17.5.09

Comigo ninguém pode

Alusão a conquista do 17º scudetto da Inter: Comandados por Ibrahimovic, os interistas passearam rumo ao tetracampeonato.

Na reta final das ligas européias, a manutenção da hegemonia deu o tom das comemorações. O tricampeão Manchester United nem fez força para empatar com o jovem Arsenal e fazer a festa, enquanto a Inter comemorou o tetracampeonato ainda na concentração, graças ao tropeço providencial do arqui-rival Milan frente a Udinese no sábado. Tetra como a Inter, o Porto já havia assegurado o caneco na semana passada com duas rodadas de antecedência, na vitória contra o Nacional da Ilha da Madeira. Em três dos seis campeonatos nacionais mais destacados da Europa – o Lyon não tem mais chances de ser octacampeão na França, o Barcelona quebrou a hegemonia do Real Madrid e o Bayern tem que torcer por um tropeço do Wolfsburg, além de vencer o difícil compromisso contra o Stuttgart para ser bicampeão alemão – manutenção da hegemonia, títulos antecipados e conquistados sem maiores problemas.

A Inter passeou durante todo o Calcio e praticamente não foi ameaçada. As irregularidades de equipes concorrentes Milan e Juventus facilitaram a conquista do scudetto, que mais uma vez ameniza a dor de uma péssima jornada de Champions League. Campeão da Champions e do Português pelo Porto e Inglês pelo Chelsea, José Mourinho estreou no Calcio e atestou sua sina de técnico campeão com o título, preservando a base construída por Mancini nas últimas temporadas. Porém, deu chances para o surgimento de bons jogadores pratas-da-casa nerazzurri nesta temporada como o lateral Davide Santon e o bom, porém intempestivo, Mário Balotelli, que se firmou como parceiro de ataque de Ibrahimovic principalmente após a metade da temporada. Temporadas espetaculares de Ibrahimovic – novamente principal jogador do time e vice-artilheiro do Calcio com 22 gols, até aqui – e do goleiro Júlio César, mescladas a regularidade de atletas como Cambiasso, Zanetti, Córdoba e Vieira deram a cara do 17º scudetto interista, o que faz os rivais de Milão empatarem no segundo posto do número de conquistas da Série A, italiana, com 10 conquistas a menos que a Juventus. E o tetracampeonato marca uma hegemonia que não se via em campos italianos desde o pentacampeonato do Torino, conquistado entre 1942 e 1949.

O Manchester United não teve a vida tão fácil quanto a da Inter, sem adversários diretos em 2008/09. Sofrendo com o excesso de jogos – principalmente à época do Mundial de Clubes da FIFA, o qual venceu – os Red Devils não abriam vantagem confrtável, até pelo fato de terem jogos a menos em relação aos rivais Liverpool e Chelsea e terminaram o primeiro turno apenas no terceiro posto. Após uma sequência de 11 vitórias consecutivas e mesmo com jogos a menos, os comandados de Ferguson assumiram a liderança da qual não saíram mais. Liderança essa que foi incomodada na goleada contra o rival direto Liverpool por 4-1 e na derrota na partida posterior por 2-0 frente ao Fulham na 30ª rodada. De lá pra cá, mais uma série de vitórias consecutivas – desta vez, sete – e o título garantido com uma rodada de antecedência no empate sem gols contra o Arsenal. Como a Inter, Alex Ferguson manteve a base vitoriosa da equipe, que contou com a valiosa aquisição de Berbatov, a qual aumentou ainda mais a gama de opções ofensivas da equipe. O surgimento, mesmo tímido, de valores da base como Welbeck, Evans, Rafael da Silva e Macheda mostra que o futuro reserva ao United bons frutos.

Mesmo sem ter emplacado um campeonato brilhante como em 2007/08, Cristiano Ronaldo teve bons momentos e está na briga pela artilharia da Premier League, com 18 tentos. Destaques para a regularidade Van der Sar, a boa zaga Vidic-Ferdinand, o veterano Giggs, as entradas e gols pontuais de Tevez. E superando Ronaldo, Rooney foi o grande diferencial do time nesta temporada. Atacante objetivo e muito dedicado no auxílio à marcação, colaborou com 12 gols, sete assistências e muita regularidade nos jogos. Além da campanha incontestável, o tricampeonato deu ao Manchester United o posto de maior campeão inglês ao lado do Liverpool, com 18 conquistas e o recorde de ser a única equipe a se sagrar duas vezes tricampeã inglesa em toda a história – a primeira foi entre 1999 e 2001. De quebra, Ferguson e Giggs – remanescentes da década de 80 quando o Manchester United amargou um período de 26 anos sem vencer o campeonato inglês, quebrado em 1992/93 - comemoraram seu 11º título nacional.

Coletividade foi a marca do tetracampeonato do Porto. Mesmo não tendo o artilheiro da Liga 2008/09 – até o momento, a marca é de Nenê do Nacional, com 19 tentos – cinco atletas foram responsáveis por marcarem 41 dos 59 gols dos Dragões até aqui: Lisandro López (10), Ernesto Farias (9), Givanildo Hulk e Lucho González (8), além de Cristián Rodríguez (6) mostram que o diferencial do Porto para a conquista foi a versatilidade de sua linha ofensiva. Além da importante participação dos citados, jogadores como o zagueiro Bruno Alves e o operário volante/meia Raúl Meirelles formaram a base campeã, comandadas pelo técnico Jesualdo Ferreira. Apesar de ainda estar distante da hegemonia de títulos benfiquista em Portugal – 31 contra 24 – o Porto ostenta uma impressionante marca de crescimento na Liga lusitana dos últimos anos: a conquista de 11 das últimas 15 edições da Liga.

A hegemonia de Manchester United, Inter e Porto vem recheada de números impressionantes, o que atesta a ampla superioridade em relação aos rivais. Que ainda precisarão abrir bem os olhos para não assistirem tais cenas de festa se repetindo em 2009/10.

16.5.09

Sabatina fenomenal

Na tradicional Sabatina da Folha, Ronaldo ficou por quase duas horas na berlinda diante das perguntas de Juca Kfouri, Clóvis Rossi, Xico Sá e Mônica Bérgamo. E mostrou-se muito seguro de si, consciente nas perguntas relacionadas a diversos assuntos além de futebol e comedido nas questões pessoais, como no episódio com os travestis no Rio ou o polêmico comercial da Brahma, do qual é garoto propaganda há mais de 15 anos.

Questionado por jornalistas de diversas vertentes e com boas perguntas, Ronaldo teve sua postura muito elogiada por Juca Kfouri e Fábio Seixas. Principalmente pela segurança passada aos entrevistadores e ao publico presente na sabatina. E quem conhece a relevância de uma entrevista dessas – comparando com as previsíveis entrevistas globais, por exemplo – sabe que Ronaldo realmente foi questionado francamente sobre os mais variados assuntos, profissionais e particulares.

E dessa sabatina, as partes mais surpreendentes e relevantes foram as declarações do Fenômeno ao presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Apontado à época da eliminação da Copa de 2006 pelo presidente como um dos responsáveis pela eliminação diante da França, o atacante acusou a mudança de comportamento do dirigente no relacionamento entre os dois:
“Até 2006, eu tinha ótimo relacionamento com ele. Depois, acabei sem saber o que fiz para que ele deixasse de gostar de mim. Nós nos encontramos algumas vezes e ele foi frio comigo. Eu não tenho a menor ideia e também não faço questão de ter relacionamento com uma pessoa de duplo caráter. É muito fácil ele estar ali do lado quando ganha. Na hora que perde, é fácil você crucificar essa pessoa”.
Para alguns, a franqueza Ronaldo enterrou uma possível convocação imediata para os próximos jogos do Brasil, válidos pelas Eliminatórias e para a Copa das Confederações, em junho. E sobre a volta à Seleção, mostrou sensatez: “Eu acredito que agora ainda não tenho condição de jogar pela Seleção. Estou procurando o meu melhor condicionamento no Corinthians, estou melhorando a cada dia”. Admitindo pesar 93 kg atualmente, Ronaldo mal aguenta a maratona comum do futebol brasileiro de jogar domingo-quarta-domingo. Apesar da notória evolução técnica, ainda está muito limitado fisicamente.

As críticas a preparação brasileira pré-Copa em Weggis e a mágoa com o tratamento dado a ele por conta do episódio da convulsão antes da final da Copa de 1998 foram abordadas de frente por Ronaldo, que mostrou bom humor por diversos momentos em assuntos sobre corinthianismo, o presidente Lula e Romário, em uma passagem quando ainda era debutante no escrete canarinho, na Copa de 1994. Gosto do jogador que foge das respostas comum, que encaram o repórter olho no olho, como Ronaldo já havia feito à época do seu gol contra o Palmeiras, abordando a muvuca dentro de campo e a desorganização nos festejos pela conquista do Campeonato Paulista, dentro do Pacaembu. E foi franco ao abordar a sua relação com a Rede Globo, falando da “troca” entre ambos e da admiração dele pela emissora. Não se é certa ou errada, mas uma opinião de cunho totalmente pessoal e argumentada com clareza. Causou polêmica ao afirmar que prefere educar seu filho na Europa, o que tornaria Ronald mais "civilizado" do que se fosse criado no Brasil. Questionado por Rossi de ser esse um pensamento de cunho racista, cravou: "A gente tem que pensar nos filhos".

Apesar das muitas escorregadas fora das quatro linhas, no universo do futebol Ronaldo realmente se diferencia e essa sabatina me convenceu ainda mais disso. Mostrou um lado mais detalhista acerca de sua personalidade e a cada resposta, muita segurança, bom humor, jogo de cntura e humildade eram notados, mostrando que Ronaldo sabe se comunicar com clareza. E sabe usar desse artifício a seu favor. A comparação da volta de Adriano ao Flamengo com o ressurgimento do Ronaldo no Corinthians não cabe totalmente. Apesar das circunstâncias semelhantes, as cabeças são diferentes. Os pés no chão quanto a sua condição e importância no futebol, também. Naturalmente, mostrou com muita simplicidade o porquê da condição de grande ídolo do futebol brasileiro e mundial.

Para quem tiver paciência, a Sabatina de Ronaldo na íntegra (vídeo abaixo) ou por assuntos:

14.5.09

Jogo da vida

Para o Barcelona, um clima inicial de "ressaca", por ter adiado a festa do título espanhol em mais uma rodada, após o gol de empate sofrido nos descontos da partida contra o Villarreal, no Camp Nou. Mas nessa final de Copa do Rey, a oportunidade para iniciar a conquista da "Tríplice Coroa" na temporada 2008/09. Para o Athletic Bilbao, o jogo do ano. O time, além do tradicionalismo no futebol espanhol, é uma das principais bandeiras do movimento separatista basco e passou por algumas dificuldades financeiras antes do início desta temporada. Por conta disso, teve que estampar um patrocinador na camiseta., imaculada há mais de 110 anos (conforme já postado aqui no blog). Além disso, o último título de expressão dos Leones foi conquistado há exatos 25 anos, quando a equipe fez a dobradinha La Liga – Copa do Rey. Inclusive com a vitória na final daquela Copa sobre o Barcelona de Maradona num jogo de nervos ocorrido no Santiago Bernabéu, com saldo final de 60 feridos após o apito final.

Anúnicio escrito em catalão e basco para boicote do hino espanhol no Mestalla.

Mesmo com o Bilbao dando mais importância a final e a grande disparidade técnica entre as equipes, a final teve elementos característicos. Com o Rei Juan Carlos presente no Estádio Mestalla – palco da final – catalães e bascos presentes no estádio formaram um uníssono de vaias quando notada a presença do monarca e na execução do hino espanhol. Rivais que se uniram por uma causa comum: a luta política e ideológica pela separação de regiões autônomas espanholas – neste caso, Catalunha e País Basco. Com enorme repercussão, as vaias aos símbolos espanhóis foram lamentavelmente censuradas pela transmissora do jogo, a estatal TVE. O fato, que acabou por acalorar ainda mais as discussões e aumentar a polêmica envolvida, acabou custando o cargo do diretor de esportes da emissora espanhola, Julián Reyes.

Em campo, um Athletic aplicado e raçudo tentava peitar o técnico Barcelona, time do futebol mais vistoso do mundo no momento. E a surpresa veio com o gol de cabeça de Toquero, no início do jogo. Mesmo diante de um Atheltic incendiado e com gana de vencer, o Barcelona mostrou sangue frio e logo impôs o seu melhor futebol. E o que prometia ser uma final disputada entre unhas e dentes acabou virando um show blaugrana. Comandados por Messi e Xavi, impiedosos 4-1 enterraram o sonho dos fanáticos bilbaínos de pôr fim ao incômodo jejum e de empatar com o Barelona como o maior campeão da competição – com a vitória nesta quarta, 25 a 23 para os blaugranas.

No Bilbao, a certeza do dever cumprido, atestada pela bonita festa de sua torcida no Mestalla. No Barcelona, moral com dois títulos virtualmente conquistados – um empate separa a equipe de Guardiola do título de La Liga – e faca cerrada entre os dentes para enfrentar o perigoso, equilibrado e competente Manchester United em Roma pela final da Champions, daqui duas semanas. E na Espanha, mais uma pequena mostra do quanto o futebol se reflete na política e na cultura do país, desde os dolorosos anos da ditadura franquista.

LEIA TAMBÉM:
Uma nação, uma seleção
Muito mais do que vida ou morte, por Dassler Marques, do blog Papo de Craque
Un comportamiento indigno, por Juan José Anaut, jornalista do Marca.

11.5.09

Pobres Millionarios

O inferno astral pelo qual passa o River Plate passa após a conquista do Clausura 2008 parece ter atingido o seu ápice. No Apertura 2009, a equipe terminou a liga com o pior desempenho de sua história em um campeonato local, foi o lanterna entre os 20 participantes daquele certame, com vexatórios 14 pontos em 20 partidas – aproveitamento de pouco mais de 25%. Os Millionarios são não foram rebaixados por conta do Promedio, artifício adotado pelo futebol argentino que estabelece uma média de pontos dos três últimos campeonatos, onde o River acabara com a sexta posição àquela altura. Terminou o campeonato com o técnico interino Gabriel Rodríguez – Diego Simeone já havia pedido demissão após a eliminação da equipe na Copa Sul-Americana – muitos problemas e apenas uma certeza: a aposta no ídolo Nestor Gorosito (comentada neste blog por Erick Amirat), que marcou época como meia do time na década de 80 para comandar uma virada na vida da equipe de Nuñez. Nada melhor do que um “prata-da-casa” para resgatar as raízes vencedoras que sempre caracterizam a equipe.

O resgate ao passado vitorioso não aconteceu só no comando técnico. O meia Marcello Gallardo, em sua terceira passagem pelo clube, também chegou com tal responsabilidade. O retorno de Sambueza – após passagem apagada pelo Flamengo – e a aposta em Cristian “Ogro” Fabbiani para formar dupla de ataque com Falcao Garcia eram as movimentações de maior destaque. Em vão, até aqui. Mesmo com Gallardo se destacando em algumas partidas, o River colecionou outra marca negativa em sua história: foi eliminado na primeira fase da Libertadores em um grupo fraco - com Nacional/URU, Nacional/PAR e Universidad San Martín/PER - após perder para os uruguaios na penúltima rodada, chegando à última rodada sem chances de classificação.

Alvo de piada pelos rivais boquenses – era a quinta eliminação do time na primeira fase da Libertadores, em 29 participações – o River depositou todas as suas esperanças no Clausura 2009. Que ficou mais distante após o empate em casa diante do Lanús por 1-1, já que a vitória do líder Vélez aumentou a diferença em relação ao River – atual quinto colocado – para sete pontos. Longe do título e em quinto no Promedio, a Libertadores 2010 é um sonho cada vez mais distante. Sabendo dessa possibilidade, os torcedores não perdoaram e levaram diversas faixas de protesto neste domingo para a partida contra o Lanús, no Monumental de Nuñez: “A pior equipe da história”, “De três goleiros não fazemos um” e diversas ameaças explícitas a jogadores e dirigentes. Além do clima contra, o River perdeu Gallardo, acometido há algum tempo por uma pubalgia e que decidiu operá-la agora.

A maré anda tão desfavorável que até Diego Maradona - que antes de ser técnico da Argentina, é torcedor fervoroso do Boca – deu declarações solidárias ao time a uma rádio local: “Eu não vi nenhuma mensagem para qualquer dirigente que tenha comprado um jogador nos últimos dez anos. O que aconteceu com as bandeiras é estranho, estou surpreso”, disse El Diez.

Além da ausência de Gallardo, a falta de um nome confiável no gol, evidenciado nas treze partidas da equipe até aqui onde atuaram três goleiros diferentes – Vega (cinco jogos), Ojeda e Barbosa (quatro jogos cada) – e a instabilidade na defesa não dão boas perspectivas aos Millionarios. O homem-gol Fabbiani, sempre brigando contra a balança – fez apenas um gol em dez jogos - e Ariel Ortega foi dispensado do Independiente de Rivadavia, da segunda divisão, e retornou ao River. E o veterano meia de 35 anos pode entrar em campo, mesmo com os problemas com alcoolismo que vem marcando a sua carreira. Ou seja, as perspectivas são as piores possíveis. Pelo menos a curto prazo.

9.5.09

Brasileirão 2009 - Parte 4

Cruzeiro
Beleza não garante qualidade

A boa campanha na Copa Libertadores e a facilidade demonstrada na conquista do bicampeonato Mineiro serviram para reafirmar o Cruzeiro como um dos melhores e mais entrosados elencos do país. É o clube que apresenta o futebol mais vistoso do país.

Agora, a diretoria concentra todas suas forças para manter seu entrosado elenco, assegurando que nenhum atleta seja levado para a Europa durante a competição. Perder alguém a essa altura, seria fatal aos planos de levantar o título. Tanto que, até agora, o único reforço é o ala-esquerdo Athirson (ex-Portuguesa). E nem deve vir mais ninguém.

Mesmo sem a aprovação total dos cruzeirenses, Adílson Baptista comprova que sua equipe tem muita qualidade tática e técnica. Mais madura, a Raposa confia no poderio ofensivo de Kleber, no talento de Wagner e no dinamismo de Ramires para chegar ao seu 2º título. O segredo? Não repetir 2008 vacilando nos confrontos diretos.

Status: Favorito
Melhor participação: Campeão em 2003
Em 2008: 3º colocado (67 pontos)
Time-base (4-2-2-2): Fábio; Jonathan, Leo Fortunato, Leonardo Silva e Fernandinho (Gérson Magrão); Fabrício e Marquinhos Paraná (Henrique); Ramires e Wagner; Kleber e Thiago Ribeiro (Wellington Paulista). Técnico: Adílson Baptista.
Destaques: Volante de origem, Ramires é o responsável em dar o primeiro combate e ajudar na armação. É o motorzinho da equipe. Kleber chegou ao início do ano e com sua raça e disposição fez a torcida esquecer-se de Guilherme. Só precisa fazer menos faltas.
Olho nele! Prestes a completar 19 anos, Bernardo só foi utilizado no Estadual, graças a contusão de alguns titulares. Voluntarioso e inteligente, atua como volante ou meia.
Gringo da vez: O lateral-esquerdo Sorín, argentino.
Pontos Fortes: Ramires e Kleber podem modificar uma partida; no meio, todos os atletas têm qualidade no passe; Jonathan e Fernandinho são boas opções pelos flancos.
Pontos Fracos: Não encontrou um companheiro para Kleber; a qualidade da zaga é inferior ao resto do time; peca em jogos decisivos contra rivais do mesmo nível.

Atlético Mineiro
Depois da tempestade, vem a bonança?

A campanha do Atlético na temporada não era das piores. Bastou, porém, o time ser goleado duas vezes em menos de uma semana (5 a 0 diante do rival Cruzeiro e 3 a 0 para o Vitória) para a fragilidade da equipe ser evidenciada. A partir daí, tudo mudou...

Após os seguidos vexames, Émerson Leão colocou seu cargo à disposição. No seu lugar, assumiu Celso Roth, técnico que passa por um ótimo momento na carreira. E as mudanças não pararam por aí. Tripodi e Júnior Carioca foram dispensados. Em contrapartida, o rodado volante Jonilson e o experiente goleiro Carini devem chegar.

Aliado a essas modificações, a boa notícia fica por conta de alguns atletas, como Renan Oliveira, Serginho e Marques, que estavam lesionados e devem voltar em breve. Agora, a missão de Roth é passar o equilíbrio emocional que o elenco necessita para que o Galo torne-se mais competitivo. Pinta de favorito? Longe disso. Mero coadjuvante.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: Campeão em 1971
Em 2008: 12º colocado (48 pontos)
Time-base (4-4-2): Juninho; Élder Granja, Marcos, Leandro Almeida e Júnior; Renan, Rafael Miranda (Carlos Alberto) e Fabiano (Márcio Araújo); Renan Oliveira (Lopes); Eder Luís e Diego Tardelli. Técnico: Celso Roth.
Destaques: Artilheiro do Campeonato Mineiro com 16 gols, o talentoso Diego Tardelli passa por uma fase excepcional. Com o retorno do jovem Renan Oliveira na armação da equipe, Tardelli terá uma quantidade de chances ainda maiores para marcar.
Olho nele! Kleber tem apenas 19 anos, mas já atuou no time principal cinco vezes. No melhor “estilo pivô”, sabe usar a boa estatura e cabeceia bem. Destacou-se na base.
Gringo da vez: Não tem
Pontos Fortes: Diego Tardelli tem de ser marcado de perto; possui um meio-campo aguerrido que marca bem; A experiência de Júnior colabora no setor ofensivo do time.
Pontos Fracos: Juninho não passa confiança ao time; sem Renan Oliveira, sente a ausência de um meia criativo; time desequilibrado técnica e psicologicamente.

Goiás
Começar com o pé direito

A conquista de um título estadual com uma campanha quase irretocável, após dois vice-campeonatos consecutivos, deu novo ânimo para o Goiás. Nem mesmo a recente eliminação na Copa do Brasil abalou os planos esmeraldinos para o torneio.

Em 2009, os goianos devem abrir o olho para uma espécie de tabu que atormenta a equipe. Nos últimos anos o Verdão acostumou-se a ter um início muito ruim, tendo que realizar grande recuperação no segundo turno. Para evitar que isso ocorra, trouxe duas contratações: o beque João Paulo (ex-Paraná) e o avante Bruno Meneghel (ex-Resende).

Conhecido por ser um anfitrião “encardido”, o Periquito, com a menor média de gols tomados da temporada, tem na defesa o seu ponto alto. Na frente, as armas do técnico Hélio dos Anjos estão depositadas nos pés do artilheiro Felipe e nos cruzamentos de Vitor e Júlio César. Ainda sente, porém, a lacuna deixada por Paulo Baier na armação.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: 3º colocado em 2005
Em 2008: 8º colocado (53 pontos)
Time-base (3-5-2): Harlei; Leandro Euzébio, Ernando e Rafael Tolói; Vitor, Ramalho, Everton Hora, Eduardo Ramos (Fábio Bahia) e Júlio César (Zé Carlos); Iarley e Felipe. Técnico: Hélio dos Anjos.
Destaques: O ala Vitor destaca-se tanto na marcação quanto na armação. Não à toa é pretendido por vários times do país. Felipe é o principal nome do ataque, mostrando muita mobilidade e oportunismo. Foi o artilheiro do Estadual com 16 gols marcados.
Olho nele! Apesar de ter apenas 18 anos, Rafael Tolói foi titular da Seleção Brasileira campeã do Sul-Americano Sub-20. Com boa estatura, sobe bem em bolas paradas.
Gringo da vez: Não tem.
Pontos Fortes: A defesa tem sofrido poucos gols; o entrosamento da dupla Felipe-Iarley traz perigo aos adversários; Vitor e Júlio César fazem boas jogadas pelos flancos.
Pontos Fracos: Desde a saída de Paulo Baier, não há um meia criativo; o elenco é mediano, não tem peças de reposição; o time tem poucas opções ofensivas.

Vitória
Cavalo paraguaio ou zebra nordestina?

Atual tricampeão baiano, o Vitória consolida cada vez mais o seu domínio no Estado. Além disso, permanece vivo na Copa do Brasil e não seria uma surpresa tão grande se os baianos repetissem a proeza do Sport em 2008, e levassem o caneco para o Nordeste.

Para não repetir a queda de rendimento que fez o Leão despencar na tábua de classificação, o treinador Paulo César Carpeggiani mescla atletas experientes com jovens promessas. Com base nessa política, do Fluminense chegaram o atacante Roger e o meia Leandro Domingues e do São Caetano veio o zagueiro Marco Aurélio.

Com Apodi realizando boas partidas, Bida carregando o piano no meio e Neto Baiano cansando de marcar gols, o Vitória tem uma equipe equilibrada, que não deve sofrer sustos. Sem grandes expectativas e “correndo por fora”, os baianos podem dar muito trabalho aos favoritos, principalmente em seus domínios. O Atlético-MG que o diga.

Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: Vice-campeão em 1993
Em 2008: 10º colocado (52 pontos)
Time-base (4-3-2-1): Viáfara; Apodi, Victor Ramos (Marco Aurélio), Wallace e Luciano Almeida; Vanderson, Carlos Alberto e Bida; Jackson e Ramon Menezes (Nádson); Neto Baiano. Técnico: Paulo César Carpeggiani.
Destaques: Neto Baiano foi o grande destaque do Campeonato Baiano. Autor de 18 gols, o artilheiro tem muita presença na área. Apodi reencontrou seu melhor futebol com a camisa do clube e tem um grande papel nos contra-ataques.
Olho nele! Com apenas 20 anos, Victor Ramos saiu da base para assumir um lugar na zaga do Leão. Bom cabeceador, fez o gol que abriu a goleada frente ao Atlético-MG.
Gringos da vez: Os colombianos Viáfara (goleiro) e Javier Reina (meia), além do chileno Saavedra (zagueiro).
Pontos Fortes: Neto Baiano vive fase incrível e está marcando muitos gols; Apodi, Bida e Jackson são boas opções no ataque; time rápido com toque de bola envolvente.
Pontos Fracos: A jovem zaga pode vacilar em momentos importantes; os alas atacam bastante e deixam muito espaço; Viáfara é espalhafatoso, não inspira confiança.

Barueri
Um novo São Caetano

Embalado pelo ótimo momento vivido em 2008, o Barueri tinha a pretensão de alcançar as semifinais do Campeonato Paulista. Irregular, o time ficou bem longe de sua meta, na 8ª colocação. Agora, resta saber, se consegue, ao menos, permanecer na elite nacional.

Para não fazer feio em sua estréia, a Abelha, ainda no Estadual, abandonou a idéia de ter 3 treinadores simultâneos e trouxe o experiente Estevam Soares. No elenco, também há novidades: os zagueiros Xandão (ex-Fluminense) e André Luiz (ex-Botafogo) e o lateral Eder (ex-São Paulo e Noroeste) já chegaram. Outros reforços não estão descartados.

Quem sabe assim, a equipe da Grande São Paulo consiga dar mais fluência ao seu jogo, dependendo menos do atacante Pedrão, artilheiro do Paulista com 16 gols. Somente assim, a mescla entre bons valores desconhecidos (como Ralf e Thiago Humberto) e nomes experientes (como Basílio) pode fazer com que o time não volte para a Série B.

Status: Zona do Rebaixamento
Melhor participação: Estreante
Em 2008: 4º colocado na Série B (63 pontos)
Time-base (4-3-1-2): Renê; Marcos Pimentel, André Luiz, Leandro Castán (Daniel Marques) e Márcio Careca; Ralf, Ewerton e Xuxa (Flavinho); Thiago Humberto; Fernandinho (Basílio) e Pedrão. Técnico: Estevam Soares.
Destaques: Na maioria das vezes em que foi exigido Renê mostrou muita frieza e soube defender como poucos a meta do clube do interior do Estado. O atacante Pedrão não é tão constante, mas seu bom posicionamento faz com que anote muitos tentos.
Olho nele! Jovem meia argentino contratado pelo Corinthians junto ao Rosário Central, Emiliano Vecchio foi emprestado ao Barueri até o fim da temporada. Pode estourar.
Gringo da vez: O meia argentino Emiliano Vecchio.
Pontos Fortes: Renê representa segurança no gol; Pedrão é goleador e precisa ser marcado de perto; Fernandinho e Thiago são velozes chutam bem à meia distância.
Pontos Fracos: Não há alguém decisivo; Pimentel e Careca apresentam problemas de posicionamento e marcação; não mete medo quando joga em seus domínios.