24.8.07

Armada Espanhola

Será que o "Quarteto Fantástico" do Barcelona conseguirá impedir o bicampeonato do Real ou a consagração do Sevilla? (montagem: Globoesporte.com)

A exemplo dos cartolas ingleses, que estão acendendo seus charutos com notas de libras esterlinas, os clubes espanhóis não mediram esforços para contratar grandes jogadores do futebol mundial. No entanto, diferente dos ingleses - onde clubes médios e pequenos como Tottenham, Manchester City e Sunderland também gastaram muito dinheiro em reforços – apenas os mais tradicionais clubes do país não mediram esforços para contratar. Isso pode fazer com que a diferença técnica entre as equipes seja muito grande. Mas a Liga Espanhola tem tudo para empolgar com uma boa briga pelo título em alto nível técnico. A irregularidade vista na temporada passada, quando Real, Barça e Sevilla acumulavam tropeços não deve acontecer novamente.

Em time que está ganhando não se mexe certo? Não para o campeão Real Madrid, que perdeu várias peças do elenco vitorioso, começando pelo comando técnico. Mesmo sendo figura importante na arrancada dos merengues rumo ao título da última temporada, Fabio Capello não resistiu e acabou deixando Madrid. Para seu lugar chegou Bernd Schuster, que encara seu primeiro grande desafio na carreira de técnico. Schuster - que dirigiu clubes como Colônia, Shakhtar e Levante – fez uma boa temporada com o limitado Getafe e chega ao Real com carta branca para a construção de uma nova base para a equipe, a qual perdeu muitos jogadores como Reyes, Beckham, Roberto Carlos, Emerson e Cicinho. As falhas da defesa, mal que assola o Real há tempos, tentarão ser corrigidas através das contratações de Pepe (ex-Porto,
30 milhões), Gabriel Heinze (ex-Manchester United, 12 milhões) e Christian Metzelder. Ao lado de Cannavaro, podem dar a establidade necessária para que a equipe tenha mais tranqüilidade para a disputa do título. No meio-campo, a grande carência da equipe é a criação de jogadas. Tanto que, quando Beckham havia retornado à equipe após seu afastamento, o Real arrancou rumo ao título da última temporada. Com a saída do inglês, os merengues trouxeram jovens talentos para suprir essa deficiência, como Wesley Sneijder (ex-Ajax, 27 milhões) e Arjen Robben (ex-Chelsea, 36 milhões), segunda contratação mais cara da Europa nessa temporada. A dupla holandesa tem a missão de controlar o jogo e ao mesmo tempo, dar velocidade aos contrataques madrilenhos para que a bola chegue redonda para o matador Van Nistelrooy, que vive grande fase. Outro grande nome que poderá aparecer pelo lado esquerdo do Real é o ala/meia Royston Drenthe. O holandês, eleito o melhor jogador do último Europeu sub-21, é uma ótima opção para Schuster para dar velocidade ao jogo. E Drenthe tem estrela, pois já marcou um golaço na final da Supercopa da Espanha, onde o Real acabou perdendo o jogo e o título para o Sevilla. É um time fortíssimo no papel, mas a falta de entrosamento pode pesar, em um campeonato onde forças como Barcelona, Valencia e Sevilla mantiveram suas bases.

No Barcelona, que deixou o tricampeonato escapar por um triz, o assunto mais falado é como Rijkaard vai armar a equipe. Muitos aguardam ver o “Quarteto Fantástico” em campo, formado por Messi, Ronaldinho, Eto’o e Henry. O técnico do Barca quebra a cabeça para montar a equipe, que manteve a base e perdeu jogadores de importância secundária na última temporada. Trouxe bons jogadores para reforçar o elenco, principalmente na defesa, como o zagueiro Gabi Milito (ex-Zaragoza,
20 milhões) e o lateral-esquerdo Eric Abidal (Ex-Lyon, 15 milhões). Os dois chegam para arrumar de vez a zaga dos catalães, grande dor de cabeça da temporada passada. O marfinense Yaya Touré chega para compor elenco e pode ser boa opção para a meia. Mas o ponto alto da janela de transferências é o atacante Thierry Henry. O francês, que fez história no Arsenal e chegou ao Barcelona por 24 milhões, chega a Espanha para ganhar o único título que lhe falta no currículo: a Champions League. Municiado por Messi e Ronaldinho e fazendo parceria com Eto’o, Henry tem tudo para formar o ataque mais letal da Europa, basta saber como Rijkaard vai posicioná-lo. Os reforços que vieram deram muita qualidade ao elenco catalão e se Rijkaard conseguir posicionar bem seus volantes e acionar o “Quarteto”, o Barcelona pinta como o grande favorito na Espanha, pelo menos tecnicamente falando. Sem falar que, aos poucos, o meia mexicano Giovani dos Santos vai aparecer na equipe e pode se tornar uma ótima opção para Rijkaard, pois trata-se de uma grande promessa.

O Sevilla é uma boa equipe, tem tudo para conquistar vaga para a próxima Champions League e fazer bom papel novamente, mas corre por fora na conquista de La Liga. O atual bicampeão da Copa UEFA é um time muito compacto, que tem no conjunto o seu grande trunfo. O técnico Juande Ramos indicou bons nomes para fortalecer a equipe rojiblanca, como o zagueiro colombiano Aquivaldo Mosquera (ex-Pachuca,
7,5 milhões), o zagueiro/lateral Khalid Boulahrouz, o volante Seydou Keita (ex-Lens, 5 milhões) e o meia-atacante Tom de Mul (ex-Ajax, 4 milhões), além do goleiro Morgan de Sanctis, que fará sobra ao bom Palop. Jogadores-chave como Renato e Kanouté podem fazer a diferença, além de Dani Alves, se este permanecer na equipe.

A fama de “amarelão” do Valência faz com que a equipe quase nunca seja apontada como uma das favoritas ao título. Mas a exemplo do Sevilla, a equipe é boa e manteve a base, podendo sonhar com uma boa temporada. A perda do experiente Cañizares, que se aposentou, foi prontamente reposta com o bom goleiro Timo Hildebrand. E para compor o elenco, que não teve perdas significativas, o Valencia trouxe o zagueiro-revelação da Espanha, Aléxis (ex-Getafe,
6 milhões), o meia-atacante Angel Arizmendi (ex-La Coruña, 6,5 milhões) e o grandalhão Nikola Zigic (ex-Racing Santander, 15 milhões), que promete fazer sombra ao experiente Fernando Morientes. Aliado aos reforços, pode pesar a boa fase do matador David Villa e do ótimo meio-campo David Silva para que o Valencia deixe o estigma de “morrer na praia”, que o acomete a algumas temporadas.

Querendo retornar ao grupo das grandes equipes, o Atlético de Madrid imitou o seu grande rival e também não economizou nos reforços. Segundo time espanhol que mais investiu em reforços, os colchoneros estão montando um bom time para brigar por uma vaga a Champions League. Recontruindo o time, a equipe trouxe para o gol o experiente Christian Abbiati e montou um bom meio-campo, com as vindas de Reyes (ex-Arsenal,
12 milhões), Luís Garcia (ex-Liverpool, 6 milhões), Raúl García (ex-Osasuna, 13 milhões), Cléber Santana (ex-Santos, 6 milhões) e Simão Sabrosa, um dos principais jogadores da Liga Portuguesa por impressionantes 20 milhões. Para o ataque e com a missão ingrata de substituir Fernando Torres, grande ídolo da torcida colchonera, o uruguaio Diego Forlán chega a Madrid por 21 milhões. Javier Aguirre terá aquela “boa dor de cabeça” para montar a equipe, que tem muito potencial. Olho no melhor jogador do último Mundial sub-20, Sergio Agüero. “El Kun” pode finalmente estourar no futebol espanhol.

Os medianos e pequenos clubes espanhóis se reforçaram muito entre eles, mas o abismo técnico para os grandes citados acima é enorme. Destaque para o Villarreal, que trouxe bons jovens e pode surpreender. Giuseppe Rossi, atacante prodígio italiano e Rio Mavuba, bom volante francês podem dar a vitalidade que a equipe tanto necessita. O Zaragoza, assim como na temporada passada, é outro que promete dar dor de cabeça, principalmente com boas aquisições como Ricardo Oliveira, o volante Matuzalém e a aquisição definitiva do bom meia Andres d’Alessandro. Vale destacar os bons nomes que migraram para o futebol espanhol, como o do promissor goleiro Óscar Ustari, do Getafe, que finalmente pode ter a chance de chegar a titularidade da seleção argentina através de boas atuações dentro do Getafe, onde desbancará o seu concorrente direto, o velho Abbondanzieri; o meia-esquerda Andrés Guardado, revelação mexicana que reforça o La Coruña; Carlos Vela, atacante mexicano emprestado pelo Arsenal ao Osasuna e que se destacou no time do México campeão do Mundial sub-17 de 2005, jogando ao lado de outro prodígio que começa a brilhar no Barça: Giovani dos Santos.

As armadas espanholas estão prontas e podem fazer com que o campeonato espanhol recupere seu status de melhor e mais técnico campeonato do mundo, perdido para o campeonato inglês. E essa Liga tem tudo para ser uma das melhores dos últimos anos.

23.8.07

Especial Copa 2014 - Turismo nas cidades-sede

Eleito recentemente como uma das sete maravilhas do mundo, o Cristo Redentor é um dos trunfos turísticos que o Brasil pode oferecer como atrativo para sediar uma Copa do Mundo.

A extensão territorial do Brasil e a variabilidade de localidades que podem ser exploradas pelo turismo fazem com os empresários do setor torçam pela escolha do Brasil como sede da Copa de 2014. Das áreas a serem preparadas para receber o torneio, a infra-estrutura turística é a mais bem preparada e precisará de poucas adaptações para preencher os requisitos exigidos pela FIFA.

Além da presença massiva no turismo tradicional, que inclui destinos conhecidos como o Rio de Janeiro, Litoral Nordestino e Pantanal, o turismo de negócios e eventos também cresce a cada ano. Em ranking divulgado esse ano, o Brasil foi o sétimo destino mais procurado para sediar encontros de porte internacional. Nesse segmento, destacam-se as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A realização de uma Copa do Mundo aliará esses dois tipos de turismo e divulgará para o mundo toda a beleza da biodiversidade brasileira e da cultura nacional, fazendo com que o número de turistas após a Copa permanecerá em contínuo crescimento.

De olho neste filão, os governos estaduais se apressaram em apresentar a candidatura de suas sedes para a Copa. A CBF, principal articuladora da candidatura brasileira, recebeu a inscrição de 21 cidades de todo o país. A expectativa é que, caso o Brasil seja escolhido, o número de sedes selecionadas possa variar de 10 a 12 cidades. Pela Região Sul, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre podem aproveitar-se de seu clima ameno para atrair os turistas menos chegados ao intenso calor tropical. Na Região Centro-Oeste, Cuiabá, Brasília, Campo Grande e Goiânia têm como grande trunfo turístico as regiões do Pantanal e do Cerrado. Para quem sempre teve curiosidade de conhecer a Amazônia, a região Norte pode abrigar uma das sedes, pois Manaus, Belém e Rio Branco estão na briga. As belezas do litoral brasileiro poderão ser conhecidas se João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Maceió, Natal, Teresina ou se a candidatura conjunta entre Recife e Olinda forem selecionadas para receber as seleções do Mundial na Região Nordeste. E na Região Sudeste, coração econômico do país, as candidaturas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo são cotadas como certas, devido a importância estratégica dessas grandes cidades brasileiras.

E mesmo que a cidade não seja escolhida como sede, a proximidade com as cidades-sede também pode render frutos. As seleções participantes terão que se hospedar próximo as sedes e para isso, necessitam de lugares que lhes dêem toda a infra-estrutura de hospedagem e locais adequados para preparação e treinamento. As possibilidades proporcionadas pelo evento aliadas ao potencial turístico brasileiro podem se constituir em um dos fatores diferenciais para que a escolha do Brasil como sede da Copa seja acertada.

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20.8.07

"Sevillaticos"

Considerado o melhor Sevilla da história, a equipe comandada por Juande Ramos meteu cinco no Real em pleno Bernabéu, garantindo mais um título.

Neste último domingo, o Real Madrid precisava vencer o Sevilla por dois gols de doferença para conquistar o título da Supercopa da Espanha sobre o Sevilla. Mas a equipe rojiblanca esteve impossível, não se intimidou com um Santiago Bernabéu lotado e jogou água no chopp dos merengues. Claro que é apenas começo de temporada e começo de trabalho do técnico alemão do Real, Bernd Schuster. Mas o feito do Sevilla é notável e não constitui-se em nenhuma surpresa para quem acompanhou as duas últimas temporadas na Espanha, onde o Sevilla teve uma ascensão meteórica, deixando para trás equipes do primeiro escalão espanhol como o Valência e o Atlético de Madrid. E a consquista desse título frente ao Real aponta mais uma temporada em que os Palanganas darão muito trabalho as estrelas e ao glamour que Real Madrid e Barcelona gozam dentro da península ibérica.

O nome principal dessa fase do Sevilla, já apontado pela imprensa espanhola como o melhor Sevilla de todos os tempos, é o técnico Juande Ramos. Ele chegou aos rojiblancos em 2005, dizendo à época que enfim, "estava treinando uma equipe grande". Mas o que ele não sabia era que essa equipe poderia se tornar grande através de seu comando. E há de se destacar a visão do técnico em trazer e revelar grandes promessas sem fazer loucuras financeiras, sendo esse um dos fatores que o colocaram como um dos principais técnicos dessa nova safra espanhola, ao lado de Rafa Benítez.

Por suas mãos, desabrocharam jogadores como o seguro goleiro Andrés Palop, reserva do Valencia até 2005, mas que chegou, firmou-se com a camisa um rojiblanca e constituiu-se em um dos principais personagens dessa fase vencedora do Sevilla. O valorizadíssmo Dani Alves começou a jogar o seu melhor futebol nas mãos do técnico, assim como seus compatriotas Adriano e Renato, sendo que o volante brasileiro desempenha função importantíssima na equipe. Além de apoiar, o camisa 11 chega com qualidade ao ataque, característica que o marcou fortemente nos tempos do Santos campeão brasileiro. O meio-campo montado por ele conta com jogadores-revelações das categorias de base, como Jesus Navas e Antonio Puerta; os experientes Martí e o "carregador de piano" Christian Poulsen, além de Enzo Maresca e o português Duda.

Esse leque de opções montado por Ramos lhe dá opções de manter o padrão tático do time, sem perder a qualidade na reposição das peças. O ataque também não conta com nenhum jogador badaladíssimo, mas as opções da equipe são deveras eficiente. O uruguaio Chevantón, o russo Aleksandr Kerzhakov e o bad-boy Luís Fabiano revesam-se constantemente como eficientes opções de ataque, liderado por Frédéric Kanouté. O malinês, de 1,92m e 29 anos tem faro de gol e é o homem-gol de Ramos. Desde que chegou ao Sevilla em 2005 - após passagens regulares por Lyon, West Ham e Tottenham - o avante marcou 44 gols em duas temporadas (30 em 2006/07) e se tornou a principal referência dos Palanganas. Jogador temperamental, já ameaçou deixar a equipe por algumas vezes, mas é inegável que vive na equipe rojiblanca a melhor fase de sua carreira. Nos cinco títulos que o Sevilla conquistou nessas duas últimas temporadas - 2 Copa UEFA, 1 Supercopa da Europa, 1 Supercopa Espanhola e 1 Copa do Rey - o malinês marcou em todas as finais, contabilizando 7 gols nas cinco partidas derradeiras.

A versatilidade do elenco e a boa reposição das peças perdidas durante o tempo em que comanda a equipe faz com que o Sevilla seja temido e notado dentre os grandes espanhóis. A possível saída de Dani Alves, cobiçado pelo próprio Real e pelo Chelsea numa transação que pode ultrapassar os 35 milhões de euros, já tem peças de reposição. O bom lateral Andreas Hinkel e o reforço Boulahrouz podem suprir a ausência do ala brasileiro. Para a possível saída de Puerta, o Sevilla trouxe os meias Seydou Keita, o meia belga Tom de Mul e Fazio, zagueiro campeão pela Argentina sub-20. Fora que a equipe rojiblanca conta em seu elenco com Diego Capel, uma das revelações espanholas do último Mundial sub-20 e cotado como grande promessa para o futuro da Fúria.

O atual bicampeão da Copa UEFA chega como uma das equipes favoritas a brigar pelo título espanhol da temporada, além de ter boas pretensões na Champions League. Para combater os milionários Real (dos caros Pepe, Snejder e Drenthe) , Barcelona (de Henry e Abidal), o Atlético (de Simão), e o Valência, o Sevilla conta com seu entrosamento adquirido e a manutenção da base, além da experiência na Liga Espanhola 2006/07, quando a equipe tinha plenas condições de conquistar o título diante dos irregulares merengues e catalães, mas deixou de ganhar pontos decisivos que lhe garantiram "apenas" a terceira colocação. Mesmo com o vacilo na última Liga, foi o melhor resultado da equipe Palangana (ao lado da temporada 1969/70) desde o seu único título espanhol, em 1945/46. Ainda mais embalado, essa temporada promete para o Sevilla.Por isso, olho nos "sevillaticos"!

18.8.07

Campeonato Português: Trio de Ferro ainda dá as cartas

A vitória do Sporting, na abertura do Cameponato Português, nos mostra que nessa temporada as coisas não devem ser diferentes. Porto, Sporting e Benfica novamente investiram mais e brigarão pelo título luso. E ao contrário de campeonatos como inglês ou espanhol, que movimentam cifras estratosféricas, a liga portuguesa se pautou pelos pés no chão e a aposta em jovens valores.

O bicampeão Porto busca manter a hegemonia, mesmo tendo perdido duas de suas principais peças do elenco vencedor na temporada passada. A soma das vendas do zagueiro Pepe e do meia Anderson ultrapassa os 60 milhões de euros. Mas os Dragões resolveram investir parte do lucro de caixa em jogadores que se destacaram em Portugal ou na América do Sul. O meia polonês Kazmierczak, que fez boa temporada pelo Boavista chegou junto ao rodado lateral-esquerdo Lino, procedente da Acadêmica de Coimbra e ao centro-avante Edgar (aquele da passagem relâmpago pelo Sâo Paulo). Chegando do futebol latino, temos jogadores como Luis Aguiar e Mario Bolatti, desconhecidos. Já o atacante Ernesto Farias, ex-River Plate é mais conhecido do grande público, junto ao meia Leandro Lima (aquele do decepcionante Brasil sub-20). Procedentes do futebol europeu chegam Mariano González (ex-Inter e Palermo) e o sérvio Milan Stepanov. O maior investimento dos portistas foi a aquisição do passe de Lucho González em definitivo, por mais seis milhões de euros. Jesualdo Ferreira, muito questionado no campeonato passado por quase perder um título ganho, terá de administrar esse monte de possíveis promessas para tentar manter a hegemonia em Portugal. Caberá a Lucho González ser o cérebro pensante e principal líder dessa equipe, que pode ver a afirmação de Ricardo Quarema como principal jogador português do certame. As saídas de Nani e de Simão abrem caminho para o camisa 7 do Porto brilhar e afirmar-se como melhor jogador luso na Liga Portuguesa.

O Sporting já começou a temporada com o pé direito. Venceu a Supertaça de Portugal sobre o Porto e começou o campeonato com goleada. Mesmo com a perda da revelação Nani para o Manchester United, a equipe do técnico Paulo Bento conseguiu manter a base vice-campeã da temporada passada e promete caçar o Porto com unhas e dentes. Muitos jogadores procedentes do Leste Europeu chegaram aos Leões, como o goleiro sérvio Vladimir Stojkovic, o meia e eterna revelação russa Marat Izmailov e os montenegrinos Milan Purovic e Simon Vukcevic. O bom zagueiro braseilro Gladstone também chega para brigar por um lugar na zaga. Mas a maior esperança da torcida sportinguista é o matador Liédson, há quatro temporadas no futebol luso. Mesmo estando de molho por um bom tempo, o avante ainda conseguiu ser um dos principais artilheiros do campeonato passado. Boas revelações portuguesas como o zagueiro Miguel Veloso e João Moutinho (já convocados por Felipão), além do meia Yannick Djaló podem ajudar os Leões a, enfim, quebrar a secura de títulos nacionais que já dura três temporadas.

Mesmo com a terceira colocação da temporada passada, o Benfica foi o clube português que trouxe os jogadores mais expressivos e promissores para o campeonato. Os 22 gols do paraguaio Óscar Cardozo pelo Newell's neste ano fizeram com que as Águias abrissem a carteira para pagar 9 milhões de euros pelo avante. O campeão mundial sub-20 Ángel di Maria também chegou por quatro milhões de euros. O meia argentino, que fez ótimo mundial no Canadá, pode ser de grande valia para suprir a ausência do ídolo encarnado Simão, vendido ao Atlético de Madrid. Outro que fez bom Mundial sub-20 chega ao Benfica. Trata-se do americano Freddy Adu, consideado uma grande promessa. Será a primeira chance do meia-atacante de mostrar seu real potencial em um clube europeu. O goleiro Butt, os zagueiros Marc Zoro e Fábio Coentrão, o meia Díaz e o atacante Bergessio também chegam à Lisboa, ajudando a formar um elenco numeroso e de qualidade para o técnico Fernando Santos. Se bem entrosado, pinta como o grande favorito a peitar o Porto.

Em meio ao mar de jovens jogadores-incógnitas, estão todos os outros clubes portugueses. Com contratações modestíssimas, é impossível apontar que qualquer um deles possa fazer sombra aos grandes de Portugal. Destaques para o Sporting Braga, que fez boa campanha na Liga passada e acertou o retorno de João Tomás junto ao futebol árabe, além de trazer o atacante brasileiro Lenny, que ficou só na promessa jogando pelo Fluminense. Olho no Belenenses e no Boavista, que brigarão junto com o Braga por uma vaga na UEFA e que foram os dois únicos clubes, além do trio de ferro, que conseguiram conquistar um Campeonato Português.
E vocês, em que bicho apostariam: Dragões, Leões ou Águias?

16.8.07

Restam dezenove... - Parte II

Valdívia: Afinal, o chileno é o maior destaque do certame, até o momento?

Dando sequencia ao meu balanço sobre o 1º Turno do Campeonato Brasileiro, relato aqueles que, sob meu ponto vista são, até agora, os melhores jogadores da competição. Primeiramente gostaria de explicitar que, desta análise, excluo jogadores que já estiverem atuando no exterior. Assim, Diego (ex-Atlético-MG), Welliton (ex-Goiás), Josué (ex-São Paulo) e outros nomes que poderiam ter sua presença discutida, sequer foram avaliados. Contudo, do jeito que andam as negociações, não duvidaria que até o final deste post algum jogador aqui citado fosse vendido.
No gol, muitos atletas têm um relativo destaque em seus clubes. Mas, não há como competir com Rogério Ceni. Sofrer apenas 7 gols em 19 partidas, já poderia credendiar Ceni ao título de melhor da posição. Como se não bastasse, o são-paulino acumula 4 gols marcados (vice-artilheiro do clube) e uma assistência. Nem mesmo as defesas milagrosas de Felipe ou os penaltis agarrados por Diego Cavalieri superariam este índice.
As laterais não vivem seus melhores dias. Na direita, o atleticano Coelho é o melhor muito mais pela ausência de adversários a altura do que por suas qualidades. Coelho não é tão ruim, somente não convence. Seus cruzamentos importantes e seus chutes de longa distância, são suficientes para ficar a frente de nomes discutíveis, como Wágner Diniz (Vasco) e Sidny (Náutico).
Na esquerda, um show a parte Kléber é. Ora escalado na meia, ora escalado na ponta, Kléber mostra muita disposição física e habilidade. Ao meu ver, a posição está tão necessitada de bons atletas que os outros nomes de destaque têm origem meio-campista, casos do tricolor Jorge Wágner e do cruzeirense Fernandinho.
A zaga sai de uma mistura entre os líderes. Juninho, capitão botafoguense, é o responsável por organizar a deficiente defesa do time da Estrela Solitária. Desarma bem e, quando sobra tempo, até sobe ao ataque para marcar seus golzinhos. Já Miranda é o representante da ótima fase vivida pela defesa do Tricolor Paulista. Joga sério, é eficiente e dita o ritmo da marcação. Aqui, outros jovens nomes merecem destaque, como William (Grêmio), Tiago Silva (Fluminense) e Breno (São Paulo).
A dupla de volantes repete a mesma receita da zaga. Leandro Guerreiro pode até não ser um excepcional atleta, mas compensa sua falta de habilidade fazendo jus a sua alcunha. Richarlyson também serve como exemplo de raça. Porém, diferente de Leandro, o volante sai para o jogo e através de sua técnica ajuda na armação e finalização. Os regulares volantes palmeirenses Pierre e Martinez, assim como os já rodados Túlio (Botafogo) e Marcão (Juventude) também fizeram um bom 1º turno.
Na armação o maior destaque não é brasileiro. Por ser a grande inspiração do meio-campo palmeirense com seus refinados passes, “El Mago” Valdívia certamente tem vaga garantida. Outro nome que agrada é o de Thiago Neves, meia que, aos poucos, consegue reviver no Fluminense os seus áureos tempos de Paraná. Virtuoso, basta ele jogar mal para o time das Laranjeiras sucumbir.
Nesta posição destaco duas reviravoltas: Wágner, que retornou do ostracismo árabe para levar o Cruzeiro às primeiras colocações; e Paulo Baier, veterano meia que parece saber jogar apenas com as cores do Goiás. O arisco William (Corinthians) e o argentino Darío Conca (Vasco) também apareceram com um bom futebol.
No ataque também temos muitos atletas medianos. Dentre todos, o que apresenta maior qualidade, é o rodado Dodô. Se o matador fosse mais participativo, teria espaço até em clubes europeus. Além dele, não há como esquecer do trombador Josiel. Bastou o artilheiro do campeonato entrar em má fase, para o Paraná despencar na tábua classificatória.
A coisa está tão feia que até os esquecidos Kléber Pereira (Santos) e Roni (Cruzeiro) voltaram a ganhar renome no cenário nacional. A grata surpresa, cabe ao jovem Guilherme. Não dá para entender por que o avante cruzeirense ficara de fora do Mundial Sub-20. André Lima, reserva de luxo do Botafogo, Marcos Aurélio do Santos e Carlinhos Bala do Sport também vem fazendo seus gols.
Dos 34 nomes aqui supra-citados, certamente há muitos que podem ser contestados. Com tantos atletas sendo vendidos, essa é a triste realidade que nosso futebol vive. Fazer o quê?