20.7.09

Cultura inútil

Dizem que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Na hora em que os resultados não ocorrem como o esperado no futebol – principalmente brasileiro - , em 99% dos casos, quem paga o pato é o técnico. É como nos filmes antigos, onde o culpado era sempre o mordomo. Essa obviedade esconde falta de tato, de racionalidade e de planejamento por parte dos cartolas.

Só entre os 40 clubes das Séries A e B, foram 22 trocas de treinador em apenas doze rodadas – correspondente a pouco menos de um terço das competições. Alguns clubes como o Náutico, por exemplo, trocaram de técnico mais de uma vez. Me arrisco a dizer que em pelo menos 90% dos casos, as demissões ocorrem mais por pressão de imprensa e torcida do que por análise de um trabalho previamente planejado. Um exemplo disso é o Fluminense, que já teve três treinadores (até esta segunda, 20/07): Renê Simões, Carlos Alberto Parreira e Vinícius Eutrópio, que depois de efetivado no cargo, já está ameaçado após duas derrotas. Renê Simões foi responsável direto por salvar o Fluminense do rebaixamento do Brasileirão 2008, mas após maus resultados no “importantíssimo” Campeonato Carioca, foi mandado embora após vencer o Nacional/PB, pela Copa do Brasil. À época, o diretor de futebol do Fluminense, Alexandre Faria, disse ao IG: "Ele realizou um belíssimo trabalho à frente do Fluminense em 2008, classificando a equipe para a Copa Sul-Americana em 2009. Infelizmente o time ainda não engrenou nesta temporada e chegamos ao consenso de que é necessária a mudança do comando técnico da equipe. Buscaremos, com bastante calma e critério, o melhor nome possível para dirigir a equipe".

Chegando com discurso de reformulação e trabalho a longo prazo e sem reforços significantes, Parreira durou pouco mais de três meses à frente do time das Laranjeiras. No meio da briga entre o clube e o patrocinador, o time claramente era vítima, refletido nos maus resultados. Mas ainda assim, Parreira que foi demitido. O discurso agora era o de dar chances ao até então interino Eutrópio, o que já parece descartado pelos dirigentes tricolores, que já declararam correr atrás de um profissional mais “experiente”. Em levantamento pelo GloboEsporte.com, o Fluminense é o líder em trocas de treinador na era dos pontos corridos, superando Flamengo e Atlético/MG, com 17 trocas em pouco mais de seis anos (uma média de quase três técnicos por ano!).

A novela Jorginho no Palmeiras é outro exemplo. Os bons resultados conquistados – quatro vitórias e um empate, levando o time à liderança com o Atlético/MG – não deixam o até então interino mais experiente na função. É óbvio que ele começa sua carreira agora e ainda tem que ser mais tarimbado no cargo. Mas a diretoria do Palmeiras insiste em esconder o jogo. Não seria mais fácil dizer as reais intenções, até para evitar especulações e não expor o elenco?

Em seu início no Manchester United, Ferguson ficou quase cinco anos sem ganhar títulos de expressão com o Manchester United e agora é um dos técnicos mais importantes da história do clube, mais de 20 anos depois. No Brasil, como nos casos de Muricy no São Paulo, Adílson no Cruzeiro e Mano Menezes no Corinthians, os trabalhos a longo prazo surtiram bons frutos. Ainda existem casos onde há o desgaste entre o técnico e o elenco e a situação fica insustentável, como no caso de Luxemburgo no Palmeiras e Mancini no Santos. No entanto, na maioria dos casos, a cultura do futebol brasileiro é cruel. Atirar primeiro e depois perguntar quem é.

4 comentários:

GUILHERME RIBEIRO disse...

Olá ainda não conhecia o seu blog..
gostei do que vi...

parabens...

estou interessado em fazer parcerias se tiver interesse por favor enre em contato...

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obrigado

Leandrus disse...

Eu até concordo com a opinião de que não se pode trocar de técnico da mesma maneira que se troca de roupa. Porém, mais do que isso, acredito que é o trabalho do treinador sempre deve ser analisado cuidadosamente. É por isso que, por exemplo, concordei com a demissão de Parreira: tudo bem, estava amparado pela promessa de realizar um trabalho a longo prazo e não tinha um bom elenco para trabalhar, mas o mesmo não era tão ruim a ponto de se ter uma participação fraca no Carioca e horrorosa no Brasileiro. E pior, se via que as atuações do time com ele nunca evoluíam, além de tomar algumas decisões precipitadas tanto na escolha dos titulares quanto do esquema titular.

Dessa maneira fica difícil apoiar o técnico até o fim. Se não se pode exagerar na hora de crucificar um técnico, como o Santos fez com Mancini, o que achei um erro, também não pode ter medo de demití-lo quando seu rendimento está claramente abaixo do esperado, como aconteceu com Parreira.

Ateh!

KINHA disse...

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Posso o auxiliar com isto, por favor me contate no email cristianods arroba yahoo.com

Atenciosamente,

Cristiano Silva