9.1.09

Mapa das Ligas

Na época de listas e rankings mirabolantes, a IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) divulgou entre outras, as listas dos melhores e mais disputados campeonatos pelo mundo afora. E o resultado, como não poderia deixar de ser, levou a inúmeras discussões na imprensa, cada qual defendendo as ligas nacionais de seus países correspondentes. Cá, como lá, efeito semelhante. Na conquista do bicampeonato nacional em 2007, quando o São Paulo levou o título com quatro rodadas de antecedência, o Brasileirão era o quarto melhor do mundo. Em 2008, onde na reta final da mesma liga cinco eram os postulantes ao título - decidido apenas na última rodada - a liga tupiniquim foi eleita pela entidade alemã como a quinta em importância no planeta bola. Incorências? Talvez em alguns critérios adotados, mas se analisarmos bem, trata-se do mapa geopolítico atual do esporte bretão, salvo alguns borrões.

A Premier League, novamente, aparece bem à frente das outras ligas. E na minha visão, com justiça. Além da disputa sempre acirrada entre os grandes – leia-se Arsenal, Chelsea, Liverpool e Manchester United – os médios vem subindo de produção gradualmente, graças em grande parte da inserção de capital pelos grandes mecenas de diversos segmentos econômicos do mundo. Equipes como o Tottenham e o Manchester City podem aspirar chances em chegar à elite em breve, se considerarmos o montante previsto para investimento, como já ocorreu com o Chelsea de Abramovich. E os grandes investimentos só chegam por se tratar de um campeonato muito organizado, que sabe o conceito da “venda do espetáculo”, com generosas cotas de TV e benefícios aos participantes. A combinação desses elementos é vista em campo, com jogos de bom nível técnico, já que as equipes importam alguns dos melhores atletas de futebol da atualidade, não importando a sua nacionalidade. A "era do chuveirinho" indiscriminado parece ter ficado no passado, em um exemplo de modernização de uma liga como a inglesa.

O Calcio e La Liga, estrelas de outrora nos idos das décadas de 80, 90 e início de 2000 vão perdendo terreno, mas ainda assim continuam como a elite do futebol mundial. O escândalo do Calciocaos e as discrepâncias de investimentos de Real Madrid e Barcelona nos últimos anos em relação às outras equipes espanholas foram algumas das causas da queda do nível técnico desses campeonatos. Ainda assim, o poderio econômico dessas ligas é grande, o que pode fazer toda a diferença no futuro. Mesmo estando um passo atrás de Inglaterra, Itália e Espanha, a Alemanha ainda consiste em um bom centro e a Bundesliga – mesmo com picos de hegemonia do Bayern – é um campeonato forte.

Para quem acha que “tudo presta na Europa e nada funciona abaixo dos trópicos”, a aparição das Ligas argentina (3°), brasileira (5°) e mexicana (8°) entre as dez primeiras do ranking mostra que não basta apenas ter dinheiro e estrutura para se organizar um bom certame. Conhecidos como infindáveis reveladores de craques, Brasil e Argentina conseguem descobrir em suas categorias de base jogadores que fazem os campeonatos mais disputados. Tanto que em 2008, ambos foram decididos apenas após o apito final da última partida. O México, mesmo não sendo um revelador nato de talentos, possui um campeonato mais rico - e de fórmula mais complicada - e por isso consegue beliscar alguns atletas medianos da América Latina. Em comum, a aposta dos clubes latinos é de fazer caixa com as novas revelações, repatriar ídolos em fase final de carreira e investimento maciço em categorias de base – vide Copa São Paulo de Juniores, por exemplo. Tanto é que nos Mundiais de Seleções da FIFA, Brasil, Argentina e México já conquistaram diversos títulos, ao contrário dos europeus que investem em jogadores promissores de outras praças e raramente formam jogadores em seus quintais.

O outro escalão são os europeus que têm algum dinheiro, são bem estruturados, mas suas ligas não são tão atrativas aos grandes craques. França (7°), Portugal (9°) e Ucrânia (10°) são exemplos disso. Os bons atletas oriundos desses países estão nos grandes centros. No entanto, conseguem segurar seus bons valores por mais tempo e ainda apostar em revelações de outros continentes, principalmente africanos e sulamericanos. Destaque para os russos - fora do top 10 de 2008 - e o crescimento dos ucranianos, um recente "eldorado" de alguns bons jogadores por conta de maciços investimentos dos "novos ricos", surgidos após o fim da União Soviética, como Rinat Akhmetov (Shakhtar) e a Gazprom (patrocina o Zenit).

Claro que os critérios da IFFHS são pra lá de questionáveis – neste caso, a soma dos pontos dos cinco primeiros de cada liga nacional – mas esse ranking, ao contrário de outros da entidade, pode ser usado como base, além de incitar as discussões. E impressões sobre tipos de critérios técnicos no futebol são muito particulares, fazendo com que a questão do mapa técnico das ligas e clubes de futebol varie. Entretanto, algo deve ser mencionado: se o jogador que joga bem numa liga latina dificilmente terá destaque individual aos olhos do mundo, as ligas – mesmo com todos os entraves – são bem cotadas e mostram o valor do futebol sulamericano, clubisticamente falando.

Ranking de Ligas Nacionais da IFFHS de 2008 (posição em 2007)
1. Inglaterra, 1192 (1°)
2. Itália, 1031 (3°)
3. Argentina, 1020 (5°)
4. Espanha, 952 (2°)
5. Brasil, 942(4°)
6. Alemanha, 922 (6°)
7. França, 847 (7°)
8. México 683 (8°)
9. Portugal 649 (10°)
10. Ucrânia, 620 (14)

8.1.09

Ano novo, temporada nova? - Parte I

Com as festas de fim de ano e o momento de folga nos gramados brasileiros, os amantes do futebol prendem-se ainda mais nos principais torneios europeus, que agora, chegam ao segundo turno.
E você, caro leitor? Está por dentro de tudo o que aconteceu no Velho Continente? Sabe quais foram os principais destaques destes torneios? Não? Sem problemas. Segue abaixo um resuminho básico do que melhor aconteceu na Europa. Confira:

Caminhando sozinho?

Depois de quase 20 anos, o Liverpool enfim conseguiu sagrar-se campeão do torneio de inverno da Premier League. Boa parcela desses méritos deve-se ao bom trabalho tático de Rafa Benítez com sua equipe. Mesmo sem poder contar com sua principal estrela, Fernando Torres, que esteve machucado durante boa parte da temporada, o treinador conseguiu manter os Reds na ponta.

Utilizando um 4-4-2 tipicamente inglês, de duas linhas de quatro, o diferencial foi o poder de decisão de Gerrard, que esteve muito mais ofensivo do que em outras temporadas. Com sua sólida defesa liderada pela dupla Agger e Carragher unida as boas apresentações de Robbie Keane, Kuyt e Xabi Alonso, bater o time da terra do iê-iê-iê será tarefa difícil.

Atrás do Liverpool, aparece o Chelsea, que apesar de ter o melhor ataque e a melhor defesa, aparece três pontos atrás do líder. O time de Scolari precisa de mais constância. Mesmo com a lesão de Terry, os Blues mantiveram-se na parte superior da tabela. O problema são os altos-e-baixos de muitos atletas, como Ashley e Joe Cole ou Deco. Assim, nem a excepcional fase de Anelka salva.

Também é bom não tirar os olhos do Manchester United. A conquista do Mundial de Clubes, agora sim, valorizado pelos times europeus, embalou os Red Devils. Mesmo com Cristiano Ronaldo atuando abaixo do esperado, a qualidade e a experiência do elenco podem prevalecer na fase derradeira. E cá entre nós, não há nenhum outro treinador que desfruta de um plantel tão versátil como Alex Fergunson.

No mais, a grande surpresa da temporada é o Aston Villa. Liderado por Ashley Young, o time de Birmingham consegue brigar ponto-a-ponto com o Arsenal pela quarta vaga na Champions League 2009/10. Resta saber se os Gunners acabam com seus problemas internos de plantel para conseguir, enfim, engrenar na Premier League.

Raio-X – Premier League
Equipe que mais venceu: Liverpool, 13 jogos
Equipe com melhor ataque: Chelsea, 40 gols
Equipe com melhor defesa: Chelsea, 9 gols
Artilheiro: Nicolas Anelka, 14 gols
Seleção de inverno – Opinião FC: Van der Sar (Manchester United); Bosingwa (Chelsea), Carragher (Liverpool), Vidic (Manchester United) e Lescott (Everton); Ireland (Manchester City), Gerrard (Liverpool), Ashley Young (Aston Villa) e Lampard (Chelsea); Anelka (Chelsea) e Van Persie (Arsenal). Técnico: Rafael Benítez (Liverpool).

Um estranho na briga

Na Bundesliga, tudo segue embolado. O estreante Hoffenheim e o favorito Bayern de Munique terminaram empatados na liderança. Nos critérios de desempate, vantagem para o Hoffenheim, equipe que surpreende não só por sua campanha, mas por sua postura totalmente ofensiva. Os gols do trio de ataque formado por Ibisevic (artilheiro da competição com 18 gols), Obasi e Demba Ba, já faz a equipe do brasileiro Carlos Eduardo, ex-meia do Grêmio e agora volante, sonhar mais alto.

O início do Bayern de Munique não foi dos melhores. Enquanto Jurgen Klinsmann não achava uma tática que desse certo, o time perdeu pontos bobos. A arma para a reação bávara veio com o retorno do lesionado Ribery. Com ele, Toni melhorou de fase e o meio-campo se acertou, já que Zé Roberto parou de “bater cabeça” com Schweinsteiger e Van Bommel na armação. Se mantiver a fase atual, o caneco irá para Munique.

Com dois pontos a menos que os líderes, aparecem o Hertha Berlim e Hamburgo. De um lado, o time da Capital já mostra-se feliz com uma simples vaga na Copa da UEFA enquanto que o Rothsen sonha um pouco mais alto e acredita numa virada final. Principalmente, se a maior contratação do ano, o brasileiro Thiago Neves, começar a atuar bem. Já o jovem elenco do Bayer Leverkusen, corre por fora.

Raio-X – Bundesliga
Equipe que mais venceu: Hoffenheim, 11 jogos
Equipe com melhor ataque: Hoffenheim, 42 gols
Equipe com melhor defesa: Schalke 04, 16 gols
Artilheiro: Vedad Ibisevic, 19 gols
Seleção de inverno – Opinião FC: Adler (Bayer Leverkusen); Westermann (Schalke 04), Luís Gustavo (Hoffenheim), Subotic (Borussia Dortmund) e Lahm (Bayern de Munique); Carlos Eduardo (Hofffenheim), Petric (Hamburgo), Ribery (Bayern de Munique) e Cícero (Hertha Berlim); Ibisevic (Hoffenheim) e Helmes (Bayer Leverkusen). Técnico: Ralf Rangnick (Hoffenheim).

6.1.09

Por enquanto, um rascunho

Em alta, Grafite vira garoto-propaganda de empresa de cartão de crédito: Mesmo podado por algumas contusões, o brasileiro é a principal peça do Wolfsburg nesta temporada.

Nessa inconstância de se encontrar um camisa nove para a Seleção, muitos jogadores medianos/bons são testados por Dunga ou ventilados pela imprensa: Luis Fabiano – que apesar da recente fase irregular, é o camisa nove do Brasil graças as suas boas atuações com a amarelinha; Amauri, que não sabe se defende o amarelo canarinho ou a Azzurra; Vagner Love teve suas chances e não convenceu, mas segue arrebentando na Rússia e seu destino aponta para um centro maior; Opções mais jovens e promissoras como Nilmar e Pato podem começar a maturar em breve. Mas há um nome que quase ninguém se lembra, que vem galgando seu lugares entre os goleadores brasileiros na Europa desta temporada: o “operário Grafite”.

Se o Wolfsburg não faz campanha brilhante na Bundesliga (nono lugar, 26 pontos), Grafite já alcança o posto como o destaque do time e um dos melhores atacantes do futebol alemão na atualidade. Mesmo com algumas contusões durante o primeiro turno – vencido pelo surpreendente Hoffenheim – Grafite manteve ótima média quando esteve em campo: nada menos que 11 gols em 11 partidas, o que lhe dá o terceiro posto na tabela de artilheiros da liga alemã.

Com passagens pelo Santa Cruz e Grêmio, estourou no Brasil jogando pelo bom time do Goiás de 2003. Naquele campeonato, o então vencedor da Bola de Prata chamou a atenção do São Paulo, que trouxe um pacote de reforços daquele time esmeraldino, composto além de Grafite, por Josué e Fabão - que formariam a base do São Paulo campeão da Libertadores e do Mundial de clubes da FIFA em 2005, da qual foi uma das principais peças.

Transferido ao Le Mans no início de 2006, Grafite obteve algum destaque na Ligue 1, chamando a atenção dos Wolfes em agosto de 2007 por cerca de 8milhões de euros. Mesmo em um time médio da Alemanha, o camisa 23 conseguiu obter destaque – 35 jogos na Bundesliga, 22 gols – convertendo-se na principal peça da equipe dirigida por Felix Magath.

Claro que é euforia pedir uma vaga na Seleção para Grafite. Mas a trajetória européia do jogador se assemelha a de Amauri, que passou por uma série de equipes menores da Itália até estourar no mediano Palermo e chegar até a Juventus, com todos os méritos. Se Grafite – de 29 anos, contra 28 de Amauri – continuar mantendo a boa média, atuar com mais regularidade e sem contusões, logo ele poderá chegar a uma equipe de maiores pretensões. E o operário Grafite, apesar de não ser um atacante brilhante, joga com seriedade, tem boa velocidade e bom jogo aéreo. Logo, poderá se tornar uma boa opção e mais cogitado.

4.1.09

Melhores de 2008 – UEFA

Desde 2001, a UEFA – entidade que comanda o futebol na Europa – promove entre os internautas a eleição do Team of the Year. Nele, o usuário escolhe seus onze favoritos, mais o técnico e o capitão da equipe. Mesmo estando em meio a temporada européia, foi um ano bem movimentado, tanto pelas competições domésticas quanto pela disputa da Euro 2008, sediada em conjunto por Áustria e Suíça. Como a época de festas é época de fazer listas, quero justificar minhas escolhas baseadas neste ano que está acabando. O esquema tático de escolhas utilizado pelo site foi o 4-4-2.

Goleiro - Van der Sar (Manchester United)
O veterano goleiro holandês, de 38 anos, mostra que a idade não o impediu de fazer uma grande temporada. Mesmo contando com uma zaga de respeito no United, sempre que o Gigante Verde foi exigido, não decepcionou. Prima pela boa colocação e por não ser “espalhafatoso” embaixo dos quatro paus, o que não não o impede de nos brindar com grandes intervenções. De grande valia na conquistas da Premier League, Champions League - onde foi agraciado com a defesa derradeira do pênalti cobrado por Anelka – e do Mundial de Clubes da FIFA, também fez boa Eurocopa com a Holanda. Na dúvida entre o holandês e Casillas, escolhi Van der Sar, por ser mais regular que o espanhol, que teve seu grande momento na excelente participação no título europeu pela Fúria. Outros candidatos: Casillas (Real Madrid), Cech (Chelsea), Adler (Bayer Leverkussen) e Akinfeev (CSKA)

Lateral-Direito – Maicon (Inter)
Certamente é a posição mais carente de nomes no futebol atual. Maicon - titular absoluto da Seleção de Dunga – alia o bom preparo físico a eficiência na composição na linha de defesa da Inter a agudez no apoio ao ataque. Não é um exímio passador, mas é veloz, faz as ultrapassagens com maestria e compensa a participação em cruzamentos eficientes com boas finalizações ao gol. Outros candidatos: Sérgio Ramos (Real Madrid), Bosingwa (Porto/Chelsea), Sagna (Arsenal) e Anuykov (Zenit)

Zagueiros – Terry (Chelsea) e Ferdinand (Manchester United)
O primeiro, além de ótimo zagueiro, é um líder nato. Capitaneou o Chelsea nos bons resultados da zaga Blue, além de ter sido eleito o melhor zagueiro da última Champions. Rival no futebol inglês, mas parceiro no English Team, Ferdinand é forte, tem bom senso de colocação e formou com Vidic o melhor miolo de zaga da Europa na última temporada. Cristiano Ronaldo e cia. podiam atacar tranquilos: atrás, Ferdinand era o cão de guarda de Ferguson. O grande revés para a dupla é o fato deles não terem disputado a Euro com a Inglaterra. Mas a boa temporada nos clubes compensou o fracasso do English Team em 2008. Outros candidatos: Carragher (Liverpool), Ujfalusi (Fiorentina/Atlético de Madrid), Ricardo Carvalho (Chelsea), Vidic (Manchester United), Puyol (Barcelona), Marchena (Valencia), Chiellini (Juventus) e Pepe (Real Madrid)

Lateral-Esquerdo: Capdevilla (Villarreal)
Sempre mediano no futebol espanhol, alcançou destaque atuando pelo Deportivo La Coruña de onde foi contratado pelo Villarreal, em 2007. Apesar de sua parcela de importância no vice-campeonato espanhol do Submarino Amarillo de 2007/08, teve seu grande momento atuando pela Espanha na Euro, onde fez boas jogadas pelo flanco esquerdo formado com David Silva. É um lateral mais balanceado, não ataca incisivamente e defende bem. Prova disso é o fato de ter praticamente anulado as investidas de Schweinsteiger na final da Eurocopa, contra os alemães. Outros candidatos: Lahm (Bayern Munique) Zhirkov (CSKA), Evra (Manchester United) e Van Bronckhorst (Feyenoord).

Volante: Xavi (Barcelona)
Sempre constante no Barcelona, Xavi Hernández foi eleito com justiça o melhor jogador da Eurocopa. Além do eficiente auxílio à defesa, tem grande qualidade no passe, chute de média distância e faz o elemento-surpresa com maestria. A grande fase que atravessa o Barcelona na segunda metade de 2008 tem grande contribuição deste exemplo de jogador versátil e moderno, aplicado taticamente e muito voluntarioso. Outros candidatos: Tymoschuk e Zyrianov (Zenit), Marcos Senna (Villarreal) e Mehmet Aurélio (Fenerbahçe/Betis).

Meia-Direita: Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Favorito para vencer o prêmio de atleta do ano da FIFA, Cristiano Ronaldo chega ao fim de 2008 com conquistas coletivas e pessoais mescladas: campeão inglês europeu e mundial pelos Red Devils - sendo artilheiro das duas primeiras. Chuteira de ouro em 2007/08, ficou devendo - assim como toda a equipe portuguesa - na participação durante a Euro e se recuperou de um período contundido, readquirindo aos poucos a boa forma. Mas o execelente primeiro semestre o credencia não só a meia-direita desta seleção, mas também como o melhor jogador dela. Outros Candidatos: Schweinsteiger (Bayern Munique), Gerrard (Liverpool), Javier Zanetti (Inter) e Hamit Altintop (Bayern Munique)

Meia-esquerda: David Silva (Valencia)
Outro destaque espanhol da Eurocopa, David Silva há tempos faz boas temporadas pelo Valencia. Alvo de cobiça dos gigantes do continente, renovou seu contrato com os Ches por cinco temporadas, mas sofreu grave contusão em setembro e só retorna em 2009. Outros candidatos: Sneijder e Robben (Real Madrid), Ribéry (Bayern Munique) e Iniesta (Barcelona).

Meia-ofensivo: Frank Lampard (Chelsea)
De futebol sempre regular e objetivo, teve seu principal momento em 2008 o jogo final contra o Manchester United, pela final da Champions. Liderou um Chelsea incisivo, marcou o gol de empate e ainda acertou a trave de Van der Sar, mas não conseguiu evitar a dolorosa derrota nos pênaltis. Alcançou marcas importantes, como a marca de oitavo maior artilheiro da história do Chelsea, conquistada em fevereiro. Outro que foi podado de uma temporada melhor por conta da ausência da Inglaterra da Euro, mas que compensou com uma excelente temporada nos Blues. Outros candidatos: Fabregas (Arsenal), Arshavin (Zenit), Ballack (Chelsea) e Modric (Dínamo Zagreb/Tottenham).

Atacantes: Ibrahimovic (Inter) e Messi (Barcelona)
Principal nome da Inter e da Suécia, Ibrahimovic foi deixado injustamente de lado na eleição dos melhores da FIFA, como exposto há alguns dias neste blog. Habilidoso, forte e imprevisível, tem lugar cativo em qualquer seleção do mundo, quando tratamos de atacantes. Já Lionel Messi é a maior esperança da Argentina para a próxima Copa do Mundo. E com a saída de Ronaldinho para o Milan, não teve medo de assumir a camisa dez e de se tornar a principal estrela do Barcelona. O crescimento do Barça no segundo semestre e a vitória olímpica argentina têm relação direta com o vistoso futebol do argentino, que também figura na disputa de melhor atleta do mundo com Cristiano Ronaldo. Outros candidatos: Del Piero (Juventus), Torres (Liverpool), Benzema (Lyon), Rooney (Manchester United), Villa (Valencia), Agüero (Atlético de Madrid), Güiza (Mallorca/Fenerbahçe) e Adebayor (Arsenal).

Técnico: Alex Ferguson (Manchester United)
Comemorando 22 anos à frente do Man United, Ferguson comandou um ano arrebatador: quatro títulos à frente da equipe. Montou uma equipe versátil e equilibrada entre defesa e ataque. Ao contrário de Aragonés, que apesar de campeão europeu de seleções, teve seu trabalho muito contestado por boa parte da torcida e imprensa e não ainda não se firmou no Fener, Ferguson é quase unânime e mais constante. Outros candidatos: Temuri Ketsbaia (Anorthosis), Fatih Terim (Turquia), Luís Aragonés (Espanha/Fenerbahçe) e Dick Advocaat (Zenit).

E você, caro visitante? Concorda ou discorda? Monte sua seleção e vamos compará-las!

PS: Com o início da Copa São Paulo de Juniores e na falta de tempo para postar e encontrar na grande mídia análises deste celeiro de novos talentos, indicamos a excelente cobertura do site Olheiros, especializado em futebol de base e parceiro do Opinião FC:
Preview parte 1 Preview parte 2 Cobertura

2.1.09

Uma nação, uma seleção

Na faixa, em basco: uma nação, uma seleção, uma federação. Sentimento comum nas diversas regiões autônomas espanholas

A discussão é antiga e as motivações transcendem o campo esportivo. Povos que existem há centenas e centenas de séculos na região da Península Ibérica, tem sua própria língua, cultura e até mesmo gozam de alguma autonomia administrativa, mas oficialmente não possuem um território que seja reconhecidamente pela comunidade social com o conceito de Estado/Nação, por serem parte do território de outros países, geograficamente falando.

As acaloradas discussões acontecem principalmente no território espanhol, uma monarquia unificada mas que é formada por uma série de comunidades autônomas, o que causa a descentralização do poder no país. Das 17 comunidades que formam a Espanha, quatro têm as chamadas Nacionalidades Históricas – reconhecidas pela Constituição de 1978, a primeira depois da chamada transição espanhola após o governo ditatorial de Francisco Franco -, o que lhes garante maior autonomia em relação a outros territórios.

E os territórios que gozam de tal status causam o motivo da polêmica discutidas neste post: Galícia, País Basco, Catalunha e Andaluzia. Por não poderem reunir suas seleções no calendário FIFA de amistosos, as federações locais organizam amistosos de fim de ano para brindar os torcedores, normalmente contra seleções filiadas à FIFA, aproveitando a folga de fim de ano dos clubes espanhóis. Em 2008, a seleção andaluz enfrentou o Peru (2-2), a Galícia jogou contra o Irã (3-2) e a Catalunha – liderada por Bojan (Barcelona) e Verdú (La Coruña) bateu os colombianos por 2-1 no Camp Nou. No País Basco, o amistoso frente ao Irã foi cancelado por uma questão de nomenclatura. Os bascos – autônomos mais radicais na questão separatista, externada nas ações terroristas do ETA – queriam atuar como “Euskal Herria” (literalmente "território basco", que engloba regiões na fronteira entre Espanha e França). No entanto. os próprios cartolas - pressionados políticamente - optaram por Euskadí, o que compreenderia apenas a região basca correspondente à Espanha. Foi o estopim para protestos encabeçados pelos próprios jogadores, em sua maioria pertencentes ao Athletic Bilbao e a Real Sociedad, reconhecidos como clubes-símbolo da causa basca. Principalemente o Athletic, onde só jogadores de origem basca podem envergar suas cores.

O primeiro ministro espanhol, José Luiz Zapatero, já se manisfestou contra a atuação das regiões autônomas em competições e amistosos oficiais: "É impossível pensar numa competição internacional, num confronto entre uma seleção de uma região autônoma e o resto da Espanha". Mesmo com oposição de boa parte da base governista, os autônomos conseguiram algumas vitórias significativas, como a cessão de três das quinze datas de amistosos da seleção espanhola para as seleções regionais em 2009.

A questão é polêmica, porque a FIFA e a UEFA exigem às federações além do aval do país ao qual elas são vinculadas, a criação de uma liga nacional. Um exemplo são as Ilhas Faroe (vinculadas a Dinamarca) e que disputam amistosos e competições oficiais, além do Formuladeildin, o Campeonato Faroês de futebol. Se levadas ao pé da letra, clubes como o Barcelona, Espanyol, Athletic Bilbao, Real Sociedad, Osasuna e La Coruña (para citar os mais conhecidos) não disputariam a Liga Espanhola – na qual se enfrentam regularmente – para disputar ligas distintas, o que significaria perder receitas vultuosas relacionadas ao futebol, como cotas de TV e patrocínios, pois participariam de campeonatos regionais enfraquecidos tecnicamente. As federações sonham com algo semelhante ao que ocorre com a Grã-Bretanha, que mesmo sendo uma unidade, deixa seus integrantes disputarem competições individuais livremente com a bandeira do território a qual pertencem. É comum ver times galeses disputando ligas na Inglaterra, por exemplo, pois essas equipes optaram por disputar as ligas inglesas ao invés das galesas.

Em um tabuleiro que ultrapassa as quatro linhas, os autônomos sonham em um dia serem donos de si mesmos sem intermediários. Questões políticas, econômicas e nacionalistas entram em campo. E ao confrontar outros países, mesmo que por 90 minutos, os defensores da autonomia total sentem-se livres para manifestar todo seu orgulho e cultura diante dos olhos democráticos e liberais do futebol.

Comercial sobre campanha para a oficialização da Seleção catalã - retirada do ar pelos oposicionistas espanhóis - chamada "Uma Nação, uma seleção".



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