14.2.08

Eterna Promessa

Denílson tem nova chance com a camisa do Palmeiras: risco ou sucesso?

Em meio aos jogadores badalados trazidos pela Traffic, Denílson chega de graça ao Palmeiras como uma mera sombra daquele jogador promissor que deixou o São Paulo, 10 anos atrás. Aspirante a craque, seu futebol "moleque" surgiu em meio as categorias de base do São Paulo, ainda avalizadas pelo grande Telê Santana. A rapidez e o drible fácil do garoto encantavam, o que lhe rendeu algumas comparações a jogadores da época, como Dener, meia arisco que havia falecido há pouco tempo. Jogador da geração "Expressinho", assim como Rogério Ceni, Bordon e Caio, entre outros, esteve no elenco que conquistou a Conmebol em 1994, em equipe comandada pelo técnico Muricy Ramalho.

Alçado a titular rapidamente, as boas atuações logo o levaram a ser uma das principais estrelas do time. O seu auge na equipe do Morumbi foi a final do Paulistão de 1998. Ao lado de França e do então recém-chegado Raí, Denílson infernizou a zaga alvinegra, ajudando o São Paulo a desbancar a base do time que dominaria o futebol brasileiro nos dois anos seguintes.

Vendido ao Betis por cerca de 25 milhões de dólares, rumou à Sevilla tão badalado quanto Robinho e Pato atualmente. No entanto, Denílson não vingou no Betis, de 1998 a 2005 (com breve passagem pelo Flamengo em 2000). Alternando momentos bons e ruins, caiu com o Bétis em 1999/2000. Os lampejos do jogador dos tempos de São Paulo eram cada vez mais raros e em 2005, ele resolveu tentar a sorte no Bordeaux. O seu potencial aliado ao nível técnico mais baixo da Ligue One indicava que finalmente era a chance dele estourar na Europa. Não o fez, pois alternava entre as poucas chances e o futebol escasso. A partir do novo fracasso, começou a perambular no Al Nassr e o Dallas FC, também com discrição. Depois de muito insistir, finalmente conseguiu ser contratado pelo Palmeiras. Um contrato de risco, que será renovado de acordo com a produtividade do jogador no alviverde de Pq. Antártica.

Os lances mais marcantes da carreira de Denílson, além do excelente Paulistão de 1998 e boas participações com a Seleção durante a Copa das Confederações de 1997 e a Copa América de 1998, se resumem a dribles. Particularmente, me recordo de dois, ambos com a camisa canarinho: um, em jogo contra os paraguaios, onde o lateral Arce pretendia isolar a bola com um chutão. A astúcia do jogador fez com que ele colocasse a bola entre as pernas do lateral guarany, que chutou o vento; o outro é da Copa de 2002 - a segunda de sua carreira - onde o Brasil vencia os turcos na semi-final e Denílson segurava a bola na lateral. Foi então que veio uma verdadeira legião turca em seu encalço.

Com presenças regulares no Brasil entre 1997 e 2003 - principalmente nas Eliminatórias e na Copa de 2002 - ele nunca foi o jogador mais destacado do elenco, tampouco um jogador essencial. Quase sempre era o coadjuvante, que entrava no segundo tempo para prender a bola e puxar contra-ataques. Muito pouco para quem pintava como um verdadeiro jogador world class.

Mais velho, chega ao Palmeiras, onde deverá esperar pacientemente uma oportunidade em um meio-campo composto por Valdívia e Diego Souza. Na minha concapção, é um ótimo driblador, mas penso que sempre pecou pela falta de objetividade em muitos dos lances. Ele não possui a noção de "Futebol Vertical", tal qual Zidane e Kaká fazem com maestria.

A alcunha de eterna promessa lhe cai como uma luva. Mesmo assim, ele tem uma de suas últimas boas chances na carreira, ao jogar no Palmeiras. Se não vingar, poderá iniciar um mergulho certo rumo ao ostracismo.

3 comentários:

Alexandre Azank disse...

Depois que Denílson foi para a Espanha seu futebol afundou! Passou a aparecer mais em jogos de confraternização ou "petecando" bolas do que propriamente jogando um bom futebol! É um risco para o Palmeiras, porém, de certa forma calculado!
Caso não vingue no Brasil, o jogador tem o mercado norte-americano ainda aberto para seu futebol!

Ruben Fontes Neto disse...

É um jogador que esqueceu a objetividade. Com isso, acabou se tornando um jogador de segundo tempo. Que entra pra prender a bola e provocar os adversários...

Persio Presotto disse...

O Denilson tinha absolutamente tudo para ser um craque, aquele camisa 10 das antigas. Não soube aproveitar a chance que teve. Agora, é tarde para fazer algo! Não demorará muito, ele abandonará o barco palmeirense, assim como abandonou o são-paulino.