
O dono de hotéis, shopping centers, empresas de telefonia móvel e concessionárias de veículos, com mais de 3000 empregados e com seus interesses chegando a 30 países distintos chegou na Espanha com discursos não muito diferentes de Roman Abramovich (russo proprietário do Chelsea ou Khaldoon Al-Mubarak (árabe que assumiu o comando do Manchester City): levar Los Boquerones às cabeças do futebol espanhol, que possui um abismo entre os poderosos Barcelona e Real Madrid para os outros times da elite do país. O Málaga quer seguir o exemplo de Sevilla e Villarreal, que ganharam mais status nos últimos anos. Movidos a muito dinheiro.

Com a salvação, o qatari anunciou o seu segundo (e ousado) grande passo na reformulação do clube: copiar o Barcelona. Além da bolada de R$ 225 milhões para a vinda de novos reforços, o sheikh fechou um acordo com a Nike, pagando para a empresa estadunidense fabricar seus uniformes, e não o contrário. Essa é a mesma Nike que patrocina os catalães desde 1998 e pagam cerca de 30 milhões de euros/temporada para fabricar material esportivo do clube. No patrocínio principal do clube, está a logomarca da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), órgão ao qual Al-Thani doará 1,5 milhões de euros/ano para divulgá-la em seu uniforme. Semelhante ao acordo entre Barcelona e Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Só que com o endividamento do clube, a entidade da ONU perdeu o principal espaço em seu fardamento para a Qatar Foundation, primeiro patrocínio comercializado na história do clube.

Claro que muitos dos preceitos do Barcelona passam longe de simplesmente a injeção de verbas, já que muitas das características históricas do clube são intimamente ligadas à luta para o reconhecimento e o orgulho da cultura da Catalunha. Mas é curioso o fato de Al Thani não querer que o Málaga seja “o novo Chelsea”. O patamar de “novo Barça” é ainda mais inalcançável. É tempo de saber por quanto tempo o sheikh vai aguentar brincar com a sua nova aquisição. E se a onde de "quero ser um Barcelona" contagiará aos futuros novos ricos que vão se aventurar com o futebol.
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