14.10.10

Tudo contra

Considerado até então um dos favoritos, o Corinthians figurou entre os cabeças da tabela por 29 rodadas deste Brasileirão. Porém, agora está a cinco pontos do líder, sem técnico, com o departamento médico lotado e a seis jogos sem saber o que é vencer. Até por uma vaga na Libertadores, o cenário é tenebroso. E uma sucessão de vários erros foi agravando situações que, pelo cotidiano do futebol, podem acontecer. A derrota de ontem, diante do Vasco, acabou com o maior escudo contra a má fase: o jogo a menos, em relação aos principais rivais pela taça. A "gordura" secou.

Apesar do time considerado titular ter demonstrado força ao longo do campeonato, o elenco do Timão tem falhas gritantes. Construído no início do ano do centenário do clube e visando a Libertadores, vieram inúmeros jogadores experientes: Roberto Carlos, Iarley, Tcheco (já deixou o clube), Danilo e Edu foram alguns dos que chegaram. Após a perda do torneio continental, a diretoria do clube não reforçou o time de acordo, principalmente nas laterais e no ataque, setores mais carentes do time atualmente. Alessandro e Roberto Carlos, considerados titulares, não têm reservas à altura e Ronaldo, constantemente machucado, nunca teve em Souza – certamente, um dos piores investimentos do clube dos últimos anos – uma sombra.

A vinda de Adílson Batista era oportuna, após a saída de Mano Menezes para a Seleção Brasileira. O discurso do técnico pregava a humildade e modificações não muito radicais em relação ao sistema adotado. O novo comandante não recebeu reforços e começou a perder jogadores importantes aos poucos, principalmente na defesa e no meio-campo. Mas teve sua parcela de culpa, ao perder o pulso sobre o elenco e mudar Bruno César de posição (do centro para o flanco) para testar outro esquema com o eficiente Jorge Henrique. O futebol do camisa 10, um dos melhores do primeiro turno, caiu vertiginosamente. Adílson recheava o time de volantes e isolava Iarley no ataque. E o bom futebol apresentado nas vitórias sobre Fluminense, Santos e até mesmo na derrota contra o Inter, sumiu. O clima ruim surgiu e o técnico viu o beco sem saída. Insistiu com jogadores que tiveram má sequência, como o zagueiro Thiago Heleno (preterindo Leandro Castán e Paulo André) e não fez questão de incentivar a eterna promessa Defederico, que poderia ter ganho sequência e moral com os muitos desfalques. Pediu o boné (ou foi demitido). Muitos da imprensa falam em racha no elenco. Díficil avaliar.

A esperança do time está longe de ser concreta, apesar do passado de superações: Ronaldo ensaia mais uma volta neste domingo. Além de não contribuir com a marcação, será muito mais exigido fisicamente, já que será servido pelos habilidosos volantes do time. Jucilei (que vinha bem por méritos de Adílson) e Elias têm capacidade técnica, mas não são armadores natos. Funcionam melhor vindo de trás, com uma bola roubada ou um contra-ataque em velocidade. Não conseguem pensar o jogo com a bola no pé. Os escudeiros para um bom desempenho do centroavante, Jorge Henrique, Dentinho e Bruno César, estão fora. Ronaldo terá que se superar. E não sei se o experiente camisa nove tem fôlego e resistência para tal.

E se Ralf volta para ajudar a proteger a frágil zaga, Alessandro deve ficar fora. Outra dor de cabeça para um time que já está em frangalhos e lembra cada vez mais o Palmeiras de 2009, que acabou fora até da Libertadores após perder jogadores importantes (manteve o técnico, apesar da má fase). E ao contrário do Santos – que também sofre com desfalques, mas vem subindo de produção com seu interino, após crise que culminou na saída de Dorival Júnior –, o Corinthians não tem garotos da base à altura para poder apostar. Uma das poucas falhas da diretoria nos últimos tempos, é verdade. Mas que aliados ao fato de reforços escassos e sem qualidade, podem custar o desempenho que era esperado no decorrer do torneio: longe do penta e até da Libertadores. Ou uma mudança radical em nove rodadas. O que parece mais palpável hoje?

Um comentário:

gerson disse...

André, fiquei mais de 20 dias fora, sem acompanhar o Brasileiro, e confesso que fiquei surpreso com a queda do Corinthians, assim como me surpreendeu a arrancada de um time do Cuca.
Desde o início do campeonato eu achava q o Corinthians chegaria firme pra disputar o título, mas do jeito que a coisa está acho difícil recuperar.
Abraço!