
Percebo que, como em outras esferas da vida, o futebol tem se tornado cada vez mais moralista. E, nesse caso, o moralismo não se aproxima nem um pouco do que poderíamos chamar de ética desportiva, esta sim total e necessariamente defensável.
Nesta semana, fiquei sabendo da decisão da Uefa de suspender por duas partidas os jogadores que forçarem um terceiro cartão amarelo para espantar o fantasma do risco de estar fora de jogos decisivos. Aparentemente ética, a decisão é de um moralismo que beira o bom-mocismo. Que fique claro: condeno toda e qualquer atitude violenta dentro dos campos, gosto do dito "jogo jogado", da malemolência que escapa das faltas frequentemente dignas de futebol americano. Mas a Uefa forçou a barra: qual é a fronteira que separa a famosa malandragem da raça de jogo, da vontade de ganhar ou mesmo da cabeça quente típica dos pré-momentos-decisivos do campeonato. E mais: onde fica a autonomia do juiz, autoridade soberana no retângulo mágico do gramado?

Foi-se a fascinante característica que o futebol trazia de ser decidido ali, dentro de campo, nos 90 minutos suados, tempo de unhas roídas, de corações apertados, de gritos, risos, palavrões, xingamentos. Enfim, paixão. Simplesmente pelo prazer de torcer, de ver a arte de controle da bola, a magia de balançar a rede.
E não se trata de nostalgia. Só cansei de ver os jogos serem decididos fora de campo.
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