4.6.11

Título de segunda, base de primeira

Redigido originamente para a seção "Meninos ganham campeonatos", do Olheiros (@olheiros)

O Coritiba que assombrou o Brasil ao conquistar o Campeonato Paranaense deste ano de forma invicta (coroando o bi estadual) e emplacar recorde de 24 vitórias seguidas – quebrando a marca do fabuloso Palmeiras de 1996 – consagrou dois jogadores, em especial: o goleiro Édson Bastos e o zagueiro Jéci. Ambos presentes no início do ressurgimento recente do Coxa, obtido a partir do título da Série B do Brasileirão, em 2007.

Mas ao contrário do bom time montado pelo técnico Marcelo Oliveira desde o ano passado e que também conquistou o título da Segundona, o Coritiba de quatro temporadas atrás tinha uma espinha dorsal totalmente formada em casa. O zagueiro Henrique, os meias Pedro Ken e Marlos, e o então promissor Keirrison, entre outros, foram primordiais para levar o clube à elite do futebol nacional, sob a batuta de René Simões.

Guinada graças à base

Maior campeão paranaense, o Coritiba amargava seca por novas conquistas. Após o ótimo quinto lugar no Brasileirão de 2003 e o título estadual de 2004, os Alviverdes estavam há três anos sem uma taça nova em sua estante. O irregular

terceiro lugar do Paranaense – eliminado pelo surpreendente campeão Paranavaí – não foi suficiente para derrubar o técnico Guilherme Macuglia, que iniciou a jornada daquela Série B. Mas o comandante só resistiria por quatro rodadas no cargo, quando foi demitido após uma derrota para o São Caetano em casa, no início de junho. Sem saber, era ali que começaria a grande reviravolta no clube.

Poucos dias após a queda de Macuglia, a diretoria confirmaria a vinda de René Simões para o cargo. O ex-ídolo do clube e coordenador das categorias de base Dirceu Krüger assumiria como seu auxiliar técnico. Com seu conhecimento sobre a característica dos jovens – alguns já aproveitados por Macuglia desde o início do ano – e a batuta do novo treinador, o Coritiba ganhou impulso rumo ao acesso à elite e ao título.

Coube a Simões mesclar, com eficiência, a experiência de jogadores como o goleiro Édson Bastos, o lateral-direito (muitas vezes, improvisado na zaga) Anderson Lima e o zagueiro Jeci com o sangue novo de Henrique, Pedro Ken e o goleador Keirrison – destaques do Coxa semifinalista da Copa São Paulo de 2006 –, adicionados ao meia Marlos e os atacantes Henrique Dias e Gustavo, opções constantes para o Alviverde. Então com 18 anos, Keirrison terminaria a Série B com 12 gols e a artilharia da equipe. E muitas das chances do K9 vinham dos pés de Pedro Ken, o “japonês”.

Com o acesso garantido a quatro rodadas do fim do torneio, o Coritiba ainda seria campeão daquela Série B. E toda a trajetória, envolvendo elenco, técnico, torcida e bastidores, foram contadas pelo próprio René no livro “Do Caos ao Topo - Uma Odisseia Coxa-Branca” , lançado em 2008.

Sucesso, desmanche e sumiço

As jovens revelações logo virariam objeto de cobiça por parte de clubes de maior porte no Brasil. O primeiro a deixar a capital paranaense foi Henrique, que integrou o Palmeiras campeão paulista de 2008. Vendido por R$ 6 milhões, o defensor ficou apenas quatro meses a mais no Brasil, quando foi levado ao Barcelona por mais de quatro vezes o valor da negociação inicial. Porém, o bom zagueiro ainda não teve chances na equipe catalã e acabou emprestado ao Bayer Leverkusen e ao Racing Santander, onde não alcançou o destaque dos tempos de Coxa.

Cérebro daquela equipe, Pedro Ken ainda seria peça importante na conquista do Paranaense de 2008, mas lesionaria o joelho no Brasileirão do mesmo ano. Voltou aos campos em 2009, mas sem o mesmo brilho do início. Ainda assim, o Cruzeiro pagou R$ 4 milhões por parte de seus direitos. Com poucas chances e com constantes lesões na Toca da Raposa, ele foi liberado pelo time mineiro para jogar, por empréstimo, em outro clube da Série A – provavelmente o recém-promovido Figueirense.

O que mais permaneceu no clube foi Marlos, mas o meia acabou saindo sem render um centavo aos cofres do Coritiba. Outro dos destaques do título estadual de 2008 e habitual na equipe desde então, sua velocidade e habilidade despertaram a cobiça do São Paulo, que esperou o fim de seu contrato para anunciá-lo em transferência livre. Contudo, em dois anos no Tricolor, não é nem sombra do jogador que parecia ser e é constantemente criticado pelo excesso de preciosismo e a má conclusão ao gol.

Sem dúvida, o caso mais emblemático é o de Keirrison. Acostumado a ser matador desde a base do Coritiba, K9 foi o artilheiro do Paranaense 2008, com 18 gols (foi escolhido como o craque do torneio), e um dos marcadores máximos do Brasileirão do mesmo ano, com 21 tentos (ao lado de Kleber Pereira e Washington). O centroavante foi outra aposta da Traffic repassada ao Palmeiras no início de 2009, mas, ficou pouco tempo e foi vendido por 15 milhões de euros, cinco meses depois. A exemplo de Henrique, não jogou uma partida sequer pelos blaugranas, dando início a uma série de empréstimos que o fizeram peregrinar por diversos clubes: Benfica, Fiorentina e Santos, onde segue apenas como uma pálida lembrança do técnico camisa nove que ajudou a subir o Coritiba de patamar.

O Coritiba também acabaria declinando após o acesso à elite em 2007, o título do Campeonato Paranaense de 2008 e a vaga obtida na Copa Sul-Americana, com o nono lugar da Série A. Sem títulos, o clube terminou 2009, ano de seu centenário, de forma triste: rebaixado em casa, com quebra-quebra dos torcedores do Coxa que os afastou por longo tempo do Couto Pereira. Só com Marcelo Oliveira é que o resgate do time à elite começaria novamente. Mas sem o toque caseiro tão marcante, como na última boa safra, em 2007.

Ficha técnica

Clube/seleção: Coritiba
Treinador: René Simões
Competição: Campeonato Brasileiro da Série B
Ano: 2007
Escalação: Edson Bastos; Henrique, Anderson Lima e Jéci; Túlio, Veiga, Pedro Ken, Ricardinho (Marlos) e Fabinho; Keirrison e Gustavo (Henrique Dias)

3 comentários:

Lucizano disse...

Desta safra passada, Marlos ainda é quem está em evidência. Henrique é incógnita, Keirrison e Pedro Ken fiascos.

Fala André, td certo? Cara que coisa maluca, descobri que a menina que trabalha comigo estudou com vc e o pessoal do Opinião, a Bruna Pelegrini.

Abraços

André Augusto disse...

O mundo é uma caixinha de fósforo, rapaz...hehe

Abraço

yoshi disse...

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