
Para o
Barcelona, um clima inicial de "ressaca", por ter adiado a festa do título espanhol em mais uma rodada, após o gol de empate sofrido nos descontos da partida contra o Villarreal, no Camp Nou. Mas nessa final de Copa do Rey, a oportunidade para iniciar a conquista da "Tríplice Coroa" na temporada 2008/09. Para o
Athletic Bilbao, o jogo do ano. O time, além do tradicionalismo no futebol espanhol, é uma das principais bandeiras do movimento separatista basco e passou por algumas dificuldades financeiras antes do início desta temporada. Por conta disso, teve que estampar um patrocinador na camiseta., imaculada há mais de 110 anos (
conforme já postado aqui no blog). Além disso, o último título de expressão dos
Leones foi conquistado há exatos 25 anos, quando a equipe fez a dobradinha
La Liga – Copa do Rey. Inclusive com a vitória na final daquela Copa sobre o Barcelona de Maradona num jogo de nervos ocorrido no Santiago Bernabéu, com saldo final de 60 feridos após o apito final.
Anúnicio escrito em catalão e basco para boicote do hino espanhol no Mestalla.Mesmo com o Bilbao dando mais importância a final e a grande disparidade técnica entre as equipes, a final teve elementos característicos. Com o Rei Juan Carlos presente no Estádio Mestalla – palco da final – catalães e bascos presentes no estádio formaram um uníssono de vaias quando notada a presença do monarca e na execução do hino espanhol. Rivais que se uniram por uma causa comum: a luta política e ideológica pela separação de regiões autônomas espanholas – neste caso, Catalunha e País Basco. Com enorme repercussão, as vaias aos símbolos espanhóis foram lamentavelmente censuradas pela transmissora do jogo, a estatal TVE. O fato, que acabou por acalorar ainda mais as discussões e aumentar a polêmica envolvida, acabou custando o cargo do diretor de esportes da emissora espanhola, Julián Reyes.

Em campo, um Athletic aplicado e raçudo tentava peitar o técnico Barcelona, time do futebol mais vistoso do mundo no momento. E a surpresa veio com o gol de cabeça de
Toquero, no início do jogo. Mesmo diante de um Atheltic incendiado e com gana de vencer, o Barcelona mostrou sangue frio e logo impôs o seu melhor futebol. E o que prometia ser uma final disputada entre unhas e dentes acabou virando um show
blaugrana. Comandados por Messi e Xavi, impiedosos 4-1 enterraram o sonho dos fanáticos bilbaínos de pôr fim ao incômodo jejum e de empatar com o Barelona como o maior campeão da competição – com a vitória nesta quarta, 25 a 23 para os
blaugranas.

No Bilbao, a certeza do dever cumprido, atestada pela bonita festa de sua torcida no Mestalla. No Barcelona, moral com dois títulos virtualmente conquistados – um empate separa a equipe de Guardiola do título de
La Liga – e faca cerrada entre os dentes para enfrentar o perigoso, equilibrado e competente Manchester United em Roma pela final da
Champions, daqui duas semanas. E na Espanha, mais uma pequena mostra do quanto o futebol se reflete na política e na cultura do país, desde os dolorosos anos da ditadura franquista.
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Un comportamiento indigno, por Juan José Anaut, jornalista do Marca.
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