1.3.09

Campeonato local forte, seleção fraca?

Dias atrás, o treinador do campeão mundial Manchester United, Alex Ferguson, disse que os times de ponta da Inglaterra não podem “perder” tempo para lapidar jovens talentos ingleses, quando o mais fácil é comprar jogadores estrangeiros. “Quando você é um clube ‘top-four’, tem que entender que precisa de sucesso imediato. Não pode esperar três ou quatro anos por um jogador, como talvez possa acontecer com clubes que não brigam por títulos todos os anos”, afirmou o escocês para a revista Shortlist. Essa declaracão veio de encontro com a intenção da FIFA de colocar em prática o “6+5”, uma proposta na qual os clubes seriam obrigados a iniciar as suas partidas com pelo menos seis atletas nativos país de origem da equipe. Ferguson, claro, é contra.

Mas enquanto os clubes ingleses dominam o cenário interclubes europeu, o English Team sofre. O maior reflexo disso foi a vexaminosa não classificação para a disputa da fase final da última Eurocopa. Resta saber qual a preferência dos súditos da rainha: se orgulhar de ter a liga nacional mais rica e forte do planeta e, em consequência disso, ver a seleção nacional penar para apresentar um bom futebol, apesar dos bons valores que possui.

Ao começar a escrever esse texto, me veio uma ideia: o tetracampeonato mundial da Itália em 2006 e o europeu da Espanha em 2008 teriam alguma relação com a mudança da hegemonia no continente? Acredito que sim. Antes da Inglaterra, os italianos tinham o status de melhor liga do mundo, coisa que a Espanha passou a se orgulhar algum tempo depois. E o que acontecia com suas equipes em Copas e Eurocopas? Um vexame atrás do outro.

Com os milhões de dólares de todo o mundo direcionados para a Premier League, jogadores de todos os cantos passaram a atuar por lá. Com isso, sobrou espaço para que surgissem bons nomes nos times italianos e espanhóis, antes dominados pelos estrangeiros. Os títulos conquistados pelos latinos podem comprovar que a mudança foi benéfica para o escrete nacional. Mais italianos e espanhóis puderam mostrar o seu valor.

Na Inglaterra, nem mesmo os treinadores são ingleses: um italiano dirige a seleção, e entre os clubes ‘top-four’, como disse Ferguson, estão um francês, um holandês, um espanhol e um escocês (Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester, respectivamente). Cinco nacionalidades diferentes para cinco equipes, e nenhum deles inglês! Os quatro times citados tem mais estrangeiros do que ingleses como titulares. Ou seja: não há treinadores nem jogadores com o pensamento na seleção. Como disse Ferguson, o que importa são os títulos e o dinheiro. Como esperar bons resultados do English Team?

8 comentários:

Blog do PP disse...

Sempre foi assim! Mas, quer saber? Nunca vi graça no Campeonato inglês. É o Manchester United e só! Nem Liverpool, nem Arsenal... ninguém é páreo! Abraço, PP

Vinicius Grissi disse...

Não acho que uma coisa tem relação direta assim com a outra. A Seleção Inglesa passou por um período de entresafra e agora está começando a se acertar novamente. Virá forte na Copa de 2010, independente de regras da FIFA para sua liga.

Leandro Montianele disse...

Não sou a favor dessa proposta da FIFA. Não sei se podemos afirmar que a principal causa do mau desempenho da seleção inglesa seja a grande quantidade de estrangeiros no clube. Até porque, no papel, a Inglaterra é muito boa, mas não conseguiu mostrar um bom futebol.

Na minha opinião foi apenas falta de comando frente ao English Team.

Depois visite o Na Esfera do Futebol. Estou adicionando seu link no "Eu Recomendo".

Abraços!

André Augusto disse...

Concordo com o amigo do comentário acima. Até pq em relação aos estrangeiros, a Espanha e a Itália agem da mesma forma. É só ver Inter e Real Madrid, por exemplo. No entanto, falamos de campeãs de Copa e Eurocopa.

Faltou melhor comando no time da Inglaterra - que não é ruim - e tem bons valores surgindo, como o Lescott, Walcott e Agbonlahor, por exemplo. Fora o Rooney, já consagrado, mas que ainda é relativamente jovem (23 anos) e é um dos principais atacantes da atualidade.

O Capello tem chances de botar o English Team nos eixos.

Arthur Kleiber disse...

Ralmente os times de ponta de Italia e Espanha tem muitos estrangeiros. Mas eu acho que, nos times menores, esse numero eh bem menor se for comparado com os times ingleses, turbinados financeiramente.
E nao sei nao, os ingleses estao sempre penando pra classificar para Copas e Eurocopas, nao sei se o problema eh apenas no comando...

Maldita Futebol Clube disse...

Pois é , a elite dominante e rica do mundo está no top four e o que eles querem? pão e circo! antigamente os circos rodavam o mundona busca de pessoas extraordinárias para vender seu pão e armar o circo onde desse dinheiro, por isso era mambembe e cigano, hoje o futebol é meio circo, os artistas vão se exibir onde o dinheiro rola, e assim como antigamente os locais são desprezados em troca do que da resultado imediato! Uma pena!Maneiro o blog...linkarei vcs1

frederico disse...

O jornalista Fernando Fontana, repórter da Rede TV, tem um Blog Esportivo onde expõe suas opiniões sobre os mais variados temas ligados ao mundo do futebol. Um texto irreverente sem perder a seriedade. Além do quadro Bola Cheia e Bola Murcha para os destaques da semana.

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http://fernando.fontana.zip.net/

Arthur Kleiber disse...

So pra constar: A Premier League completou na última sexta-feira dez anos sem um time 100% inglês. No dia 27 de fevereiro de 1999, o Aston Villa entrou em campo no Villa Park para enfrentar o Coventry City com 11 jogadores ingleses. E mais, os três jogadores que entraram no decorrer da partida também era ingleses (http://colunistas.ig.com.br/futebolingles/)