25.5.07

Um de 40 por dois de 20

Dois estádios com nomenclatura de santo. Dois jogos que envolvem um time rubro-negro contra um algoz alvinegro. Dois pênaltis na segunda etapa. Dois experientes jogadores com 41 anos aproximam-se da bola para marcarem, talvez, o gol mais importante de suas vidas. Duas vidas diferentes, que se modificam num mesmo final de semana.
Um deles é atacante, o outro zagueiro. E nisso, acabam-se as semelhanças entre os dois. Enquanto um, de acordo com sua própria contagem, acaba de marcar seu milésimo gol o outro encerra sua carreira marcando apenas o quinto tento de sua vida. Certamente, os fãs do futebol mundial sentirão saudades dos tempos áureos de Romário e Costacurta.
O Baixinho ainda não confirmou se pára de jogar, mas mesmo que ele encerre sua carreira, já terá muita história para contar. Em sua carreira, Romário acumula 21 títulos, entre eles quatro Campeonatos Carioca, três Ligas Holandesas, uma Liga Espanhola, um Brasileirão (Copa João Havelange), duas Copas América, além de uma Copa do Mundo.
Apesar de ter uma carreira tumultuada, que envolve brigas com torcedores, desentendimento com colegas de equipe e episódios polêmicos, nunca ninguém pode negar uma coisa: Romário tem o faro de gol. Desde que ele assinalou seu primeiro gol na carreira, em 18 de agosto de 1985 contra o Nova Venécia, não parou mais de marcá-los.
Fazer gols, nunca fora a especialidade de “Billy” Costacurta. Afinal neste último sábado, quando o Milan recebeu a Udinese e perdeu por 3 a 2, o zagueiro marcou apenas o seu terceiro gol com a camisa rossonera.
Diferentemente de Romário que passou por todos os clubes e continentes imagináveis, Costacurta dedicou quase que toda sua carreira ao time de Milão. Pelo Milan quebrou recordes e ganhou vários canecos, 23. Dentre eles, sete Campeonatos Italianos, uma Copa Itália e quatro Champions League e dois Mundiais Interclubes. Além disso, já é o terceiro jogador na história que mais vestiu a camisa do clube: 660 vezes.
Billy também detém um marco na Champions League: o de ser o atleta mais velho a atuar em uma partida do torneio. No dia 16 de novembro de 2006, Costacurta participou da derrota do Milan para o AEK Atenas tendo 40 anos e 211 dias.
Essa breve biografia de ambos não serve para questionar qual dos dois atletas foi o mais brilhante. A prioridade é abrir uma discussão: será que às vezes não subjugamos o potencial de atletas que passaram dos 35 anos, acreditando estarem velhos demais para jogarem futebol?
Que o futebol moderno primazia a força física e a velocidade, ninguém duvida. Mas, às vezes, um jogador mais experiente tem melhor colocação em campo, toca a bola com mais facilidade e passa mais segurança aos seus companheiros.
O ex-zagueiro Mauro Galvão, por exemplo. Não conquistou um Campeonato Gaúcho e uma Copa do Brasil com o Grêmio, prestes há fazer 40 anos? E o que dizer de Sorato? Apesar de limitado tecnicamente, o atacante de 38 anos vem marcando muito mais gols do que vários jovens de 20 anos. E não é somente no futebol brasileiro. A dupla Cafu e Maldini, mesmo sem o fôlego de antes, seguem firme no Milan, e inclusive, podem conquistar uma Liga dos Campeões, meses antes de completarem 40 anos.
E justamente por isso, encerro minha crítica com as palavras do treinador do Manchester United, Sir Alex Fergunson, momentos depois de ter sido derrotado pelo veterano elenco milanês nas semi-finais da Champions League: "Hoje, a maior diferença foi a experiência”.

4 comentários:

Anônimo disse...

Experiência é importante, se mesclada com explosão da juventude, coisas que poderia ser mais efetuva no Milan, que tem muitos experientes e poucos jovens promissores.
O proprio Maldini é exemplo tb.
Se o jogador tiver a consciência de se cuidar, pode queimar muita lenha ainda, mesmo com mais de 34,35 anos...

Anônimo disse...

Saber a hora certa de parar é muito difícil.

Unknown disse...

Além de Maldini,Toninho Cereso também fez históra pelo São Paulo beirando os 40.
O próprio Cafu que foi citado também ressalta a importância da experiência em um elenco!
Belo post

Arthur Virgílio disse...

Os jogadores citados, são como vinho: quanto mais velho, melhor.