Ao destinar cerca de 6% da carga equivalente a 34 mil ingressos do Pacaembu para o clássico alvinegro deste domingo, o Corinthians novamente reabriu uma ferida que ainda doia, anteriormente amenizada pela louvável atitude conjunta entre Corinthians e Palmeiras, na divulgação e promoção feita no dérbi realizado em Presidente Prudente no último dia 08 de março. Uma atitude motivada em grande parte pela intransigência do São Paulo no Estádio do Morumbi, no clássico contra o Corinthians, em fevereiro. Mas que teve início com o próprio Palmeiras, no episódio do gás de pimenta – ainda não esclarecido totalmente – durante as semifinais do Paulistão 2008 na partida disputada no Parque Antártica ao invés do Morumbi. Na minha visão, o estopim para as posteriores atitudes do clube em relação ao próprio Palmeiras e aos outros “co-irmãos” Corinthians e Santos. E que se agravou com o entrave entre São Paulo e FPF, na polêmica da última partida do Brasileirão 2008, envolvendo o árbitro Wagner Tardelli, o presidente da FPF Marco Pólo Del Nero e o São Paulo.
Acontece que o tão falado "Estatuto do Torcedor" (na íntegra aqui) não tem nada em seus artigos especificando a cota que deve ser destinada aos visitantes. Esclarece que a o organizador do evento – no caso, o mandante da partida – é o responsável por todos os preparativos, desde confecção de ingressos, venda em pelo menos cinco postos de venda diferentes com antecedência de pelo menos 72 horas a partida, além das medidas cabíveis para a segurança do torcedor. Além disso, os preços dos ingressos – respeitando a hierarquia de setores no estádio – deve ser igual para locais e visitantes. O Santos sempre destinou cerca de 10% de entradas para clássicos disputados na Vila Belmiro, o Palmeiras recentemente começou a utilizar do mesmo artifício nos no Parque Antártica, o São Paulo no Morumbi e por fim, o Corinthians no Pacaembu. Sucessão de fatos que quebra uma tradição das disputas dos grandes jogos paulistas no Morumbi, por conta de seu porte e capacidade. E cada um dos "brigões" feriu o Estatuto com atitudes distintas nos últimos confrontos entre si.

Responsável - ao menos na teoria - pelas interferências na resolução da polêmica, a FPF lava as mãos, já que o presidente Marco Polo Del Nero se preocupa mais em reverter a suspensão de 90 dias imposta pelo STJD a ele por conta dos desdobramentos do “Caso Tardelli”. No Brasileirão, a CBF deve seguir o mesmo caminho da neutralidade. Enquanto isso, dirigentes dos clubes continuam batendo boca pela imprensa e causando polêmicas, o que se reflete diretamente nas arquibancadas. Se os próprios dirigentes não chegam a um denominador comum, porque o torcedor o faria? As declarações – indiretamente – soam como desculpas para o aumento dos confrontos entre torcedores rivais. As consequências, todos nós conhecemos.

Um comentário:
Briguinha desnecessária. Está na hora dos clubes andarem de mãos dadas, para melhorar a situação.
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