23.3.10

Depois de Diós, o Messias?

Imprensa do planeta bola exalta "partida maradoniana" de Messi. (Fotomontagem: Globoesporte.com)

“Já não tenho mais adjetivos para Messi”. A frase proferida pelo técnico do Barcelona, Pep Guardiola, parece resumir com mais exatidão os adjetivos para tentar explicar o brilhante futebol que o argentino vem mostrando no Barcelona, em um mar de declarações que vão da grande admiração ao êxtase irracional – como o presidente do Barcelona, Joan Laporta, que afirmou que o atual camisa 10 do time catalão é o maior de todos os tempos. Nos últimos seis jogos (incluindo um amistoso da Argentina), 11 gols. Três hat-tricks somente nos três primeiros meses de 2010.

O craque argentino vai pavimentando sua história no futebol mundial. Já é mais importante do que Ronaldinho na história do Barça, que com a mesma magia da camisa 10, teve menos tempo de auge futebolístico que Messi (como mostra levantamento de Dassler Marques para o Terra). As comparações com Diego Maradona acabam sendo inevitáveis. Se Messi efetivamente alcançar El Pibe no futebol, teremos um “Maradona com cérebro”: ou seja, um Messi jogando em alto nível, por muito mais tempo, sem as confusões que marcaram a carreira de Dieguito.

Após o show contra o Zaragoza e com o Barcelona caminhando para dominar a Europa mais uma vez, o maior desafio de Messi em 2010 será erguer a Argentina do ostracismo futebolístico de 24 anos e trazer a taça da Copa para os hermanos. Assim como fez Maradona em 1986, quando levou uma Argentina desacreditada e que se classificou ao Mundial no sufoco a um título de um time composto por um craque e dez operários. As semelhanças, para quem é supersticioso, estão evidentes. Uma Copa capitaneada por atuações desse nível seria o suprassumo do futebol para Messi, que completará 23 anos na África do Sul. Em 1986, Maradona tinha 25. O conservador Billardo, técnico da equipe que deu liberdade para Maradona atuar naquela Copa, é a voz da consciência do agora técnico albiceleste. Depois de Diós, pode estar surgindo um Messias, em um trocadilho infame.

Os 34 gols na temporada (25 em 24 jogos apenas em La Liga) e nove assistências mostram que Messi pode superar a temporada 2008/09, quando foi aclamado como o melhor do mundo numa quase e justa unanimidade. Como disse o jornalista Leonardo Bertozzi após (outro) show de Messi contra o Stuttgart na transmissão da rádio Eldorado/ESPN, na última semana: “Estamos vendo a história sendo escrita”.

Sempre lembramos e exaltamos futebolistas do passado, como Pelé, Garrincha, Maradona, Cruyff, Platini, Puskas, entre outros, que a esmagadora maioria dos amantes do futebol só acompanhou em VTs e relatos – apaixonados e ponderados. Estamos vendo Messi escrever algumas das mais belas páginas do futebol do século XXI, como fez Zidane na reta final de sua carreira, por exemplo. E PVC, no Linha de Passe da ESPN, crava: "Se Messi for mal na Copa do Mundo, pior pra Copa do Mundo". Que está carente de craques, principalmente com o paupérrimo futebol de 2006.

5 comentários:

Azank disse...

Eu eu torço para que Messi consiga fazer uma Copa acima da média!! Por tudo que ele está fazendo pelo Barça, seria magnífico para nós, amantes do futebol, podermos ver uma exibição de alto nível na África do Sul. Caras acima do comum devem ser muito respeitados e valorizados independente da rivalidade nossa com os argentinos. O talento deve sempre prevalecer!!!

Arthur Kleiber disse...

Concordo com o texto do André e faço minhas as palavras acima do Azank.

gerson disse...

Na verdade o futebol, para manter sua magia, precisa de mágicos que destruam em uma Copa do Mundo. Messi sabe que seu nome só ficará realmente eternizado se ele levantar a taça na África. Ele já falou isso. Certamente ele, por ser argentino, tem clara a percepção de que para vencer uma Copa é preciso de um fora de série em campo. Afinal, 86 está presente na memória coletiva. Eu tinha 12 anos na época, e mesmo assim lembro bem do impacto que causou a presença de Maradona naquela Copa. Parecia ser impossível parar aquele gênio. Lembro bem da minha incredulidade e de meu pai quando a Alemanha empatou a final. Parecia algo impossível.
Para o bem do Brasil é importante que Dunga traga o hexa. Mas para a história do futebol é certo que daqui a 30 anos as imagens de Messi correndo em velocidade, com a bola colada no pé, no melhor estilo de um meia atacante argentino, passando marcadores e dando show, teriam muito mais valia.

Débora Bravo disse...

O Messi com certeza fará diferença na Copa. Uma pena eu não ter tv fechada para poder assistir mais vezes esse futebol arte do argentino. Sempre que dá assisto os jogos na Band! ;)

Pedro Leonardo disse...

Sou suspeitíssimo para falar sobre a Argentina, mas essa seleção do 'técnico' Maradona enfrenta uma situação semelhante à do 'jogador' Maradona, quando foi desacreditada ao México, em 1986. Messi jogando o fino, como Maradona em 86. A seleção argentina é, talvez, uma das poucas que podem surpreender, pois não tem esquema tático definido, padrão de jogo, tampouco uma equipe titular mais ou menos definida. Vai ter que apostar tudo no talento, e tomara que surpreenda mesmo. Acho que dá Argentina no final. Passe de Messi e gol d'el loco' Martín Palermo.