Há aproximadamente 5 meses, muitos, como eu, não acreditariam que duas equipes do Rio de Janeiro estariam entre os últimos do Campeonato Brasileiro de 2008, faltando apenas 10 rodadas para o término da competição.
Além do que, a visível melhora dos cariocas na edição de 2007, quando, de maneira inédita, duas equipes (Flamengo e Fluminense) ficaram na Zona de classificação Libertadores e as outras duas (Botafogo e Vasco) permaneceram entre os dez primeiros, criou a aparente ilusão de que os times do Rio, enfim, voltariam aos seus melhores dias. Ledo engano.
Muito mais preocupado com a fase final da Libertadores, o Fluminense iniciou sua campanha no torneio nacional de maneira inconstante. Em muitas partidas, inclusive, escalou jogadores reservas ou que não estavam no auge de sua forma física e tática.
O resto todo mundo sabe. A LDU surpreendeu, o inédito título continental não veio e o Tricolor, abalado pela perda e desmotivado com a venda de dois dos seus principais atletas (Thiago Neves e Cícero), não reagiu. Tanto que, após 28 rodadas, o Fluzão só esteve fora da temida parte inferior da tabela em 4 oportunidades.
Já o Vasco até esboçou um começo muito mais regular. Apresentando um futebol ofensivo que garantia muitos gols, os cruzmaltinos chegaram à cobiçada 4ª posição já na quarta rodada. As constantes falhas na defesa, porém, foram decisivas para a queda de rendimento dos alvinegros.
Com a saída de Eurico Miranda da presidência, parecia que as coisas iriam se acertar nos lados do clube da Colina. O problema é que o técnico Tita, a exemplo de seu antecessor Antonio Lopes, não conseguiu desempenhar um bom papel com o frágil elenco vascaíno e a situação somente piorou.
Hoje desmotivados, os rivais cariocas sonham com uma sorte melhor e esperam sair da incômoda parte inferior da tabela. Mas do jeito que as equipes estão se apresentando em campo, tudo leva a crer que no próximo encontro de ambos, no dia 02 de novembro, feriado de Finados, uma das equipes irá morrer, literalmente.
Certamente, o principal protagonista dessa partida será o polêmico e falastrão Renato Gaúcho. O treinador, que nos tempos de Fluminense chegou a declarar que “o time iria apenas brincar no Brasileiro”, poderá pagar as suas palavras com juros.
Se no Fluminense a situação se tornou muito delicada após a perda da Libertadores, e o treinador acabou demitido, hoje, do lado do Vasco, parece que a missão de não cair tornar-se-á muito mais complicada, haja vista que Renato comanda um elenco muito mais carente em boas opções.
Já tem gente por aí dizendo que, neste ano, não tem jeito: pelo menos um dos dois cairá. Confesso que essa não é a minha opinião, mas entendo que para alguém que necessita sair dessa posição, uma derrota a cinco jogos do final do torneio não seria encarada como algo bom. Pelo contrário, seria muito preocupante.
8.10.08
Prenúncio de Finados agitado
6.10.08
Noviços rebeldes
O caçula Hoffenheim chega à vice-liderança da Bundesliga: resultado de muitos investimentos, que fizeram o time chegar rapidamente a principal divisão do país.Mesmo com a coincidência de boas campanhas e da estréia na principal competição nacional de seus países de origem, as duas equipes têm trajetórias distintas. O Hoffenheim tem um mecenas, Dietmar Hopp. No entanto, o alemão não parece fazer o tipo "investidor aventureiro" que veio de um lugar distante, sem raízes com o clube, mas ainda sim um aficcionado por ele. Hopp adquiriu o controle financeiro do clube em 1990, por conta do vínculo afetivo com o clube, o qual frequentava em sua juventude. Mais tarde e já como engenheiro, fundou em 1972 a empresa de softwares SAP ao lado de outros colegas, todos dissidentes da IBM alemã. Atualmente, a SAP é a maior empresa produtora de softwares da Europa, o que possibilitou a Hopp construir fortuna estimada em cerca de US$ 1 bi, segundo a lista de bilionários da Revista Forbes.
Já o Hull City, fundado no início do século, sempre perambulou pelas divisões intermediárias da Inglaterra. Sua maior conquista antes do acesso à Premier League havia sido o título da terceira divisão inglesa em 1965/66. E a partir dos anos 80, os Tigers começaram a atravessar grave crise financeira, salvos pela intervenção do ex-diretor do Leeds, Adam Pearson, que ajudou a sanar as contas do clube e viu a equipe se reerguer aos poucos, a partir do fim da década de 90. Em cinco anos, o Hull ascendeu da terceira para a primeira divisão, ao vencer o playoff de acesso contra o Bristol City em 2007/08, após terminar em terceiro na fase de pontos corridos.No entanto, mesmo com o êxtase de estar na Premier League, o clube fez contratações modestas. Ao contrário do Hoffenheim, o Hull optou por trazer jogadores rodados a preços “modestos”, quando tratamos de cifras na Europa. A contratação mais cara do clube – e dos seus 104 anos de fundação - foi a do zagueiro inglês Anthony Gardner (ex-Portsmouth, 3.200.000 €). Maior destaque da equipe até aqui, o atacante brasileiro Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona, Benfica e Manchester City) veio sem custos para os Tigers. Mesmo assim, vem corrspondendo à aposta do clube, com a artilharia da equipe (três gols, dois deles nas duas últimas
rodadas). Além do brasileiro, destaque para o goleiro galês Boaz Myhill, que está no clube desde 2003 e é um dos responsáveis pela trajetória meteórica da equipe rumo à primeirona. É um time modesto e que ainda peca pela instabilidade e falta de equilíbrio entre defesa e ataque, já que mesmo na terceira colocação com 14 pontos, possui saldo de gols negativo (10GP e 11GC). Mesmo assim, já colocou as manguinhas de fora ao bater Arsenal e Tottenham fora de seus domínios e só perdendo uma partida em sete disputadas – goleado em casa pelo Wigan por 5-0Além da excelente fase, ambos desfrutam de audaciosos projetos de estádios. Enquanto o Hull City atua no KC Stadium, com capacidade para 25 mil torcedores e inaugurado em 2002, o Hoffenheim está construindo uma arena com capacidade para 30 mil torcedores em Heidelberg, prevista para janeiro de 2009. O “velho” Dietmar-Hopp Stadion, construído em 1999, não atende às exigências da Bundesliga, já que possui apenas 5000 lugares. Atualmente, a equipe manda suas partidas em Mannheim, no Carl-Benz Stadion, de 26 mil lugares.
Analisando as chances dos novatos, o time do Hull é bem modesto e não deve fazer papel relevante no Inglês em um futuro próximo. A manutenção na Premier League já seria uma vitória, mesmo contando com um time mais experiente, porém limitado tecnicamente. Já o Hoffenheim, com maiores investimentos na base jovem, pode inspirar-se em seu vizinho Karlsruher - do mesmo estado alemão de Baden-Württemberg, ao sul da Alemanha - que fez uma razoável campanha no mesmo ano de sua promoção à Bundesliga, em 2007/08, quando passou longe da zona de rebaixamento e chegou a sonhar com uma vaga na Copa UEFA. Em campeonatos onde o abismo entre grandes e pequenos é enorme, não é curioso deixar de pensar o incômodo que esses nanicos estão trazendo. Pelo menos, provisoriamente.
3.10.08
Torcida "Organizada"
Durante o treinamento da equipe do Vasco nesta quarta-feira, membros de uma torcida organizada invadiram o local para hostilizar os atletas e exigir uma conversa com o treinador Renato Gaúcho. A equipe é o lanterna do Brasileirão, com 26 pontos. É um sério candidato ao rebaixamento para a Série B de 2009. Renato atendeu à “solicitação” e se reuniu com a facção. Na quinta, os torcedores compareceram novamente ao centro de treinamento do clube, pularam a grade que teoricamente impede o acesso ao gramado e tiveram nova conversa com o técnico e alguns jogadores que ainda não tinham ido para o vestiário.Esse tipo de episódio não é privilégio do Vasco. Na mesma época do ano passado, o Corinthians estava enfrentando o mesmo drama, rondando perigosamente a zona da degola, e que acabou se confirmando depois com a queda do time. Antes disso, porém, os torcedores "organizados" foram até os treinamentos, exigiram mudanças no comportamento e até mesmo a saída de alguns atletas, cobraram os treinadores (Nelsinho Baptista foi o último). Sempre foram atendidos, participando de reuniões fechadas com elenco e comissão técnica. Adiantou alguma coisa?
Podemos citar inúmeros exemplos. A questão é: a burrice da torcida tem limite? Será que as chamadas "torcidas organizadas" fazem jus ao nome? Não é o que parece. Pressionando os atletas desse jeito, só tornam a situação do clube ainda mais conturbada. O próprio Vasco poderia estar em uma situação "menos pior" se ainda contasse com Morais, hoje no Timão. Mas o jogador, depois de ser ameaçado pelos torcedores, não quis mais vestir a camisa cruzmaltina. O elenco ficou ainda mais enfraquecido.
Em agosto, o uruguaio Richard Morales estava com tudo acertado no Flamengo. Sua apresentação já estava até marcada pela diretoria. Alguns dias antes, porém, torcedores invadiram o treinamento, xingaram os atletas e até jogaram uma bomba no campo. Resultado: a família de Morales assistiu às imagens do vandalismo e vetou a sua transferência para a Gávea. Logo depois, Souza e Marcinho deixaram o time, que ficou sem muitas opções no ataque. Enfim, se nós formos elencar fatos semelhantes, esse post ficaria muito longo e chato.
Mas e os clubes, ajudam a coibir tal prática? No mês passado, o presidente do Fluminense, Roberto Horcades, disse que dá ingressos de graça aos integrantes de torcidas organizadas por temer alguma represália, e afirmou ainda que é uma prática comum em todos os clubes, fato negado por outros dirigentes. Mas o problema é maior, não se limita simplesmente à distribuição de ingressos (fato lamentável, diga-se de passagem). O problema é a “moral” que dirigentes dão para esses torcedores.
A grande maioria das torcidas organizadas já mostrou que, movidas por uma suposta paixão, pode trazer inúmeros danos aos clubes. Isso envolve a questão da violência, da pressão e intimidação aos jogadores, danos estruturais e materiais em estádios rivais, entre tantos outros. Acho um absurdo um clube profissional ceder e permitir que torcidas tenham reuniões com jogadores e técnicos para cobrar isso ou aquilo. Lugar de torcedor é na arquibancada, e não dentro do vestiário.
Claro que o torcedor pode reclamar e pedir por mudanças quando o time não corresponde em campo. Mas da arquibancada. Outro fato que é lamentável é a presença dessas facções em treinamentos, que é justamente quando o treinador pode estudar alguma alteração, que é quando os jogadores precisam estar concentrados para melhorar a parte física, técnica e tática. Mas os torcedores não pensam assim. Vão até lá para protestar (qual a ocupação desses torcedores, que podem ir até o treino em plena tarde de um dia de semana?). Se não podem treinar, como esperar um rendimento melhor durante os jogos? Mas coitados, eles são tão apaixonados...
2.10.08
Outras opções
A falta de opções estáveis no comando de ataque do Brasil é grave. Isso veio à tona novamente quando Luis Fabiano – sem dúvidas, o melhor centroavante brasileiro da atualidade – se contundiu em treinamento do Sevilla, o que ocasionou seu desfalque nos jogos contra Venezuela e Colômbia, válidos pelas Eliminatórias da Copa de 2010. Mesmo com Fabiano no comando de ataque, a Seleção criou pouco diante da Bolívia e faltam outras opções para mudar o panorama do jogo, quando o camisa 10 do Sevilla não estiver em boa jornada.O seu substituto, Adriano, foi convocado nesta quarta-feira e se trata de uma figurinha cativa nas convocações do escrete nacional nos últimos anos. Mas ainda é sombra do Imperador de outrora, apesar dos bons jogos pelo São Paulo no primeiro semestre. Na Inter de Mourinho, o brasileiro passa longe de ser unanimidade, apesar de o técnico português estar lhe dando mais chances, ocasionalmente fazendo boas partidas e marcando seus golzinhos.
Boa parte dos torcedores e jornalistas clamaram por Nilmar. Creio que, apesar do atacante colorado estar em evolução neste ano, a sua inserção em um time que já tem outro meia/atacante móvel – Robinho, respirando novos ares na Inglaterra – não seria de grande produtividade para o Brasil. Como normalmente os adversários da Seleção primam pela defesa e o jogo nos contra-ataques, não ter uma referência de força física e um pouco mais fixa junto aos zagueiros facilitariam a solidez do esquema da defesa adversária. Nilmar deveria estar sim entre os onze iniciais, porém, como segundo atacante, função que desenvolve com excelência. Outra opção que está na lista, o jovem Jô, não tem a maturidade necessária para estar no elenco, apesar de sua grande evolução no futebol europeu e na Seleção Olímpica medalha de bronze em Pequim. Pato é outro que se mostra uma boa opção de segundo tempo, já que o jovem avante do Milan também tenta a afirmação no Calcio e já mostrou grande potencial a ser lapidado.
O desprezado Amauri – na minha visão, ótima opção para o comando de ataque – acena em defender a camisa da Azzurra assim que seu processo de naturalização estiver pronto. Atacante técnico, de alguma mobilidade e boa finalização, é mais um daqueles brasileiros tipo exportação que não tiveram a oportunidade de brilhar em terras tupiniquins. De carreira sólida, toda construída no futebol italiano, Dunga sempre fez comentários sobre a possibilidade de testá-lo com a camisa canarinho. Mas sempre o colocava como uma das últimas opções viáveis, fato que faz com que o paulistano de 28 anos – se considerarmos para 2010, uma boa idade – acelere o processo para defender a Itália, regados a diversos pedidos dos últimos técnicos da Seleção Italiana, Donadoni e Marcelo Lippi. "Certamente não irei convocá-lo nos próximos jogos das eliminatórias. Existe uma hierarquia no meu ataque que passa por Adriano, Pato, Luis Fabiano e Fred", afirmou o técnico em julho, em entrevista a Gazzetta Dello Sport. E pelo jeito, o pensamento do constestado técnico não mudou uma vírgula, mesmo com o bom início de Amauri na Juve, com quatro gols anotados em nove jogos, sendo que o avante ainda não é titular absoluto (talvez o seja com a contusão do francês Trezeguet).Por fim, outros defendem a inclusão da ala “mais experiente”, liderada pelos goleadores do Brasileirão 2008, Kleber Pereira e Alex Mineiro, que vivem boa fase. Apesar de não serem adequados à formação de uma base para a Copa, poderiam ser úteis por ora. Penso que entrosar a equipe é muito importante para o trabalho a longo prazo, mas o importante é conseguir montar uma boa base, onde seja possível mobilizar algumas posições para que o jeito de jogar não se torne tão previsível e a Seleção não volte a apresentar uma jornada bisonha, como no jogo frente aos bolivianos. Não se trata de jogar bonito, e sim dar chance a eficiência para que o período das Eliminatórias seja mais tranqüilo.
30.9.08
O Brasil vai ser campeão!
Desses, muitos acabam obtendo a dupla nacionalidade, podendo com isso serem convocados para a seleção local. Nesta edição do Mundial, a “Itália” conta simplesmente com todos os atletas nascidos no Brasil! Isso mesmo, todos, com a exceção do técnico. Há ainda três brasileiros defendendo a Espanha, dois jogando pela Rússia, um pelo Japão e, finalmente, um pelos EUA.Lembro que há algum tempo estava comentando sobre a questão da naturalização no futebol com o pessoal do blog, e não conseguimos chegar a uma solução. Não dá para competir com o poderio financeiro europeu. E com a naturalização, que não tem relação com futebol, os jogadores passam a ter os mesmos direitos que os cidadãos dos respectivos países, e, por isso, não há como proibi-los de atuarem pelas seleções.
Porém, alguma coisa precisa ser feita. Como pode uma equipe não ter um único jogador nascido no próprio país? Estamos caminhando para uma situação em que um campeonato será disputado entre brasileiros e “brasileiros estrangeiros”, como comumente chamamos os atletas que atuam no exterior.
Ao contrário do futebol de campo, o futsal na Europa não tem o glamour, nem o poder monetário dos gramados. Aliás, nem mesmo profissional. É o caso da Itália, por exemplo. Caio Farinha, goleiro que defenderá a seleção italiana pela segunda vez em um Mundial, afirmou à Folha de S.Paulo que o processo de convocação de um time formado apenas por nascidos no Brasil foi natural, uma vez que cerca de 90% dos jogadores da liga italiana são brasileiros. “Existem poucos italianos jogando futsal hoje. Eles preferem contar com um trabalho regulado pelo governo, já que o mesmo salário que é bom para um brasileiro não é bom para eles, buscando assim a segurança da carteira assinada”, esclareceu Farinha.Resta saber apenas quantos brasileiros terão a honra de levantar o belo troféu de Campeão do Mundo. Porque eu aposto todas as minhas fichas que, se não for a turma de Falcão que tiver essa oportunidade, algum outro conterrâneo certamente terá. Os três da Espanha largam na frente.
