11.4.10

Glamour que cega

Robben: de dispensável no Real a indispensável no Bayern

A obsessão em ser tornar a maior equipe do mundo a qualquer custo – literalmente falando – faz com que o Real Madrid jogue investimentos ralo abaixo. O post “Êxodo da legião holandesa”, feito aqui pouco antes do início desta temporada, falava sobre exatamente sobre isso. E como bem escreveram os parceiros do Papo de Craque e Marcação Cerrada, chega a ser irônico que Inter e Bayern chegassem às semifinais da Champions League graças aos gols decisivos de Sneijder e Robben, dois “dispensáveis” segundo o planejamento merengue do início da temporada. Já o Real está há seis temporadas sendo eliminado nas oitavas, muito pouco para o maior vencedor do principal torneio de clubes do mundo.

É fato que havia pouco clima para os dois holandeses, mas não podemos deixar de notar a importância deles em suas novas casas. Jogador de características raras no futebol atual, a de armador centralizado de jogadas (ou playmaker), Sneijder é tão imprescindível na Inter de Mourinho quanto o artilheiro Milito, o incansável Cambiasso ou o goleiro Júlio César. Desde que chegou à Milão, o camisa 10 fez 33 partidas, com seis gols e 11 assistências. Exímio passador e cobrador de faltas, está em um melhor momento que o também habilidoso Rafael Van der Vaart, homem que deveria fazer tal função no Real de Pellegrini.

Já Robben havia mostrado que poderia ser útil na pré-temporada e parecia que havia conquistado um lugar no Santiago Bernabéu para esta temporada. Porém, saiu da sombra da incerteza do Real para ser tornar, ao lado de Ribéry (alvo de especulação constante do time madrileno, ironicamente), o principal jogador da equipe comandada por Louis Van Gaal. Em 29 partidas, o camisa 10 bávaro contabiliza 16 gols e seis assistências. Tem mais liberdade de atuar em campo e não fica restrito apenas à esquerda, como nos tempos de Real e Chelsea. Vem atravessando momento ímpar na carreira, ao ser decisivo nos dois duelos recentes contra o Manchester United, e na fase anterior da competição, contra a Fiorentina.

Ambos seriam boas opções para substituir Kaká, que está às voltas com contusões e mau futebol com a camisa oito merengue. Vendidos por € 40 milhões (€ 25 mi de Robben e € 15 mi de Sneijder), custaram cerca de ¼ do valor de seus substitutos, Kaká e Cristiano Ronaldo – só o último corresponde o investimento, até aqui. Na briga pelo título espanhol – o único que restou após a precoce eliminação para o Lyon na Champions – o Real foi batido em El Clásico em casa e vê o título doméstico longe. Os dois gols do Barcelona, “made in canteras” com Messi e Pedro. O capitão Casillas e o contestável Arbeloa eram os únicos formados no clube entre os 11 iniciais, contrastando com os sete blaugranas que começaram a partida no Santiago Bernabéu (mais Iniesta, que entrou na segunda etapa). É onde mora atualmente a diferença brutal entre os eternos rivais: um quer comprar a fama a qualquer custo, o outro simplesmente a faz naturalmente, por conta de suas ações dentro e fora de campo.

8.4.10

Missão cumprida

Capitão e presidente, Juninho retribuiu ao Ituano ajudando a livrar a frágil equipe do rebaixamento no Paulistão

Em meio ao turbilhão para definição das últimas duas vagas para as semifinais do Paulistão, um jogador renomado sofria, calado, mais que os outros: o pentacampeão mundial Juninho via agonizar o seu Ituano – time que o revelou ao futebol e do qual se tornou capitão e presidente, aos 37 anos. Precisando de uma combinação de resultados, além de ter que derrotar a Portuguesa, que tinha chances (pequenas) de classificação, a equipe de Itu – aquela, que tomou de nove do Santos – parecia fadada a cair para a segundona.

E comandados por Juninho – da cadeira da presidência, passando pelo vestiário e marcando o gol que iniciou a fantástica reação – o Ituano se salvou. Nesse futebol tão profissional e que alguns insistem em tratar como uma relação fria, Juninho chorou ao encerrar a carreira, após ter cumprido a missão de ter salvado a equipe que defendia e era grato por ter dado o pontapé inicial em sua carreira de sucesso. E, com justiça, o feito foi notícia na maioria dos programas esportivos desta quinta.

Surgido com destaque no Ituano, cresceu de produção no São Paulo. Foi se aventurar na Premier League – bem menos badalada e restrita em relação aos dias atuais – no pequeno Middlesbrough, em 1995. Quase 15 anos após sua transferência, nenhum brasileiro chegou próximo do sucesso que o meia fez na Inglaterra. Campeão da Copa da Inglaterra em 2004, Juninho é considerado um dos melhores jogadores da história do Boro, no qual teve três passagens (1995 – 1997, 1999 - 2000 e 2002 – 2004). Poderia ter sido útil ao Brasil de Zagallo, em 1998, se não fosse a entrada criminosa do botinudo Michel Salgado, quando o brasileiro fazia boa jornada no Atlético de Madrid.

Juninho merece a nossa reverência, não apenas pela atitude espontânea com a camisa do Ituano e por ser campeão do mundo em 2002, mas por ter sido um profissional exemplar e dedicado durante toda a sua carreira. Se for tão eficiente como dirigente quanto foi dentro das quatro linhas, o Ituano estará bem servido sob seu comando. A fibra mostrada por Juninho está em falta dentro do futebol brasileiro, onde jogadores que não conquistaram nada se deslumbram com pequenas boas fases e cometem atitudes lamentáveis.

"A melhor coisa que tem no futebol é jogar. Ser administrador não é como entrar em campo. Mas a hora chega, é difícil parar, o corpo não aguenta mais. Hoje até segurei o jogo todo, e foi muito especial. Por isso que eu falo para os garotos: aproveitem, porque não sabem quando chegará esse momento de parar", disse o meia, em sua despedida. Que sirva de exemplo.

Reportagem do GloboEsporte sobre o feito de Juninho:


7.4.10

Fim do domínio inglês?

Nesta quarta-feira foram definidos os dois últimos semifinalistas da Champions League 2009/10: Lyon e Bayern de Munique eliminaram Bordeaux e Manchester United, respectivamente, e vão decidir quem enfrenta o vencedor de Barcelona e Internazionale na grande decisão. São quatro equipes de nacionalidades diferentes.

O que chama a atenção para a ausência dos times ingleses, que até então vinham impondo um grande domínio no nobre torneio continental. Para se ter uma ideia, as últimas cinco finais da Champions tiveram um representante da terra da Rainha, com destaque para a edição de 2007/08, na final caseira entre Manchester e Chelsea.

O primeiro a cair e aquele que mais decepcionou foi o Liverpool. Em péssima fase técnica e totalmente dependente de Gerrard e Fernando Torres, que passaram boa parte da temporada lesionados, não passaram nem da fase de grupos, ficando atrás de Fiorentina e Lyon. Aliás, perdeu para ambas equipes em pleno Anfield, o que inviabilizou a classificação.

O Chelsea, como já foi postado, caiu para a Inter de Mourinho, sendo derrotado nas duas partidas das oitavas de final. Decepção para o russo Abramovich, que viu seu sonho adiado mais uma vez. Já o Arsenal foi até que bem, ainda mais levando em conta o incrível histórico de lesões no plantel, prejudicando muito o trabalho do francês Arsene Wenger. Poderia ter ido mais longe se tivesse tido um pouco de sorte nos sorteios para as quartas de final e evitado o confronto contra o Barça do craque e iluminado Messi.

Já o Manchester United vacilou feio, e ainda sofreu o gosto amargo da vingança dos alemães de Munique. Nos dois jogos, dominou amplamente o primeiro tempo, e poderia ter aberto uma goleada histórica. Não fez. Nesta quarta, chegou a estar vencendo por 3-0 ainda no primeiro tempo, mas não soube administrar a vantagem e foi eliminado em casa, em partida que contou com um Rooney baleado, a expulsão boba do brasileiro Rafael e um golaço do holandês Robben, após escanteio cobrado por Ribéry.



Será que estamos diante de uma nova era, ou foi apenas um vacilo? Acredito que seja a segunda opção. Os ingleses ainda contam com uma Premier League forte e, mais importante, com muito dinheiro. Devem voltar fortes para a próxima edição - lembrando que o Liverpool ainda está perigando. Que esta temporada sirva de lição.

6.4.10

Tradição de volta à Premier League

Menos de um ano após o vexame do rebaixamento, Newcastle mostra imponência e retorna à elite

Rebaixado pela própria incompetência na temporada 2008/09 da Premier League – uma simples vitória contra o Aston Villa teria salvo a equipe – o Newcastle confirmou nesta segunda que está de volta à elite do futebol inglês. O empate em 0-0 do Nottingham Forrest (3º, 72 pontos) com o Cardiff garantiu os Magpies em uma das vagas do acesso direto à Premier – dois times sobem direto e um sobe pelos playoffs.

Um dos times ingleses mais tradicionais da atualidade, o Newcastle confirmou a festa ao vencer o Sheffield United por 2-1. Com 89 pontos, a equipe comandada por Chris Hughton – efetivado nesta temporada – deve garantir o título da segundona sem maiores problemas.

“Novato” como técnico, o irlandês conseguiu adequar a equipe à política de contenção de gastos que pede a Championship. Manteve bons valores da elenco que caiu, como o selecionável argentino Jonás Gutierrez, o experiente Nicky Butt e os atacantes Carroll e Ameobi, além de trazer algumas peças para o nível que a competição pedia como o experiente Lovenkrands e o jovem lateral Danny Simpson, – mesmo perdendo medalhões como Duff, Given e Oba-Oba Martins. Além disso, conseguiu contornar a briga entre Carroll – um dos artilheiros da equipe na temporada – e Steven Taylor por conta de caso extraconjugal envolvendo ambos, já na reta final da ótima campanha de apenas quatro derrotas, segundo melhor ataque e melhor defesa.

Clube médio de boa estrutura, o Newcastle acrescenta e dá mais tradicionalidade ao Campeonato Inglês. Após o retorno da segunda divisão em 1992/93, foi responsável pela transferência de Alan Shearer junto ao Blackburn, em 1996 (a mais cara do mundo, à época, cerca de 20 milhões de libras). Com o devido planejamento, a equipe que fez frente ao Manchester United no meio da década de 90, pode, ao menos, fazer campanhas dignas após o novo regresso.

E uma dose dupla de tradicionalidade pode ocorrer se o Nottingham Forrest, bicampeão europeu de 1979 e 1980 e fora da elite inglesa desde 1998/99, também garantir o seu retorno. Esperemos os sempre dramáticos playoffs na terra dos inventores do futebol para saber se o futebol inglês pode ganhar em dobro. Ao menos em tradicionalidade.

4.4.10

Precisamos de mais Santas Cruzes

De um lado, uma equipe grande, badalada pelo bom momento vivido no Campeonato Carioca, quando ganhou moral com a chegada de Joel Santana ao comando do time, que venceu a Taça Rio com os bons momentos da dupla de ataque gringa Loco Abreu e Herrera. O outro trazia um Santa Cruz que tinha perdido a partida de ida em casa da Copa do Brasil e vinha de derrota no clássico diante do Sport.

Nos últimos três anos, o time Cobra Coral despencou de divisões – estava na elite em 2006 - e ainda não tem participação na Série D do Brasileirão, já que fez campanha pífia no torneio em 2009. Um misto de má administração e dívidas jogou o time de segunda maior torcida de Pernambuco e um dos clubes mais tradicionais do futebol nordestino no limbo futebolístico.

Obviamente, a equipe tricolor pernambucana chegou ao Engenhão como coadjuvante. Mas jogou melhor e reverteu a vantagem, classificando-se às oitavas de final da Copa do Brasil. Mas o melhor foi quando o elenco do Santa chegou à Recife. Uma recepção calorosa em plena quinta-feira pelos torcedores no aeroporto, desta que é uma das torcidas mais fanáticas do Brasil e que teve a segunda maior média de público em 2009, mesmo com a má campanha na Série D. O maior patrimônio de um clube que tenta, novamente, ressurgir.

Prova de que é preciso mais do que maus administradores e descaso com a história de um clube para minar a paixão de torcedores. Algo que alguns times “artificiais”, que acham que futebol é feito apenas de interesses e sem identificação alguma nunca saberão como ter, como é o caso do imbróglio do Grêmio-SP, que mudou-se recentemente para Presidente Prudente – sem entrar no mérito das cidades, e sim da origem e intenção de tais investimentos no futebol.