
Felipão, apesar de não ter conquistado nenhum título de expressão com a Seleção lusitana, chega com a moral de ter dado um “upgrade” do status de Portugal, em relação a sua representatividade no mundo das esquadras nacionais. De uma campanha vexatória na Copa de 2002 – onde Portugal conseguiu a façanha de não se classificar em um grupo de Coréia do Sul, EUA e Polônia -, Felipão levou a equipe ao vice-campeonato europeu (que apesar de decepcionante, não deixou de mostrar a subida de nível da equipe) e a um quarto lugar na Copa de 2006.

A consolidação de uma nova base, formada por jogadores da Euro, mais os emergentes atletas que estavam surgindo no futebol português, como Tiago, Hugo Viana e Cristiano Ronaldo levaram Portugal a sonhar com uma final de Copa, após ter eliminado seleções do porte de Inglaterra e Holanda. Mesmo assim, o quarto lugar elevou Felipão ao status de herói nacional na terrinha. Cinco anos e meio depois, após outra frustrante derrota frente a Alemanha, Felipão ruma ao Chelsea depois de ter recusado anteriormente uma proposta de dirigir a própria Seleção inglesa. Os Blues apostam no seu estilo agregador e disciplinador para fazer com que o ego do elenco do time londrino não extrapole, para que finalmente o milionário Chelsea alcance o tão sonhado status de campeão europeu. E com as contratações certas, "Big Phil" pode atingir a mais esse objetivo na sua já vitoriosa carreira. Scolari caminha a passos largos para se consagrar como o melhor e mais vitorioso técnico brasileiro da história, na minha opinião.

Auxiliar de grandes nomes do cenário europeu, como Bobby Robson e Louis Van Gaal, Mourinho passou por Benfica e União Leiria, antes de brilhar no Porto, onde se consagrou. Suas maiores virtudes são a visão de jogo e a inteligência, que incrementados aos milhares de euros de Moratti e ao calor dos tiffosi interistas têm tudo para dar uma boa química.
Apesar do estilo turrão que a mídia passa, Mourinho me surpreendeu no bate-papo do pré-jogo entre Brasil e Argentina na última quarta. Mostrando-se sóbrio, ponderado e com colocações inteligentes, o português estava no Mineirão observando alguns de seus futuros comandados – Júlio César, Maicon, Adriano, Zanetti, Burdisso e Julio Cruz – e fez observações interessantes não só acerca dos seus futuros comandados, mas sobre o futebol europeu e brasileiro. Também disse que seu estilo explosivo só acontece dentro do campo de jogo, quando a adrenalina sobe.
Mas a sua personalidade forte é inconfundível e já deu as caras na Inter, ao afirmar categoricamente ao diário luso Record: "Eu trabalho, eu escolho, eu treino. Todas as decisões são minhas. Eu é que mando aqui". Além da briga pelos títulos italiano e europeu, Mourinho busca um número para incrementar o currículo: está a apenas dois jogos de completar 100 partidas sem perder jogos em casa nas equipes que comandou (50 pelo Chelsea e 38 pelo Porto).
Sem dúvida, um grande desafio na carreira de ambos. E pode ser um recomeço, no caso de Mourinho, que saiu desgastado do Chelsea. Ou a afirmação do estilo Felipão, de tanto sucesso no Brasil e em Portugal.
Um comentário:
Felipão sai vitorioso, mesmo sem ter dado um grande título à seleção portuguesa. Ele aumentou o nível do futebol português, além de ter trazido mais profissionalismo. Não foi a toa que os portugueses ficaram tristes com a sua decisão de ir pro Chelsea. Abraços.
Postar um comentário