28.2.09

Fim da linha?

Carlo Ancelotti nunca foi unanimidade entre torcedores e imprensa do mundo do futebol, mesmo com um currículo de respeito à frente do Milan: um Campeonato Italiano (2003/04), uma Copa da Itália (2002/03), uma Supercopa da Itália (2003/04), duas Champions League (2002/03 e 2006/07) e duas Supercopas Européias (2003 e 2007). Os mais críticos alegavam que faltava um “algo” a mais na equipe, que por vezes primava pelo excesso de cautela defensiva – o que certamente custou o título da Champions 2004/05, perdido para o Liverpool após ter conquistado uma vantagem de 3-0 – para citar o exemplo mais clássico e conhecido.

Os recém-completados sete anos à frente do Milan – estreou em novembro de 2001 - podem estar chegando ao fim, assim como a já esgotada paciência do torcedor rossonero. O Milan conseguiu ser eliminado em casa para o Werder Bremen após conquistar vantagem de 2-0 no primeiro tempo. Em dez minutos, os dois gols de Pizarro decretaram o fim da Copa da UEFA frente a um time que, novamente, pecou pela burocracia e falta de criatividade. Sem Kaká e Ronaldinho – ambos contundidos – o experiente time do Milan não deu conta do recado, vivendo apenas do bom futebol do jovem Alexandre Pato. E para ser justo, uma aposta lapidada por Ancelotti, em um de seus poucos acertos nos últimos tempos.

Eliminado da Champions 2007/08 – a última que disputou - pelo jovem Arsenal em pleno San Siro, quinto colocado do Campeonato Italiano da mesma temporada após perder a vaga para a Fiorentina, Ancelotti balançou, mas não caiu. Ainda assim, o Milan trouxe poucos reforços de peso – pra valer mesmo, apenas Ronaldinho Gaúcho – e repetiu os erros dos últimos fracassos: muita cautela e pouca dinâmica. Mesmo com o excesso de jogadores experientes, novamente faltaram nervos para a equipe comandada por Ancelotti, eliminada nos dezesseis avos de final da segunda competição intercontinental em importância na Europa, na qual o Milan pintou como um dos grandes favoritos.

Onze pontos atrás da Inter, o terceiro lugar neste Calcio mostra que o Milan brigará mesmo por uma vaga na próxima Champions em pé de igualdade com Fiorentina e Roma – que faz um campeonato de recuperação e já está a cinco pontos dos rossoneros. Muito pouco para o segundo maior campeão Italiano e da Champions League, que ultimamente só conseguiu picos de aparição na imprensa por tentar recuperar jogadores como Ronaldo, Ronaldinho e Beckham. Com Maldini se aposentando ao final desta temporada e a novela interminável da compra de Beckham, já passou da hora do manda-chuva Silvio Berlusconi fazer uma faxina entre os mais experientes do elenco – especialmente entre goleiros e defensores, ponto crítico do time – terminando no comando na equipe, onde é claro que o treinador italiano precisa respirar novos ares, como já foi dito neste blog à época da eliminação do Milan pelo Arsenal. Renovar não é apenas preciso. É necessário, para que o Milan possa voltar às cabeças novamente.

26.2.09

Já é ou já era?

Mais uma vez, um clube do interior do Rio de Janeiro surpreendeu no primeiro turno do Campeonato Carioca e alcançou a final da Taça Guanabara. Prestes a completar 100 anos de existência, Resende conseguiu o maior feito de sua história ao derrotar o Flamengo por 3 a 1 no último final de semana.

Apesar da idade avançada, o Alvinegro do Interior nunca sequer firmou-se como um dos clubes que sempre estão presentes na primeira divisão estadual. Tudo mudou em 2006, quando o time assinou uma parceria com uma empresa de marketing esportivo e retomou ao futebol profissional, após 30 anos no amadorismo. Com um projeto eficiente o clube ascendeu meteoricamente. Boas campanhas na Terceirona (3ª colocação) e Segundona (campeão) credenciaram o Resende a disputar a principal divisão estadual já em 2008, quando teve participação discreta e chegou em 9º.

Neste ano, o clube decidiu formar seu elenco com um apanhado de atletas desconhecidos que já tinham perambulado sem tanto sucesso em outros clubes do Rio. Casos do goleiro Cléber, do lateral Bruno Leite, dos zagueiros Breno e Naílton, dos meio-campistas Beto, Bruno Reis e Leo e dos atacantes Fabiano e Bruno Meneghel, por exemplo. Aliados a esses nomes, apenas três nomes conhecidos: o veterano defensor Márcio Costa (ex- Corinthians e Fluminense), o limitado volante Márcio Gomes (ex-Botafogo) e o folclórico avante Viola.

E a mistura deu certo. Apesar da campanha (4 vitórias, 1 empate e 3 derrotas) não “encher os olhos”, a equipe cresceu na hora certa. Bastou o Vasco ser denunciado pela utilização de um jogador irregular, para os resendenses voltarem a sonhar com uma possível vaga nas semifinais.

Com um esquema defensivo formado por três zagueiros, dois volantes e um meia que sabe marcar, o Resende começou a bater seus adversários com jogadas rápidas de contra-ataque e perigosos cruzamentos na área. Para colaborar, o ex-vascaíno Bruno Meneghel vive excelente fase e é o artilheiro absoluto da competição até o momento, marcando 8 gols em 8 partidas. É bem verdade que a presença de azarões tornou-se algo muito mais comum nas últimas edições da Taça Guanabara. Foi assim com Madureira em 2007, América em 2006 e Americano e Volta Redonda em 2005 (que fizeram a única final formada apenas por clubes do interior desde que a Taça foi criada, em 1965).

Infelizmente essas surpresas fluminenses restringiram-se apenas ao torneio local. Não à toa, o Estado vê clubes que já foram grandes, como Bangu e América, caírem no ostracismo, ou ex-emergentes, como Volta Redonda e Americano, fazerem campanhas pífias em campeonatos nacionais. Muitos dizem que isso ocorre porque o atual futebol carioca é fraco e nivelado por baixo. Talvez isso seja verdade. Não vemos mais as equipes do Rio ganhar tantos títulos nacionais como outrora. Uma aparição de novos adversários faria com que todos se preocupassem em criar melhores elencos.

Algo que acontece no futebol paulista. Há muitos times pequenos que complicam e isso estimula os grandes a se organizarem melhor. Independentemente do resultado no domingo, o futebol no Estado necessita mesmo é do surgimento de clubes organizados que simpatizem com o torcedor e sirvam de exemplo. Seria o Resende, este precursor? Já é ou já era...

24.2.09

Paredões

Júlio César faz mais uma defesa no jogo contra o Manchester United: o arqueiro vive grande fase e firma-se como um dos melhores do mundo em sua posição.

Se a Inter ainda aspira chances para passar à próxima fase da Champions League, o responsável direto é o goleiro Júlio César. Ratificando a sua excelente fase na Inter de Mourinho e no Brasil de Dunga, o arqueiro defendeu pelo menos três bolas dificílimas diante do Manchester United, nesta terça-feira.

Se no Calcio a Inter consegue se impor – mesmo não atuando bem em algumas oportunidades -, na Champions a equipe parece, por vezes, se apequenar diante da responsabilidade de conquistar um título que não vê há mais de 30 anos. Jogando no San Siro, a equipe nerazzurri foi mera espectadora ao ver os Red Devils com amplo domínio da partida, com um Cristiano Ronaldo criando e definindo jogadas perigosas até com alguma liberdade. Mas o quarteto ofensivo dos mancunianos parou em Júlio César, que assegura seu nome como um dos principais goleiros da atualidade, ao lado da Casillas e Van der Sar. Prestes a completar 30 anos, Júlio César parece chegar ao auge de sua carreira e caminha firme para ser o titular da baliza brasileira na Copa do Mundo de 2010. Com todos os méritos, é um dos “intocáveis” na equipe de Dunga.

Do outro lado, estava o veterano Van der Sar, que pouco foi incomodado na partida apesar do aumento nas ações da Inter no segundo tempo. Prestes a bater o recorde europeu de minutos sem ter a meta vazada, o holandês não é do tipo espalhafatoso. Como na partida desta terça onde novamente foi auxiliado pela fortíssima defesa do United – a menos vazada da Champions e da Premier League -, seguramente a melhor da Europa. Não teve necessidade de fazer defesas difíceis, mas é peça importante quando os zagueiros do Manchester não previnem os ataques adversários, como pôde ser visto na final do último Mundial da FIFA, frente a LDU. O que difere Van der Sar de Júlio César é que o brasileiro vem sendo muito mais exigido, e por conseqüência, acaba se destacando mais. Mas trata-se de dois dos mais técnicos goleiros da atualidade e que podem decidir a segunda parte do confronto daqui a duas semanas, em Old Trafford.

22.2.09

Futebol MTViano

POR VERÔNICA LIMA
TextoSemPonto - http://www.textosemponto.blogspot.com/

A discussão da 'gostosa-ex-miss' e os comentaristas 'fim-de-carreira' me irritaram. Mudei de canal pra ver como outros noticiários esportivos tinham tratado do "assunto". E vi um Globo Esporte meio 'MTV' demais, apresentado num formato 'descolado', que já estava sendo experimentado por Tadeu Schmidt. O jornalista apresentador, que poderia ser um VJ qualquer de um canal juvenil, é Tiago Leifert, vindo da SporTV.

Não pesquisei nada sobre o cara, não tenho nada contra ou a favor dele (a não ser o fato de que tentei entrar no blog dele e é só pra convidados - se é pra ser assim, faz newsletter, não blog, pô), mas me preocupa o modelo de jornalismo que vem se consagrando na cobertura de esportes. Uma coisa é fazer um jornalismo 'leve', outra é a superficialidade, a futilidade. É isso que algumas matérias desse novo formato me transmitiram.

Fazer piadinhas com o mau humor do Muricy? Até pode ser legal. Mas, pra mim, que não tinha assistido ao jogo, os comentários da Renata Fan foram muito mais proveitosos que as firulas do Leifert. A Globo quis inovar o formato porque os telespectadores paulistas estavam de saco cheio: o noticiário estava perdendo pro Chaves, no SBT. E tenho lá minhas dúvidas se o público vai gostar ou achar o cara um mala.

Talvez o mau humor do Muricy venha um pouco disto: com a derrota, ele já sabia quais perguntas seriam feitas, quais os comentários. Tudo muito juvenil. Como quem fica sacaneando o amigo quando vence uma partida no video-game. Mas futebol é coisa séria. Pelo menos deveria ser. Tenho medo de reduzirmos um esporte que já foi comparado à arte a apenas comentários em tablóides, ferraris, gostosas, caras descolados. Enquanto isso, os cartolas enchem o bolso.Se eu fosse o Muricy, nem ia na coletiva. Não adianta ser grosso com a molecadinha.

20.2.09

Três por dois no Grupo 1

O final desta primeira rodada mostrou que a disputa no Grupo 1 da Libertadores será mesmo acirrada. E o fiel da balança será o Colo-Colo - que está longe de ser um time ingênuo, pois computa diversas participações no torneio - principalmente nos jogos em Santiago. O atual campeão do Clausura chileno não parece compacto o bastante para brigar pelas vagas à próxima fase, como ficou evidente no confronto com o Sport, o qual voltava à Libertadores depois de 21 anos. Com personalidade, o Sport conseguiu abrir 2-0 de cara e teve personalidade e destreza para segurar o ímpeto dos Caciques na busca por um empate.

A importante vitória fora de casa dá a oportunidade ao Sport de decidir a liderança do grupo jogando na Ilha do Retiro, contra nada menos que a LDU. Mesmo sem duas de suas principais peças do time campeão da América em 2008 – os velozes Guerrón e Bolaños, além do técnico Edgardo Baúza – a LDU é uma equipe que se não é brilhante, é compacta e tem bom toque de bola, características possívelmente exploradas na partida contra o Leão. O Sport terá de anular principalmente as investidas de Damián Manso, meia argentino que orquestra Los Albos. Manso tem bom remate, é bom nas bolas paradas e nas enfiadas para o ataque. No entanto, o Sport vive boa fase em 2009 e Nelsinho Baptista vai encaixando bem os reforços na equipe, que conta com o bom momento do promissor Ciro, oito gols em 2009. Além de Ciro, a base campeã da Copa do Brasil foi mantida, com o seguro Magrão, Durval e o veloz ala Dutra.

A primeira derrota do Palmeiras na temporada veio em má hora. Com bola para bater os atuais campeões da Libertadores, os garotos do Palmeiras sentiram um pouco a falta de tarimba na primeira partida frente a uma equipe mais técnica e bem armada. Keirrison e Cleiton Xavier – principais nomes do Verdão em 2009 até aqui – pouco produziram e a zaga capitaneada por Edmilson ainda está longe do entrosamento. Mas é fato que a equipe de Luxemburgo tem potencial para evoluir mais e é forte atuando no Palestra Itália, onde tem a chance de se redimir diante do Colo-Colo e não deixar Sport ou LDU disparem na liderança - em caso de vitória no confronto direto. Em caso de resulado negativo diante dos chilenos, o Verdão vai de ter de recuperar o prejuízo jogando em Recife, onde as equipes brasileiras normalmente sentem bastante o clima de "caldeirão" da Ilha, como comprovado na brilhante campanha do Sport na Copa do Brasil de 2008, onde derrotou o próprio Palmeiras, Inter, Vasco e Corinthians em seus domínios.

A próxima rodada (03 e 04 de março) começará a pôr alguns "pingos nos is" deste grupo. Mas há grandes chances dos favoritos se embolarem. Com um risco considerável do campeão da Libertadores poder cair ainda na primeira fase, apesar do bom início.