6.12.08

De pé, Hoffe

Após dois meses do post exaltando o feito do Hoffenheim, caçula da Bundesliga, os comandados de Ralf Rangnick protagonizaram outro feito notável do Hoffe: o embate de igual para igual diante do Bayern de Munique em plena Allianz Arena. Na liderança e com três pontos de vantagem diante dos bávaros, um empate manteria o Hoffe na liderança isolada, com vantagem sobreos comandados de Klinsmann.

E o que se viu foi um time de personalidade e jogando de acordo com sua atual condição - a de líder da Bundesliga. A regularidade e a juventude do Hoffenheim – que venceu oito das últimas nove partidas – e a recuperação do experiente e técnico Bayern após um mau início – invicto há nove partidas – foram postas à prova. Como destacou Lédio Carmona no blog Jogo Aberto, a transmissão da partida atraiu os mais diversos olhares do mundo da bola, já que a partida foi transmitida para quase 170 países do globo, recorde da competição.

Merecedor de pelo menos um empate e suportando a pressão de jogar em Munique, o jovem conjunto do Hoffenheim mostrava-se efetivo mais uma vez. Com Carlos Eduardo e Luiz Gustavo como titulares, a equipe saiu na frente com o bósnio Vedad Ibisevic, artilheiro da Bundesliga com 18 gols – sete à frente do segundo colocado – e selou a boa fase como um dos atacantes mais efeitvos das ligas de ponta da Europa. O empate após chute desviado de Lahm e o gol de Toni nos acréscimos não foram de grande justiça aos caçulas da Bundesliga, mas provaram que neste momento, o Bayern tem um jovem rival que realmente o incomoda na Alemanha. "Foi um jogo difícil para nós. O Hoffenheim provou que eles podem chegar lá em cima. A vitória foi importante e nos dá uma motivação", confirma Klose, dando a dimensão da vitória ao Bayern, que até há pouco tempo era contestado pelo seu desempenho, personalizada na figura do técnico Jürgen Klinsmann, como em um dèja vú do que já lhe aconteceu quando dirigiu a Alemanha, na Copa de 2006.

Claro que a tendência dos bávaros é de se recuperar em breve – até pela melhor qualidade e variabilidade do elenco em relação aos rivais – mas é louvável ver um pequeno dando tanto trabalho ao supercampeão Bayern, enquanto que times do porte de Werder, Stuttgart e Hamburgo pecam pela irregularidade e decepcionam, mais uma vez.

3.12.08

Improbabilidades

O Brasileirão 2008 segue indefinido. Título em aberto, vagas na Libertadores e rebaixamento serão definidos apenas na última rodada no campeonato de maior disputa da era dos pontos corridos. Algumas reviravoltas o marcaram: no início, um Flamengo parecia que ia deslanchar, mas ficou uma longa série de jogos sem vencer e a irregularidade comprometeu o hexa rubro-negro e até mesmo a Libertadores, que parecia tão certa. O Grêmio, de péssimo primeiro semestre, começou a manter regularidade impressionante, chegando a abrir 11 pontos de vantagem sobre o São Paulo após a vitória de 1-0 no Olímpico, em agosto. Vantagem essa pulverizada pelo próprio São Paulo a partir desta mesma derrota para o Grêmio, numa série de 17 jogos sem derrota – 11 vitórias e seis empates. E quando o São Paulo tinha tudo para ratificar o título em casa, o empate para o Fluminense deixou o campeonato ainda mais improvável em sua derradeira rodada.

Claro que a vantagem é toda sãopaulina, pois um empate basta aos comandados de Muricy Ramalho. A seu favor, o São Paulo carrega a marca de ser o time com menos derrotas na era do Brasileirão de pontos corridos, com apenas 16 derrotas. Menos da metade do outro postulante ao título, o Grêmio, que vem a seguir com 33. A série invicta e o bom retrospecto dão toda vantagem ao São Paulo, mas do outro lado está um Goiás que sempre endureceu quando atuou contra os times que brigam pelo título e pela Libertadores: Nos jogos contra São Paulo, Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo, ampla vantagem esmeraldina: nove jogos, cinco vitórias, dois empates e duas derrotas. Além do bom retrospecto, a promessa gremista é de uma belíssima mala branca aos goianos em caso de vitória. Além disso, um dos principais jogadores do elenco esmeraldino, Paulo Baier, prometeu a vitória ao pai, gremista. Incentivos existem e o Goiás não parece ser do tipo "corpo-mole", como ficou provado na última rodada, ao buscar um imprrovável empate com o Flamengo após desvantagem de 3-0.

Por isso, o hexa que parecia tão fácil outrora, caminha agora sob uma linha tênue. Com a vantagem do São Paulo em poder empatar, como atuará o time de Muricy, jogando "fora de casa"? Atacará ou esperará o Goiás em seu campo para contra-atacar? Como reagiria o Tricolor em caso de gol esmeraldino? Há muitas variáveis envolvidas na partida. E para apimentar o campo das improbabilidades, eis algumas que assolaram o futebol brasileiro neste ano:

Flamengo X América/MEX, oitavas da Libertadores – A vantagem de 4-2 obtida no México permitia que a equipe carioca perdesse por até 2-0 jogando no Maracanã lotado. A certeza virou tragédia. Com um Cabañas inspirado e um Flamengo de salto alto, a eliminação foi inevitável e dolorosa, no jogo-despedida de Joel Santana do Flamengo.

Sport X Corinthians, final da Copa do Brasil – Após boa arrancada, o Corinthians chegou como favorito nos confrontos frente aos rubro-negros, também de ótima campanha. Após a boa vantagem de 3-0, nem mesmo o gol de Roger segurou a euforia corinthiana, que podia perder por um gol de vantagem na Ilha do Retiro. Se marcasse gol na Ilha, a tarefa do Leão ficaria ainda mais árdua. Mas uma atuação decepcionante da equipe – especialmente de Felipe – fez com que um apático Corinthians deixasse o título escapar diante de um eficiente Sport na vitória por 2-0.

Fluminense X LDU, final da Libertadores – Após perder o primeiro jogo por 4-2, o Flu tinha a missão de marcar dois gols de diferença, para poder ao menos chegar aos pênaltis. Aos cinco minutos, Bolaños deixou a missão tricolor ainda mais árdua. Uma atuação quase perfeita de Thiago Neves fez com que o Fluminense chegasse ao 3-1. Quase, porque após os três gols de redenção, o camisa 10 desperdiçou um dos pênaltis na decisão, fazendo com que a LDU chegasse ao topo da América.

Um dos maiores trunfos do São Paulo é Muricy. Um técnico que consegue – quase sempre com eficiência – manter seus jogadores concentrados e longe do oba-oba da mídia e da torcida. Mas um gol, um dia ruim, pode pôr tudo a perder para um título que parecia tão improvável e depois, tão palpável. Ainda mais se considerarmos que o Grêmio tem ótimas chances de vencer a sua partida, frente ao Atlético/MG.

2.12.08

Por uma (quase) vaga na Libertadores

Autor do gol na primeira partida da final,
Alex é o artilheiro do Colorado na Sul-Americana e o grande nome do time

Quando a FIFA puniu provisoriamente a Federação Peruana de Futebol, proibindo-a de participar de quaisquer torneios organizados pela entidade, três vagas na Copa Libertadores de 2009 que seriam destinadas aos representantes do país ficaram temporariamente abertas.

Qual seria a solução ideal para o virtual preenchimento destas lacunas? Muito se especula, mas os críticos esportivos acreditam que há grandes chances da Confederação Sul-Americana premiar o campeão da Copa Sul-Americana de 2008 com uma destas vagas restantes. Nada impossível...

Uma ótima oportunidade para a federação tirar o estigma de que o torneio é um mero caça-níquel, que não traz nenhum benefício ao seu campeão, exceto pelo R$ 1,7 milhão prometido ao vencedor. Quem sabe se assim faz com que a competição seja mais bem vista, sobretudo aos olhos das equipes argentinas e brasileiras que tanto a desvalorizam.

Apesar da instituição não ter se pronunciado diante desta hipótese, o burburinho fez com que o jogo desta quarta-feira ganhasse maiores proporções. Não à toa, tanto Internacional quanto Estudiantes desistiram de tentar uma melhor colocação em suas ligas nacionais e concentraram todas suas forças na tentativa de conquistar o título.

A vantagem conquistada pelo Internacional no jogo de ida, quando bateu o rival em La Plata por 1 a 0, foi extremamente importante para as ambições do time. No Beira-Rio, apoiado por sua fanática torcida, o Colorado sabe, como poucos, pressionar o adversário taticamente e psicologicamente.

Engana-se, porém, quem acredita que o título já está ganho. Afinal, o técnico Leonardo Astrada (ex-volante do River Plate e da seleção argentina) compensa a falta de habilidade de seus atletas montando um esquema compacto que privilegia a força física de seu meio-campo e a velocidade de seus atacantes.

Na jovem equipe do Estudiantes destacam-se o promissor lateral-esquerdo Juan Manuel Diaz, que disputou o último Mundial Sub-20 com o Uruguai, o jovem atacante Mauro Boselli, artilheiro do clube na competição com 4 gols, e o conhecido veterano Juan Sebastian Verón, capitão, líder e cérebro dos Pinchas.

Outro problema é a falta de Guiñazu, expulso na primeira partida. Sem o volante portenho, o Internacional perde parte de sua raça, seu poder de marcação. Dificilmente o bom Andrezinho suprirá a ausência do gringo, e a pegada do meio-campo certamente ficará mais fragilizada.

Ainda assim, no papel, time por time, elenco por elenco, técnico por técnico, o Inter apresenta melhores opções: Lauro, goleiro que cresce a cada jogo e botou Clemer merecidamente no banco; D’Alessandro, meia talentoso que segura um resultado como poucos; e Nilmar, atacante com nível para atuar na seleção brasileira, representam alguns diferenciais da equipe. Isso sem falar de Alex, armador que vive uma fase excepcional e sempre resolve quando exigido.

Além disso, um provável título gaúcho seria o primeiro passo para o Colorado realizar, em 2009, algo que alguns clubes brasileiros, como Flamengo, Vasco e Alético-MG, não conseguiram: comemorar seu centenário com um ano recheado de títulos.

1.12.08

Meu time é a Inter...

Acordei neste domingo e liguei a televisão, em busca de alguma coisa interessante. Zapeando pelos canais de esporte, me deparei com uma situação curiosa: três emissoras (Band, Sportv e Espn Brasil) estavam transmitindo Inter de Milão contra Napoli, enquanto outras duas (TV Esporte Interativo e Espn) mostravam o clássico de Manchester, entre o City e o United. Nos cinco canais, o jogo era transmitido ao vivo. Agora eu lanço um desafio: quando alguém pôde assistir, em cinco canais diferentes, a jogos realizados no Brasil? Para dificultar mais um pouco: jogos ao vivo. Sinceramente, eu não lembro de nenhuma ocasião.

A Globo detém os direitos de transmissão dos principais torneios do país e do mundo e, quando interessa, repassa para outras emissoras, como é o que acontece hoje com a Band e antes com a Record. Mas há outros campeonatos que a emissora carioca compra os direitos só para garantir, mesmo sem ter a intenção de exibi-los. Exemplo é a Série B. Até o ano passado, quando o Corinthians ainda não havia caído, a Globo não transmitia nenhuma partida da Segundona, repassando os direitos para a Rede TV.

Talvez chegue o dia em que os corintianos vão entender o porquê de a torcida do Flamengo ser tão grande em outros estados que não o Rio de Janeiro: as pessoas escolhem o seu time não apenas por ser da mesma cidade ou região, e sim porque podem vê-los em ação na televisão. O que quero dizer é o seguinte: assim como aconteceu com o Flamengo no Brasil, penso que daqui uns anos veremos alguém torcendo por Barcelona, Milan, Chelsea ou Bayern como primeiro time, o principal, ao invés de preferir o Flamengo, Cruzeiro, Grêmio ou Corinthians.

Com os craques brasileiros indo cada vez mais cedo para a Europa, os torneios disputados no Brasil ficam menos interessantes e atrativos para o público, que vêem os ídolos bem de longe. Com a presença deles nos campos do velho mundo, acredito que a situação do parágrafo anterior possa se tornar realidade num futuro bem próximo.

Obs: Entre os 18 jogadores relacionados pelo técnico José Mourinho para a partida entre a sua Inter de Milão contra o Napoli, havia apenas um único atleta italiano, o goleiro Orlandoni, reserva de Júlio César. Segundo o site oficial do clube, são sete jogadores italianos entre os 30 do elenco profissional – não chega nem a 25%.

30.11.08

Ferguson descobre o Brasil

Que jogador brasileiro é sinônimo de diferencialidade – algo a mais que a pura dedicação tática da maioria dos europeus – é fato. Mesmo assim, o futebol inglês nunca foi um grande utilizador da mão-de-obra dos atletas tupiniquins como Itália, Espanha e Portugal, por exemplo. Mas a história está mudando gradualmente. Nunca a Premier League foi tão brasileira, contando em 2008/09 com 20 atletas (22 se consideramos os naturalizados Deco e Eduardo da Silva) mais o técnico Felipão. Antes dessa verdadeira legião, poucos foram os brasileiros que fizeram sucesso na terra da rainha, como Mirandinha (ex-Palmeiras) na década de 80 pelo Newcastle e Juninho (ex-São Paulo), que teve fagulhas de futebol no Middlesbrough.

Clubes como o Manchester United só contaram com brasileiros recentemente. O primeiro foi Kléberson, ainda embalado pela excelente Copa do Mundo conquistada na Ásia. Em 2003, o volante paranaense teve bom começo no time de Sir Alex Ferguson, mas depois caiu no ostracismo e só reapareceu no Flamengo, neste Brasileirão. Depois do fracasso de Kléberson, Ferguson demorou a utilizar novamente um brasileiro nos Red Devils. O meia Anderson, adquirido junto ao Porto em 2007/08, foi prontamente adaptado ao elenco por Ferguson, chegando a atuar como uma espécie de segundo volante, dando qualidade à saída de bola da equipe nas vezes em que era utilizado. Com isso, o brasileiro ganhou espaço na Seleção de Dunga – fez parte do elenco campeão da Copa América 2007 e do bronze olímpico em Pequim 2008 – e teve sua contribuição na dobradinha na conquista da Premier League e da Champions League na temporada passada.

Inspirados no exemplo de Anderson, outros três brasileiros novatos desembarcaram em Old Trafford: o meia Rodrigo Possebon, 19, e os gêmeos e laterais Fábio e Rafael da Silva, 18. “Apalavrados” desde 2007 em negociação com o Fluminense, os gêmeos só puderam ter sua contratação oficializada em julho deste ano, por conta dos irmãos terem menos de dezoito anos à época. Fábio havia se destacado mais que Rafael na campanha irregular do Brasil no Mundial Sub-17, disputado na Coréia do Sul em 2007, onde a Seleção foi precocemente eliminada nas oitavas por Gana.

Mas a instabilidade na lateral-direita do United, que ora utiliza os improvisados Brown e O’Shea, ora utiliza um Gary Neville de futebol muito limitado devido as recentes contusões, fez com que Rafael fosse sendo inserido gradualmente no time. Com isso, Ferguson vai lançando-o aos poucos na equipe principal. E o lateral vai agradando o chefe. “O garoto é atrevido e tem um grande talento. É um menino corajoso para jogar, sem medo de arriscar as jogadas. Ele tem a famosa mentalidade brasileira do "me dê a bola, quero jogar", e toda vez que pegamos a bola, ele pede, se apresenta para jogar. É um grande atributo para um jogador jovem” afirmou Ferguson ao GloboEsporte.com, após a boa atuação na derrota do Manchester United para o Arsenal por 2-1, onde o lateral entrou com personalidade e marcou o gol de honra.

Mesmo com apenas 18 anos, Rafael mostra personalidade e bom futebol. Com dificuldades na parte de marcação – como é de praxe na maioria dos alas de qualidade formados no futebol brasileiro – ele vem se aperfeiçoando e ganhando mais espaço na equipe. A prova foi a titularidade no clássico disputado neste domingo frente ao Manchester City, outra legião brasileira em Manchester. Mesmo com o arisco Robinho caindo pelo seu setor, o lateral mostrou bom futebol, apoiou e ainda marcou Robinho em seu campo de defesa, ajudando o United a bater o City por 1-0. Um prodígio para o futuro surge na direita, que atualmente já tem bons nomes como Maicon, Daniel Alves e Rafinha.

Atento, o Manchster United já possui dois olheiros no Brasil em busca de novos Andersons e Rafaéis. Prova disso foi a última investida dos ingleses a respeito da possbilidade de contratação do meia Douglas Costa, revelação precoce do Grêmio. Enquanto isso, o escocês já começa a lapidar um futuro talento, tanto para o Manchester, quanto para a Seleção.

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