18.4.07

Deus, salve a Rainha!!

Um recente debate nos últimos 5 anos questiona qual é o principal e mais competitivo campeonato europeu interclubes. E atualmente, não restam dúvidas, entre as 3 ligas mais badaladas, (Itália, Inglaterra ou Espanha) a Premier League leva vantagem.
Faltando poucas rodadas para o final, a liga inglesa pega fogo! O título está totalmente indefinido, as vagas para a Champions estão abertas e a briga contra o rebaixamento permanece incessante. Até mesmo o West Ham de Tevez, que amargou uma seqüência de mais de 10 jogos sem vitórias, ainda pode escapar da queda!
Italianos e espanhóis vêem poucas emoções em seus torneios. No Calcio, a Internazionale lidera de ponta-a-ponta, sem perder sequer uma partida. Se a Roma alterna entre bons e maus jogos, o Milan acordou para a competição somente em 2007. Os admiradores da boa disputa, já estão com saudades da Juventus.
Alguns dirão que La Liga tem disputa pelo caneco, já que Barcelona, Real Madrid e Sevilla revezam-se na liderança. Mas convenhamos que se algum destes três times conseguisse impor uma seqüência de bons resultados consecutivos, o torneio já conheceria seu vencedor. A incompetência espanhola decepciona.
O sucesso dos clubes ingleses vem de sua boa fase econômica. Até mesmo times mais modestos investem pesado para conseguir, ao menos, 3 ou 4 estrelas em seu plantel. Equipes medianas conseguem jogadores que se destacam ou já se destacaram em suas seleções. Exemplos do Portsmouth de Kanu, Campbell e James, do Manchester City de Vassell e Mpenza ou do Bolton de Anelka e Diouf.
A fase é tão boa que nas quartas-de-final da Copa da Uefa, o oitavo colocado da Premier, o Tottenham, quase eliminou o Sevilla, um dos candidatos ao título espanhol. Já na Champions League, o futebol inglês foi recompensado com 3 das 4 vagas para as semi-finais. Nada mais justo.
O Chelsea, apesar de não praticar um futebol muito vistoso, traz um toque de bola envolvente. Qualquer vacilo adversário transforma um lance inocente em arma mortífera para o matador Drogba. Além disso, o meio-campo do técnico José Mourinho (Mikel, Ballack, Lampard e Essien) sabe marcar a atacar com qualidade, permanecendo muito tempo com a bola e dificultando qualquer forma de pressão em sua compacta defesa.
Nas semi, os Blues encaram o Liverpool, time que muitos consideram zebra. Ledo engano. Os Reds, apesar de tecnicamente e individualmente limitados conseguem complicar qualquer partida. Têm uma defesa muito forte e gostam de jogar pelas pontas para abrir a marcação rival. Um chute de Gerrard ou um cruzamento de Riise ou Finnam para o não tão limitado Crouch pode surpreender os londrinos.
Do outro lado, o melhor time europeu, o Manchester United, deve confirmar seu favoritismo diante do Milan e chegar a finalíssima. Os Red Devils estão em grande fase e contam com um quarteto fantástico: Giggs, Scholes, Rooney e Cristiano Ronaldo, certamente o melhor jogador da atualidade. O time de Sir Fergunson atua de forma ofensiva, atacando com qualidade tanto pelo meio quanto pelas laterais do campo. Veteranos milaneses, como Maldini, Cafu e companhia dificilmente terão pique para acompanhar o rival.
O único problema dos Red Devils é a bruxa que anda solta em sua defesa. Silvestre, Vidic, O’Shea e Neville estão lesionados e por pouco, Ferdinand não engrossou a lista. A ausência dos titulares pode ser o segredo para Kaká e Ronaldo fazerem a festa. Mas é melhor os rossoneri, não animarem-se. Que diga a Roma de Doni e seus 7 gols sofridos...

17.4.07

Estranhos no ninho

















A temporada européia vai chegando em seus momentos decisivos e um fato curioso chama a minha atenção: na Copa da UEFA e na Liga dos Campeões, três dos quatro semi-finalistas são de um mesmo país - na UEFA, os espanhóis (Osasuna, Sevilla e Espanyol) e na Liga dos Campeões, o domínio é inglês (Man United, Chelsea e Liverpool). Será que esses domínios regionais se concretizarão?

Como a Copa da UEFA reúne as equipes do segundo escalão dos principais centros da Europa, podemos dizer que o Werder Bremen, o intruso na armada espanhola, é o time de ponta em questão, junto ao Sevilla. O Werder, a exemplo do Sevilla, briga em duas frentes (tem chances de título na UEFA e em seus campeonatos nacionais) e isso pode se converter em uma desvantagem contra seus adversários, Espanyol e Osasuna, respectivamente. Essas equipes não aspiram mais chances em chegar a próxima Liga dos Campeões e vêem essa Copa como a única chance de titulo na temporada. Olho nos brasileiros envolvidos nesses confrontos: Diego e Naldo (Werder), Jônatas (Espanyol), Dani Alves, Adriano e Luis Fabiano (Sevilla).

E na Liga dos Campeões, domínio inglês, com os três primeiros colocados do campeonato local disputando o posto de melhor da Europa. O intruso, no caso, tem muita tradição na Europa e está com moral por arrancar a vaga para as semis na casa do Bayern: o Milan promete ser a "pedra no chá" inglês.

Muitos dão como certa a final entre Manchester (que enfrentará o Milan) e o Chelsea (que jogará contra o Liverpool). Mas esse prognóstico pode se converter numa enganadora miragem. O Liverpool tem grande tradição na Champions e já eliminou o Chelsea em 2004/2005, quando o time de Abramovitch também era dado como favorito no confronto. Nesse ano, os Reds fizeram a final contra o Milan, onde se sagraram campeões. Milan esse que está bastante envelhecido para o confronto contra o badalado Manchester de Cristiano Ronaldo, Giggs e cia., considerado por muitos a melhor equipe na atualidade. A tradição do Milan não deve ser ignorada, mas é impossível não ver o Manchester como o grande favorito para chegar ao topo da Europa, não só pela impecável exibição contra a Roma (onde os Red Devils aplicaram 7 a 1 na boa equipe da Roma), mas por toda a campanha da equipe no restante da Liga e no Campeonato inglês.

Só que a exemplo dos dois favoritos da UEFA, os dois favoritos da Liga dos Campeões tem sua atenção dividida. Manchester e Chelsea estão no limite de seu preparo físico, pois disputam o campeonato inglês, vão decidir a Copa da Liga Inglesa e podem chegar à final da mais importante competição de clubes do planeta. Contusões e desfalques não permitem a Mourinho e Ferguson pouparem seus principaos jogadores como gostariam (ou deveriam), para não facilitar o triunfo do rival.

Curiosamente, os brasileiros desse confronto estarão todos no Milan (Dida, Cafú, Serginho e Kaká) e o tempero tupiniquim pode ser a diferença dos milanistas nos jogos decisivos. Gerrard e o ascendente Crouch prometem tentar levar os Reds ao topo. Drogba, Lampard e o cão de guarda Essien são as armas dos Blues, enquanto o atual melhor do mundo "por direito", Cristiano Ronaldo, as rápidas investidas do experiente Giggs, além da força e precisão de Rooney podem desequilibrar para o Manchester United.

Glasgow, na Escócia e Atenas, na Grécia, são os destinos dessas verdadeiras armadas. Mas será que haverá uma pedra no meio do caminho? E convenhamos, Milan e Werder são verdadeiros pedregulhos a serem batidos. Quem vencerá? O domínio maciço ou os "estranhos"?

13.4.07

Ano novo, problema velho...

O Campeonato paulista chegou a sua última rodada neste meio de semana e o resultado não surpreendeu aqueles que fizeram previsões no início do certame. Santos e São Paulo fizeram suas partes e lideraram com folga toda a competição. Já Palmeiras e Corinthians alteraram bons e maus momentos, mas no final, pagaram mais uma vez pela falta de estrutura fora dos gramados.

O torcedor alvinegro não teve motivos para sorrir nesse primeiro semestre. Mais uma vez assistimos de camarote às guerras de egos e as lavações de roupa-suja em plena praça pública. Prato cheio para os críticos de plantão e para os oportunistas. Atletas foram embora, mais um treinador saiu pelas portas dos fundos e o resultado todos já sabem...

O que o Corinthians mais precisa nesse momento é a construção de uma identidade dos jogadores sem a necessidade de grandes estrelas, dentro e fora dos gramados. O nome de Abel Braga parece ser uma boa opção para construir essa realidade. O problema é que a própria torcida vai ter que ter muita paciência com o time nessa nova fase. A cobrança excessiva por parte da mídia e dos torcedores é uma das explicações para o Timão estar sempre envolvido em furadas, como a MSI.

No caso do Palmeiras, a diretoria ainda obteve bons êxitos nas apostas do técnico Caio Junior. O fato da equipe ter sua classificação bastante dificultada para as semifinal do torneio não esconde as evoluções vistas dentro de campo. O ex-treinador do Paraná conseguiu devolver um padrão de jogo ao time. As variações táticas envolvendo Edmundo e Valdivia trouxeram algumas alegrias ao torcedor, como a série de vitórias na reta final do paulistão e a boa vitória sobre o arqui-rival Corinthians. De qualquer maneira, o Verdão ainda sofreu com limitação técnica da maioria dos atletas e com os problemas organizacionais do departamento de futebol – a saída de Paulo Baier por falta de pagamento ilustra bem esse raciocínio. O Palmeiras é hoje o que o Corinthians deve se tornar amanhã. Mas qual será o futuro dessas equipes?

Talvez a resposta esteja na análise da trajetória de outro grande. O Flamengo é um exemplo de time que baixou a bola e apostou as fichas na força de um conjunto limitado, porém determinado. O resultado? Há um bom tempo não ouvimos rumores de crise na gávea. O time vive uma verdadeira lua-de-mel com os torcedores e com os bons resultados. É claro que não estamos diante de um esquadrão fenomenal, que deverá fazer história. No entanto, para a atual conjuntura do futebol nacional, o time do Flamengo pode ser considerado um destaque bastante positivo, e acredite, um exemplo a ser seguido.

A impressão que tenho é de que, finalmente, algumas coisas óbvias passaram a ser assimiladas pelos dirigentes. Um exemplo é a manutenção dos treinadores. Os times que mais fizeram sucesso nos últimos anos continuam com o mesmo comandante. São os casos de Grêmio, Internacional, São Paulo, Santos e Flamengo.

Será que os outros vão demorar muito para perceber isso?? O jeito é esperar...

Já que temos que se acostumar com a ausência de craques em nossos campos, nós, cronistas esportivos, temos a obrigação de cobrar e vibrar com as grandes jogadas que acontecem fora dele... os exemplos estão ai!

11.4.07

A volta do Leão do Nordeste?

17 jogos. 16 vitórias e 1 empate. 39 gols marcados e apenas 6 gols sofridos. Bons números, não? Essa bela campanha vem do primeiro campeão estadual de 2007: o Sport Recife, que semana passada conquistou seu 36º título pernambucano a duas rodadas do término da competição.
Muitos dirão: “Poxa, é o Campeonato Pernambucano, o Sport não fez nada mais do que sua obrigação...” Será? Tenho lá minhas dúvidas...
Que o nível técnico do Pernambucano é baixo todo mundo sabe. Mas de qualquer maneira, a facilidade com que o Leão levantou o caneco impressiona. Afinal, em sua trajetória o rubro-negro bateu o rival Náutico duas vezes (1 a 0 nos Aflitos e 2 a 0 na Ilha do Retiro), segurou o empate com o Santa Cruz em 1 gol e chegou a aplicar sonoras goleadas, como 6 a 0 no Ypiranga e 5 a 1 no Vera Cruz.
Faz tempos que uma equipe não garante um título no Brasil com tanta supremacia diante de seus adversários. Isso mostra o trabalho sério que a diretoria pernambucana faz desde o ano passado quanto alcançou o acesso para a divisão principal do Campeonato Brasileiro.
O jogo contra o Ipatinga pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil será um verdadeiro divisor de águas. Enfim, descobriremos se a equipe poderá ser um grande adversário no Brasileirão ou se tudo não passou de um sonho. Bem, não em minha opinião...
Primeiramente, desde que se iniciou o Campeonato Brasileiro há 26 anos atrás, todo mundo sabe que enfrentar o Sport na Ilha do Retiro é osso duro de roer. A torcida comparece em massa e faz a equipe superar-se. Com o nível técnico demonstrado por outras equipes neste primeiro semestre, acredito que o Leão será um dos times com melhor desempenho em seus domínios.
Além disso, seu elenco modesto, mas razoável. No ataque conta com a dupla ex-palmeirense Washington e Rosembrick. Se ambos fracassaram no Verdão, no Nordeste, ao contrário, sempre mantiveram boa fase. A armação fica por conta do tarimbado Fumagalli e de Diego, ex-Santos, eterno candidato a promessa.
No setor defensivo o time conta com o lateral Osmar, que se destacou no Brasileiro de 2006 jogando pelo Santa Cruz, com os volantes Everton e Heleno, ex-Macaca e ex-Peixe, respectivamente e com a dupla vinda do Atlético-PR formada pelo zagueiro Durval e pelo volante Ticão. No gol, a experiência de Magrão, ex-Portuguesa e Fortaleza é importantíssima. Isso, sem falar do astro do time, o matador Carlinhos Bala (foto), que após passagem frustrante pelo Cruzeiro voltou ao Nordeste.
No banco, o técnico é o ex-volante Gallo, treinador discípulo de Luxemburgo, que já passou pelo Santos e pela Portuguesa e que atualmente tem várias propostas de times do eixo Rio-São Paulo.
Com isto, não estou falando que o Sport é um dos grandes favoritos a conquista do Brasileirão. Longe disso... Mas nessa época de vacas magras onde times que se dizem grandes, como Palmeiras, Corinthians, Fluminense, Internacional, entre outros, mal conseguem garantir sua supremacia estadual, é melhor ficarmos de olho. Do mesmo jeito que no ano passado, uma vaga na Libertadores surgiu para o Paraná, pode ser que desta vez ela fique lá em Recife. E disso, eu não duvido.

3.4.07

O rugido (ou miado) derradeiro!

Chega ao fim o trabalho de Leão no Corinthians. O técnico permaneceu 7 meses no cargo, onde salvou a equipe do rebaixamento no brasileirão, mas fez uma das piores campanhas do alvinegro no Paulistão dos últimos anos.

A era Leão chegou ao fim nesta terça-feira. E qual o legado que o polêmico técnico deixa o Timão? Um time em frangalhos, psico e tecnicamente. Mas discordo quando o elegem como "o grande vilão" da equipe alvinegra. A ingerência administrativa na qual o Corinthians está mergulhado colaborou decisivamente para o fraco desempenho de Leão e seus pupilos no Paulistão. Mas Leão tem sim uma boa parcela de culpa nesse episódio. Sua política de "caça as estrelas" (vide os casos Tevez, Mascherano e Carlos Alberto) começaram por minar a imagem do treinador dentro do clube. Aliado a isso, há o episódio das perseguições a árbitros, jornalistas e até mesmo torcedores. Além de arrogante, os jornalistas acusavam a falta de um padrão tático na equipe. A formação do elenco de 2007 prova isso, já que a equipe começou com oito atacantes no plantéo e terminou com o excesso de volantes (nove). Enquanto isso, nas laterais, Leão indicou a contratação de dois jogadores desconhecidos - Wellington e Tamandaré sendo que o primeiro estava retornando de uma contusão - ao invés de jogadores tarimbados, como o lateral-esquerdo Triguinho, do São Caetano, o qual se mostrava uma bela opção para o setor, que perdeu César e Gustavo Nery. Isso sem contar o longo "caso Nilmar"e as brigas com a MSI, "parceira" da equipe.

Com a debandada dos atacantes e dos laterais, Leão começou uma fase de experimentação no elenco. Mesmo precisando vencer, Leão colocava volantes e mais volantes no time (só no jogo contra o Santos, foram cinco), deixando-o extremamente defensivo e sem armação alguma.

A indisciplina e o nervosismo dos jogadores também prejudicaram o desempenho da equipe em campo. Foram quase 40 expulsões que fizeram com que o time perdesse pontos preciosos, nos jogos contra o Paulista e o Santos, por exemplo.

Não havia mais clima para a permanência de Leão, que se demitiu hoje do cargo com um cartel de 46 jogos, com 22 vitórias, 13 empates e 11 derrotas (um aproveitamento de 57,2%). O bom percentual foi conquistado principalmente pela campanha de recuperação do Timão no Brasileirão de 2006, onde o técnico foi uma das principais figuras da equipe para salvá-la do rebaixamento. De unanimidade ao coro de "fora Leão". O técnico sai sem deixar saudades em muitos setores do clube e da torcida.

Só que a saída de Leão acarretará outro problema: quem será seu sucessor? Autuori, do Cruzeiro, Luxemburgo do Santos e até mesmo Abel Braga rejeitaram assumir o barril de pólvora que se tornou o Corinthians, onde tantos jogadores almejavam jogar um dia e que hoje é motivo de chacota de muitos setores da imprensa e de outros torcedores. Onde jogadores preferem ir para Rússia ou outro lugar de pouca expressão futebolística. Onde reina o caos, em todos os segmentos. O rugido final de Leão no Timão soou como um miado, de um gato muito acuado, mas que tem culpa por essa perseguição contra ele.