1.10.09

Problema crônico

A derrota para o Zürich em pleno San Siro pelo placar mínimo deixou o Milan em alerta vermelho para uma possível e precoce eliminação na fase de grupos da Champions, já que nos próximos dois jogos, a equipe rossoneri enfrenta um Real Madrid estelar e em pleno processo de crescimento e entrosamento. A situação só não é mais caótica no torneio europeu porque o seu real concorrente direto, o Marseille, perdeu suas duas partidas, enquanto o Zürich – mesmo com a vitória sobre o Milan – é frágil demais para oferecer perigo aos postulantes à vaga no mata-mata. No campeonato italiano, amarga a 11º posição, a sete pontos da surpreendente líder Sampdoria, com 15 pontos.

O lobby pela saída de Leonardo do comando rossoneri aumenta na imprensa italiana, que vê especulações sobre o nome do holandês Marco Van Basten, ex-ídolo da equipe nos anos 90. Uma troca de técnico traria mais malefícios do que benefícios a um Milan que tem um problema grave de orfandade a Kaká. Uma troca de treinador e uma posterior continuidade dos péssimos resultados só evidenciaria que o time precisa de material humano para voltar às cabeças do Calcio. Em oito partidas, marcou mais de um gol somente nas vitória diante do Marseille e Siena – ambas por 2-1 nas estréias da equipe na Champions e Italiano, respectivamente -, passando outros cinco jogos em branco no placar. A capacidade de reação da equipe é baixíssima, desmoronando ao sofrer um gol de quem quer que seja. Como foi o caso do Zürich, em que o Milan se lançou com pouca objetividade ao ataque, evidenciado nos dez impedimentos marcados contra a equipe na partida, contra apenas um dos suíços, retrancados.

A política de contenção de gastos efetuada por Berlusconi traz tais efeitos, em um elenco de extremos: há garotos talentosos e veteranos – alguns bons, outros nem tanto - que não conseguirão, por mais que queiram, corresponder sempre. O Milan não tem goleiros e laterais confiáveis, um Pirlo que atua abaixo da média e um Huntelaar que não é nem sombra do goleador de outrora, quando atuava pelo Ajax, antes da transferência ao Real Madrid. Seedorf vem se superando, mas não é tão genial a ponto de quase sempre salvar o time, como fazia Kaká nos áureos tempos. A zaga com Nesta e Thiago Silva tem potencial, mas ainda está se acertando. Pato ainda não rendeu tudo o que se espera dele. Mais do que bom jogadores em algumas posições-chave, falta elenco ao Milan para uma que temporada longa e desgastante seja jogada com o Milan brigando por títulos, como dita a tradição.

Aparentemente, o vice-presidente de futebol Adriano Galliani banca Leonardo no comando do time. "Reconfirmo minha confiança em Leonardo. As coisas não estão indo bem, mesmo um empate teria sido um resultado insatisfatório. Devemos andar para frente", afirmou. Mas nem o futebol europeu - que não tem pensamentos imediatistas como a esmagadora maioria dos cartolas brasileiros – poupará o iniciante Leonardo se os resultados não aparecerem. O técnico, que acertadamente apostou em Ronaldinho – jogador mais bem pago do elenco, com 7,5 milhões de euros por ano. Mas o ex-craque a cada dia parece mais distante de ser um jogador profissional. Mesmo novato, Leonardo não cometeu nenhum erro crasso e tinha a vantagem de já conhecer o elenco, quando atuava na diretoria rossonera. O problema do Milan é mais crônico e de solução não tão simples e imediata a ponto de ser resolvida com uma simples troca de técnico.

3 comentários:

Vinicius Grissi disse...

Leonardo não tem culpa alguma. O elenco é fraco e desgastado. Ou são jovens demais ou velhos demais. Não há equilíbrio. Não há inteligência para fazer as contratações. Uma pena!

Alex Alvarez disse...

Depois de cometer tantos erros, não há como resolver a situação de forma simples.

O desempenho da temporada passada deixou evidente que era preciso renovar o elenco com urgência. O clube não fez isso, e ainda vendeu a maior figura da equipe, da qual dependiam irremediavelmente os (pífios) resultados que o Milan conseguia. Para o substituto dessa peça chave, o clube apostou em um jogador completamente fora de forma e ritmo.

Também era necessário trocar o treinador. Porém, em uma situação complicada é preciso contar com alguém experiente. Contratar Leonardo nesse momento foi um erro, mais um. Tirá-lo agora, além de não solucionar o problema, só agravará a crise, como você bem disse André.

O Milan terá que aguentar a situação como está, e planejar melhor para o próximo ano. Se não contratar com inteligência, vai continuar penando. Realmente, uma pena ver um clube grande como o Milan nessa situação.

gerson disse...

O Milan não soube fazer a transição do grupo vencedor de 2007 para uma nova fase e naufragou. Pra piorar, uma reformulação radical só terá efeitos para a próxima temporada. Essa parece estar perdida.
Abraço