
Certa feita, o amigo Thiago Barretos – um dos idealizadores deste blog – disse que a Venezuela poderia brigar por uma vaga na Copa de 2014. Absolutamente todos nós, inclusive este que escreve estas linhas, emitimos opinião veementemente contra. Claro que o tema é oportunista, dado o heróico empate diante do Paraguai por 3-3, nos últimos sete minutos de jogo. Mas a seleção Vinotinto, saco de pancadas histórico na América do Sul, já deixa participantes de Copas como Bolívia e Peru para trás. E com uma vaga a mais, decorrente da classificação do Brasil como país-sede do Mundial de 2014, a América do Sul ainda terá as 4,5 vagas (a quinta, em repescagem) habituais. E a Venezuela hoje é forte candidata a sonhar com o jogo extra que a levaria primeira Copa de sua história.
Desde que recebeu a edição anterior à esta Copa América, em 2007 – com fortes investimentos estruturais feitos por Hugo Chávez, assim como acontece atualmente com Pastor Maldonado, na Fórmula 1, bancada pelo líder do país e a poderosa petroleira PDVSA –, a seleção acentuou seu papel no futebol sul-americano. Única seleção filiada à Conmebol que nunca se classificou a um Mundial, até o ano 2000, a Venezuela só havia vencido duas partidas na história das Eliminatórias: em 1981, contra a Bolívia, e em 1993, contra o Equador. No qualificatório para a Copa da Coreia do Sul e Japão, não foi a última colocada do torneio pela primeira vez (terminou em nono). Na edição seguinte, subiria mais uma posição.

Classificados pela primeira vez a um torneio Fifa, no Mundial Sub-20 de 2009, no Egito, acabou fora nas oitavas de final. E a sucessão de quebra de marcas e resultados surpreendentes também deram as caras nesta Copa América. Com empates diante do Brasil e Paraguai, onde atuou bem, dentro de suas váris limitações, os comandados de Farías só não foram os campeões da chave pelo saldo de gols.

Com o trabalho de Farías mantido, uma renovação gradual e jogadores mais experientes no planeta bola, porque não sonhar com uma vaga no suprassumo do futebol mundial, bem no "quintal" venezuelano? Em teoria, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai brigariam pelas vagas diretas. A repescagem tem o Equador (participante de Mundiais desde 2002), que também tem boa experiência internacional, mas é irregular. Já a Colômbia tem bons valores individuais, mas sofre para enquadrá-los em um esquema de jogo, fato que deixou a seleção cafetera de fora dos últimos três mundiais.
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