expulsão infantil após falta já consumada em Robben, que minou o Brasil de qualquer reação. Mais do que o simples fato de deixar o Brasil com um homem a menos, a “falta de cérebro” do volante-brucutu acentuou de vez o nervosismo do Brasil, que passou a alçar bolas na área e tentar arrancadas com Lúcio (o melhor atleta brasileiro desta Copa) e Kaká.

A parcela de culpa de Dunga veio quando ele tirou Luís Fabiano – apagado na partida, no geral - por Nilmar. Foi a chave da rendição do ataque brasileiro diante da (fraca) fechada defesa holandesa. E o time guerreiro, comprometido, caiu nas quartas. Assim como em 2006. Vale lembrar que do outro lado, apesar de não ter feito partida brilhante, está o bom time holandês, que tem o meia Sneijder jogando o fino da bola. Não foi um vexame, apesar da compreensível decepção, perder para uma equipe de reconhecidos talentos do meio-campo em diante. Mesmo fazendo uma Copa pragmática.

Na coletiva de Dunga após a partida, o treinador deve ter percebido que veio à tona a falta de opções no banco de reservas, de que uma seleção não pode ser baseada apenas em “homens de confiança”, de que ele mexeu mal no time e que apesar dos bons resultados, existiam diversas fraquezas em seu elenco. A valentia, vista em outras ocasiões, se resumiu a poucas palavras, em tom brando e sem mais delongas. É o fim da Era Dunga, que será massacrado por boa parte da opinião pública. Não pelo resultado em si neste Mundial, mas pelo comportamento rigorosamente rígido, tanto para com os jogadores, quanto para com a imprensa - a qual sempre foi vilã aos seus olhos.

Um comentário:

paulo disse...

NO MEU ENTENDER O COMENTÁRIO A RESPEITO DO VEXAME BRASILEIRO FOI PRECISO. O DESIQUILÍBRIO EMOCIONAL DO BRASIL NO SEGUNDO TEMPO FOI TOTAL. FICOU PROVADO QUE O CIDADÃO DUNGA, COMO TÉCNICO,NÃO PASSA DE UM SIMPLES ANÃO.