4.11.10

Tio Sam na Libertadores?

Beckham e Donovan: possíveis estrelas da Libertadores?

Na última sexta-feira, uma declaração de Nicolas Leóz, presidente da Conmebol, sacudiu o futebol sul-americano: “Faz tempo que queremos [trazer os times estadunidenses], mas não depende só da Conmebol”, disse ao jornalista Léo Brulá, do Lance!. A inclusão de times dos Estados Unidos e Canadá na Copa Libertadores traria inúmeros benefícios. E a própria MLS (Major League Soccer, a liga estadunidense de futebol), através de seu vice-presidente executivo Nélson Rodríguez, disse que jogaar a Libertadores "seria um sonho". Mas há implicações que não tornam essa opção 100% unânime, como parece à primeira vista.

Os benefícios, mais do que técnicos, seriam econômicos. Jogadores que brilham na MLS como Beckham, Henry e Donovan, por exemplo, poderiam desfilar seu futebol nos campos abaixo da linha do Equador, fato que atrairia mais patrocinadores ao campeonato, ajudaria a encher estádios, etc. O ganho técnico seria considerável, já que as equipes da MLS (assim como as mexicanas) não são piores do que venezuelanos, peruanos e bolivianos, por exemplo. Mesmo com todos os empecilhos que trazem conflitos técnicos à Libertadores (interesses da Conmebol e Concacaf), os times mexicanos – que disputam o torneio desde 1998 – já acumulam dois vice-campeonatos (mais do que times da Venezuela, Bolívia e Peru, sempre presentes).

Porém, o maior empecilho também é de ordem técnica. A exemplo dos times do México, se o calendário (que é conflitante) apertar aos times dos Estados Unidos, eles vão priorizar as ligas nacionais, por motivos econômicos. Nas quartas de finais da competição sul-americana de 2007, o Santos encarou o América mexicano. Após um empate sem gols no Estádio Azteca, as Águilas vieram para o jogo decisivo, na Vila Belmiro, com um time formado por reservas (na época, comentamos essa polêmica no blog, aqui). E a situação se tornou ainda mais patética quando o time só tinha três opções no banco. Tudo porque a equipe tinha a decisão para o Torneio Clausura, no final de semana seguinte.

A motivação em vencer o torneio para garantir uma vaga no Mundial de Clubes da Fifa também não existe, já que a vaga da América do Norte no torneio é decidida por meio da Concacaf Champions League. Na final de 2010, o Inter jogava diante do Chivas já garantido no torneio, que será disputado em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Os times mexicanos venceram as últimas cinco edição do torneio continental da América do Norte e Central.

O próprio Leóz, na entrevista concedida ao Lance!, vislumbra uma fusão entre as entidades americanas, que fortaleceria não só a Libertadores ( e um torneio continental secundário de clubes, a exemplo da Europe League), mas também a própria Copa América e o sistema de disputa de vagas para a Copa do Mundo. Porém, esse ainda é uma realidade distante e utópica. E a própria Conmebol já mostrou que não sabe explorar a Libertadores, em seu formato atual, comercialmente. Um bom planejamento, na fórmula e no marketing, deixaria a competição ainda mais visível e interessante.

OUTRAS LEITURAS:

MLS na Libertadores? Os prós e contras da hipótese, por Leonardo Bertozzi, da ESPN.
Uma notícia alvissareira: times da MLS na Libertadores, Por Emerson Gonçalves, do Olhar Crônico Esportivo, blog do Globoesporte.com

Um comentário:

Lucizano disse...

O nível técnico sobe, mas o elenco reduzido e o desprezo causado pelos mexicanos em fases decisivas devem ser considerados. É revoltante ver um time reserva numa fase eliminatória de Libertadores. Algo inimaginável em uma LC.

Abs, mais um belo tópico para discussão.