22.9.08

Despertar colchonero

Atlético vence bem o PSV jogando em Eindhoven: Prenúncio de uma boa temporada para os colchoneros?

Que Real Madrid e Barcelona são as maiores potências clubísticas espanholas ninguém contesta. Nos últimos anos, porém, vemos uma alternância nas equipes que podem dar alguma dor de cabeça à supremacia protagonizada pela rivalidade madrilenha/catalã. Pelos resultados mais recentes, podemos colocar o Valencia como terceira força desta década. São duas Ligas espanholas (2001/02 e 2003/04), uma Copa do Rei (2007/08) e dois vice-campeonatos da Champions League (1999/00 e 2000/01). A queda recente na forma e nos títulos importantes dos Ches abriram brechas para outros postulantes, como o Villarreal (semifinalista da Champions 2004/05 e vice-campeão espanhol em 2007/08) e o Sevilla (bicampeão da Copa UEFA em 2005/06 e 2006/07). Enquanto isso, o tradicional Atlético de Madrid tentava ressurgir das cinzas para fazer parte novamente do pelotão de frente da Espanha. Castigado com o descenso em 1999/00 – combalidos pela formação de elencos medícores e a crise após a comprovação de atos de corrupção de seu presidente à época, Jesús Gil y Gil, o qual comandou o Atletí por 16 anos – o clube demoraria duas temporadas para se recuperar do Infierno, que é como os torcedores definem esse tempo de ostracismo do clube no futebol espanhol.

De volta à elite, o clube sempre sonhou pela volta ao protagonismo de La Liga – a qual conquistou pela última vez em 1995/96 – já que é o terceiro maior campeão, com nove ligas. Mas esbarrava na formação de elencos medíocres ou de times que deixavam a desejar, apesar de terem algum potencial. Prova disso é que mesmo com seu maior ídolo da história recente em campo - o avante Fernando Torres – não conseguiu fazer o time progredir após o seu retorno à 1ª divisão. E na temporada passada, El Niño bateu asas em direção às libras esterlinas do futebol inglês, onde o Liverpool pagou uma fortuna para levá-lo. Coincidentemente, foi quando a equipe colchonera deu sinais de crescimento. Liderados pelo regular Maxi Rodríguez e bem comandados pelo técnico mexicano Javier Aguirre, o Atletí conseguiu chegar longe: está na vitrine européia, com a conquista da vaga para a Champions 2008/09 em virtude da quarta colocação na última liga local. O grande destaque deste retorno ao maior campeonato de clubes do mundo teve um expoente: Sérgio “Kun” Agüero, a maior jóia argentina após o surgimento de Lionel Messi. Formando ataque infernal com outro goleador, Diego Forlán, o prodígio argentino contribuiu com 20 gols na última liga, enquanto seu parceiro uruguaio anotou 16 tentos.

No entanto, pairava uma dúvida. Seria o Atlético capaz de passar por prova tão difícil na classificatória da Champions, diante do bom time do Schalke 04? Não morreria na praia mais uma vez e deixaria pairar no ar mais uma temporada como mero coadjuvante? Ao que parece, não. As boas contratações colchoneras, como a aquisição dos zagueiros Ujfalusi e Heitinga; a vinda do volante brasileiro Paulo Assunção e do promissor meia Banega; a contratação dos franceses Coupet e de Sinama-Pongolle, revelação da última liga pelo modesto Recreativo Huelva, ao marcar dez gols – mostram que, se o elenco do Atlético não é o mais forte tecnicamente, talvez seja um dos mais equilibrados e versáteis do certame espanhol. As vitórias sonoras sobre Schalke e PSV pela Champions, além do bom futebol mostrado no começo de La Liga (apesar do vacilo contra o Valladolid) mostram que a equipe dará trabalho e, no mínimo, corre por fora na disputa do título espanhol, além de prometer boa figura na Champions League. Os oito gols na Champions somados aos nove na Liga Espanhola (17GP e 2GC em 6J) mostram que o time pode peitar os grandes de frente.

A zaga é versátil, com a utilização do grego Seitaridis ou do colombiano Perea pela direita e os avanços incisivos de Pernía pela ala esquerda. Além da boa colocação e técnica do tcheco Ujfalusi, o holandês Heitinga também pode atuar tanto na zaga, quanto na lateral, assim como Perea. O meio-campo é recheado de opções. Tanto as defensivas - como Paulo Assunção, Raúl Garcia e Banega - quanto as mais ofensivas - com Maniche, Maxi Rodrigues, Simão e Luís Garcia – dão a Aguirre um leque de opções para montar o time. Além da versatilidade e o poder de transição já destacadas, a dupla Agüero-Forlán é poderosa, com a opção do jovem Pongolle sempre na manga, sem perder a qualidade e a força na frente.

Talvez ainda seja cedo para afirmar uma temporada pretensiosa ao Atlético de Madrid. Mas a equipe colchonera possui, sim, boas condições de quebrar a hegemonia vigente na Espanha. Assim como fez em 1995/96, ano de sua última glória, onde figuravam jogadores como Caminero, Simeone e Kiko.

2 comentários:

Thiago Barretos disse...

Com o Real e o Barça apresentando esse futebolzinho mixo q n convence ngm, n me surpreenderia ao ver o Atleti comendo pelas beiradas conquistando o título. O maior problema é a instabilidade de Simao e Maxi, q nem sempre rendem td o q podem. Msm assim é cedo p/ fazer prognosticos

gerson disse...

o atlético de madrid é uma bagunça administrativa tão grande que custo a acreditar que eles cheguem a algum lugar.