25.10.07

De Queluz, eu passo

Estive acompanhando a tábua de classificação do Campeonato Brasileiro de 2007 e deparei-me com um fato no mínimo inusitado. Nesta quinta edição por pontos corridos, não vemos, pela primeira vez, ao menos uma equipe carioca seriamente ameaçada pelo rebaixamento. Ver um carioca lutando para não cair tornou-se algo comum.
Os céticos certamente não concordarão e tentarão lembrar-me de que o Vasco, atual 12º colocado, ainda tem chances de cair já que está a apenas 5 pontos da chamada “Zona da Morte”. Mas, se compararmos o razoável plantel do time da Colina com seus respectivos adversários, verificamos como esta hipótese beira o absurdo.
A ascensão do Flamengo no Campeonato Brasileiro deste ano mostra a evolução intelectual dos dirigentes cariocas. Após um pífio início na competição, os flamenguistas não entraram em desespero e ao invés de trazerem um balde de contratações duvidosas (no melhor estilo pacotão do Corinthians), preferiu investir um dinheiro maior em dois ou três nomes que chegassem com no hall de titulares. Certamente, a experiência de Fábio Luciano, o talento de Íbson e a velocidade de Max Biancucchi foram essenciais nessa melhoria de rendimento. Por acaso alguém lembra de Renato, meia que debandou para o árabe Al-Nasr no meio do torneio?
Já o Fluminense apostou na base da equipe, livrando-se de alguns jogadores-estrelas que tumultuavam a união do grupo, casos de Carlos Alberto e Lenny. Além disso, evitou propostas estrangeiras e decidiu manter seus bons nomes defensivos. Não por acaso é o segundo time que menos foi derrotado e o segundo que menos sofreu gols. Mesmo com uma vaga assegurada na Libertadores - 2008, faz um campeonato muito regular...
Botafogo e Vasco podem até reclamar da atual fase. Ao pensarmos que no primeiro turno ambos freqüentavam os quatro primeiros postos, entender a frustração de seus torcedores é totalmente plausível. Contudo, ainda há o que se ressaltar nos alvinegros cariocas, principalmente se olharmos em seus elencos. Apesar de terem muitos jogadores jovens e inexperientes, ambos conseguem encontrar-se numa situação bem tranqüila na tabela. Até os atletas-refugos que geralmente pouco rendem (leia-se Lúcio Flávio ou Perdigão), estão ficando muito mais regulares. Com isso, não quero dizer que o Rio de Janeiro é o maior exemplo de organização do país. Certos episódios como a demissão do ex-treinador flamenguista Ney Franco, a readmissão de Cuca no Botafogo ou a demora na renovação contratual de Thiago Neves ainda mostram a existência de alguns erros organizacionais na área de planejamento.
Assim, recomendo que alguns dirigentes paulistas incompetentes e pouco profissionais sigam para o Rio de Janeiro na busca por novas idéias. Afinal, se dá certo do lado de lá porque não arriscar no lado de cá?
Em tempo: Queluz é uma cidade paulista situada ao leste do Estado e que faz limite com o Rio de Janeiro.

5 comentários:

André Augusto disse...

Alguns pontos:
Não acho que a mentalidade ds dirigentes mudou tanto assim (vide a demissão absurda de Ney franco, a contratação e re-contratação de Cuca, Romário de técnico). O Flamengo contratou bons jogadores, mas entregou na mão de Joel, que não se esforçou tanto assim para arrumar a casa.
Em suma, não houve tanta melhora...mas houve mais times no hall da incompetência...Corinthians e Paraná, por exemplo.

Anônimo disse...

A ascensão dos times do Rio é nítida.

E muto bem-vinda.

Gerson Sicca disse...

acho que as loucuras de contratações marqueteiras pararam o pouco mais por falta de dinheiro. Tem q ver até q ponto mudou mesmo. não devemos esquecer que o eurico ainda está lá.

Unknown disse...

Parabéns pelo blog. Muito bem feito e escrito.

Passarei sempre por aqui e fazendo comentários.

Se quiser, podemos trocar links.

Abraços!
Bruno Silva
http://pandegosepatuscos.blogspot.com

Vinicius Grissi disse...

O motivo é de fácil definição: os times aos poucos estão aprendendo a se planejar para um Campeonato longo, de pontos corridos. A tendência é que daqui a 3 ou 4 anos, o Brasileirão esteja ainda melhor.