9.5.10

Campeonato Brasileiro 2010 - Parte II

Atlético-PR
Sonhando com o passado

O Furacão inicia o Brasileirão de 2010 como o único representante paranaense, já que o rival Coritiba foi rebaixado na edição passada. Mas esse parece ser o único motivo de comemoração dos torcedores. A equipe demorou a engrenar no Estadual e ficou com o vice. Os duelos contra o Palmeiras pela Copa do Brasil mostraram que o elenco é limitado, muito dependente do veterano Paulo Baier. Os próprios atletas admitem a necessidade de reforços. A única lembrança com o time campeão nacional em 2001 é a presença do veterano Alex Mineiro.

O elenco pouco mudou em relação à temporada passada, fato que por si só já demonstra que o desempenho da equipe não será muito diferente. O veterano Paulo Baier continua sendo a fonte de inspiração atleticana - se ele não estiver bem ou for bem marcado, restam poucas alternativas. A bola parada é uma das principais armas atleticanas, seja com os cruzamentos de Baier ou os pênaltis com paradinha de Alan Bahia. No comando está o inexperiente Leandro Niehues, jovem treinador vindo do J. Malucelli, atual Corinthians Paranaense.

Clube Atlético Paranaense
Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: campeão em 2001
Em 2009: 14º lugar (48 pontos)
Time base: 3-5-2: Neto, Manoel, Rhodolfo e Leandro; Wagner Diniz (Raul), Alan Bahia, Valencia, Paulo Baier (Netinho) e Márcio Azevedo; Alex Mineiro e Marcelo. Técnico: Leandro Niehues
Destaque: Apesar dos 35 anos, o experiente Paulo Baier continua sendo um dos principais jogadores do Atlético-PR. Ostenta ainda a marca de maior goleador da era dos pontos corridos do Brasileirão, com 77 gols. É o cérebro do time e é perigoso com a bola parada.
Olho nele: Netinho, de 26 anos, é um meia armador com chute preciso e bom nos cruzamentos. Ainda não se firmou na equipe titular, mas é o encarregado pela criatividade da aquipe quando Paulo Baier não faz essa função.
Pontos Fortes: A bola parada é o principal trunfo atleticano. O elenco é praticamente o mesmo do ano passado, o que pelo menos garante o entrosamento. A experiência de jogadores como Paulo Baier, Alex Mineiro e Alan Bahia podem ajudar. Neto não é nenhum craque, mas passa segurança no gol.
Pontos Fracos: Tem um elenco fraco e pequeno, e tratando-se de um campeonato longo como o Brasileiro, isso pode pesar. É muito dependente de Paulo Baier. O ataque, apesar do veterano Alex Mineiro, não impõe medo nos adversários.


Avaí
Repetir a campanha

Até voltar a disputar a Série A no ano passado, o Avaí era conhecido mesmo apenas como o time do tenista e ídolo Gustavo Kuerten, torcedor avaiano fanático. A excelente campanha do ano passado, porém, mostrou que o clube catarinense é muito mais que isso. Depois de amargar a lanterna da competição, deu uma arrancada impressionante no segundo turno, após a chegada de Silas, e terminou em um supreendente 6º lugar, melhor colocação de uma equipe catarinense da história.

O problema é que os destaques da equipe já não estão mais na cidade de Florianóppolis. Silas foi para o Grêmio, Marquinhos para o Santos, Muriqui para o Atlético -MG e o goleiro Eduardo Martini para a Ponte Preta. A diretoria não ficou parada e trouxe o experiente Péricles Chamusca para o cargo de treinador. Este remontou o elenco e, aos poucos, deu consistência ao novo time, que acabou conquistando o bicampeonato regional. É difícil imaginar que o Avaí possa ir tão longe como em 2009. Com o elenco inchado, a diretoria deve dispensar alguns jogadoresm, a pedido de Chamusca, para a disputa do Brasileiro.

Avaí Futebol Clube
Status: Zona da Sul-Americana
Melhor participação: 6º lugar em 2009
Em 2009: 6º lugar (57 pontos)
Time base: 3-6-1: Zé Carlos; Rafael, Emerson Nunes e Émerson; Uendel, Marcinho Guerreiro, Rudnei (Batista), Rodrigo Thiesen, Davi (Laércio) e Leonardo (Sávio); Roberto (Vandinho). Técnico: Péricles Chamusca
Destaque: Apesar de não ser o mesmo de antes, o atacante Sávio é a estrela do time, mesmo não sendo titular absoluto. Depois de quase 13 anos longe do país (teve curta passagem pelo Flamengo em 2006), volta a disputar o Brasileiro.
Olho nele: Volante de 23 anos, Rodrigo Thiesen chegou sem chamar a atenção e foi ganhando seu espaço. Bom na marcação, simples e objetivo, sabe sair jogando e é daqueles que não desistem fácil.
Pontos Fortes: Jogadores rodados como Sávio, Dinélson (ex-Corinthians) e Fredson (ex-São Paulo) chegaram e deram sustentação ao esquema do treinador. Vandinho, de volta ao clube, é goleador.
Pontos Fracos: A base da equipe que surpreendeu no ano passado deixou a Ressacada. Chamusca teve que remontar a equipe, o que pode levar tempo - desnecessário lembrar que a conquista do estadual não é parâmetro para nacional.


Grêmio
No caminho do Tri

A chegada de Silas no começo do ano foi vista com desconfiança devido a pouca experiência a frente de grandes clubes, mas o jovem treinador mostrou que a campanha com o Avaí na temporada passada não foi fruto do acaso. Conseguiu fazer uma boa mescla entre os experientes reforços - Borges, Douglas, Hugo, Leandro, Rodrigo, entre outros, com os pratas da casa, como os jovens Adílson, Neuton e Maylson. É um grupo forte, que tem tudo para chegar nas últimas rodadas brigando pela taça.

A campanha nesses primeiros cinco meses mostram isso. Uma campanha impecável no Gauchão e na copa do Brasil evidenciam a boa fase tricolor. Se a diretoria conseguiur manter o excelente goleiro Victor no Olímpico será um grande passo para o Grêmio estar na rota do título. Douglas é o maestro que cadencia e distribui as jogadas ofensivas, concluídas pela dupla que anda em estado de graça. Borges tem média de quase um gol por partida, e Jonas não fica muito atrás. Por ser uma competição longa, talvez mais alguns reforços poderiam chegar, para manter o ritmo na eventualidade de lesões e suspensões.

Grêmio Foot Ball Porto Alegrense
Status: Favorito ao título
Melhor participação: campeão em 1981 e 1996
Em 2009: 8º lugar (55 pontos)
Time base: 4-4-2: Victor; Mário Fernandes (Joilson), Ozeia, Rodrigo (Rafael Marques) e Fábio Santos; Fábio Rochemback, Adilson, Hugo (Leandro) e Douglas; Jonas e Borges. Técnico: Silas
Destaque: Douglas deixou o Corinthians no ano passado e o Timão afundou. Menos de 6 meses depois, foi repatriado pelo Grêmio, e já é o cérebro da equipe. Meia clássico, como poucos no Brasil, deixou para trás a fama de "sonolento" e dita o ritmo da equipe.
Olho nele: Mithyuê tem 21 anos e já defendeu a seleção brasileira: de futsal. Chegou a ser inclusive eleito como o sucessor de Falcão. E assim como esse, se aventurou para o futebol de campo. Rápido, habilidoso, foi escolhido o melhor jogador do Brasileiro Sub-20 do ano passado. Tem tudo para explodir no profissional.
Pontos Fortes: Jonas e Borges se entrosaram e formam uma das melhores duplas de ataque do país. O aproveitamento jogando no Olímpico é altíssimo. Douglas está numa boa fase e a equipe sabe explorar as laterais do campo.
Pontos fracos: Do mesmo jeito que vai bem em seus domínios, nao rende fora de casa - em 2009, de 19 jogos, venceu apenas 1, contra o Náutico. Um aproveitamento pífio como esse certamente tira o Grêmio da luta pelo título. O sistema defensivo ainda precisa de alguns ajustes para garantir esses pontos longe do Olímpico.


Internacional
Temporada passada serve como lição

O elenco do Inter certamente é um dos melhores do país. Dentro de campo, porém, a equipe não vem correspondendo. Passou dificuldades no Gauchão e foi derrotado pelo Grêmio categoricamente, apesar da vitória na última partida. Tem atuado muito bem no primeiro tempo e, sem nenhuma explicação aparente, caindo muito de rendimento na etapa final. O uruguaio Fossati está balançando no cargo, e o desempenho na Libertadores será fundamental para a sua permanência. Especula-se até uma rixa por causa dos muitos estrangeiros na equipe, tanto jogadores quanto da comissão tpecnica.

Por causa do torneio continental, não deve entrar 100% no Brasileiro, podendo perder pontos valiosos, como ficou mais que evidente no vice-campeonato do ano passado. Uma eliminação na Libertadores pode estragar o ambiente colorado, levando ao êxodo de alguns jogadores - D'Alessandro, por exemplo, já deu mostras que gostaria de voltar para a Argentina. Por conta desses problemas e do futebol apresentado até agora, pode não apenas ficar longe do título como até da Libertadores do ano que vem.

Sport Club Internacional
Status: Favorito ao título
Melhor participação: campeão em 1975, 1976 e 1979
Em 2009: 2º lugar (65 pontos)
Time base: 4-4-2: Abbondanzieri; Nei, Bolívar, Sorondo e Kleber; Sandro, Guiñazu, Andrezinho (Giuliano) e D’Alessandro; Walter e Alecsandro. Técnico: Jorge Fossati
Destaque: Quando consegue controlar o temperamento forte e se concentrar em jogar bola, o argentino D'Alessandro faz a diferença. Habilidoso, raçudo, corre por todo o campo para colocar os atacantes na cara do gol.
Olho nele: O jovem Walter teve alguns problemas no início do ano, chegando inclusive a sumir e querer sair. Colocou a cabeça no lugar e recuperou seu espaço, ganhando a titularidade enfrentando pesada concorrência. Tem grande potencial para brilhar.
Pontos Fortes: Tem um elenco grande e de qualidade, em todos os setores. É um time rápido e criativo. Fossati pode escolher a melhor formação de acordo com o adversário.
Pontos Fracos: A briga de egos é grande no Beira-Rio. Há divisão entre brasileiros e argentinos, muitos jogadores com altos salários, insatisfação dos garotos, problemas de preparo físico. Problemas extra-campo que custam caro.

8.5.10

Campeonato Brasileiro 2010 - Parte I

Na quadragésima edição do Campeonato Brasileiro a maior novidade não é o número de clubes, que permanece em 20 participantes. Tampouco é a fórmula de disputa - o famoso pontos corridos que se solidifica cada vez mais a cada ano. A novidade fica por conta da Copa do Mundo que paralisará o torneio durante 1 mês aproximadamente.

Já que falar em seleção está na moda, imagine se a convocação da seleção brasileira contasse apenas com atletas que jogam por aqui, com Marcos, Rogério Ceni e Victor no gol; Leonardo Moura, Jonathan, Roberto Carlos e Kleber nas laterais e Miranda, Alex Silva, Chicão e Gum completando a zaga. Enquanto que no meio teríamos Pierre, Diego Souza, Elias, Kleberson, Henrique, Hernanes e Paulo Henrique Ganso, na frente Neymar, Robinho, Adriano, Kleber e Diego Tardelli seriam os atacantes. Quanta seleção que vai para a Copa gostaria de ter esse time...

É por isso que mesmo com o futebol não estando num alto nível técnico, devemos ser otimistas com a relação a nossa principal competição nacional. Afinal, não lembro de nenhum outro país que tem tantos times grandes e que oferece uma gama de resultados tão variados. Ou alguém acreditava que o Flamengo era o maior favorito na edição do ano passado?


Cruzeiro
Aprendendo com os erros...

Pelo futebol ofensivo e conciso que vem apresentando, o Cruzeiro certamente é um dos clubes mais temidos do país. Mesmo assim, tropeços inesperados como a eliminação precoce nas semifinais do campeonato estadual ou a impotência demonstrada na derrota sofrida diante do Vélez Sársfield acendem o sinal amarelo na Toca da Raposa.

Para alcançar o bi, a meta da Raposa é fazer um primeiro turno mais coeso (algo que não ocorreu no ano passado, graças ao apagão do elenco após a derrota na final da Libertadores), evitando assim que os principais concorrentes ao título abram uma vantagem que seja impossível de ser recuperada.

Sem previsão para obter mais nenhum reforço, Adílson Baptista conta com suas mesmas armas: a versatilidade de seus meio-campistas, o apoio de seus alas e os gols da dupla Kléber-Thiago Ribeiro, este, diga-se de passagem, em ótima fase. Ah, se essa zaga fosse mais confiável...

Cruzeiro Esporte Clube
Status: Favorito ao título
Melhor Participação: Campeão (2003)
Em 2008: 4º colocado (62 pontos)
Time-base (4-4-2): Fábio; Jonathan, Gil, Leonardo Silva e Diego Renan; Fabrício, Henrique, Marquinhos Paraná e Gilberto; Thiago Ribeiro e Kleber. Técnico: Adílson Baptista.
Destaques: Kleber é um atacante muito difícil de ser marcado. Brigador e raçuco, adapta-se bem tanto a função de garçom quanto a de finalizador. Jonathan impressiona pela qualidade de seu passe e por sua força física. Se controlar seu temperamento, poderá ser um grande lateral num futuro próximo.
Olho nele! Diego Renan já apareceu bem no segundo semestre de 2009 destacando-se por sua habilidade e força ofensiva. Resta saber se, melhor marcado, a revelação cruzeirense permanecerá brilhando.
Gringo da vez: Guerrón (equatoriano)
Pontos Fortes: O elenco tem muitas opções no banco. Os laterais apóiam muito bem. Tem um meio-campo leve com bons chutadores a meia distância. Kleber e Thiago formam uma dupla muito entrosada.
Pontos Fracos: A dupla de zaga é lenta e sofre para cubrir os avanços dos laterais. Fábio oscila muito e falha em situações importantes. Deve perder atletas para o mercado estrangeiro pós-Copa.

Atlético-MG
Galo paraguaio nunca mais!

Nem mesmo a derrota para o Santos pelas quartas-de-finais da Copa do Brasil, abala o ânimo do atual campeão mineiro. Agora comandado por Vanderlei Luxemburgo, os atleticanos consigam, enfim, livrar-se da síndrome de “patinho feio” que sempre fez com que o time vacilasse em momentos cruciais.

Apesar do Galo ainda não ter apresentado ninguém, cogita-se que o equatoriano Mendez (LDU) já esteja apalavrado. Já Lima, que se recupera de lesão, deve ser reintegrado. Enfim, uma nova tendência atleticana: a de preferir atletas mais experientes.

Uma coisa é certa. Pelo menos no papel, o time melhorou. É mais cadenciado, defende-se melhor e corre menos riscos. Mesmo assim, depende demais dos gols de Diego Tardelli e dos lapsos de Obina e Fabiano. Não parece o suficiente para brigar de igual para igual com os favoritos. Com sorte, chega à Libertadores. Muita sorte.

Clube Atlético Mineiro
Status: Zona da Sul-Americana
Melhor Participação: Campeão (1971)
Em 2008: 7º colocado (56 pontos)
Time-base (4-4-2): Aranha (Carini); Carlos Alberto, Werley, Jairo Campos e Júnior; Zé Luís, Correa, Fabiano e Ricardinho; Obina (Muriqui) e Diego Tardelli. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
Destaques: Diego Tardelli é o principal ponto de referência atleticano. Oportunista, tem faro de matador. Apesar de ser tecnicamente limitado, o esforçado Fabiano é um jogador tático que muitos treinadores gostariam de ter no plantel.
Olho nele! Werley surgiu no último Brasileiro e não saiu mais do time. Levou a melhor até mesmo sobre os experientes paraguaios Benítez e Cáceres. Zagueiro seguro, joga firme.
Gringos da vez: Carini (uruguaio), Jairo Campos (equatoriano), Pedro Benítez e Cáceres (paraguaios)
Pontos Fortes: Possui boas jogadas de bolas paradas, seja com Correa, Ricardinho ou Júnior. Mesmo sem ter um comanheiro à altura, Tardelli é muito difícil de ser marcado. A presença de Zé Luís passa uma segurança maior para a zaga.
Pontos Fracos: Sofre com a inconstância de seus arqueiros. Não possui alguém que realize jogadas pelos flancos do campo. A saída de bola da equipe é demasiada lenta.

Vitória
Mexendo em time que está ganhando

O tetracampeonato Baiano e a vaga às semifinais da Copa do Brasil escondem todas as adversidades que o Vitória passou nestes dois primeiros bimestres. Afinal, a inconstância do time e a inexperiência do técnico Ricardo Silva geram muita desconfiança por parte da torcida e seus dirigentes.

Mesmo com o treinador clamando por mais reforços, a diretoria rubro-negra não deverá trazer muita gente. Provavelmente o jeito será apelar para a filosofia que geralmente dá certa no rubronegro: a promoção de jovens da base.

Time ruim, o Leão não tem. Está longe, porém, de ser brilhante. Depende muito da individualidade de alguns valores como Bida, Ramon ou Júnior. Para piorar, este último, maior astro da atual equipe, fora acusado por falsificação de passaporte e poderá ser punido. Uma péssima notícia para um clube que ainda por uma vaga na Libertadores 2011.

Esporte Clube Vitória
Status: Zona da Sul-Americana
Melhor Participação: Vice-campeão (1993)
Em 2008: 13º colocado (48 pontos)
Time-base (4-3-1-2): Viáfara; Nino, Wallace, Anderson Martins e Egídio; Uellinton, Vanderson (Renato) e Bida; Ramon; Neto Berola (Elkeson) e Júnior. Técnico: Ricardo Silva.
Destaques: Outrora desconhecido pela maioria dos torcedores, Júnior mostra que tem faro de gol. Neste ano, anotou 16 tentos em 21 partidas. Mesmo veterano, Ramon sabe bater na bola como poucos. É um perigo em bolas paradas e lançamentos em profundidade.
Olho nele! Recém-promovido das categorias de base, Elkeson aos poucos ganha espaço no elenco. Veloz e dono de um potente arremate, marcou 2 gols no último estadual.
Gringo da vez: Viáfara (colombiano)
Pontos Fortes: A zaga é segura e joga junto há muito tempo. Pode fazer uso de contra-ataques mortais já que seus atacantes são muito velozes. Possui volantes que sabem sair jogando.
Pontos Fracos: O elenco não tem peças de reposição. Ramon é muito inconstante e sofre com lesões frequentemente. Ricardo Silva não tem experiências anteriores no torneio.

Ceará
O bom filho a casa torna

O início de 2010 não foi bom para o Ceará. A eliminação precoce frente ao Corinthians-PR na primeira fase da Copa do Brasil e o pífio 7º lugar no primeiro turno do estadual foram suficientes para causar a demissão de Renê Simões, técnico que tinha assumido o clube em janeiro.

No seu lugar, retornou Paulo César Gusmão, treinador que comandou o time na campanha da Série B do ano passado. A partir daí tudo mudou. Após uma série de 13 jogos de invencibilidade, o Vovô quase conquistou o Cearense, perdendo a final nos penaltis.

Para fazer bonito, após permanecer 17 anos longe da elite nacional o alvinegro foi às compras. Trouxe Bóvio (ex-Santos), Jorge Luiz (ex-Vasco), Ozeia (ex-Botafogo), Júnior Cearense (ex-Horizonte) e Clodoaldo (ex-Guarany Sobral). Nada que escredencie a equipe como uma das grandes favoritas ao rebaixamento.

Ceará Sporting Club
Status: Briga para não cair
Melhor Participação: 7º colocado (1985)
Em 2008: 3º colocado na Série B (68 pontos)
Time-base (4-4-2): Diego; Arlindo Maracanã (Diogo), Anderson, Fabrício e Thyago Fernandes; Michel, João Marcos, Geraldo e Erick Flores; Wellington Amorim e Bruno Santos. Técnico: Paulo César Gusmão.
Destaques: Diego saiu do ostracismo no Flamengo para assumir a número 1 do Ceará e liderar sua defesa. No estadual sofreu apenas 19 gols em 25 jogos. Já o experiente Geraldo é o cérebro do meio-campo. Todas as jogadas de ataque passam pelos seus pés.
Olho nele! Formado nas divisões de base da Gávea, o habilidoso Erick Flores terá a oportunidade de mostrar porque é considerado uma das promessas cariocas da atualidade.
Gringo da vez: Não tem
Pontos Fortes: A fanática torcida geralmente lota o estádio nos jogos em casa e empurra o time até o fim. A experiente dupla Bruno-Wellington é oportunista e cabeceia muito bem. O incansável miolo de zaga marca muito.
Pontos Fracos: Os laterais são inexperientes e podem deixar lacunas na defesa. A equipe é uma colcha de retalhos, não tem entrosamento. Os volantes são limitados e pouco ajudam na criação das jogadas.

2.5.10

Justo e merecido: Santos campeão


Com uma partida sensacional, chegou ao fim o Campeonato Paulista de 2010, coroando com o título a excelente equipe santista. Mesmo com a vitória do Santo André por 3 a 2, o Santos foi campeão por ter tido melhor campanha na primeira fase. Merecidamente, diga-se de passagem! O resultado só valorizou ainda mais as duas equipes, mostrando que o Santos não é infalível e que o time do ABC não chegou a final por acaso.

Foram 72 gols em 23 jogos, média superior a 3 por partida. Jogadores como Marquinhos, Arouca, André e Robinho jogaram muito. Mas ainda sim foram coadjuvantes de luxo de uma dupla que encantou o país: Paulo Henrique Ganso e Neymar jogaram demais, não pipocaram nos momentos de pressão e chamaram a responsabilidade nos jogos decisivos, sejam os clássicos como nas finais. Será uma pena se os dois não estiverem na África do Sul.

Se a defesa não inspirava aquela confiança, o ataque compensava. Em alguns momentos, guardadas as devidas proporções e sem comparações, chegou a lembrar o Santos de Pelé e cia., no esquema de fazer mais do que tomar para vencer. Méritos também para Dorival Júnior, que soube utilizar seus talentos, quebrando a cabeça para deixar em campo tantos bons e ofensivos jogadores sem fazer o que tanto gostam os técnicos brasileiros, colocar volantes brucutus que não fazem nada senão destruir.

A diretoria também merece aplausos, pela montagem do elenco. Ainda que contando com um pouco de sorte, o presidente Luis Álvaro de Oliveira conseguiu reunir muitos talentos. Madson e Zé Eduardo, por exemplo, foram reservas que sempre corresponderam quando solicitados. Jamelli, ex-jogador e gerente de futebol do Santos, também merece lembrança.

A alegria e brincadeiras dos jogadores mostrada nas comemorações mostra que é possível jogar por prazer. Os garotos são unidos, e em nenhum momento se viu uma briga de egos tão comum nos grandes clubes brasileiros. Robinho, até então acostumado a ser o centro das atenções, assumiu sua nova "função tática" e deixou os garotos brilharem. André, artilheiro na competição, foi para o banco sem reclamar. Os salários astronômicos de alguns jogadores não foram motivo de reclamação. Os jogadores são amigos, se divertem em campo.

Na contramão dos Meninos da Vila, São Paulo, Corinthians e Palmeiras decepcionaram. O alviverde foi uma vergonha, lamentável mesmo. O alvinegro não justificou o alto investimento e o elenco com jogadores tarimbados e também ficou de fora das semifinais. O tricolor até conseguiu ir mais longe, mas com um futebol pragmático e sem graça, sendo eliminado de forma categórica e indiscutível. Os dois últimos ainda tiveram a desculpa da Libertadores. Já o palmeirense nem isso para consolar.

Também fazemos uma retificação em relação ao Botafogo. Tido pelo Opinião FC como um clube que brigaria para não cair (foram contratados 28 jogadores para o Paulistão!), surpreendeu e chegou até a sonhar com uma vaga no G-4. Acabou com o título de Campeão do Interior. Parabéns ao Botinha.


Este é um texto de um torcedor que assistiu seu time ser destroçado pelo Santos, e ainda sim se viu torcendo por Paulo Henrique Ganso, Neymar e cia. Porque o bom futebol deveria sempre prevalecer. Assim como o Barcelona já mostrou, é possível ganhar e jogar bonito. Não podemos ficar reféns do resultado, apesar de reconhecer que um time vive de títulos e não de espetáculo. Mas é preciso quebrar esse paradigma. E sem amargura.

1.5.10

Pedro pronto para a Fúria

Mesmo não tendo um apelo tão efusivo quanto o do atacante Neymar, do Santos, - que já tem até um site pedindo pela sua convocação para a Copa do Mundo – há um burburinho para que o jovem atacante Pedro Rodríguez, 22 anos e mais um oriundo da cantera do Barcelona, integre a seleção espanhola na Copa de 2010. Assim como Neymar, Pedro nunca vestiu a camisa da seleção principal, tendo participações pelas equipes de base. Contudo, sem comparar estilos e habilidades, Pedro está mais pronto para a Espanha de Vicente Del Bosque do que Neymar está para o Brasil de Dunga.

Pedrito – como é carinhosamente chamado pelos torcedores e imprensa catalães – conseguiu espaço impressionante, em uma trajetória crescente e contínua há pelo menos uma temporada. Dentro das próprias revelações do Barcelona, o camisa 17 ultrapassou outro prodígio, que havia ganhado espaço na equipe principal antes dele: a do atacante Bojan Krkic.

Mesmo atuando por poucas vezes em 2009, sempre aproveitou bem as oportunidades dadas pelo técnico Pep Guardiola, já que ostentou a incrível marca de ter sido o único jogador da história blaugrana a ter feito gols em todas as seis competições vencidas pelo Barcelona na última temporada: No total, Pedro marcou três gols em La Liga, dois na Champions League, dois na Copa do Rei, além de dois gols no Mundial de Clubes da FIFA e dois nas Supercopas da Espanha e da Europa - respectivamente, diante do Athletic de Bilbao e do Shakhtar.

Nesta temporada, o jovem prodígio de Santa Cruz de Tenerife cavou um espaço ainda maior na equipe: Nos 54 jogos por competições oficiais do Barcelona, Pedro participou de 43, sendo titular em 29 delas, com 16 gols anotados (nove em La Liga, quatro pela Champions e três pela Copa do Rei), deixando o experiente e consagrado atacante Thierry Henry, por diversas vezes, no banco de reservas.

Com a contusão que vem incomodando Fernando Torres, que possivelmente deverá chegar à Copa fora de ritmo de jogo, e com atacantes inconstantes como Dani Güiza (Fenerbahce, 29 anos), Fernando Llorente (Athletic Bilbao, 25 anos) e Álvaro Negredo (Sevilla, 24 anos), Pedro pinta como a melhor opção para formar o ataque da Fúria ao lado do artilheiro David Villa, artilheiro da Euro 2008, vencida pela Espanha.

O caminho para Pedrito integrar a badalada Espanha está mais do que pavimentado. E Del Bosque - ao contrário de Dunga, que evita o assunto Neymar – já declara abertamente que o atacante do Barcelona parece talhado para integrar o elenco de 23 espanhóis, que tem a missão de trazer um inédito Mundial ao país.


26.4.10

26 de abril – Dia do Goleiro (ano IV) – Arqueiros, capitães e campeões

Zoff: o mais velho campeão do mundo da história das Copas

Neste que é um dos posts mais tradicionais do Opinião FC, a homenagem ao Dia do Goleiro, vamos aproveitar o ensejo de um ano de Copa do Mundo para mostrar que os portiere italianos são os mais privilegiados dentre todos os outros que tiveram a oportunidade de ser campeões do mundo. Das quatro conquistas da Azzurra, duas foram capitaneadas por goleiros: Gianpiero Combi (1934) e Dino Zoff (1982) - os únicos da posição dentre as 18 edições que tiveram o gosto de levantar primeiro a taça.

Combi, lenda da Juventus – único clube que defendeu em sua carreira -, já havia pensado em se aposentar da Azzurra. Porém o chamado do técnico Vittorio Pozzo o fez reconsiderar a decisão e capitanear a Itália de 1934. Conhecido como o l'Uomo di Gomma (o homem de borracha), duelava com o espanhol Ricardo Zamora e o tcheco Frantisek Planicka como o melhor arqueiro do planeta à época.

Combi e Planicka: encontro de gigantes na final da Copa de 1934

Apostando na experiência do bianconero, então com 31 anos, Pozzo e a Federação Italiana de Futebol eram pressionados pelo regime fascista de Benito Mussolini, que desejava usar o futebol como instrumento político, assim como Hitler o faria dois anos depois, nas Olimpíadas de Berlim. E Combi foi um dos pilares para a primeira conquista da então seleção debutante em mundiais. Recebeu das mãos do próprio Duce a Taça Jules Rimet.

Se existe um atleta que já experimentou todo o tipo de turbulência com a Squadra Azzurra, esse alguém é Dino Zoff. SuperDino (como era chamado) experimentou a glória, quando foi campeão europeu em 1968, a reserva no vice-campeonato da Copa de 1970, eliminado precocemente com a sofrível seleção em 1974 e criticado pela atuação no quarto lugar do Mundial de 1978.

Na Copa de 1982, era visto com desconfiança na meta italiana, assim como o resto do time, que passou o torneio sem falar com a imprensa. Porém, sob a batuta do técnico Enzo Bearzot, a Itália cresceu nos jogos diante de Argentina e Brasil e chegou com autoridade ao título mundial, após 44 anos de jejum. Em grande parte, graças ao despertar do artilheiro Paolo Rossi e aos seis gols sofridos por Dino Zoff, durante os sete jogos daquela Copa. O veterano goleiro mostrava ao mundo que ainda jogava em alto nível, como nas partidas diante do Brasil - durante a "Tragédia do Sarriá" - ou na final contra os sempre perigosos alemães.

Além de levantar a taça, assim como Combi, Zoff também atravessou a melhor fase na carreira como jogador da Juventus. Mas o arqueiro foi além de seu compatriota, tornando-se o jogador mais velho a ser campeão mundial, com 40 anos. Só defendeu menos a camisa da Itália que Fabio Cannavaro (132) Paolo Maldini (126).

Nesta Copa do Mundo, a Espanha pinta como uma das grandes favoritas ao título, credenciada com o título da Euro 2008 e a campanha impecável durante as Eliminatórias Europeias. E em caso de confirmação da primeira conquista da Fúria, certamente quem erguerá o troféu será Iker Casillas, capitão da equipe. Ou seja, há boas chances de que, pela terceira vez em 19 edições, a imagem eternizada ao levantar a mais cobiçada das taças seja protagonizada pelo goleiro do Real Madrid e da Espanha.

RELEMBRE:

Dia do Goleiro, 2009
Dia do Goleiro, 2008
Dia do Goleiro, 2007