30.10.07

E o preço... quem vai pagar?

Ricardo Teixeira durante a entrega do caderno de encargos para Joseph Blatter

Ontem, em Zurique, foi dado o veredito mais óbvio dos últimos cento e tantos anos de cerimônias da Fifa. O Brasil, candidato único, foi confirmado como organizador da Copa do Mundo de 2014.

A “caravana da alegria” – alegria para não ser mais enfático com termos como bandidagem, picaretagem e corrupção – assistiu de camarote ao evento, aguardando ansiosa para abocanhar sua fatia do bolo ou, no mínimo, para “roubar” a cereja do bolo do vizinho. E as disputas já estão a todo o vapor. Em jogo quatro grandes pedaços: as sedes da abertura, da final, dos jogos do Brasil e do local onde ficarão o conselho da Fifa e o centro de transmissões e imprensa. Candidatos fortes não faltam e todos já sabem o nome dos principais: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. O problema é o preço que esses locais terão que “pagar” para comerem o pedaço mais "gostoso" dessa bolada... ops, quis dizer bolo.

José Serra está exigente e declara que faz questão da abertura, de uma grande participação de seu estado na Copa das Confederações de 2013, além do centro de imprensa e geração de imagens e da sede da Fifa. Pergunta interessante: será que os executivos

internacionais da entidade máxima do futebol preferem se alojar na “Paulicéia Desvairada” ou nas praias de Copacabana ou Leblon? Trabalho árduo ao governador! O que interessa mesmo é que até lá serão duas eleições nacionais (2010 e 2014) e, com elas, Copa do Mundo será muito usada nos palanques do nosso país.

O Governo - até então sob o domínio do PT, novo aliado forte de Ricardo Teixeira – promete que se encarregará da infra-estrutura necessária para receber o evento. Apesar, que isso é o mínimo que podemos esperar do Estado. Também esperamos que a população não seja conivente e não feche os olhos para a possibilidade da corrupção que isso poderá gerar. No entanto, o pior de tudo: de hoje até 2014, Ricardo Teixeira reinará absoluto.

A pior figura do futebol brasileiro será o “rei da cocada preta” e todos, isso mesmo, todos que quiserem “ganhar” algo com a Copa terão que se sujeitar ao “beija mão” do mais nefasto ditador cartola que os gramados já puderam produzir. Em declaração ao jornal “O Globo” afirmou que já espera as críticas, mesmo porque “nem Jesus Cristo escapou delas”. Porém, sobre ele não pairam apenas críticas, mas denúncias e provas contundentes de uma CPI; já nas mãos e nas ações do Ministério Público Federal. Enfim, é esperar e saber o preço que todos terão que pagar.

Pode parecer que sou contra a realização da Copa no Brasil, muito pelo contrário, sou a favor e estou muito animado como amante do futebol, mas temos que ficar atentos e de olhos bem abertos a isso e a todas as ações dos nossos políticos e as do EXCENLENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE da CBF DOUTOR RICARDO TEIXEIRA. Cabe a cada um aceitar o que acha que deve. Espero que a intolerância esteja em alta nos próximos sete anos.

29.10.07

New blood, old Devils

Nani, um dos ícones da revitalização do Manchester United, comemora mais um gol.

O Manchester United vem crescendo de produção rapidamente nessa temporada 2007/08. Após um começo duvidoso, deveras agonizante, onde os Red Devils só conseguiram marcar mais de um gol de partida apenas no oitavo jogo oficial (contra o Chelsea por 2 a 0, jogando mal), o time de Sir Alex Ferguson começa a se acertar. Nos últimos quatro jogos, a equipe atuou com apenas um volante de origem - Paul Scholes, até o jogo contra o Dínamo de Kiev, semana passada e Owen Hargeraves no jogo de sábado, contra o Middlesbrough – e o brasileiro Anderson, meia ofensivo de origem, por vezes até atacante na breve passagem pelo Porto, na meia cancha da equipe. Para muitos, um desperdício de talento numa posição tão ingrata como teoricamente é a de volante. Na prática, durante os quatro jogos em que o brasileiro atuou “improvisado”, foram 16 gols marcados e três sofridos. Uma belíssima dor de cabeça aos adeptos da volantização do futebol moderno (Dunga que o diga).

Mesmo sendo essa uma mudança tática forçada pelas contusões de Carrick e Hargreaves (e de Scholes, posteriormente), Ferguson encontrou uma função tática que servisse bem aos tipos de jogador que o Manchester possui em seu elenco. Como enfatizou o parceiro Dassler Marques em seu post a respeito do United ("Uma proposta diferente, 20/10"), Anderson se posicionou na faixa central do campo e foi o responsável pela saída de bola com qualiadade para os “homens criativos” da equipe, Cristiano Ronaldo e Giggs, ou mesmo efetuava boas chegadas próximas a área, encostando em Tevez e Rooney. Quando o adversário tinha a posse de bola, Anderson apenas compunha a linha de quatro do meio campo, não precisando ser efetivamente um marcador.

Essa experimentação, que vem dando mais do que certo até aqui, pode ser um dos diferenciais que faltaram ao Manchester United na reta de chegada da temporada passada, quando a falta de opções do elenco e as diversas contusões fizeram com que o Manchester fosse eliminado pelo Milan na última Champions League e chegasse estafado ao final da Premier League, da qual ainda conseguiu se sagrar campeão. O português Nani e Anderson, como dito acima, vem demonstrando ser ótimas opções para Ferguson, quando Ronaldo ou o experiente Giggs não puderem atuar. No ataque, em lugar do aposentado Solskaer, o arisco Tevez vem formando uma parceria quase perfeita ao lado de Wayne Rooney. De características parecidas, os dois avantes se revesam no comando de ataque, com uma propensão maior do inglês jogar em meio aos zagueiros adversários, enquanto Carlitos cava espaço pelos flancos do campo. Ainda há a opção de Saha, se este conseguir sair do departamento médico de uma vez por todas.

Aliado ao sangue novo no ataque, as boas investidas de Evra pela esquerda, a solidez da zaga com Ferdinand e Vidic (com Pique como ótima opção, em caso de contusão) o esforçado Brown fechando o lado direito e o polivalente O’Shea dão o tom deste time, que mesmo com poucas contratações impactantes e apostando em promessas, dá o tom de renovação e de sangue novo que tanto faltou a equipe nas últimas temporadas.

27.10.07

Cadê o 9?

A França tem Henry. A Itália, Toni. A Espanha, Torres. A Argentina, Crespo. A Holanda, Van Nistelrooy. A Alemanha, Klose. E no Brasil, quem é o camisa nove de ofício?

Depois da decepção na Copa do Mundo, onde Ronaldo e Adriano mostraram-se ineficientes, a Seleção está a espera do seu fazedor de gols. Dunga já testou o velocista Sóbis, o habilidoso Robinho, o folclórico Vagner e o desconhecido Afonso, mas o espírito do matador não se incorporou aos seus respectivos estilos de jogo. Dunga segue dando preferência para Love, que não corresponde à altura, marcando poucos gols, tanto por ineficiência dele próprio, quanto do meio-campo criativo.

Mas esse mal não se restringe apenas aos convocados para a seleção canarinho. O Campeonato Brasileiro mostra escassos centroavantes na tábua de artilheiros. Josiel segue nas cabeças, mas entre os primeiros aparecem muitos meio-campistas como o uruguaio Acosta, Thiago Neves e o polivalente Paulo Baier. A falta de um centroavante é tão latente que o terceiro colocado na artilharia do campeonato (até 26/10) era André Lima, que saiu do Botafogo há mais de três meses, vendido ao Hertha Berlin. Os 12 gols de Lima só foram alcançados recentemente pelo seu ex-companheiro de ataque, Dodô.

Mas o fenômeno não é exclusivo do Campeonato Brasileiro. A exceção de Kaká, que faz as vezes de segundo atacante no Milan, não há um jogador fazendo muitos gols no Velho Continente. Os melhores marcadores e mais conhecidos do grande público são Luís Fabiano (Sevilla), Liédson (Sporting) e Afonso (Heerenveen), mas que neste momento não tem nenhuma chance de figurar cantando o hino nacional junto aos titulares.

O torcedor espera um novo messias (ou mesmo o velho, como Ronaldo em forma), que nunca chega. Dunga não acena com a possibilidade de testar outros jogadores na posição e os adversários do Brasil não precisam se preocupar em marcar o atacante. Cadê o 9?

PS: Texto originalmente redigido para o Mídia Esportiva, projeto de TCC de André Augusto e Felipe Brisolla. Em breve, mais detalhes sobre o site.

25.10.07

De Queluz, eu passo

Estive acompanhando a tábua de classificação do Campeonato Brasileiro de 2007 e deparei-me com um fato no mínimo inusitado. Nesta quinta edição por pontos corridos, não vemos, pela primeira vez, ao menos uma equipe carioca seriamente ameaçada pelo rebaixamento. Ver um carioca lutando para não cair tornou-se algo comum.
Os céticos certamente não concordarão e tentarão lembrar-me de que o Vasco, atual 12º colocado, ainda tem chances de cair já que está a apenas 5 pontos da chamada “Zona da Morte”. Mas, se compararmos o razoável plantel do time da Colina com seus respectivos adversários, verificamos como esta hipótese beira o absurdo.
A ascensão do Flamengo no Campeonato Brasileiro deste ano mostra a evolução intelectual dos dirigentes cariocas. Após um pífio início na competição, os flamenguistas não entraram em desespero e ao invés de trazerem um balde de contratações duvidosas (no melhor estilo pacotão do Corinthians), preferiu investir um dinheiro maior em dois ou três nomes que chegassem com no hall de titulares. Certamente, a experiência de Fábio Luciano, o talento de Íbson e a velocidade de Max Biancucchi foram essenciais nessa melhoria de rendimento. Por acaso alguém lembra de Renato, meia que debandou para o árabe Al-Nasr no meio do torneio?
Já o Fluminense apostou na base da equipe, livrando-se de alguns jogadores-estrelas que tumultuavam a união do grupo, casos de Carlos Alberto e Lenny. Além disso, evitou propostas estrangeiras e decidiu manter seus bons nomes defensivos. Não por acaso é o segundo time que menos foi derrotado e o segundo que menos sofreu gols. Mesmo com uma vaga assegurada na Libertadores - 2008, faz um campeonato muito regular...
Botafogo e Vasco podem até reclamar da atual fase. Ao pensarmos que no primeiro turno ambos freqüentavam os quatro primeiros postos, entender a frustração de seus torcedores é totalmente plausível. Contudo, ainda há o que se ressaltar nos alvinegros cariocas, principalmente se olharmos em seus elencos. Apesar de terem muitos jogadores jovens e inexperientes, ambos conseguem encontrar-se numa situação bem tranqüila na tabela. Até os atletas-refugos que geralmente pouco rendem (leia-se Lúcio Flávio ou Perdigão), estão ficando muito mais regulares. Com isso, não quero dizer que o Rio de Janeiro é o maior exemplo de organização do país. Certos episódios como a demissão do ex-treinador flamenguista Ney Franco, a readmissão de Cuca no Botafogo ou a demora na renovação contratual de Thiago Neves ainda mostram a existência de alguns erros organizacionais na área de planejamento.
Assim, recomendo que alguns dirigentes paulistas incompetentes e pouco profissionais sigam para o Rio de Janeiro na busca por novas idéias. Afinal, se dá certo do lado de lá porque não arriscar no lado de cá?
Em tempo: Queluz é uma cidade paulista situada ao leste do Estado e que faz limite com o Rio de Janeiro.

21.10.07

Ataque de nervos nos Aflitos

Muitos volantes e pouco futebol nos Aflitos. O Corinthians segue agonizando na zona de rebaixamento do Brasileirão. (foto: globoesporte.com)

Mais uma vez, o Corinthians sai com resultado reverso neste Brasileirão. E mais uma vez, o excesso de cautela e a ineficiência ofensiva deixaram o time agonizando na zona de rebaixamento por mais uma rodada. Com o Náutico jogando na base da empolgação – já que seu principal articulador, Acosta, estava suspenso – era natural que Nelsinho pudesse escalar um time de forma mais ofensiva, evitando o efeito que se viu durante muito tempo da partida, o da “Bola na Parede”, onde a zaga corinthiana alivia o perigo, mas lá na frente, Finazzi tem que brigar com todos os zagueiros e volantes do adversário e naturalmente, perde a posse da bola.

Foi assim na vitória contra o São Paulo, onde o Timão não fez uma jogada ofensiva trabalhada, contra o Inter, em jogo que a equipe só teve lances de ofensividade a partir do gol do adversário, mesmo jogando em casa. Contra o Náutico, o que se viu era um Finazzi novamente isolado e não recebendo bolas em condição de finalização, um Lulinha perdido na transição entre o meio e o ataque, alas pouco efetivos no ataque (principalmente Gustavo Nery, que não atacou nem defendeu) e volantes que não tem a capacidade de sair com a bola dominada e fazer passes de qualidade.

Com um Corinthans engessado no meio, a zaga tirando a bola de qualquer jeito e o goleiro Felipe operando milagres novamente, uma das opções improvisadas que se viu foi a chegada do zagueiro Fábio Ferreira ao ataque, onde o camisa 25 teve duas oportunidades claras de gol, defendidas por Fabiano.

A hora é de corrigir as deficiências ofensivas. O Corinthians tem de se impor nesses seis jogos restantes e para isso, Nelsinho necessita armar o time com um pouco mais de gana pelo gol. A entrada de Bruno Bonfim, encostando com Lulinha se mostrou uma boa opção de mobilidade pela meia. E também não entendo como Arce, o único velocista do elenco e jogador de habilidade é preterido para não atuar. Perde posições até para o péssimo Clodoaldo, uma das piores contratações do clube neste ano.

Três pontos atrás da zona de salvação, o Corinthians necessita de resultado positivo contra o Figueirense no Pacaembu. Em caso de resultado negativo, é melhor o torcedor corinthiano ir começando a reservar tempo em sua agenda para as terças e sextas, dias de rodada da Série B.