Manchester UnitedEquilíbrio, eficiência e supremaciaConsolidado há quase três temporadas como equipe a ser batida na Europa, o Manchester United de Alex Ferguson pode ser o primeiro bicampeão de forma consecutiva da era
Champions League, estabelecida em 1992/93. Atual campeão e com três títulos europeus na história, os
Red Devils estão invictos há 25 partidas no torneio – a última derrota ocorreu nas semis de 2006/07 para o Milan. A equipe de Alex Ferguson tem como grande mérito e trunfo o equilíbrio de seu versátil elenco. Van der Sar é um dos melhores do mundo em sua posição; o miolo Vidic-Ferdinand também é um dos melhores e atuam juntos há três temporadas; volantes como Carrick e Scholes são bons destruidores e sabem armar a equipe, além da ótima parceria do ataque entre Rooney e Cristiano Ronaldo – 23 e 19 gols em 2008/09, respectivamente. E a dupla consegue se adaptar com a rapidez e habilidade de Tevez ou a presença de área de Berbatov, sendo que o búlgaro também sai para buscar jogo. Além da boa fase de seus “coadjuvantes” como o aplicado Park, o coringa O’Shea, o habilidoso Anderson e o eficiente Giggs - que ao lado de Ferguson pode quebrar diversos recordes na equipe, já que o galês tem praticamente o tempo de casa de seu chefe.

Atuando no 4-3-2-1, Ferguson gosta de formar as famosas linhas de quatro quando atacado. Com O’Shea mais fixo na direita e Evra com mais liberdade de atacar na esquerda, o coreano Park faz a função de apoiador pela direita. Carrick é o responsável pela destruição de jogadas e início das ações ofensivas. Alternando-se pelos flancos, normalmente
Cristiano Ronaldo fica aberto pela esquerda e
Rooney pela direita, dando velocidade aos ataques. Caso atue Berbatov, o búlgaro normalmente se posiciona mais fixo entre os zagueiros e ainda assim, volta ao meio para buscar jogo. Com Tevez, Ferguson arma o time com Rooney ou Ronaldo mais à frente, abrindo o argentino nos flancos, criando um leque de opções ofensivas, mas que conseguem dar o primeiro combate aos laterais com mais eficiência. Ao contrário de 2007/08 quando fez uma temporada fantástica, Cristiano Ronaldo não atua como o melhor do mundo. Mas vem decidindo diversos jogos para o time nesta temporada, superando aos poucos uma das maiories críticas ao seu futebol: a falta de objetividade em alguns momentos e chamar a responsabilidade nas horas de dificuldade.
Certamente, Ferguson aposta na versatilidade e diversas opções de qualidade em seu elenco -que só não contará com o suspenso Flecther - para segurar a velocidade e volúpia do Barcelona, de meio-campistas velozes e atacantes habilidosos. Também não adotará a postura do Chelsea nas semifinais, de defensividade exagerada. Apesar disso, sabe usar o contra-ataque como poucos times no futebol mundial, mesmo não se caracterizando por ser um ime mais cauteloso. Pelo contrário.
Time-Base: Van der Sar; O’Shea, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Scholes, Park (Giggs) e Ronaldo; Rooney e Berbatov (Tevez). Técnico: Alex Ferguson
Na temporada 2008/09: 65 jogos – 46V, 12E e 7D. 119 gols marcados e 44 sofridos
Campanha na UCL 2008/09: 12 jogos - 6V e 6E. 18 gols marcados e 6 sofridos.
Olho Nele: Como na temporada passada, quando era favorito como melhor do mundo, Cristiano Ronaldo duelava com Messi. Só que desta vez, o argentino está melhor que o português. Ainda assim, os 23 gols em 2008/09 não deixam dúvidas ao apontar que o camisa 7 pode ser o diferencial da partida, ao lado de Rooney. Mostra mais maturidade em relação a temporada passada e vem se destacando em jogos decisivos, como fez contra Porto e Arsenal nesta
Champions.
História: Há pouco mais de um ano, Barcelona e Manchester United duelavam para chegar à final da
Champions. Em dois jogos duríssimos, o United arrancou
uma vitória no sufoco jogando em casa por 1-0, gol de Scholes, após ter empatado sem gols a primeira partida no Camp Nou.
Curiosidade: Dos 10 jogadores com mais partidas na história da
Champions League, três são do Manchester United e ainda estão no atual elenco: Giggs (128 jogos, empatado com Raúl como o que mais atuou na história), Paul Scholes (115 jogos, em quinto) e Gary Neville (111 jogos, em sexto).
BarcelonaMelhor do mundo no melhor do mundo?
As meninas dos olhos dos amantes do futebol na atualidade estarão no Estádio Olímpico de Roma: Messi e Barcelona. O primeiro, apesar do grande potencial, faz sua primeira temporada de maior regularidade na equipe
blaugrana, sem graves contusões. A melhora na parte física se refletiu em sua apurada técnica: 50 jogos, 37 gols e 10 assistências, até aqui, com muitos dessas jogadas em atuações memoráveis e lances plásticos, o que aponta o argentino como o melhor jogador do mundo em atividade atualmente. Já o Barcelona apostou no passado para renovar, após duas temporadas irregulares: a chegada de Pep Guardiola ao comando da equipe em lugar do desgastado Frank Rijkaard trouxe de volta a alegria de jogar a atletas como
Eto’o e Henry, formando ao lado de
Messi o ataque mais letal e habilidoso da Europa: 94 dos 151 gols do Barça em 2008/09 são do trio de ataque. Além do eficiente ataque, a versatilidade do meio-campo do Barça é espantosa: Yaya Touré atua como primeiro volante, mas sabe sair para o jogo e arremata bem de média e longa distância. Xavi e Iniesta, a exemplo do que já haviam mostrado na Euro 2008 estão bem entrosados. Além da ajuda atrás, ambos são velozes e jogam abertos pelos lados do campo. Sabem armar, tem ótimo passe e chegam com extrema qualidade à frente. Além de Messi estar liderando a tábua de artilheiros desta
Champions com oito gols, Xavi é o líder em assitências, ao lado de Ribéry, com seis passes que resultaram em gol.
Fantástico na frente, nem tanto atrás. Além de não ter uma defesa tão consistente como a do Manchester, o Barcelona terá desfalques importantes no setor: Rafa Márquez está contundido, enquanto Dani Alves e Abidal estão suspensos da grande final. Com isso, Guardiola terá de quebrar a cabeça para montar o setor. A tendência é o deslocamento de Puyol para a ala direita e a escalação do veterano Sylvinho na esquerda, com a zaga composta por Pique e Cáceres. - ou mesmo Touré improvisado. A falta de entrosamento da defesa pode ser compensada com uma maior atenção de Touré ao sistema defensivo ou uma eventual saída de Henry para entrada de Keita para compor a meia cancha. Mesmo em boa fase, Victor Valdés ainda mostra um pouco de inconsistência, além de não ser um especialista em pegar pênaltis, ao contrário de seu rival Van der Sar, numa eventual disputa nos pênaltis, assim como fizeam Chelsea e Manchester ano passado, na qual o arqueiro holandês saiu como herói.
A manutenção da posse de bola, uma das grandes características do Barcelona de Guardiola – a maior média desta
Champions, com 62% -, também será arma para evitar as investidas perigosas de Cristiano Ronaldo e Rooney, que deverão ser vigiados constantemente pelos laterais
blaugranas, mais presos ao campo defensivo, liberando Xavi e Iniesta para apoiar o ataque pelas alas.
Time-Base: Valdés; Dani Alves, Pique, Marquez e Abidal; Yaya Touré, Xavi e Iniesta; Henry, Messi e Eto’o. Técnico: Josep Guardiola
Na temporada 2008/09: 58 jogos – 40V, 12E e 6D. 151 gols marcados e 53 sofridos
Campanha na UCL 2008/09: 12 jogos - 6V, 5E e 1D. 30 gols marcados e 13 sofridos.
Olho Nele: Com a saída de Ronaldinho Gaúcho do Barça, Messi assumiu a camisa 10 do Barça e vem fazendo jus a ela. Mesmo em meio a tantas estrelas, Messi se sobressai e faz uma temporada espetacular. É o artilheiro da competição, com oito tentos. Pode decidir o jogo a qualquer momento, como vem fazendo com regularidade em 2008/09.
História: Presente em campo no primeiro título europeu do Barcelona em 1991/92,
Guardiola estava com a camisa 10 na finalíssima contra a Sampdoria, em Wembley. A vitória por 1-0 veio só no segundo tempo da prorrogação, gol de Koeman.
Curiosidade: Guardiola pode ser sagrar como o terceiro técnico a ser campeão da
Champions como jogador e treinador pelo mesmo clube. Os outros são Miguel Muñoz - campeão como jogador em 1955/56 e 1956/57 como jogador e em 1959/60 e 1965/66 como treinador pelo Real Madrid – e Carlo Ancelotti – campeão em 1988/89 e 1989/90 como jogador e em 2002/03 e 2006/07 como treinador pelo Milan.