9.7.08
8.7.08
Ele vibra, ele é fibra
Durante estes seis consecutivos anos em que a fórmula do Campeonato Brasileiro permanece inalterada, nunca nenhum clube chegou na 9ª rodada numa situação tão confortável quanto à do Flamengo: 9 jogos, 7 vitórias, 1 empate, 1 derrota e enormes 81% de aproveitamento.
Nesta hora, uma clássica pergunta fica no ar: Será que o clube de maior torcida do país tem cancha para agüentar o ritmo e levar o caneco?
Seguindo o pensamento de outros jornalistas, acredito que é muito difícil fazer qualquer prognóstico futuro antes da janela de transferências do mercado europeu fechar. Mesmo assim, impressiona-me a consistência e o bom futebol apresentados pelos rubro-negros cariocas até o momento.
Creio até que, no papel, o time de Caio Júnior não tem nada demais. Mas no gramado, a história é diferente. Mesmo sem ter uma zaga com a tranqüilidade de Miranda e Alex Silva ou um meio-campo com a velocidade de Vagner e Ramires, o time da Gávea, aos poucos, galga seu espaço e mostra que tem totais condições de levantar o caneco.
Boa parcela destes méritos vai para a diretoria flamenguista que enfim percebeu que nomes valiosos nem sempre trazem títulos e preferiu apostar numa base ainda construída no ano passado. Atualmente nenhuma equipe no Brasil tem atletas tão aguerridos e um conjunto tão entrosado.
Mesmo quando não jogam bem, como na fatídica derrota por 4 a 2 frente ao São Paulo, os atletas rubro-negros não se entregam: correm, marcam, trombam... Dá gosto de ver. Parece que aprenderam com os mexicanos do América que futebol nem sempre é vencido por aqueles que são mais habilidosos.
Não estou com isso falando que o Flamengo tem excepcionais jogadores ou um técnico diferenciado. Ainda há muito que melhorar. Bruno precisa melhorar nas bolas aéreas, Leo Moura e Juan não podem avançar toda hora e deixar suas costas tão desguarnecidas, Ibson tem que ser mais regular, o trio Obina, Tardelli e Souza pode melhor aproveitar as oportunidades de gol que aparecem...
Uma coisa, porém não há discussão. Em um campeonato de pontos corridos tão nivelado tecnicamente (mesmo que seja por baixo), a raça e a vontade de vencer devem estar sempre presentes. E nestes quesitos, pelo menos até agora, o Flamengo dá um verdadeiro banho em outros prováveis candidatos ao título como Cruzeiro, Palmeiras, Grêmio e São Paulo.
7.7.08
Os eleitos: para salvar ou derrubar Dunga?
Mesmo em má fase e convocado por Ricardo Teixeira, Ronaldinho é um dos principais jogadores do elenco canarinho na busca pelo ouro inédito.Falta de tempo, a não-liberação dos principais jogadores, ausência um planejamento prévio e, como de praxe, com larga preferência pelos “estrangeiros” - só cinco dos 18 atuam no Brasil – fazem com que o Brasil saia cheio de desconfianças e sem grandes expectativas, ao contrário do que ocorreu na Copa de 2006. Só que os recentes resultados do Brasil nas Eliminatórias e a falta de um futebol digno de Seleção Brasileira fazem com que o processo de fritura de Dunga se acentue cada vez mais. Mas caso ocorra o título – e Teixeiradas à parte – ficará difícil tirar o gaúcho carrancudo do cargo. Mesmo tendo de engolir a convocação de Ronaldinho pelo próprio Ricardo Teixeira, o craque dentuço terá a ingrata missão de ser um dos homens de confiança de Dunga, ao lado de Robinho (intocável na era Dunga) e o zagueiro-revelação Thiago Silva, de ótima temporada pelo Fluminense até aqui.
Goleiros
Dunga deve ter pensado em chamar alguém acima dos 23 anos para a posição. Mas a convocação justa de Diego Alves, após excelente temporada pelo Almería, e de Renan, do Inter, se mostraram acertadas. Apesar do goleiro do Inter ter sido chamado mais devido a falta de opções elegíveis no setor do que pela sua própria capacidade técnica, que é boa, mas não suficiente para firmá-lo no Internacional, onde divide a titularidade com o contestável Clemer. Talvez Dunga devesse ter queimado aí seu cartucho de jogador acima de 23 anos, mesmo não podendo contar com Júlio César, seu favorito.Defensores
Mesmo encostado no Bayern, o ótimo Breno pode reeditar dupla de zaga com o “experiente” Alex Silva. O “Pirulito” tem bastante bagagem pelo São Paulo e deve ser o titular absoluto. A ponto de sair do Flu na próxima janela de transferências para a Europa, Thiago Silva será exposto na vitrine da Seleção. Boas atuações podem encurtar as distâncias até o futebol do Velho Continente. Foi o melhor de sua posição em toda a Libertadores, mesmo com as más atuações das finais contra a LDU. Apesar do desejo de Dunga em contar com um nome mais experiente no setor, os convocados têm condições de segurar o rojão na zaga canarinho.
Nas alas, as más atuações de Richarlyson este ano lhe custaram as vagas. A dele no elenco e uma para Dunga, que contava com o versátil ala/volante para ganhar uma posição em outro setor. Dos três, Rafinha foi o de temporada mais regular pelo Schalke e apostaria na titularidade dele. No entanto, Ilsinho já provou ter capacidades e ser o lateral titular, mas o seu estilo do jogo demasiadamente ofensivo pese para a escolha. Como única opção na esquerda, Marcelo está tranqüilo.
Meio-campistas
O setor mais promissor do Brasil, na minha ótica. Dunga tem a opção de montar um meio campo de volantes marcadores e habilidosos, como Hernanes e Lucas. Anderson pode ajudar no setor, pois no Manchester United soube ajudar a compor a marcação, inteligentemente descoberto por Ferguson. Ele vem de trás, mas não como um volante marcador, e sim como um jogador mais solidário, porém com capacidade de armar jogadas com extrema habilidade e velocidade. Já em relação a Diego e Ronaldinho, uma grande incógnita. O primeiro arrebenta no Werder, mas ainda deve uma grande partida com a camisa canarinho. O segundo vê Pequim como uma grande motivação para o reinício de sua carreira, desgastada na última temporada. Não questiono sua capacidade técnica, mas achei errada a aposta nele como jogador para as Olimpíadas. Ele primeiro precisa definir seu futuro e se recuperar em seu futuro clube para depois, voltar à Seleção. Já Thiago Neves, apesar das boas apresentações nas finais da Libertadores, não é o jogador vigoroso que encantou o Brasil no ano passado, mas pode vir a ser uma boa opção, inicialmente.Atacantes
Dunga apostará suas fichas na dupla Robinho-Pato. O atacante do Real Madrid é homem de confiança do técnico, mas não está conseguindo render o que pode nas últimas partidas pelo Brasil. Pato fez bom papel em alguns amistosos e pode estourar. O ex-corinthiano Jô, recém-transferido para o Manchester City, fez bom papel na gélida Rússia. Tornou-se um dos principais - senão o principal – jogador do CSKA dos últimos dois anos e uma convocação sua para a Seleção de novos não é nada injusta. Já Rafael Sóbis não conseguiu se firmar na Europa após a grande campanha pelo Inter, no Brasileiro de 2005 e na Libertadores de 2006. Mas trata-se de um queridinho de Dunga que aparecerá como a primeira opção no banco.Apesar de ter mais motivos de criticar o planejamento do que os convocados em si, não posso deixar de citar a ausência de dois jogadores que não podiam estar de fora de uma Seleção sub-23: o volante Charles e o atacante Guilherme, ambos do Cruzeiro e que acrescentariam muito a este elenco. Menções ao zagueiro Léo, do Grêmio, que vem fazendo bom papel no Brasileirão até aqui, inclusive sendo o Bola de Prata em sua posição, em avaliação feita pela Revista Placar e ao zagueiro Henrique, recém-vendido ao Barcelona, deixados de lado.
Apenas dois jogos amistosos, poucos dias de preparação até Pequim e um técnico teimoso pressionado no cargo. Será o Brasil tão favorito assim - mesmo com uma seleção reconhecidamente técnica - frente as seleções africanas, sempre perigosas e a uma Argentina que quer o bicampeonato olímpico a todo custo?
Convocados:
Goleiros: Diego Alves (Almería/ESP) e Renan (Internacional)Laterais: Ilsinho (Shakhtar Donetsk/UCR), Rafinha (Schalke 04/ALE) e Marcelo (Real Madrid/ESP)
Zagueiros: Alex Silva (São Paulo), Breno (Bayern de Munique/ALE) e Thiago Silva (Fluminense)
Meio-campistas: Anderson (Manchester United/ING), Diego (Werder Bremen/ALE), Hernanes (São Paulo), Lucas (Liverpool/ING), Ronaldinho Gaúcho (Barcelona/ESP) e Thiago Neves (Fluminense).
Atacantes: Alexandre Pato (Milan/ITA), Jô (Manchester City/ING), Rafael Sóbis (Betis/ESP) e Robinho (Real Madrid/ESP).
4.7.08
Futebol e patriotismo
Todo mundo sabe o quanto o estadunidense é patriota em relação ao 4 de julho, data que marca o aniversário de sua independência do domínio inglês. No entanto, houve um dia em que essa importante data coincidiu com o maior evento de futebol.Em 1994, a Copa do Mundo realizada nos EUA tentava colocá-los no mapa do futebol. Ou fazer com que eles se interessassem por isso. Não é preciso nem lembrar a importância e a rentabilidade de consumo dos norte-americanos em esportes como o futebol americano, basquete, baseball e hockey, por exemplo. A média de público de 60 mil espectadores foi, em números absolutos, a maior de todas as Copas. E no embalo da empolgada torcida da casa, a seleção dos EUA tentava fazer bonito na competição. Na época, os Yanks estavam tentando se reafirmar no futebol. Para isso, tinham como técnico o experiente Bora Milutinovic, à frente da equipe desde 1991.
Na Copa, começou a campanha no Grupo A (EUA, Suiça Romênia e Colômbia), com uma vitória, um empate e uma derrota. Conseguiu a classificação e iria pegar o Brasil nas oitavas. Somado ao fato de enfrentar a Seleção brasileira, o jogo seria em 4 de julho. No calor da Califórnia, os EUA proporcionariam um dos seus maiores momentos do futebol moderno, comparável ao terceiro lugar na Copa de 1930, a vitória sobre os ingleses em 1950 e ao proporcionar a “partida da paz”, com os eternos inimigos políticos, os iranianos, em 1998.
Na Seleção de Parreira, Raí sairia para entrada de Mazinho. O camisa dez fazia péssima Copa à aquela altura, deixando a cargo de Zinho a armação das jogadas. Mazinho o auxiliaria, mas sempre reforçando a marcação no meio, como pregava a cartilha de Parreira. No jogo, o Brasil penava para passar pela defesa, enquanto os EUA se propuseram a jogar mais atrás, com boa partida da dupla Balboa-Lalas. Com um Brasil pouco efetivo e algumas chances esporádicas americanas, a torcida do Stanford começou a acreditar no impossível. E após a expulsão de Leonardo, por cotovelada em Tab Ramos – a qual custou ao ala canarinho o restante da Copa por suspensão – muitos achavam que se os yanks fizessem um gol, e o Brasil poderia se desesperar. No entanto, após muita perseverança e algumas chanes perdidas, o passe de Romário achou Bebeto na direita, aos 28 minutos do 2º tempo. E o remate do camisa sete veio cruzado, vencendo Tony Meola.
Mesmo com a chegada de Beckham, grande expoente do atual momento futebol nos EUA, o futebol profissional por lá ainda peca pela falta de técnica e competitividade. Apesar do dinheiro, não tem o nível competição do seu vizinho, o México. Mesmo assim, muitos estadunidenses já brilham pelos campos europeus, tais como DaMarcus Beasley, Tim Howard e Freddy Adu, por exemplo. E o surgimento dessa geração se deve muito a aquela tarde de calor na Califórnia, onde muitos acreditaram que o patriotismo e a empolgação daquela geração de Balboa, Lalas, Wynalda e Meola pudessem vencer a técnica (apesar do simplismo de Parreira) de uma seleção triacampeã mundial.1.7.08
Paradinha covarde
Como já enfatizei em várias oportunidades, para muitos o pênalti interceptado pelo goleiro é tão comemorado quanto um gol convertido pelo batedor. Recursos como a paradinha aumentam em muito as chances de gol. Porém, numa proporção quase que desumana para o goleiro. Some-se a paradinha o fato do goleiro, teoricamente, não poder se mover à frente da linha do gol. Se um juiz permitir a paradinha e for rigoroso quanto aos movimentos do goleiros no pênalti, é melhor mandar bater sem goleiro. A expectativa do pênalti não se converter vai se resumir apenas na incompetência do batedor, se ele mandar a bola fora do gol.
Cada um interpreta de uma forma. Na Europa, a prática é vetada, como pudemos observar nesta Euro. Já no Brasil especificamente, as paradinhas viraram mais um recurso de malandragem a serviço do gol, assim como as malfadadas cavadas de pênalti excessivas, onde o jogador prefere que o juiz marque a infração ao invés da tentativa direta ao gol. E enquanto isso, a moda vai se alastrando e os gols de penalidade máxima vão se sucedendo, um atrás do outro. Falta clareza. E na minha visão, um pouco de bom senso para com a situação dos goleiros.
Abaixo, a matéria do Globo Esporte sobre a polêmica:
