9.5.09

Brasileirão 2009 - Parte 4

Cruzeiro
Beleza não garante qualidade

A boa campanha na Copa Libertadores e a facilidade demonstrada na conquista do bicampeonato Mineiro serviram para reafirmar o Cruzeiro como um dos melhores e mais entrosados elencos do país. É o clube que apresenta o futebol mais vistoso do país.

Agora, a diretoria concentra todas suas forças para manter seu entrosado elenco, assegurando que nenhum atleta seja levado para a Europa durante a competição. Perder alguém a essa altura, seria fatal aos planos de levantar o título. Tanto que, até agora, o único reforço é o ala-esquerdo Athirson (ex-Portuguesa). E nem deve vir mais ninguém.

Mesmo sem a aprovação total dos cruzeirenses, Adílson Baptista comprova que sua equipe tem muita qualidade tática e técnica. Mais madura, a Raposa confia no poderio ofensivo de Kleber, no talento de Wagner e no dinamismo de Ramires para chegar ao seu 2º título. O segredo? Não repetir 2008 vacilando nos confrontos diretos.

Status: Favorito
Melhor participação: Campeão em 2003
Em 2008: 3º colocado (67 pontos)
Time-base (4-2-2-2): Fábio; Jonathan, Leo Fortunato, Leonardo Silva e Fernandinho (Gérson Magrão); Fabrício e Marquinhos Paraná (Henrique); Ramires e Wagner; Kleber e Thiago Ribeiro (Wellington Paulista). Técnico: Adílson Baptista.
Destaques: Volante de origem, Ramires é o responsável em dar o primeiro combate e ajudar na armação. É o motorzinho da equipe. Kleber chegou ao início do ano e com sua raça e disposição fez a torcida esquecer-se de Guilherme. Só precisa fazer menos faltas.
Olho nele! Prestes a completar 19 anos, Bernardo só foi utilizado no Estadual, graças a contusão de alguns titulares. Voluntarioso e inteligente, atua como volante ou meia.
Gringo da vez: O lateral-esquerdo Sorín, argentino.
Pontos Fortes: Ramires e Kleber podem modificar uma partida; no meio, todos os atletas têm qualidade no passe; Jonathan e Fernandinho são boas opções pelos flancos.
Pontos Fracos: Não encontrou um companheiro para Kleber; a qualidade da zaga é inferior ao resto do time; peca em jogos decisivos contra rivais do mesmo nível.

Atlético Mineiro
Depois da tempestade, vem a bonança?

A campanha do Atlético na temporada não era das piores. Bastou, porém, o time ser goleado duas vezes em menos de uma semana (5 a 0 diante do rival Cruzeiro e 3 a 0 para o Vitória) para a fragilidade da equipe ser evidenciada. A partir daí, tudo mudou...

Após os seguidos vexames, Émerson Leão colocou seu cargo à disposição. No seu lugar, assumiu Celso Roth, técnico que passa por um ótimo momento na carreira. E as mudanças não pararam por aí. Tripodi e Júnior Carioca foram dispensados. Em contrapartida, o rodado volante Jonilson e o experiente goleiro Carini devem chegar.

Aliado a essas modificações, a boa notícia fica por conta de alguns atletas, como Renan Oliveira, Serginho e Marques, que estavam lesionados e devem voltar em breve. Agora, a missão de Roth é passar o equilíbrio emocional que o elenco necessita para que o Galo torne-se mais competitivo. Pinta de favorito? Longe disso. Mero coadjuvante.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: Campeão em 1971
Em 2008: 12º colocado (48 pontos)
Time-base (4-4-2): Juninho; Élder Granja, Marcos, Leandro Almeida e Júnior; Renan, Rafael Miranda (Carlos Alberto) e Fabiano (Márcio Araújo); Renan Oliveira (Lopes); Eder Luís e Diego Tardelli. Técnico: Celso Roth.
Destaques: Artilheiro do Campeonato Mineiro com 16 gols, o talentoso Diego Tardelli passa por uma fase excepcional. Com o retorno do jovem Renan Oliveira na armação da equipe, Tardelli terá uma quantidade de chances ainda maiores para marcar.
Olho nele! Kleber tem apenas 19 anos, mas já atuou no time principal cinco vezes. No melhor “estilo pivô”, sabe usar a boa estatura e cabeceia bem. Destacou-se na base.
Gringo da vez: Não tem
Pontos Fortes: Diego Tardelli tem de ser marcado de perto; possui um meio-campo aguerrido que marca bem; A experiência de Júnior colabora no setor ofensivo do time.
Pontos Fracos: Juninho não passa confiança ao time; sem Renan Oliveira, sente a ausência de um meia criativo; time desequilibrado técnica e psicologicamente.

Goiás
Começar com o pé direito

A conquista de um título estadual com uma campanha quase irretocável, após dois vice-campeonatos consecutivos, deu novo ânimo para o Goiás. Nem mesmo a recente eliminação na Copa do Brasil abalou os planos esmeraldinos para o torneio.

Em 2009, os goianos devem abrir o olho para uma espécie de tabu que atormenta a equipe. Nos últimos anos o Verdão acostumou-se a ter um início muito ruim, tendo que realizar grande recuperação no segundo turno. Para evitar que isso ocorra, trouxe duas contratações: o beque João Paulo (ex-Paraná) e o avante Bruno Meneghel (ex-Resende).

Conhecido por ser um anfitrião “encardido”, o Periquito, com a menor média de gols tomados da temporada, tem na defesa o seu ponto alto. Na frente, as armas do técnico Hélio dos Anjos estão depositadas nos pés do artilheiro Felipe e nos cruzamentos de Vitor e Júlio César. Ainda sente, porém, a lacuna deixada por Paulo Baier na armação.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: 3º colocado em 2005
Em 2008: 8º colocado (53 pontos)
Time-base (3-5-2): Harlei; Leandro Euzébio, Ernando e Rafael Tolói; Vitor, Ramalho, Everton Hora, Eduardo Ramos (Fábio Bahia) e Júlio César (Zé Carlos); Iarley e Felipe. Técnico: Hélio dos Anjos.
Destaques: O ala Vitor destaca-se tanto na marcação quanto na armação. Não à toa é pretendido por vários times do país. Felipe é o principal nome do ataque, mostrando muita mobilidade e oportunismo. Foi o artilheiro do Estadual com 16 gols marcados.
Olho nele! Apesar de ter apenas 18 anos, Rafael Tolói foi titular da Seleção Brasileira campeã do Sul-Americano Sub-20. Com boa estatura, sobe bem em bolas paradas.
Gringo da vez: Não tem.
Pontos Fortes: A defesa tem sofrido poucos gols; o entrosamento da dupla Felipe-Iarley traz perigo aos adversários; Vitor e Júlio César fazem boas jogadas pelos flancos.
Pontos Fracos: Desde a saída de Paulo Baier, não há um meia criativo; o elenco é mediano, não tem peças de reposição; o time tem poucas opções ofensivas.

Vitória
Cavalo paraguaio ou zebra nordestina?

Atual tricampeão baiano, o Vitória consolida cada vez mais o seu domínio no Estado. Além disso, permanece vivo na Copa do Brasil e não seria uma surpresa tão grande se os baianos repetissem a proeza do Sport em 2008, e levassem o caneco para o Nordeste.

Para não repetir a queda de rendimento que fez o Leão despencar na tábua de classificação, o treinador Paulo César Carpeggiani mescla atletas experientes com jovens promessas. Com base nessa política, do Fluminense chegaram o atacante Roger e o meia Leandro Domingues e do São Caetano veio o zagueiro Marco Aurélio.

Com Apodi realizando boas partidas, Bida carregando o piano no meio e Neto Baiano cansando de marcar gols, o Vitória tem uma equipe equilibrada, que não deve sofrer sustos. Sem grandes expectativas e “correndo por fora”, os baianos podem dar muito trabalho aos favoritos, principalmente em seus domínios. O Atlético-MG que o diga.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: Vice-campeão em 1993
Em 2008: 10º colocado (52 pontos)
Time-base (4-3-2-1): Viáfara; Apodi, Victor Ramos (Marco Aurélio), Wallace e Luciano Almeida; Vanderson, Carlos Alberto e Bida; Jackson e Ramon Menezes (Nádson); Neto Baiano. Técnico: Paulo César Carpeggiani.
Destaques: Neto Baiano foi o grande destaque do Campeonato Baiano. Autor de 18 gols, o artilheiro tem muita presença na área. Apodi reencontrou seu melhor futebol com a camisa do clube e tem um grande papel nos contra-ataques.
Olho nele! Com apenas 20 anos, Victor Ramos saiu da base para assumir um lugar na zaga do Leão. Bom cabeceador, fez o gol que abriu a goleada frente ao Atlético-MG.
Gringos da vez: Os colombianos Viáfara (goleiro) e Javier Reina (meia), além do chileno Saavedra (zagueiro).
Pontos Fortes: Neto Baiano vive fase incrível e está marcando muitos gols; Apodi, Bida e Jackson são boas opções no ataque; time rápido com toque de bola envolvente.
Pontos Fracos: A jovem zaga pode vacilar em momentos importantes; os alas atacam bastante e deixam muito espaço; Viáfara é espalhafatoso, não inspira confiança.

Barueri
Um novo São Caetano

Embalado pelo ótimo momento vivido em 2008, o Barueri tinha a pretensão de alcançar as semifinais do Campeonato Paulista. Irregular, o time ficou bem longe de sua meta, na 8ª colocação. Agora, resta saber, se consegue, ao menos, permanecer na elite nacional.

Para não fazer feio em sua estréia, a Abelha, ainda no Estadual, abandonou a idéia de ter 3 treinadores simultâneos e trouxe o experiente Estevam Soares. No elenco, também há novidades: os zagueiros Xandão (ex-Fluminense) e André Luiz (ex-Botafogo) e o lateral Eder (ex-São Paulo e Noroeste) já chegaram. Outros reforços não estão descartados.

Quem sabe assim, a equipe da Grande São Paulo consiga dar mais fluência ao seu jogo, dependendo menos do atacante Pedrão, artilheiro do Paulista com 16 gols. Somente assim, a mescla entre bons valores desconhecidos (como Ralf e Thiago Humberto) e nomes experientes (como Basílio) pode fazer com que o time não volte para a Série B.

Status: Zona do Rebaixamento
Melhor participação: Estreante
Em 2008: 4º colocado na Série B (63 pontos)
Time-base (4-3-1-2): Renê; Marcos Pimentel, André Luiz, Leandro Castán (Daniel Marques) e Márcio Careca; Ralf, Ewerton e Xuxa (Flavinho); Thiago Humberto; Fernandinho (Basílio) e Pedrão. Técnico: Estevam Soares.
Destaques: Na maioria das vezes em que foi exigido Renê mostrou muita frieza e soube defender como poucos a meta do clube do interior do Estado. O atacante Pedrão não é tão constante, mas seu bom posicionamento faz com que anote muitos tentos.
Olho nele! Jovem meia argentino contratado pelo Corinthians junto ao Rosário Central, Emiliano Vecchio foi emprestado ao Barueri até o fim da temporada. Pode estourar.
Gringo da vez: O meia argentino Emiliano Vecchio.
Pontos Fortes: Renê representa segurança no gol; Pedrão é goleador e precisa ser marcado de perto; Fernandinho e Thiago são velozes chutam bem à meia distância.
Pontos Fracos: Não há alguém decisivo; Pimentel e Careca apresentam problemas de posicionamento e marcação; não mete medo quando joga em seus domínios.

2 comentários:

Esquemas táticos disse...

Essa série é muito boa! Bem completas as análises. Só uma observação: no Cruzeiro, Fernandinho está contundido e só volta no fim do ano. Gérson Magrão é titular no momento. Faço as análises táticas dos times no meu blog. Novos times serão acrescentados nas próximas rodadas. Abraços. http://www.esquemastaticos.blogspot.com/

Persio Presotto disse...

Destes, o Cruzeiro é, sem dúvida, o melhor preparado. Mas tenho, também, esperanças de que o Vitória faça uma boa campanha. Abs, PP