7.12.09

Campeão da superação

De segundo turno impecável, o Flamengo reencontra o mais importante título do páis do fuetbol após 17 anos de jejum.

O título brasileiro conquistado pelo Flamengo premiou a equipe que se superou em campo. O Flamengo não apresentou um futebol plástico, encantador. Mas saiu da adversidade, após a queda de Cuca na 13ª rodada e o posterior período de instabilidade de Andrade, quando este ainda parecia apenas um interino dirigindo a equipe. Já com Andrade no comando, o Flamengo fechou o primeiro turno do Brasileirão na metade da tabela com 29 pontos, tendo anotado 27 gols e sofrido 29. Terminou o campeonato como a segunda melhor campanha do segundo turno, com 38 pontos e apenas três derrotas, com 31 gols pró e 15 contra, mostrando que uma das chaves para a arrancada rubro-negra foi o acerto da defesa, composta na maioria dos jogos do returno por Álvaro e Ronaldo Angelim.

O Flamengo ainda está longe de ser um clube organizado administrativamente, como já é de praxe nos últimos anos. Mas acertou – direta ou indiretamente – na manutenção de Andrade, na recuperação de Adriano e Petkovic ao futebol brasileiro. O Imperador, que havia perdido a alegria de jogar, era um caso menos emblemático e mesmo com as supostas regalias, seu retorno em alto nível era questão de tempo. Já Pet veio prioritariamente para amortizar dívidas do passado entre ele e o clube da Gávea. De passagem apagada pelos últimos clubes que havia defendido, o veterano meia ditou o ritmo da recuperação da equipe, fazendo com que a esmagadora maioria da mídia esportiva queimasse a língua, assim como ocorreu no caso do Fluminense, dado como morto e que emplacou uma recuperação fantástica no Brasileirão. Nos dois casos, este escriba também fez coro com a maioria da opinião pública.

Com isso, o Flamengo e os outros três postulantes ao título proporcionaram o Brasileiro mais disputado da era dos pontos corridos. Com o coração e apostando principalmente em suas raízes, - já que resgatou em Andrade, Pet e Adriano a força para vencer as adversidades -, o Flamengo ganhou o hexa com o coração e na superação, passando a dividir com o São Paulo a hegemonia de maior campeão brasileiro da história. A coesão do grupo e a vontade que faltaram ao Palmeiras – maior decepção deste segundo turno – sobraram ao Flamengo. E na reta final, isso fez toda a diferença para o título, que no fim, foi benéfico ao futebol nacional, já que quebrou a hegemonia paulista, estado vencedor dos últimos cinco campeonatos nacionais até então. De quebra, a Libertadores 2010 promete ser a mais democrática para os brasileiros, já que aos principais centros do futebol nacional estarão representados na mais importante competição continental – Corinthians e São Paulo (São Paulo), Flamengo (Rio de Janeiro), Cruzeiro (Minas Gerais) e Inter (Rio Grande do Sul).

Peças-chave para o hexa:

Adriano – Dividindo a artilharia deste Brasileirão com Diego Tardelli, a volta do Imperador foi o grande alento motivador do Flamengo para este Brasileirão. O camisa 10 ajudou a encher o Maracanã nos jogos da equipe e viu na volta às origens um incentivo para voltar a jogar um bom futebol. No fim, os “mimos” de Andrade, diretoria e da torcida foram incentivadores para que o atacante fosse o principal responsável pelo título, visto que ele estava ajudando a equipe desde o início, ao contrário de Petkovic, que cresceu na metade decisiva do campeonato. Foram 19 gols em 30 jogos que coroaram a volta por cima do polêmico atacante.

Petkovic – De quase aposentado a principal figura na arrancada do hexa. Esse é o retrato do meia sérvio, que atuou em 23 partidas, marcou oito gols e deu cinco assitências. Com o sérvio em campo, o Flamengo perdeu apenas uma partida – por 3-2 contra o Goiás na 17ª rodada, quando ainda não era titular absoluto. As venenosas bolas paradas, melhora na armação das jogadas e o retorno da antiga identificação com o clube deram o tom para o veterano de 37 anos.

Andrade – Ídolo como jogador, Andrade sempre quebrava um galho nos momentos de turbulência no comando técnico da equipe – que não foram poucos nos últimos anos. Porém, o técnico nunca havia conseguido emplacar uma boa sequência para se firmar. Íntimo da Gávea, abrigou as voltas de Adriano e Pet e apaziguou os ânimos acirrados de jogadores como os laterais Léo Moura e Juan e o atacante Zé Roberto, indispostos com a torcida. Com isso, a equipe cresceu na hora certa e o treinador fez história como o primeiro técnico negro campeão brasileiro.

Reforços pontuais e “voltas” – As vindas do volante Maldonado – que acabou machucado na reta final – e do zagueiro Álvaro melhoraram sensivelmente a defesa. No segundo turno, o Fla sofreu menos de um gol por partida (0,79 gols sofridos por jogo), contra a campanha irregular do primeiro turno (1,47 gols sofridos por partida). Além deles, Juan e Léo Moura tiveram sensível melhora no momento de crescimento da equipe, assim como o também desacreditado Zé Roberto, que de quase dispensado, teve sua importância como parceiro de Adriano no ataque rubro-negro.

5 comentários:

Alvaro Prestes disse...

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Felipe Brisolla disse...

O Flamengo realmente venceu porque soube decidir, ao contrário do outros. Fora os vacilos contra o Barueri e Goiás, a campanha no segundo turno foi absolutamente digna de um campeão...

Vinicius Grissi disse...

Um belíssimo e merecidíssimo título.

Só não concordo com você no "não apresentou um futebol plástico". Entre os times do Brasileirão, foi o que jogou o mais belo futebol. E fez partidas memoráveis na competição.

Claro, tem seus defeitos, como todos os outros tem.

André Augusto disse...

Caro Grissi,

Mesmo com a arrancada dos últimos jogos, achei que o Flamengo foi deveras eficiente, mas não chegou a "jogar bonito", como o Fluminense, por exemplo. Mas isso acaba sendo detalhe diante da boa campanha e do merecido título.

Abs

Vinícius Franco disse...

Também não acho que o futebol do Flamengo foi plástico, lindo. Mas foi bom, e o melhor entre os times da ponta.
Merecidíssimo campeão.