17.12.08

2008: o ano que os cariocas devem esquecer

Decididamente, 2008 vai embora sem deixar saudades no futebol carioca. Grandes expectativas foram devidamente enterradas por imediatismo, euforia, mau planejamento e alguns dirigentes fanfarrões dando a sua contribuição no momento em que o futebol carioca esteve sob os holofotes, mas que não fez bom uso deles para trazer o futebol do estado de volta às grandes conquistas.

O Botafogo tinha muitas expectativas de algum título este ano. Não tinha um time maravilhoso, mas Cuca vinha desenvolvendo bom trabalho na equipe de General Severiano. Um time operário, que fez um primeiro semestre bom e que poderia ter sido ainda melhor, ao bater na trave na disputa do título carioca (muito contestada nos jogos contra o Flamengo) e ao esbarrar diante de um empolgado Corinthians nas semi-finais da Copa do Brasil, onde o alvinegro carioca podia ter perfeitamente alcançado a final e ter faturado o título. Porém, poucos reforços podaram o Botafogo de disputar uma vaga na Libertadores no segundo semestre, no qual a equipe se viu rodeado em polêmicas – como as de André Luis e Carlos Alberto – e o fantasma dos salários atrasados. A eleição de Maurício Assumpção não anima os botafoguenses, pois o novo presidente terá de montar praticamente um time inteiro, já que a equipe perdeu boa parte de sua base como Lúcio Flávio, Jorge Henrique, Túlio e Wellington Paulista. Sem dinheiro, o Botafogo parece seguir o caminho com jogadores baratos, rodados mesclado aos garotos das categorias de base.

Depois de um excelente 2007 – título da Copa do Brasil e boa campanha no Brasileiro – o Fluminense montou um bom time para 2008. A excelente campanha da Libertadores não escondeu a frustração de um time que almejava a América, objetivo que ficou tão perto. O sonho de conquistar a Europa se transformou no pesadelo de se manter na elite brasileira, na qual só se garantiu na penúltima rodada do Brasileirão. A boca grande de Renato Gaúcho e a aposta fora de hora em Cuca deixaram o time das Laranjeiras em má situação, posteriormente “consertada” por René Simões. O ano de 2009 parece mais promissor ao Flu, pois o time conta com o bom patrocínio da Unimed. Com Conca quase garantido, o time terá de melhorar seu elenco, começando pela sentida perda de Washington e Júnior César, acertados com o São Paulo.

O Vasco simplesmente atravessou o ano mais triste e catastrófico de sua história. De semi-finalista da Copa do Brasil, a equipe passou como grande protagonista da parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro. O elenco medíocre levou o time à Segundona, mas o time da Colina tem o alento de ter se livrado do nefasto Eurico Miranda. Porém, Dinamite terá árduo trabalho pela frente ao montar um elenco inteiro para disputa da Série B. Mas mostrou tato ao trazer Dorival Júnior para reconstruir o Vasco.

Mesmo com a queda do Vasco, este ano teve um capítulo destinado ao Flamengo. A grande arrancada de 2007 não se seguiu em 2008. A conquista do Carioca trouxe grande exagerada euforia por parte da torcida flamenguista, apoiada por ações declarações infelizes da diretoria. A “festa” fora de hora custou a Libertadores ao Flamengo na fatídica derrota frente ao América do México e a vaga na Libertadores 2009, como nos episódios da saída de Joel e da preparação para a “festa do hexa”, capitaneadas pelos cartolas Kleber Leite e Márcio Braga, acabaram por deixar o bom elenco do Flamengo desestabilizado.

Aliás, as declarações dos dirigentes cariocas foram um capítulo à parte em 2008. O “chororô” botafoguense apesar de ter as suas razões, beirou ao ridículo. As brigas de Eurico, vendo seu reinado no Vasco acabar, também não foram de grande valia ao time. Roberto Horcades, presidente do Flu, e Celso Barros, da Unimed, também mostraram falta de tato, nas declarações acerca do trabalho de Renê Simões à frente do futebol feminino e da saída de Washington para o São Paulo, respectivamente. “Ele tem um problema sério de saúde. Fez gols em quase todos os jogos, mas errou alguns pênaltis, né? É um jogador que vai fazer 34 anos em 2009. Quem sabe precisamos de um atacante mais rápido. Ele ficava fixo na área”, afirmou Barros ao Globoesporte.com. Já Kleber Leite chutou o balde no programa Arena Sportv. Criticou a transferência de Ronaldo ao Corinthians, a saída de Joel Santana e vociferou um monte de bobagens sobre “conspirações” de pessoas infiltradas no time da Gávea com o intuito de desestabilizar a equipe: “Estamos vivendo um mar de inconseqüências. Um bando de desocupados que não têm o que fazer e ficam trepados no computador bombardeando pessoas íntegras com baixarias e ameaças. A situação política é realmente complicada”, bradou o dirigente.

O futebol carioca é capaz de se planejar e voltar aos bons resultados, como já foi provado. Mas os dirigentes deveriam usar o estilo “mineirinho” na hora de trabalhar nos bastidores. Ou tais declarações podem acabar voltando para o próprio mal das equipes, desestabilizando-as. Como ficou mais do que provado em 2008.

7 comentários:

Arthur Virgílio disse...

O Vasco era nítido que ia cair, pois o time é fraco demais. O Fluminense priorizou compeiçõe. No Flamengo Caio Júnior perdeu jogos chaves e o Botafogo continua no nada,nada e morrre na praia.

Breiller disse...

Fato, André! Um ano pra se esquecer.

Mas é bom ressaltar que o ano, pelo menos para o Fluminense, não foi tão ruim assim. Voltou à Libertadores após anos, fez uma ótima competição, resgatou a auto-estima da torcida tricolor e, no fim do ano, conseguiu se livrar do rebaixamento.

Também pudera, né? Com um baque depois daquela perda sofrida na final da Libertadores, era normal que o time passasse por um período de turbulência.

Agora, com a saída do Branco e dos principais nomes do time, se bobear, o Fluminense pode regredir e jogar por terra todo o trabalho realizado em 2008.

Erick Amirat disse...

Se não houver um grande mudança administrativa e principalmente de mentalidade profissional no futebol carioca, o ano de 2009 tende a ser ainda pior...

Anônimo disse...

blá-blá-blá. Não que o futebol carioca seja exemplo de organização, mas tirando o SPFC, que cargas d'água os clubes de São Paulo ganharam este ano - ou melhor, tirando o SPFC, o que os clubes Paulistas ganharam nos últimos anos? Tirando a vaga para a Libertadores conquistada pelo Palmeiras graças à incompetência rubro-negra, acho que nessa guerra entre os dois estados, não teriam grandes vitoriosos. Apenas o SPFC, é claro. Mesmo se ficarmos no "se" - já que "se" não vale nada -: se Botafogo e Vasco fizessem a final da Copa do Brasil (ambos estiverem muito próximos, vale lembrar, saíram por detalhes), se o Fluminense tivesse melhor sorte na final da Libertadores (aliás, foi a melhor campanha nos últimos 20 anos de um clube nessa competição) e se o Flamengo não desse tanto mole e conseguisse a vaguinha na Libertadores pela terceira vez seguida, teríamos nós tantos textos divagando sobre "organização", "hegemonia" e blá-blá-blá? Numa boa, essa questão de "temporada para esquecer" é mais uma balela alimentada pela mídia e repetida por aí.

André Augusto disse...

Anônimo, apesar de não concordar, acho seus argumentos plausíveis. Pena que quando normalmente as coisas são contra, muito das pessoas não se identificam. Aí não tem diálogo. Quando vc se identificar, a gente discute, ok?

Felipe Brisolla disse...

Apesar de ser contra postagens anonimas, concordo com o "Garparzinho". Não acho que os paulistas estão muito acima dos cariocas... Até acho que os times do Rio de Janeiro melhoraram...

Só que eles não tem um São Paulo para fortalecer essa tese e, este ano, o Vasco foi para o saco... Só isso...

André Augusto disse...

Notem que em NENHUM momento eu comparei times cariocas e paulistas. Falei só dos Cariocas.

Botafogo: podia ter ganho a Copa do Brasil, só foi figurante no BR e teve o time desmontado
Vasco: caiu, isso já basta
Flamengo: QUASE classificou num jogo ganho, QUASE se classificpu pra edição 2009, só um título carioca.
Flu: em tese, o melhor carioca, pois um vice continental é difícil. Mas considerando que dava pra ter ganho o título e depois a pífia campanha do Brasileirão, não foi um ano bom.

É isso