28.2.10

O fim de semana na terra da Rainha

Apesar de já bastante discutidos e repercutidos, queria dar alguns pitacos sobre os dois fatos marcantes deste final de semana na terra da rainha: a grave lesão sofrida pelo meia Aaron Ramsey, do Arsenal, e o esperado encontro entre Terry e Bridge.

Começando pela lamentável coincidência de outro jogador dos Gunners sofrer uma fratura em campo. Se há dois anos foi o brasuca-croata Eduardo da Silva, agora foi a vez do inglês Ramsey, após forte entrada de Ryan Shawcross. Pelas imagens, não consigo ver intenção do atleta do Stoke City.



O agressor saiu chorando de campo, dizendo que não tinha a intenção de machucar o colega. O que também não tira a sua responsabilidade. Deve ser punido severamente. Acredito que lances como esse seriam 100% evitados se fosse adotada a mesma regra que mudou o futsal: carrinho é falta! Não importa se é de frente, de lado ou pelas costas, se pegou ou não no jogador. Todo carrinho é falta. Simples assim. Eduardo da Silva ficou 1 ano afastado e, apesar de dizer que já superou, sofre até hoje problemas gerados pela lesão. Espero que a recuperação de Ramsey seja rápida e definitiva.

Sobre o encontro de Terry com Bridge, o clima foi pesado, como esperavam os tablóides sansacionalistas ingleses. No cumprimento entre os atletas de Chelsea e Manchester City, o lateral deixou o fair play de lado e não deu a mão ao capitão dos Blues. Mas não recrimino a sua atitude. Era uma situação complicada.

Terry, casado, saiu com a mulher de um ex-companheiro de clube e de seleção. E acabou levando Bridge a abdicar de defender a seleção em uma Copa do Mundo! Como a vida pessoal não me interessa, foi essa decisão que me fez falar sobre o incidente. Como amante do futebol, fico triste ao ver um atleta abrir mão de defender seu país no maior torneio de todos por um problema pessoal. É uma pena, e que ainda prejudicou a trupe de Fabio Capello. Mas o fato tornou a convivência entre os dois insustentável. Pior para o lateral. De novo...

25.2.10

Rooney ou Drogba?

Messi não atua com a constância das grandes apresentações da temporada passada – o que não quer dizer que esteja mal – e Ibrahimovic ainda não lembra no Barcelona o letal e imprevisível atacante da Inter. Villa e Higuaín vêm marcando gols e decidindo jogos para Valencia e Real Madrid, respectivamente. Na Inter, a boa fase é do goleador argentino Diego Milito. Mas os atacantes que vem se sobressaindo entre os outros, até aqui, são os rivais de Inglaterra: Rooney, do Manchester United, e Didier Drogba, do Chelsea.

Na liderança, o Chelsea tenta evitar a conquista do tetracampeonato da Premier League pelo United. Na artilharia do campeonato, porém, a vantagem é de Rooney: 23 gols em 27 jogos, enquanto Drogba contabiliza 19 gols em 22 partidas. Nos jogos oficiais da temporada, 26 tentos para o inglês e 24 para o marfinense.

Drogba é mais alto (1,88m) e mais forte fisicamente. É bom na jogada aérea, sabe jogar fixo na área e sair para buscar jogo (principalmente caindo pela esquerda), está se aperfeiçoando nas cobranças de falta e sabe fazer bem o pivô, como mostram as seis assistências do camisa 11 em 2009/10. Rooney não é alto quando tratamos de um homem-gol (1,78m), mas tem força física impressionante, sabe cabecear, finaliza com os dois pés e briga por todas as bolas, em todo lugar do campo. Sua condição física está no auge, proporcionando arrancadas sensacionais e velozes. Foi responsável por cinco assistências, até aqui.

Ambos são as maiores referências de suas equipes. Drogba, já há algum tempo - foi artilheiro da Premier League em 2006/07. Rooney acabou crescendo tecnicamente na última temporada de Cristiano Ronaldo com a camisa do Manchester United – já fazia boas partidas, mas ainda era coadjuvante na época do português. Porém, com a saída do meia-atacante para o Real Madrid, o atacante inglês assumiu, com muita naturalidade, a condição de referência técnica da equipe. Após o trunfo desta última terça-feira diante do West Ham, onde Rooney decidiu o confronto com dois gols, o técnico adversário, o italiano Gianfranco Zola, afirmou que o camisa 10 do United tem o "toque de Midas", referindo-se ao grande aproveitamento de Rooney nas finalizações ao gol.

Neste momento, são os dois melhores atacantes da atualidade no futebol. E apesar de viverem momentos semelhantes, acho Rooney mais completo e jogando em uma equipe tecnicamente pior e mais dependente dele do que Drogba. A briga pela artilharia, pela Premier League e por uma boa jornada na Copa do Mundo prometem com os dois em campo.

23.2.10

Chegou a hora

Esta semana finalmente marca a estreia das outras três equipes brsileiras na Taça Libertadores da América: Internacional nesta terça e Corinthians e Flamengo um dia depois. Hora de mostrar que todo o planejamento que vem sendo feito até agora é correto e importante para o sucesso na competição, como o revezamento de atletas - exceção feita aos rubro-negros.

Uma coincidencia acompanha as três equipes: todas vêm de maus resultados em seus torneios regionais. O Flamengo de Adriano, apesar de não admitir, sentiu o peso da derrota para o ex-freguês Botafogo, e agora entra pressionado. Apesar de não haver rodízio, entra descansado para o duelo contra a Universidad Católica, já que não atua desde a última quarta-feira.

Já o Inter foi eliminado na semifinal da Taça Fernando Carvalho, primeiro turno do Gauchão, mas jogando com um time B. A derrota veio com um gol aos 47 minutos do segundo tempo, quebrando uma invencibilidade de 31 jogos no torneio. Enfrenta o Emelec com todos os jogadores à disposição do técnico Fossati, inclusive o goleiro Abbondanzieri.

O Corinthians, jogando com um time misto, apenas empatou sem gols no último duelo pelo Paulistão, contra o Rio Branco. Pela primeira vez na temporada Mano Menezes deve utilizar o time que considera ideal, contando com a volta de Ronaldo. O técnico do Timão chegou a ser criticado pelo excesso no rodízio. A estreia é contra o Racing de Montevidéu.

Outro fator em comum para todos é que iniciam a competição jogando em seus domínios, o que pode causar um efeito contrário: sem menosprezar os adversários, acredito que a ansiedade será o maior obstáculo para o trio. Mais ainda para o Timão, já que nunca venceu o campeonato e entra cercado por uma enorme expectativa da torcida, devido ao grande número de reforços e a presença de Ronaldo.

Um resultado ruim, mesmo um empate, pode trazer um ambiente ruim, já que os campeonatos regionais têm sido usados até então como uma espécie de laboratório e o grande objetivo é taça continental. Que se mirem no São Paulo, e não no Cruzeiro.

20.2.10

Pato por lebre?

Inter aposta em Abbonzanzieri no gol para a Libertadores: argentino não atua em alto nível há pelo menos quatro anos

As seguidas boas administrações puseram o Inter como uma das principais equipes do Brasil nos últimos anos, tanto dentro de campo, quanto fora dele. Porém, a diretoria colorada parece insistir em atos que parecem fadados a dar errado. Após a perda da Copa do Brasil de 2009, o time não teve o desempenho que se esperava na primeira metade do Brasileirão. E mesmo com toda a pressão e instabilidade, a diretoria achou por bem manter o então técnico da equipe Tite. Vice-campeão brasileiro posteriormente com Mário Sérgio à frente da equipe, a manutenção de Tite, hipoteticamente falando, pode ter custado o título brasileiro ao Inter, que não é campeão nacional há mais de três décadas.

Para 2010, a aposta no uruguaio Jorge Fossati no banco de reservas não é má idéia, apesar de não ser unânime. Boa parte do qualificado elenco de 2009 permanece e Fossati parece sensato o suficiente para usá-los em favor da equipe, sem os modismos e extravagâncias da maioria dos técnicos de ponta disponíveis no Brasil. Porém, duas contratações me intrigaram bastante: a vinda de duas peças experientes. O atacante Kléber Pereira – em baixa na parte final de sua passagem no Santos, 34 anos, e o experiente goleiro argentino Pato Abbondanzieri, 37 anos.

O elenco do Inter é inchado de bons atacantes. Além do eficiente Alecsandro – 16 gols no último Brasileirão – a equipe tem o bom Edu, que ainda não se acertou na equipe, além dos jovens Taison, Walter e Talles Cunha, crias da casa e com potencial de estourar. Pereira não tem experiências decisivas no torneio continental e será mero banco de Alecsandro, o que poderia gerar desconforto na briga pela titularidade, por motivos óbvios. Também não acho que possam formar uma dupla de ataque eficiente, já que ambos são mais eficientes jogando como centroavantes e tem a jogada aérea como forte característica.

Já Abbondanzieri nunca mostrou ser um goleiro de alto nível técnico. Nem mesmo durante seu auge, na época vitoriosa do Boca Juniors. no início da última década. Sem dúvida é um vencedor dentro do futebol sul-americano e experiente em Libertadores (campeão em 2001, 2001 e 2003 com o Boca). Mas não parece ser o tipo de arqueiro que será de valia ao clube. Nunca se firmou de fato na seleção albiceleste, teve passagem discreta pelo Getafe e nada pôde fazer no péssimo time do Boca do último ano e pinta como um jogador mais próximo da aposentadoria. Lauro, titular da equipe em 2009, não é ótimo, mas está longe de comprometer e está muito melhor tecnicamente que Pato.

Como um todo, o elenco do Inter me parece equilibrado e com muita qualidade, principlmente no meio-campo e ataque. Porém, essas duas apostas na experiência, em particular, parecem daquelas que tem quase tudo para dar errado.

17.2.10

Coisas que acontecem por aqui

Reclamar da postura e atitudes dos dirigentes brasileiros é chover no molhado. Isso todo mundo já está careca de saber. O que é engraçado é ver como os colegas da Conmebol agem da mesma forma. Deve ser uma característica sul-americana, algo que está mais para os sociólogos e antropólogos explicarem.

Refiro-me ao regulamento da Conmebol, do presidente Nicolás Leóz, no que se refere à inscrição de jogadores para a disputa da Taça Libertadores da América. Diz o documento que a equipe tem até 48 horas antes da primeira partida para passar a relação de atletas que irão disputar o torneio. E ainda há a brecha, usada pelo São Paulo, de estourar esse prazo e mandar a lista apenas algumas horas antes, tendo então de pagar uma “multa” de um punhado de dólares.

O que chama a atenção é a diferença entre as estréias das equipes. Enquanto São Paulo e Cruzeiro jogaram no dia 10 de fevereiro, o Internacional joga dia 23, e Flamengo e Corinthians no dia seguinte. O que representa uma grande desvantagem para o Tricolor e a Raposa. Eis o exemplo.

O São Paulo está (ou estava) numa negociação para ter Fernandão, do Goiás. Com a demora para o desfecho do negócio, em caso de final feliz, a equipe paulista só poderá contar com o reforço se alcançar as oitavas-de-final. Mas se o destino do atleta fosse os times que ainda não estrearam, não haveria nenhum problema para tê-lo em campo.

Não parece ser o caso, mas Inter, Flamengo e Corinthians contam com duas semanas a mais para poderem reforçar seus elencos. Em uma competição como a Libertadores, pode fazer uma boa diferença. O lógico não seria estipular uma data limite que fosse igual para todos os participantes, colocando-as assim com o mesmo período para fecharam seus plantéis?

Ops, mas em que é que estou pensando? Querer que o princípio de justiça e o bom senso sejam coisas a serem consideradas é um pouco demais né? O importante para os cartolas, tanto os de lá com os de cá, é saber se será o banco ou a montadora de carros que dará o nome à competição, bem como o valor a ser pago pelos cartões amarelo e vermelho. Que pelo menos a taça fique em mãos tupiniquins dessa vez.