11.11.08

O que fazer?

A fase não é boa mesmo no Palmeiras. Depois de apresentar queda de rendimento e cair para o quarto lugar no Brasileiro, Wanderley Luxemburgo, Marcos e o elenco não parecem estar em sintonia. A situação teria começado a mudar quando Marcos fez crítica pública ao rendimento da equipe, e Diego Souza respondeu com a velha expressão de que roupa suja se lava em casa. Luxemburgo não gostou da declaração dos dois jogadores e falou que ia ter uma conversa com o goleiro, proibindo o ídolo do Verdão de dar declarações como essa.

Agora a coisa ficou mais que complicada. Além de motivar o grupo depois da derrota para o Grêmio (apesar de dizer que está fora da briga pelo caneco), Luxemburgo tem um grande dilema. Repreender ou não o goleiro Marcos, que foi para o ataque quando a partida ainda não tinha nem chegado aos 30 minutos do segundo tempo, mesmo sem ter autorização do chefe, que gritava na beira do campo. Se afastar o goleiro, fica mal com a torcida, que chama o goleiro de "São Marcos". Se fizer vista grossa, perde o respeito do elenco.

Alguns cartolas palmeirenses, segundo publicado pela Folha de S.Paulo de terça-feira (11/11), disseram que Marcos foi ao ataque, mesmo contrariando o treinador, em protesto pelo futebol de seus companheiros. Como foi proibido de fazer críticas depois do jogo, fez o seu protesto dentro de campo. Os cartolas não acreditam em problema dele com o Luxemburgo. Ainda na Folha, alguns atletas teriam atuado contra o Grêmio contrariados com a atitude da diretoria, que teria oferecido ajuda (a tal de mala branca) à Portuguesa na partida contra o São Paulo, mesmo atrasando o pagamento em alguns momentos.

Sem entrar na questão da existência ou não de um problema interno, a atitude do Marcos prejudicou bastante o Palmeiras. Ao se lançar no ataque, mostrou o descontrole do time. Com quase 20 minutos de jogo, contando os acréscimos, o Palmeiras tinha totais condições de chegar ao empate, tocando a bola. Mas com o goleiro no ataque, o time precisava ficar levantando dando chutão para a área, abrindo mão de trabalhar a bola.

Luxemburgo terá que juntar os cacos nessa reta final, até porque corre sério risco de ficar de fora do G-4, fato impensável desde o início da competição. De grande favorito, o Verdão passa a brigar por uma vaga na Libertadores, segundo o próprio treinador. O próximo jogo contra o Flamengo, provavelmente embalado pelo Maracanã lotado, dirá qual o futuro da equipe.

- Veja o início da crise entre o goleiro e Luxemburgo, e as subidas ao ataque do goleiro contra o Grêmio:

8.11.08

Liderança Explicável


A vitória heróica do São Paulo contra a Lusa isolou o time na primeira colocação do campeonato brasileiro. Ok! Isso todos já sabem. Agora, poucos comentaristas têm esclarecido porque o time do Morumbi passou a ser a equipe mais regular da competição. Ao meu ver, a explicação é simples.

No primeiro turno, Muricy insistiu muitas partidas com um esquema tático que jogava pelas laterais e deixava Hugo como principal criador do time. Nas alas, ele contava com o instável Joílson e com o decadente Richarlyson. Jorge Wágner e Hernanes dividiam um meio-campo com o Zé Luis, quando este não atuava como zagueiro. Em algumas partidas, também aparecia o horrível Éder para atrapalhar. Na época escrevi um post-carta para Muricy alertando sobre tais problemas. Alguns companheiros de blog me criticaram e preferiram culpar a diretoria. Coincidência ou não, o tempo mostrou que a falha era mesmo tática.

No segundo turno, Muricy percebeu que a ausência de um armador decente e, com ascensão de um jovem promissor chamado Jean, ele adiantou o melhor jogador de linha do atual elenco, Hernanes. A partir dessa mudança, o ex-volante se transformou no cérebro do time, com mais chegada ao ataque e jogadas pelo meio, esquecidas até então e pouco utilizadas na presença de Adriano.

Com mais consistência no meio-de-campo, Hugo passou a jogar como uma espécie de meia esquerda, dando combate na marcação e sendo mais ponta-de-lança do que armador. Rycharlyson, Joilson e Éder foram sacados, Zé Luis e Jorge Wágner foram deslocados para as alas. Dessa maneira, o jogo mais centralizado favoreceu a ascensão dos atacantes e o time consegue variar mais as jogadas. Pronto! Essa foi a mudança que colocou o tricolor em primeiro.

O campeonato ainda continua aberto, mas nas últimas rodadas Palmeiras e São Paulo conseguiram os melhores resultados e devem polarizar a briga pelo caneco. Se o Palmeiras vencer o Flamengo no Maracanã, ficará com três jogos mais tranqüilos do que o São Paulo. Se tropeçar, poderá perder o São Paulo de vista na tabela.

O Verdão precisa encontrar mais estabilidade nas partidas fora de casa. Se conseguir isso, dará trabalho. Já o São Paulo, ainda recua muito o meio-campo quando está na frente do placar e isso ainda pode trazer problemas nos jogos decisivos. Flamengo e Cruzeiro disputam a última vaga da Libertadores. E o Grêmio, ao que tudo indica, deve mesmo se tornar o único na era dos pontos corridos que venceu o primeiro turno e não levou o título... Para a alegria dos colorados...

5.11.08

Tudo embolado

Festa na torcida são-paulina
Será assim até o fim do Brasileirão?

Muito se fala em torno do disputadíssimo Campeonato Brasileiro de 2008. Afinal, não é todo torneio que, após 33 rodadas transcorridas, consegue reunir 5 equipes com chances reais de título: São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Flamengo.

Certamente, entre todos os principais concorrentes, a maior surpresa é o São Paulo. O Tricolor Paulista, que durante toda a competição ficou no G-4 ao final de apenas 7 rodadas, abriu uma seqüência de 13 partidas invictas e, enfim, alcançou a ponta da tabela.

Mesmo sem jogar um futebol que salte aos olhos, a equipe do Morumbi foi, aos trancos e barrancos, superando seus adversários um a um e, agora, depende somente de suas próprias forças para levantar o hexa. Algo que semanas atrás soava como devaneio, até mesmo para muitos torcedores são-paulinos, pode tornar-se real.

Mais uma vez, Muricy mostra que tem estrela em torneios de pontos corridos. Apesar de ser teimoso e de não ter uma ótima leitura tática durante os jogos, sabe montar bons esquemas defensivos que exploram rápidas saídas pelas laterais. Simples, fácil de ser visualizado, mas totalmente usual.

Logo atrás do Tricolor aparecem Palmeiras e Grêmio, equipes que irão, inclusive, enfrentar-se neste próximo final de semana. Dos dois, o Palmeiras aparece com maior potencial para alcançar o título. Por inúmeros fatores. Tem um elenco mais equilibrado, um técnico competente...

O grande problema dos alviverdes é a defesa. Bolas lançadas na área para cabecear ou jogadas na diagonal, nas costas dos laterais ou alas, são quase gol. Se debaixo dos três paus o goleiro não fosse Marcos, a situação palmeirense seria bem pior. Mesmo assim, do meio pra frente o time se garante, causando perigo para qualquer defesa.

Já os gremistas têm tudo para terminar o torneio com o troféu de pipoqueiros do ano. Parece que o time de Celso Roth perdeu o gás. Com uma pífia campanha no returno (apenas 5 vitórias), o Grêmio dá sinais de que só motivar-se-á novamente após um triunfo no Palestra Itália. Senão...

Mais atrás, Cruzeiro e Flamengo obviamente têm menos chances. Mas, na verdade, eu penso que ambos os times só “correm por fora” porque vacilaram em partidas cruciais.

Do lado dos mineiros, parece que a pouca experiência da equipe pesa, e dificilmente a Raposa consegue reabilitar-se quando toma um gol primeiro. Já os cariocas só estão nesta situação pela própria incompetência de perder alguns pontos em casa. Time que quer ser campeão não pode ter esse “luxo”.

Nesta rodada acredito que a coisa se afunile um pouco mais. Um empate entre Grêmio e Palmeiras pode deixar o São Paulo com as mãos no caneco. Já um vacilo do Tricolor Paulista pode desmotivá-lo completamente. Enfim, os maiores craques podem estar indo embora e o futebol apresentado pode não ser dos melhores. Mas ninguém pode reclamar que o Brasileirão não tem emoção.

3.11.08

Crise financeira?



O noticiário das últimas semanas foi inundado pela crise financeira internacional. A crise nas bolsas de valores, a subida do dólar, a quebradeira de bancos pelo mundo afora, bancos centrais socorrendo instituições financeiras em dificuldades. Enfim, todo o mercado está reticente quanto aos novos investimentos, grandes eventos esportivos estão correndo riscos, como a Olimpíada de Londres, em 2012.

Mas eis que um clube inglês anuncia um substancial aumento de salário para seu jogador. Estou falando do Manchester United, e o craque em questão é o português Cristiano Ronaldo. O jornal espanhol “As” divulgou que o clube pretende oferecer um novo contrato ao jogador, cujo salário chegaria a 200 mil euros semanais, o que daria aproximadamente R$ 540 mil, ou R$ 28 milhões anuais. Isso porque a AIG, uma das principais seguradoras do mundo e patrocinadora de camisa do clube, está diretamente envolvida na quebradeira mundial por causa da crise.

Até quando os clubes vão pagar esses salários aos seus jogadores? Esse tema já é batido, mas fiquei impressionado com os valores. É absurdo! Se o futebol movimenta todo esse dinheiro, é certo que os atletas recebam a sua parte. É totalmente justo. Mas é preciso haver algum controle, teto, alguma normatização.

Com a economia globalizada e com os clubes tendo suas ações negociadas nas bolsas de valores, não ficaria surpreendido com a notícia de quebra de algum desses gigantes. E aí, o que irá acontecer? Será que os governos iriam socorrer as equipes, da mesma forma que estão fazendo com os bancos? Qual seria o destino dos jogadores? E os torcedores? Pensa na situação, por mais bizarra que seja: os torcedores teriam de mudar de time, simplesmente porque o seu clube faliu e os jogadores foram vendidos para poder pagar os credores. Alguém imaginou que os bancos poderiam quebrar?

2.11.08

A maior decisão dos últimos anos

Um dos momentos decisivos da prova. Perseguição e posterior ultrapassagem de Vettel


Eletrizante! O GP do Brasil de Fórmula 1 tinha tudo para ser previsível, com Massa liderando de ponta a ponta e Hamilton administrando a posição até levantar o caneco. A vantagem do piloto inglês era confortável, o que permitia que ele controlasse a ânsia e ousadia que marcou os momentos decisivos da sua carreira. Mas felizmente, no esporte existe o inusitado, que traz a emoção e aumenta a paixão do torcedor. Antes da prova, quem diria que dois alemães decidiriam o futuro do campeonato? Um deles – Vettel – já havia mostrado que é um dos grandes e o outro – Glock –, atual campeão da GP 2, ainda é uma promessa. No final deu o previsível, mas da maneira mais imponderável que qualquer torcedor ou fã de automobilismo pudesse imaginar.

O título é extremamente justo se levarmos em consideração a categoria e a capacidade de pilotagem de Lewis, porém também seria justíssimo se fosse parar na prateleira ferrarista, pela também excelente habilidade de Felipe. O equilíbrio e os erros foram marcantes durante todo o ano.
Muitos vão achar culpados: o mecânico e sua engenhoca luminosa do pit stop deve ser o campeão de votos como vilão oficial dos brasileiros. Não crucifico em nenhum momento o funcionário da Ferrari. Erros acontecem. Como houve por parte de Felipe na Malásia e em Silverstone ou de Hamilton em Montreal. Isso sem contar as lambanças e troca-troca de pontos por conta das conturbadas decisões dos fiscais de prova, que “tentaram” punir de forma indireta quem saísse da “fila indiana” dos últimos anos. No balanço de 2008, Hamilton e Massa mostraram ao mundo que serão os grandes nomes da categoria nos próximos anos, ao lado de Alonso, Raikkonen e outras promessas em formação.

O final de prova em Interlagos coroou um campeonato que trouxe de volta aos brasileiros um verdadeiro ponto de referência na Fórmula 1. 2009 começará de modo diferente para quem acompanha a categoria, como já aconteceu neste ano. A decisão deste campeonato foi a mais emocionante que vi. Mais até que os títulos de outro brasileiro, Ayrton Senna, devido a carga de dramaticidade e pelas circunstâncias que se deu a última volta em São Paulo. Hamilton mostrou fragilidade no final da prova diante de Vettel – o que em nenhum momento tira o mérito da sua conquista -, que, ao contrário, provou que terá um belo futuro no automobilismo. Se os brasileiros ganharam um novo ídolo, os alemães já podem acreditar que Schumacher tem um substituto à altura.

Ahhh... Antes que também resolvam o crucificar, saio em defesa de Timo Glock, que foi heróico no final da prova. Arriscou, e assim como Trulli, segurou o quanto deu sua Toyota na pista. Foram cinco voltas com pneus de seco; o piloto tem seus méritos e trouxe dois pontos para a equipe de Colônia.

Ufanismo a parte, foi um grande ano. Massa amadureceu e se mostrou preparado para ser campeão. Hamilton começou a superar a fama de trapalhão afobado e se tornou com mérito o mais jovem campeão da categoria. Alonso, de volta para casa, evoluiu e segue mais vivo que nunca, começando 2009 como um dos favoritos, caso seu carro evolua um pouco mais. A categoria ganhou jovens e competentes promessas como Vettel e Kubica.

O próximo ano começará com novas regras, novos pneus e uma promessa de maior equilíbrio. Se as previsões se concretizarem, o fã de automobilismo terá grandes emoções pela frente.