14.8.07

Restam dezenove... - Parte I

Festa são-paulina:
Jogada ensaiada entre Rogério Ceni e Jorge Wágner abre caminho para o título do 1º Turno

Depois de 19 rodadas não completas e 185 partidas em que tivemos as redes balançadas em 520 oportunidades, conseguimos, chegar à metade do Campeonato Brasileiro. Durante todo este tempo, o equilíbrio marcou o torneio. Mais uma vez, o campeonato mostra que não há uma equipe que possa vangloriar-se de ser muito melhor do que qualquer outra. A imprevisibilidade dos resultados fez com que tivéssemos jogos disputados, embora fracos tecnicamente.

Na ponta da tabela aparece o São Paulo, campeão do 1º turno. Graças a sua força defensiva e ao poderio marcador de sua dupla de volantes, o Tricolor Paulista desponta como principal favorito ao caneco.

Depois que Muricy Ramalho foi eliminado do Campeonato Paulista diante do São Caetano tentando pressionar o Azulão, parece que o treinador descobriu a verdadeira estratégia vencedora: o contra-ataque. Atualmente a principal arma da equipe é neutralizar o adversário, evitando correr grandes riscos. Depois, sim, pensar em atacar.

Apesar do São Paulo não ter marcado muitos gols, a postura ofensiva do time cresce gradativamente. Cerca de 62% dos gols anotados pela equipe do Morumbi (15 gols), aconteceram nas últimas sete partidas.
O principal rival paulista é o Botafogo, time que apesar de ter liderado o campeonato durante mais tempo, perdeu fôlego no sprint final, no qual conquistou apenas 5 pontos dentre os 15 disputados.
O destaque do time da General Severiano é seu forte poder ofensivo. Os 36 gols marcados (2º melhor ataque do torneio) fizeram com que, inclusive, dois jogadores aparecessem entre os artilheiros da competição.
Mesmo assim, ultrapassar o Tricolor não será tarefa fácil. Afinal, os alvinegros têm um elenco inferior ao do São Paulo, uma defesa não confiável e uma estigma de “cavalo-paraguaio”. Como se isso já não fosse o suficiente, o Fogão passa também por vários problemas internos (leia-se imbróglio Zé Roberto).

Mais abaixo da tabela, aparecem o Cruzeiro e o Vasco. Como ambos, a exemplo do Botafogo, têm um jogo a menos, não seria surpresa tão grande vê-los com a faixa de campeão no fim do torneio.

O Cruzeiro está embalado por sua boa série de resultados (nos últimos 8 jogos, 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota) e por seu elenco totalmente renovado. Hoje, nenhum dos jogadores que representaram a equipe na estréia (dia 12 de maio) é titular!

Embora a defesa ainda apresente falhas quanto a seu posicionamento em jogadas aéreas, principalmente, do meio-campo para a frente, a equipe de Dorival Júnior vai “muito bem, obrigado”. Além de possuir o melhor ataque com 40 tentos anotados, o Zêro não é dependente de um ou dois atletas já que 6 de seus jogadores já fizeram, no mínimo, 4 gols.

O Vasco, é o time que mais surpreendeu neste turno. Apesar de ter em mãos um elenco desconhecido e deveras fraco, Celso Roth mostra que futebol deve ser ganho dentro do gramado. A organização tática vascaína faz com que dificilmente percam pontos atuando em casa.

O empenho do conjunto cruzmaltino pode ser representado pelas estatísticas, haja vista que os cariocas são os únicos que conseguem estar simultaneamente entre as cinco melhores defesas e os cinco melhores ataques.

No resto, dificilmente alguma equipe chegará ao título. Menções apenas para Palmeiras, Internacional, Grêmio e Santos que, ao meu ver, são os únicos que poderão lutar por uma vaga restante na Copa Libertadores – 2008.

13.8.07

Especial Copa 2014 - Planejar é preciso


O legado da Copa não fica apenas para o esporte. As melhorias no trânsito, abertura de novos empregos e cuidado urbanístico atingem toda a sociedade. Foto do Estádio João Havelange - "Engenhão".


A decisão do Brasil em sediar a Copa do Mundo de 2014 se divide em opiniões favoráveis e contrárias quanto ao fato do país receber grandes eventos. Investir quantias que iriam ser destinadas para finalidades sociais mais emergenciais ou de maior relevância para a população, visando viabilizar a realização dos jogos, gera um paradoxo em um país que busca se destacar internacionalmente, mas que no seu interior convive com uma enorme desigualdade social.

Para o jornalista esportivo Flávio Benvenuto, a aplicação de recursos do governo federal em eventos esportivos de grande porte é uma forma de melhorar a infra-estrutura das cidades que serão sedes do evento: “O governo terá de fazer obras que facilitem o escoamento do trânsito, melhorias nos setores urbanísticos, contenção da violência e reformas em estádios que promoverão a criação de empregos temporários e agirão no desenvolvimento social e tecnológico no Brasil”.

Aldo Azevedo, especialista em Sociologia do Esporte e professor da UnB, acredita que o Pan-Americano 2007 irá trazer boas lições para os organizadores do projeto da Copa do Mundo no Brasil quanto ao orçamento e desperdício de recursos: “Durante a realização das obras no Rio de Janeiro, foram destinados cerca de R$ 3,5 bilhões de reais para a concretização do evento que inicialmente havia sido orçado em R$ 300 milhões”, ressalta o professor.

A respeito da realização da Copa de 2014 no Brasil, o presidente Lula, em nome do Governo Federal, enfatiza que a aplicação de recursos públicos é uma forma de divulgar a grandeza do país e melhorar a auto-estima do brasileiro. Já a CBF, espera que o Estado apenas haja como um facilitador e indutor, deixando o capital privado tomar conta dos preparativos da competição.


Cléber Bernucci, jornalista da rede SportTV, acredita que o planejamento é fundamental para o Projeto 2014 vingar: “ Já tivemos exemplos de países como o México, o Chile e mais recentemente Japão e Alemanha, que destinaram recursos para a realização das Copas e melhoraram seus sistemas viários, deixaram seus estádios mais modernos e criaram um sentimento de zelo pelo patrimônio construído”, e conclui: “A Copa passa mas o legado fica”.

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10.8.07

Campeonato Inglês: As jóias da Rainha nunca valeram tanto

Nada de Galácticos, Quarteto Fantástico, Super Bayern ou o timaço da Inter formado para comemorar seu centenário. O que está sacudindo a Europa são as contratações milionárias do Campeonato Inglês. E não estamos falando de quantias exorbitantes por supercraques mundiais, mas muitas transações dentro da própria Grã-Bretanha por jogadores "revelações" ou de técnica mediana. Como apontou Tomaz Alves, do site Trivela, os clubes estão rindo à toa. Esbanjam dinheiro porque a partir do ano que vem, entrará em vigor em novo contrato entre a Premier League e os clubes. Só pelos direitos de TV, cada clube vai passar a abocanhar uma incrível quantia de 90 milhôes de euros. E os clubes foram as compras. Os grandes querem brigar diretamente com o campeão Manchester United, os médios sonham com uma classificação para a Champions League e os pequenos sonham com as Copas Européias.

Falando do campeão, o Manchester United reforçou ainda mais o seu bom elenco. A vinda do meio-campo Owen Hargreaves promete dar mais qualidade e pegada na meia dos Red Devils, enquanto a aposta nos jovens Nani e Anderson se deve a falta de fôlego apresentada pelo time no final da última temporada. A falta de opções no meio e no ataque certamente custou a Champions League ao United, visivelmente estourado pelo excesso de jogos. E Carlitos Tevez chega a equipe com pinta de formar um ataque infernal com Wayne Rooney, pois a dupla consegue aliar a hablidade a força física, o que pode vir a ser um dos diferenciais da equipe junto com a experiência de jogadores como Scholes, Giggs, Ferdinand e Van der Sar. Além dos reforços, o melhor jogador do Campeonato Inglês passado está cheio de fôlego: Cristiano Ronaldo, um dos possíveis cotados para o prêmio de melhor jogador do ano da FIFA, mostra-se o principal jogador do time comandado por Sir Alex Ferguson.

O Chelsea definitivamente colocou a mão no freio na busca por contratações. O grande investimento do manda-chuva Roman Abramovitch foi o meia-atacante Florent Malouda, que veio por 21 milhões de euros. Malouda chega com pinta de titular, provavelmente em lugar de Arjen Robben, praticamente acertado com o Real Madrid. Os outros reforços vieram a custo zero e possivelmente vão compor o elenco dos Blues neste início de temporada: os meias Steve Sidwell e Tal Ben Haim; o zagueiro brasileiro Alex e o atacante Claudio Pizarro. Malouda promete dar mais dinamismo na transição entre o meio e o ataque da equipe ao lado de Lampard. A esperança de José Mourinho é que, além de Drogba repetir a boa temporada que fez na temporada 2006/07, o ucraniano Andriy Shevchenko volte a jogar o futebol perdido de outrora. Outra dor de cabeça, que pode ser resolvida com a chegada de Alex e a volta do lateral Glen Johnson, é a defesa, tão desfalcada por suspensões e contusões no ano pasado e que foi um dos fatores determinantes para que o Chelsea perdesse o tricampeonato inglês. Capitaneada por Terry, bem guardada pelo excelente Petr Cech e vigiada com eficiência por Essien, Mourinho torce para que a sorte lhe seja mais favorável nesta temporada.

Segunda equipe que mais investiu dinheiro em contratações (cerca de € 70 milhões, só perdendo para o Manchester United), o vice-campeão europeu Liverpool vem com tudo para tentar levantar o caneco da Premier League, algo que não acontece há 18 anos, desde a temporada 1989/90. E para isso, o time do ótimo técnico Rafa Benítez abalou a Inglaterra e a Europa com uma contratação de impacto: "El Niño" Fernando Torres chega para ser o grande centro-avante e resolver os problemas de finalização no ataque dos Reds. Além dos 35 milhões de euros por Torres, o Liverpool reforçou o setor de frente com o jovem e arisco holandês Ryan Babel (€ 17 milhões) e o ucraniano Andriy Voronin. Na meia, mais grana torrada em Yossi Benayoun (€ 7 milhões) e no Bola de Ouro do Brasileirão 2006, o volante Lucas (€ 10 milhões). Os novos reforços aliados a base vice-campeã da Europa na temporada passada prometem muito. A boa fase de Pepe Reina; a segurança da zaga de Agger e Carragher; a eficiência e a boa marcação de Riise, Mascherano e Xabi Alonso; mais a liderança de Gerrard são fatores que colocam o Liverpool como um dos favoritos ao título. E para mim, só não é mais favorito que o Manchester United.

O Arsenal continua cada vez mais jovem. A perda de jogadores que fizeram parte da geração mais vitoriosa dos Gunners, como Ljungberg e Henry, faz da equipe uma grande incógnita. Com reforços bem mais "modestos" em relação aos seus concorrentes diretos, o Arsenal de Arsène Wenger tentará disputar essa Premier League na base do fôlego e da disposição. Para o lugar de Henry, veio Eduardo da Silva, artilheiro da seleção croata e das duas últimas ligas croatas. No mais, vieram os jovens Bakary Sagna, zagueiro, e Lukas Fabianski, goleiro e provável reserva de Lehmann. Com isso, o fardo de carregar a equipe fica a cargo dos experientes defensores Gallas e Gilberto Silva aliados ao entrosamento e a juventude de bons jogadores como Fabregas,Touré, Rosicky, Walcott e Adebayor. Mas ainda é muito pouco para um time do porte do Arsenal, como já foi destacado aqui neste espaço no post de Alexandre Azank.

Entre os médios, o Tottenham mostra que vem para brigar por uma possível quarta vaga na próxima Champions League. E o time do técnico Martin Jol, com base na boa quinta colocação do campeonato passado foi as compras. Darren Bent, atacante inglês que fez boa temporada pelo rebaixado Chalton, chega pela bagatela de € 24 milhões e vai brigar por uma vaga no ataque, que já conta com a boa dobradinha Robbie Keane/Berbatov. Trouxe ainda o lateral Gareth Bale, da seleção galesa além dos meias Kaboul e Boateng. Além do bom nível do ataque, os Spurs ainda contam com a boa visão de jogo de Aaron Lennon, meia que também é constantemente convocado para a seleção inglesa. Mantendo-se a boa campanha, principalmente na reta final da última temporada, não é impossível sonhar com uma vaga na Champions League, além de incomodar bastante os grandes.

O Newcastle também tenta engrenar uma boa temporada. Nos últimos anos, vêm montando bons times, mas sempre fracassa. A contratação do técnico Sam Allardyce pode ser um dos diferencials para a equipe engrenar de vez na Inglaterra. Reforços como o polivalente Géremi, os zagueiros Caçapa e o tcheco Rozehnal e dos atacantes Mark Viduka e Alan Smith pintam como um processo de formação de um elenco forte para essa temporada. E o principal nome da equipe continua sendo o infernal Oba-Oba Martins, que jogando praticamente sozinho, conseguiu levar a equipe nas costas no último Inglês. Se finalmente se recuperar, Michael Owen também pode ser de grande valia à equipe.

Outras equipes de porte médio também receberam bons reforços para essa temporada. Destaques para o Manchester City, de novo manda chuva (o tailandês Taksin Shinawatra) que trouxe os meias Elano e Martin Petrov, além dos atacantes Rolando Bianchi, Valeri Bojinov - ambos com retrospectos de boas temporadas pelo futebol italiano - e Geovanni (ex-Cruzeiro, Barcelona e Benfica). O Portsmouth tem como principais reforços o meia Sulley Muntari e o atacante John Utaka. A equipe - que chegou a liderar o início do campeonato da última temporada - ainda tem nomes tarimbados do futebol inglês como o goleiro David James, o zagueiro Lauren e o atacante Kanu. O Blackburn fez boas aquisições no ataque com a vinda de Maceo Rigters (revelação do sub-21 da Holanda) e do matador Roque Santa Cruz. Já o West Ham, que ainda está em uma confusão causada pela contratação de Tevez junto à MSI durante o ano passado, não quer repetir a campanha do ano passado, quando fugiu do rebaixamento na última partida. Para isso, mesclou reveleções com jogadores experientes para compor a equipe. Ljungberg e Scott Parker se juntam ao meia Faubert e o atacante Bellamy, ex-Liverpool, para subir os Hammers de patamar na Inglaterra. Essas equipes brigam diretamente pela vaga na Copa da UEFA, ao lado de Bolton, Aston Villa, Middlesbrough e Reading, que mantiveram sua base, mas trouxeram reforços que podem estourar, mas despertam muitas dúvidas e incertezas. Os recém-promovidos Sunderland, Birmingham e Derby County tem como pretensão inicial brigar para não voltar à Segunda Divisão, ao lado de equipes como o Fulham e o Wigan, que fizeram contratações modestíssimas em termos técnicos.

Com um gasto total em contratações que passa os € 600 milhões, o Campeonato Inglês mostra porque atualmente é o mais técnico e badalado campeonato nacional do momento. Com um abismo técnico menor dos grandes em relação aos médios e dos médios em relação aos pequenos, a disputa promete ser acirrada. Nunca se viu uma Premier League tão valorizada, tanto para clubes, quanto para organizadores e patrocinadores.

Top 10 - Contratações na Premier League (De acordo com o site alemão Transfermarkt.de)

Fernando Torres (Liverpool) - € 35 milhões
Anderson (Man United) - € 31,5 milhões
Nani (Man United) - € 25,5 milhões
Owen Hargreaves (Man United) - € 25 milhões
Darren Bent (Tottenham) - € 24,7 milhões
Florent Malouda (Chelsea) - € 21 milhões
Ryan Babel (Liverpool) - € 17,2 milhões
Gareth Bale (Tottenham) - € 14,7 milhões
Craig Gordon (Sunderland) - € 13,5 milhões
Rolando Bianchi e Vedran Corluka (Man City) - € 13 milhões

9.8.07

Especial Copa 2014 - Grandes eventos esportivos em países emergentes: ótimo negócio

Copa do Mundo e Olimpíadas são indicativos de grandes investimentos na infra-estrutura dos anfitriões. Na foto, o novo Shakhtar Stadium na Ucrânia, que custou 250 milhões de dólares e será inaugurado em 2008.

Em outubro, a FIFA vai decidir qual país sediará a Copa de 2014 e o Brasil se apresenta como forte candidato a receber o maior evento do futebol mundial. Mas há quem defenda que o país não tem infra-estrutura suficiente para receber um evento de grande porte, como uma Copa ou uma Olimpíada. No entanto, a tendência dos últimos anos é a aposta em países emergentes para receber competições desse porte. As vantagens sediar um grande evento esportivo são enormes, pois as obras de adequação necessárias para recebê-los são de grande valia para auxiliar no desenvolvimento desses países. Por outro lado, os grandes investidores vêem nesses países um grande filão para lucrar, com a venda de direitos exclusivos e uso do marketing massivo do evento.

Há exemplos recentes dessa nova tendência, como a escolha recente da sede da Eurocopa, terceiro torneio de futebol mais importante do mundo, atrás apenas da Copa do Mundo e Liga dos Campeões da UEFA. Polônia e Ucrânia, países pertencentes a área de influência soviética durante a Guerra Fria, receberão as melhores seleções da Europa em 2012. Para se medir a importância de tal evento, desde 1976, quando a ex-Iugoslávia recebeu a Euro, o Leste Europeu não recebia uma competição desse porte.

Mesmo com muitos problemas de infra-estrutura, poloneses e ucranianos venceram a eleição facilmente e agora correm contra o tempo para poder proporcionar toda a estrutura necessária para a realização da Eurocopa. O ministro de transportes e comunicação da Ucrânia, Mykola Rudkovsky, acena com a possibilidade de construção de uma estrada que ligue os dois países a Europa Ocidental, além da melhoria da malha rodoviária de ambos, visando à interligação entre as 10 cidades-sede. Outros investimentos a serem feitos são a ampliação dos principais aeroportos da Ucrânia, a ampliação da estrutura hoteleira e a melhoria nas tecnologias de comunicação. Além disso, 20 mil presidiários serão recrutados para ajudar nas obras polonesas, como forma de reabilitá-los e baratear a mão-de-obra.

Polônia e Ucrânia se espelham no exemplo de Portugal, que sediou a Eurocopa em 2004. Além das obras estruturais, os principais estádios do país foram reformados, fato esse que ajudou a desenvolver o futebol local e colocar a seleção lusitana como uma das principais do mundo na atualidade.

Outros eventos futuros que poderão auxiliar países emergentes são a Olimpíada de Pequim, em 2008 e a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, a primeira Copa a ser realizada em continente africano. Baseado nesses exemplos, o economista e especialista em marketing esportivo, Antônio Afif, afirma que se bem planejada, a realização da Copa é possível: “Como é em 2014 temos tempo hábil para nos adaptarmos. É possível, desde que nos preparemos adequadamente”. E os benefícios para o Brasil estariam além de melhorias estruturais, segundo pensa o professor em Adminstração de Empresas da FGV-SP, Marco Aurélio Klein: "Teríamos procedimentos que vão ficar marcados como uma herança cultural no colo da torcida. Esse, por exemplo, é um retorno que não tem preço pelo que acarretará no desenvolvimento do esporte."

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8.8.07

Atacar ou defender: eis a questão

No ano passado, Botafogo e São Paulo enfrentaram-se pela 15ª rodada do Brasileirão, no Raulino de Oliveira. O jogo terminou empatado: um a um.

Após dezessete rodadas de pouca inspiração, finalmente os torcedores brasileiros poderão acompanhar uma partida válida pelo Campeonato Brasileiro que despertará um interesse maior: Botafogo e São Paulo. Não restam dúvidas também, que no cenário futebolístico nacional não há equipes que aliem tanta qualidade técnica em seu conjunto, senão estas duas.
Desde o início do torneio, há três meses atrás, ambos já chegavam com pinta de favoritos ao caneco. Hoje, apoiada pela inconstância de seus adversários na luta pelo título, a dupla confirma as expectativas e travam, com sobras, um duelo a parte.
De um lado, temos o Fogão dirigido por Cuca, que apesar de não ter um grande elenco, consegue montar um esquema muito fluído e ofensivo. Não à toa, o time de Cuca tem o segundo ataque mais positivo da competição, com 35 gols marcados. Só para termos uma idéia, somente o ataque formado por Dodô e André Lima tem 18 tentos anotados juntos. Já o time inteiro do São Paulo só marcou 20 gols...
Se o ataque é infernal, não podemos dizer o mesmo da defesa alvinegra. Com exceção feita ao bom zagueiro Juninho, nenhum nome é uma unanimidade no grupo. Até mesmo Marcos Leandro, goleiro reserva do Paraná, foi contratado às pressas na tentativa de resolver as falhas defensivas.
Do outro lado temos o Tricolor Paulista de Muricy Ramalho. Ao contrário do time carioca, o que surpreende no São Paulo é o número de gols sofridos: apenas sete (impressionante média de 0,41 gols levados por jogo). Prova de que a trinca formada por Miranda, André Dias e Alex Silva ou Breno (revelação do Brasileirão até o momento) tem mostrado resultados. Tanto empenho certamente contribuiu para que o clube apresentasse a melhor campanha como visitante.
Já no ataque, o Tricolor é uma lástima. Não dificilmente depende de esporádicos momentos de inspiração dos seus meio-campistas ou de alguns chutes de longa distância. Podem até dizer que Borges passa por uma boa fase, mas o avante não convence ninguém...
E nesse confronto de ataque versus defesa, muita polêmica. No Botafogo, o aspirante a craque Zé Roberto acaba de ser suspenso por indisciplina técnica e não tem data para retornar aos gramados. Pelo São Paulo só comenta-se todo o embróglio produzido pela declaração preconceituosa de um dirigente palmeirense contra o atleta Richarlyson.
Na minha modesta opinião, o confronto entre o antigo e o atual líder será muito nervoso e acabará empatado em um ou dois gols. Por melhor visitante que o São Paulo seja, realmente não acredito que poderá quebrar a invencibilidade do Botafogo no Maracanã, que já dura 25 jogos. Na verdade, também aposto no empate para que esta briga seja levada até o final da competição. Afinal, quem não gostaria de ver uma situação semelhante daqui a quatro meses, em plena 37ª rodada? Como diria Galvão Bueno: “Haja coração...”