28.5.09

Obina, ética e jornalismo

POR ARMANDO TEIXEIRA JR. - Filtro Digital - http://www.filtrodigital.blogspot.com/

Navegando pela Internet, percebi em um exemplo, o peso de ser um formador de opinião em nossa sociedade atual. O jornalista André Rizek, editor do canal Sportv e comentarista esportivo, publicou na última segunda (25/5) em seu blog um post com o título Fala Sério, onde comentava sobre a contratação do atacante Obina, pelo Palmeiras. O texto bastante curto, com apenas sete linhas, gerou mais de 3.000 comentários até o momento em que postei esse texto. Rizek, enumerou certos jogadores e classificou-os como “pernas-de-pau”, dizendo depois que o atacante Obina era um “perna-de-pau com carisma”.

Nem os números pífios e as péssimas atuações do ex-flamenguista foram capazes de barrar uma legião de internautas sedentos pela cabeça de Rizek. Muitos o acusavam de desrespeitar Obina como ser humano, outros partiram para ofensas pessoais; até ameaças de agressão física apareceram no post. Afinal qual o papel do jornalista ao escrever um artigo opinativo ou postar sua opinião em um blog?

Muitos acessam os blogs ou os artigos dos comentaristas de áreas específicas do jornalismo esperando um ponto de vista, um parecer, uma opinião, sobre uma situação ou notícia. Políticos se dividem entre direita e esquerda, economistas entre pessimistas e otimistas em relação ao mercado, mas basta no futebol usar uma gíria para dizer que fulano é mau jogador que o comentarista recebe ameaças de morte? Situação difícil esta.

Vendo por outro lado, o jornalista como formador de opinião deve ter consciência ao escolher suas palavras na hora de escrever o que pensa. Incitar uma torcida inteira contra um jogador recém contratado não parece justo. Todos que atualmente escrevem, opinam e criam informação, seja em um site, jornal ou blog, têm em suas mãos o poder de rotular, embalar e entregar, de uma forma ou de outra, um fato, sem necessariamente faltar com a verdade. Talvez o simples fato de escolher outra expressão que não fosse “perna-de-pau” seria o suficiente para sanar as críticas dos descontentes com a posição de Rizek, mas também impediria o jornalista de expressar sua mais sincera opinião, pois o simples ato de escolher outra palavra constituiria uma forma de (auto)censura, impedindo um texto de chegar “original” ao público.

Somente para enumerar mais um caso que me chamou a atenção nestes dias, gostaria de citar também a reportagem que foi ao ar no dia 16 deste mês, no programa Sportv Repórter. A matéria muito bem apurada, falava sobre a anorexia no esporte, um tema seriíssimo que atinge grande número de atletas profissionais e amadores em busca de um corpo perfeito. O programa alertava para os perigos da busca de atletas em alto nível de quebrar os limites do corpo e também derrubava o mito do esporte estar sempre relacionado a saúde. Surpreendente o número de atletas amadores que acabam vítimas de anorexia e bulimia pelo desejo de atingir o mesmo corpo e físico de seus ídolos no esporte. Ótima matéria, ponto para o Sportv.

Contradizendo totalmente seu parente televisivo, o site Globo.com em sua página de esportes, apresenta notícias claramente voltadas para o lado estético dos atletas. É curioso perceber que a cobertura de tênis feminino oferecida pelo site dá mais ênfase a beleza das atletas que ao resultado de alguns jogos. Como exemplo, cito aqui duas matérias: uma onde a tenista russa Maria Sharapova é destacada pelas suas celulites, apresentadas durante o jogo e outra ainda que ressalta a vitória da tenista Anna-Lena Gronefeld sob o título “Alemã ‘fofinha’ dá a volta por cima e despacha Mauresmo em Roland Garros”.

Portanto o que é pior: um texto que rotula declaradamente um atleta, como o de Rizek, ou outro que disfarça comentários estéticos sob a forma de notícia? Ou ainda: Qual o dever jornalístico e as responsabilidades do grupo Globo ao levantar uma bandeira com uma mão e baixá-la com a outra? Realmente é para se discutir.

27.5.09

Sí, se puede/Sí, es pot

Barcelona conquista a Champions e mostra que é possível aliar jogo bonito e bons resultados no futebol atual.

Uma atuação impecável diante de um Manchester United apático, que se tornou presa fácil para o futebol bonito do Barcelona. Quem acompanhou a partida no Estádio Olímpico de Roma pode testemunhar a vitória do futebol bem jogado, em sua plenitude. Mesmo com todas as dificuldades em armar a defesa em meio aos desfalques por contusão e suspensão, Guardiola não alterou a forma exuberante de seu time jogar, ao contrário do que fez Ferguson. O domínio do meio-campo por parte do Barcelona, que tem como uma de suas principais armas a posse de bola, permitiu aos catalães dominarem a partida quase que por completo. A liberdade dada para Xavi e Iniesta foi decisiva, já que cada um deu uma assistência para gol.

Além da ousadia de Pep Guardiola em montar um Barcelona desse quilate em sua temporada de estréia como técnico, o Barcelona entrou em campo nesta final com sete jogadores formados em suas canteras: Valdés, Puyol, Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi, além do próprio Guardiola. Ao contrário do que fazem os rivais do Real Madrid, que gastam fortunas em jogadores badalados em seu projeto "Galático". E pra quem acha que o sangue novo na comissão técnica não fez a diferença, pouco dos jogadores contratados em 2008/09 fizeram parte da base da equipe, como Dani Alves, Keita e Piqué e a “limpa” nos medalhões do elenco das últimas temporadas como Ronaldinho, Deco, Zambrotta e Edmilson. Praticamente aboliu as tediosas concentrações pré-jogo e fez com que os jogadores passassem mais tempo juntos durantes os treinamentos, o que solidificou o grupo. Jogadores que estavam cotados para sair, como Henry e Eto’o recuperaram a alegria de jogar e formaram o fantástico ataque dos 153 gols, ao lado de Messi.

Ao conquistar o título mais cobiçado dos clubes europeus, o Barcelona dá uma lição de que não é preciso armar uma equipe com três volantes ou três atacantes para que ela seja defensiva ou ofensiva, mas que é preciso adaptar as preferências táticas dos treinadores com a montagem do elenco e explorar da melhor forma as características individuais dos jogadores à disposição. E justiça seja feita, apesar de entrar com a formação errada nesta final, Ferguson também desenvolve com muita eficiência tais preceitos. E jogando bem, sempre objetivamente.

Com a "Tríplice Coroa" conquistada pelo Barcelona, os blaugranas se ratificam como o time a ser batido – a vitória na final quebrou uma sequência de 25 jogos sem derrotas na Champions dos Red Devils. E outro jogador coroa uma temporada fantástica, a exemplo do Cristiano Ronaldo em 2007/08e Kaká em 2006/07: Lionel Messi, 38 gols na temporada a artilheiro desta Champions com nove gols. Além da volta do bom futebol do decisivo Eto’o – que também fez um dos gols da decisão em 2005/06 contra o Arsenal - e Henry, menções honrosas para Iniesta, decisivo contra o Chelsea, e Xavi, eleito o melhor em campo na decisão com grande justiça. Base do meio campo da Fúria, vivem grande momento técnico. Do meio pra frente, o Barcelona é quase perfeito. E provou que é possível vencer jogando bem e principalmente com aplicação tática e a entrega dos jogadores em campo. Sim, se pode! Em português, espanhol, catalão...

26.5.09

Múltiplos confrontos

A cidade eterna, cujos caminhos levam até ela vai testemunhar a final que todos esperavam. De um lado, o papa-tudo Manchester United, que apesar de ser tricampeão inglês, atual campeão europeu e mundial entre outros títulos dos últimos três anos, não vem tão badalado para esta final tanto quanto o ano passado, na opinião de muitos torcedores e jornalistas. Graças ao técnico estreante Guardiola, o Barcelona encanta pela sua volúpia ofensiva, de 151 gols em 58 partidas. Ainda assim, suou ao enfrentar outro grande nas semifinal da Champions. E o jogo contra equilibrado Manchester colocará o time a prova sobre uma equipe mais forte e equilibrada entre ataque e defesa. Some-se ao confronto principal outros confrontos paralelos, como o de qual será o melhor do mundo atualmente: Messi ou Cristiano Ronaldo. Ou o desempate da supremacia entre clubes ingleses e espanhóis na história da Champions League, já que ao lado dos italianos, são os maiores vencedores da competição, com 11 títulos cada. Duelo entre o consagrado Alex Ferguson e o "estreante" Josep Guardiola, um verdadeiro choque de gerações no comando técnico. Elementos que dão um tempero a mais desse grandioso embate na cidade eterna na busca pela supremacia continental, aos olhos atentos do mundo do futebol.

Manchester United
Equilíbrio, eficiência e supremacia

Consolidado há quase três temporadas como equipe a ser batida na Europa, o Manchester United de Alex Ferguson pode ser o primeiro bicampeão de forma consecutiva da era Champions League, estabelecida em 1992/93. Atual campeão e com três títulos europeus na história, os Red Devils estão invictos há 25 partidas no torneio – a última derrota ocorreu nas semis de 2006/07 para o Milan. A equipe de Alex Ferguson tem como grande mérito e trunfo o equilíbrio de seu versátil elenco. Van der Sar é um dos melhores do mundo em sua posição; o miolo Vidic-Ferdinand também é um dos melhores e atuam juntos há três temporadas; volantes como Carrick e Scholes são bons destruidores e sabem armar a equipe, além da ótima parceria do ataque entre Rooney e Cristiano Ronaldo – 23 e 19 gols em 2008/09, respectivamente. E a dupla consegue se adaptar com a rapidez e habilidade de Tevez ou a presença de área de Berbatov, sendo que o búlgaro também sai para buscar jogo. Além da boa fase de seus “coadjuvantes” como o aplicado Park, o coringa O’Shea, o habilidoso Anderson e o eficiente Giggs - que ao lado de Ferguson pode quebrar diversos recordes na equipe, já que o galês tem praticamente o tempo de casa de seu chefe.

Atuando no 4-3-2-1, Ferguson gosta de formar as famosas linhas de quatro quando atacado. Com O’Shea mais fixo na direita e Evra com mais liberdade de atacar na esquerda, o coreano Park faz a função de apoiador pela direita. Carrick é o responsável pela destruição de jogadas e início das ações ofensivas. Alternando-se pelos flancos, normalmente Cristiano Ronaldo fica aberto pela esquerda e Rooney pela direita, dando velocidade aos ataques. Caso atue Berbatov, o búlgaro normalmente se posiciona mais fixo entre os zagueiros e ainda assim, volta ao meio para buscar jogo. Com Tevez, Ferguson arma o time com Rooney ou Ronaldo mais à frente, abrindo o argentino nos flancos, criando um leque de opções ofensivas, mas que conseguem dar o primeiro combate aos laterais com mais eficiência. Ao contrário de 2007/08 quando fez uma temporada fantástica, Cristiano Ronaldo não atua como o melhor do mundo. Mas vem decidindo diversos jogos para o time nesta temporada, superando aos poucos uma das maiories críticas ao seu futebol: a falta de objetividade em alguns momentos e chamar a responsabilidade nas horas de dificuldade.

Certamente, Ferguson aposta na versatilidade e diversas opções de qualidade em seu elenco -que só não contará com o suspenso Flecther - para segurar a velocidade e volúpia do Barcelona, de meio-campistas velozes e atacantes habilidosos. Também não adotará a postura do Chelsea nas semifinais, de defensividade exagerada. Apesar disso, sabe usar o contra-ataque como poucos times no futebol mundial, mesmo não se caracterizando por ser um ime mais cauteloso. Pelo contrário.

Time-Base: Van der Sar; O’Shea, Ferdinand, Vidic e Evra; Carrick, Scholes, Park (Giggs) e Ronaldo; Rooney e Berbatov (Tevez). Técnico: Alex Ferguson
Na temporada 2008/09: 65 jogos – 46V, 12E e 7D. 119 gols marcados e 44 sofridos
Campanha na UCL 2008/09: 12 jogos - 6V e 6E. 18 gols marcados e 6 sofridos.
Olho Nele: Como na temporada passada, quando era favorito como melhor do mundo, Cristiano Ronaldo duelava com Messi. Só que desta vez, o argentino está melhor que o português. Ainda assim, os 23 gols em 2008/09 não deixam dúvidas ao apontar que o camisa 7 pode ser o diferencial da partida, ao lado de Rooney. Mostra mais maturidade em relação a temporada passada e vem se destacando em jogos decisivos, como fez contra Porto e Arsenal nesta Champions.
História: Há pouco mais de um ano, Barcelona e Manchester United duelavam para chegar à final da Champions. Em dois jogos duríssimos, o United arrancou uma vitória no sufoco jogando em casa por 1-0, gol de Scholes, após ter empatado sem gols a primeira partida no Camp Nou.
Curiosidade: Dos 10 jogadores com mais partidas na história da Champions League, três são do Manchester United e ainda estão no atual elenco: Giggs (128 jogos, empatado com Raúl como o que mais atuou na história), Paul Scholes (115 jogos, em quinto) e Gary Neville (111 jogos, em sexto).

Barcelona
Melhor do mundo no melhor do mundo?

As meninas dos olhos dos amantes do futebol na atualidade estarão no Estádio Olímpico de Roma: Messi e Barcelona. O primeiro, apesar do grande potencial, faz sua primeira temporada de maior regularidade na equipe blaugrana, sem graves contusões. A melhora na parte física se refletiu em sua apurada técnica: 50 jogos, 37 gols e 10 assistências, até aqui, com muitos dessas jogadas em atuações memoráveis e lances plásticos, o que aponta o argentino como o melhor jogador do mundo em atividade atualmente. Já o Barcelona apostou no passado para renovar, após duas temporadas irregulares: a chegada de Pep Guardiola ao comando da equipe em lugar do desgastado Frank Rijkaard trouxe de volta a alegria de jogar a atletas como Eto’o e Henry, formando ao lado de Messi o ataque mais letal e habilidoso da Europa: 94 dos 151 gols do Barça em 2008/09 são do trio de ataque. Além do eficiente ataque, a versatilidade do meio-campo do Barça é espantosa: Yaya Touré atua como primeiro volante, mas sabe sair para o jogo e arremata bem de média e longa distância. Xavi e Iniesta, a exemplo do que já haviam mostrado na Euro 2008 estão bem entrosados. Além da ajuda atrás, ambos são velozes e jogam abertos pelos lados do campo. Sabem armar, tem ótimo passe e chegam com extrema qualidade à frente. Além de Messi estar liderando a tábua de artilheiros desta Champions com oito gols, Xavi é o líder em assitências, ao lado de Ribéry, com seis passes que resultaram em gol.

Fantástico na frente, nem tanto atrás. Além de não ter uma defesa tão consistente como a do Manchester, o Barcelona terá desfalques importantes no setor: Rafa Márquez está contundido, enquanto Dani Alves e Abidal estão suspensos da grande final. Com isso, Guardiola terá de quebrar a cabeça para montar o setor. A tendência é o deslocamento de Puyol para a ala direita e a escalação do veterano Sylvinho na esquerda, com a zaga composta por Pique e Cáceres. - ou mesmo Touré improvisado. A falta de entrosamento da defesa pode ser compensada com uma maior atenção de Touré ao sistema defensivo ou uma eventual saída de Henry para entrada de Keita para compor a meia cancha. Mesmo em boa fase, Victor Valdés ainda mostra um pouco de inconsistência, além de não ser um especialista em pegar pênaltis, ao contrário de seu rival Van der Sar, numa eventual disputa nos pênaltis, assim como fizeam Chelsea e Manchester ano passado, na qual o arqueiro holandês saiu como herói.

A manutenção da posse de bola, uma das grandes características do Barcelona de Guardiola – a maior média desta Champions, com 62% -, também será arma para evitar as investidas perigosas de Cristiano Ronaldo e Rooney, que deverão ser vigiados constantemente pelos laterais blaugranas, mais presos ao campo defensivo, liberando Xavi e Iniesta para apoiar o ataque pelas alas.

Time-Base: Valdés; Dani Alves, Pique, Marquez e Abidal; Yaya Touré, Xavi e Iniesta; Henry, Messi e Eto’o. Técnico: Josep Guardiola
Na temporada 2008/09: 58 jogos – 40V, 12E e 6D. 151 gols marcados e 53 sofridos
Campanha na UCL 2008/09: 12 jogos - 6V, 5E e 1D. 30 gols marcados e 13 sofridos.
Olho Nele: Com a saída de Ronaldinho Gaúcho do Barça, Messi assumiu a camisa 10 do Barça e vem fazendo jus a ela. Mesmo em meio a tantas estrelas, Messi se sobressai e faz uma temporada espetacular. É o artilheiro da competição, com oito tentos. Pode decidir o jogo a qualquer momento, como vem fazendo com regularidade em 2008/09.
História: Presente em campo no primeiro título europeu do Barcelona em 1991/92, Guardiola estava com a camisa 10 na finalíssima contra a Sampdoria, em Wembley. A vitória por 1-0 veio só no segundo tempo da prorrogação, gol de Koeman.
Curiosidade: Guardiola pode ser sagrar como o terceiro técnico a ser campeão da Champions como jogador e treinador pelo mesmo clube. Os outros são Miguel Muñoz - campeão como jogador em 1955/56 e 1956/57 como jogador e em 1959/60 e 1965/66 como treinador pelo Real Madrid – e Carlo Ancelotti – campeão em 1988/89 e 1989/90 como jogador e em 2002/03 e 2006/07 como treinador pelo Milan.

23.5.09

Primeira vez, com autoridade

Após fulminante segundo turno, Josué ergue a primeira Salva de Prata da história do Wolfsburg.

O pequeno Wolfsburg se agigantou no futebol alemão. Time fundado em pleno pós-guerra, em setembro de 1945, estava há doze temporadas consecutivas na Bundesliga alemã e jamais havia comemorado nenhum título em sua história de quase 64 anos. Nem nas divisões de acesso. Tabu quebrado com autoridade, com a sonora goleada sobre o Werder Bremen por 5-1. Melhor ataque disparado da competição, os Wolves detém outras marcas impressionantes, como 11 das 21 vitórias conquistadas por três ou mais gols de diferença em sua campanha na Bundesliga 2008/09; a primeira vez na história do certame alemão que dois jogadores da mesma equipe marcam mais de 20 gols, coroando artilheiro e vice – Grafite com 28 gols e Dzeko, 26 - e batendo uma marca que durava mais de 35 anos: a de dupla de ataque mais letal de uma edição do Alemão, pertencente aos lendários Gerd Müller e Uli Hoeness, com 53 gols pelo Bayern de 1972/73. Além da arranacada sensacional da nona colocação ao final do primeiro turno – com apenas 26 pontos – ao título, com apenas duas derrotas no returno e uma sequência espetacular de 11 vitórias consecutivas.

A base formada em duas temporadas pelo técnico Felix Magath – que já acertou sua saída para o Schalke na próxima temporada – cresceu no momento certo do campeonato. Quinto colocado em sua primeira temporada à frente dos Wolves, as chegadas de Zaccardo, Misimovic e Barzagli no início da temporada rechearam um time que, se aparentemente não tinha jogadores renomados, possuía um elenco versátil e de jogadores que subiram de produção durante o campeonato. Após um começo instável, o goleiro suíço Diego Benaglio se firmou na posição, assim como o recém-chegado Barzagli – jogador com mais minutos jogados nesta Bundesliga – comandou a zaga da equipe com firmeza, ao lado de Marcel Schäfer. Após começo instável, Josué logo se firmou no meio-campo e tornou-se o capitão da equipe, reencontrando o eficiente futebol perdido desde os tempos de São Paulo, formando bom meio campo com Christian Gentner. Mas o trio Misimovic-Dzeko-Grafite - responsável por 60 dos 81 gols da equipe na campanha do título - deu o toque de qualidade ao time comandado por Magath. O meia Misimovic foi o principal responsável de municiar a letal dupla de ataque dos 54 tentos. As impressionantes marcas de Grafite – 28 gols em 25 jogos – e do bósnio Dzeko – 26 gols em 32 jogos – não deixam margem de dúvida na hora de escolhe-los entre os melhores do campeonato.

No campeonato mais disputado e surpreendente da Europa nesta temporada, onde o debutante Hoffenheim foi o campeão de inverno e seis times se alternaram na liderança, o Wolfsburg foi campeão com enorme justiça e eficiência, jogando um futebol que todos esperavam do Bayern de Munique. E os bávaros salvaram a temporada ao conquistar o vice-campeonato na última rodada e garantir vaga direta à próxima Champions. Muito pouco para um time do quilate de Schweinsteiger, Ribéry, Klose e Toni, que esperam com esperança por um bom trabalho de Louis Van Gaal, acertado para a próxima temporada no lugar de Jürgen Klinsmann, que decepcionou no comando da equipe. Times figurantes como o Schalke 04 e o Werder Bremen - atual vice-campeão da Copa da UEFA - fizeram um pífio campeonato e nem vaga para as Copas Européias conquistaram. O Hertha Berlim, postulante ao título até outrora, viu a possibilidade de uma vaga na fase classificatória da Champions ir para o espaço após a vexatória goleada para o já rebaixado Karlsruhe por 4-0, beneficiando o Stuttgart, que garantiu a vaga mesmo sendo derrotado por 2-1 pelo Bayern

Agora, a maior luta dos Wolves para 2009/10 será encontrar um bom substituto para Magath no comando técnico, além de evitar um iminente desmanche, já que Dzeko e Grafite estão sendo cotados para se transferirem aos grandes europeus. Contudo, o primeiro título da equipe da cidade homônima, com apenas 120 mil habitantes e antes conhecida apenas por ser a sede mundial da Volkswagen veio com muito estilo e autoridade.

LEIA MAIS:
Carrossel Alemão
Por enquanto, um rascunho
Noviços Rebeldes

22.5.09

Caminho livre

Em uma partida memorável para os uruguaios, o Defensor eliminou o Boca Juniors em plena Bombonera com o placar mínimo – a última derrota do Boca pela Libertadores em casa havia sido em abril de 2003 para o Paysandu, 26 partidas atrás. O gol da classificação de Diego de Souza certamente derrubou aquele que seria o maior entrave para os quatro brasileiros restantes na Libertadores da América. Com a derrota Xeneize nesta quinta, o Estudiantes é o único representante do país nas quartas-de-final, ao lado dos uruguaios do Defensor e Nacional e os venezuelanos do Caracas.

A chance de uma semifinal com três brasileiros – já que Cruzeiro e São Paulo medem forças – é enorme. O Grêmio tem tudo para atropelar o surpreendente Caracas e o tradicionalismo do Nacional na competição continental não se reflete em campo frente a um embalado Palmeiras. E com poucas chances no Campeonato Argentino, o Estudiantes enfrenta um Defensor que se tem moral, não é uma equipe tão técnica assim. Mas dará trabalho, principalmente conquistar um bom resultado em La Plata, pois a exemplo da partida desta quinta frente ao Boca, os comandados de Jorge da Silva sabem se fechar e sair com velocidade para o contra-ataque. No embate mais equilibrado entre cruzeirenses e sãopaulinos, vejo uma pequena vantagem dos mineiros, que pode se dissipar com a sentida ausência de Ramires confirmada para a segunda partida, já que o meia foi merecidamente convocado para a Seleção e ficará ausente da equipe por quase um mês.

A participação pífia dos argentinos até aqui em 2009 – apenas o Estudiantes restou nas quartas dentre os cinco representantes argentinos – chama a atenção. River, San Lorenzo e Lanús foram eliminados na fase de classificação da Libertadores, sendo que o River Plate vive grave crise. E a eliminação precoce do Boca coroa um 2009 desastroso para os Xeneizes, após um 2008 de recuperação no segundo semestre, que havia culminando com a conquista daquele Apertura. A equipe de Carlos Ischia ocupa apenas a 16º colocação no Clausura 2009, pior colocação da equipe desde que o atual formato do campeonato foi adotado, em 1991. Sinal verde para que as equipes brasileiras conquistem novamente a América, após baterem na trave em 2007 e 2008 com Grêmio e Fluminense, respectivamente.