17.3.09

Fórmula da insanidade: o que vale é vencer e só!

Max Mosley, presidente da FIA, e responsável pelo "engenhoso" regulamento

Na manhã desta terça-feira, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou mudanças drásticas no sistema de disputa da Fórmula 1. Após alterações radicais na parte técnica, que visam maior competitividade e menos corridas modorrentas, os dirigentes apelaram e lançaram a seguinte regra: o campeão da temporada será o piloto que acumular mais vitórias, os pontos servirão apenas para critério de desempate. Com o fim da era Schumacher uma alteração no regulamento via-se necessária com a volta da valorização aos vitoriosos. No entanto, os cartolas perderam a mão e extrapolaram. Poderiam ter resolvido a pendenga aumentando a vantagem de pontos entre os primeiros colocados.

A medida não desagradou apenas os torcedores, mas pilotos, equipes, patrocinadores e grande parte da imprensa especializada. Após o anúncio, que não é retroativo, pipocaram hipóteses de possíveis campeões e grandes alterações no quadro de vencedores. Um dele foi o seguinte: Felipe Massa teria sido campeão em 2008, já que terminou o ano com seis vitórias contra cinco de Hamilton. Diante disso lanço uma pergunta: teriam os dirigentes coragem de punir o inglês naquela fatídica corrida da Bélgica, no qual Lewis venceu nas pistas cortando uma chicane e perdeu no tapetão, dando a vitória ao brasileiro? Aos que apóiam as novas regras com o argumento que Hamilton lutaria pela vitória no Brasil, não se contentando apenas com o quinto lugar, lanço outra: a última corrida da temporada teria sido uma das mais emocionantes, senão a mais da história, caso existisse essa regra? Certamente não, pois as Ferraris nadariam de braçada devido a adaptação do equipamento e logo na vigésima volta “saberíamos” quem seria o campeão. Porém, essas divagações são irrelevantes, vamos as previsões do que pode e deve acontecer nesta temporada.

A Fórmula 1 é uma categoria desigual, no qual não permite muitos vencedores. Os circuitos tem características específicas que dão vantagem a X ou Y escuderia, assim, em determinadas pistas no qual a vitória é praticamente impossível, melhor é abandonar a prova e poupar o equipamento para a próxima, por exemplo.

Outro ponto a ser destacada é o fim da importância de dois pilotos competitivos na mesma equipe. Eles dividiriam as vitórias, competiriam entre si, o que é uma tremenda desvantagem para ela. Vamos pensar: Kimi Raikkonen vence as duas primeiras, Hamilton as duas seguintes e Massa, apesar de ter brigado insistentemente pela vitória, termina em segundo nas mesma corridas, ficando com 32 pontos. O que importa? Absolutamente nada. Quem a Ferrari vai privilegiar, numa medida extremamente correta por sinal, o brasileiro que tem mais pontos ou o finlandês que tem duas vitórias? As chances de Massa tornar-se segundo piloto já na quinta corrida do ano são imensas e óbvias. No programa Limite, da ESPN, o jornalista Flávio Gomes citou um internauta do seu blog que deu uma opinião acertada, dizendo que daqui em diante o que torna-se importante são duplas de equipe no estilo: Lewis Hamilton + Otávio Mesquita ao invés de Felipe Massa + Kimi Raikkonen. É o fim da regularidade, voto para a roleta russa. Com isso, Barrichello pode ser campeão do mundo, isso mesmo campeão do mundo. A Brawn GP tem verba para correr apenas as quatro primeiras etapas. Vamos supor que Rubens – ok vai, vamos usar como exemplo o Button - vença as quatro primeiras provas e a escuderia não tenha verba para continuar no circo da Fórmula 1, fechando as portas. Nas corridas restantes as vitórias são divididas entre os pilotos de Ferrari, Mclaren e uma ou outra vitória, no acaso, para a BMW e a Toro Rosso. Seria justo umA equipe que completou apenas quatro provas seja campeã? Seria correto, honesto?

Os que apostam que a nova Fórmula trará mais competitividade, ultrapassagens, utilizo o seguinte argumento. As ultrapassagens, as disputas, se virem nessa temporada, serão devido as alterações técnicas e aerodinâmicas e não por essa estupidez da FIA. Os carros não ultrapassavam por mera aerodinâmica e não por falta de “culhão” – me perdoem o termo - dos pilotos.

Enfim, ficou claro que este blogueiro detestou a idéia, achando-a estapafúrdia e maluca, premiando a roleta russa em inúmeros casos. E vocês internautas, o que pensam a respeito?

3 comentários:

Cyntia Bravo disse...

Nada me irrita mais do que o Corinthians querendo cobrar "couver" dos outros times que forem seus adversários em jogos que o Ronaldo Gorducho estiver escalado. Depois disso, tudo aceito! xD

André Augusto disse...

Uma fórmula digna dos mirabolantes campeonatos estaduais e regionais do futebol no Brasil até pouco tempo atrás. Não é justa e bem menos emocionante. Uma lástima!

Arthur Kleiber disse...

ridiculo!