
As 16.450 pessoas presentes ao estádio Faisal Al-Husseini, em Al-Ram – cidade localizada ao norte de Jerusalém, na Cisjordânia – têm a exata noção de que esta partida transcende as quatro linhas. É mais um dos instrumentos para que todos reconheçam seu território, governo e a Palestina como um país, em conflito travado de forma mais acentuada com os israelenses há mais de meio século. E se dizem que a linguagem do futebol é universal, nada mais prático do que usar um esporte que, segundo diversos relatos de reportagens feitas por lá, é uma verdadeira paixão nacional. Por isso, várias autoridades, desde Joseph Blatter, presidente da Fifa, até o primeiro-ministro da Palestina, Salam Fayyad, estavam no estádio para presenciar um dia histórico ao país árabe.
Fundada em 1928 (e recriada em 1953, após a fundação de Israel, em 1948), a Federação Palestina de Futebol só conseguiu se filiar à Fifa e à Federação Asiática (AFC) em 1998, quando foi fundada a Autoridade Nacional Palestina. A instabilidade na região paralisou por algum tempo a liga local (atualmente, batizada como West Bank Premier League) e deixou a seleção local quase que inativa. Após o “retorno”, porém, os Al-Fida'i (Guerreiros, na linguagem árabe) só conseguia disputar partidas oficiais longe de seus torcedores, por conta da falta de segurança da região. Com a ajuda da Fifa, a federação local ergueu um estádio em 2008, no qual recebeu a vizinha Jordânia para a primeira partida em casa, em outubro do mesmo ano (post dos parceiros do Futepoca, aqui). A partida diante dos tailandeses, portanto, é um feito. Mas mostra que o processo de introdução do esporte no país é lenta. Principalmente por dificuldades impostas por Israel, que ocupa parte das áreas que pertenceriam aos palestinos. Ainda assim, além da volta da liga local aos campos do país, em 2008, a Palestina estreou a liga feminina de futebol no último mês de fevereiro. No mesmo palco do jogo histórico contra os tailandeses.
Mesmo com o contexto delicado desta região do Oriente Médio – dos 11 jogadores convocados que moravam na Faixa de Gaza, apenas seis tiveram permissão para entrar na Cisjordânia e atuar contra a Tailândia–, a derrota, que poderia ter um gosto amargo por conta da eliminação as chances de ir à Londres, em 2012, tem um sabor especial. O de liberdade e reconhecimento.
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