6.8.09

Quem joga com a 2?

Procura-se atleta com estatura mediana que tenha competência tanto para marcar quanto para sair jogando. Deve saber fazer bons cruzamentos, ter bom preparo físico, ser veloz e preferencialmente destro. Se for habilidoso, ajuda. Entrar em contato com algum time que disputa o Brasileirão. Qualquer um.

Apesar do exagero, se fosse possível, acredito que muitos clubes recorreriam a essa artimanha na tentativa de contratar um lateral direito que atendesse às expectativas do clube. Afinal, salvo por algumas exceções, a posição anda meio escassa no país.

Dentre as equipes que ocupam os primeiros lugares na tábua de classificação, a grande maioria não possui um lateral de ofício. Wendel, por exemplo. Bastou um fraco primeiro semestre de Fabinho Capixaba para o volante assumir a vaga no Palmeiras. Já o zagueiro Bolívar é aproveitado no Internacional como lateral há um bom tempo...

E a lista não para por aí. Desde a saída de Ilsinho, o tricampeão São Paulo não encontrou um substituto à altura. O dono da posição no Grêmio é William Thiego, zagueiro de ofício. No Atlético Mineiro, o ala Carlos Alberto é volante. Até o caçula Avaí conta com alguém improvisado no setor: o atacante Luís Ricardo.

Mesmo nomes medianos outrora consagrados, estão longe de possuir algum destaque individual em suas equipes. Alessandro, do Botafogo, nem parece o mesmo lateral que, após o título do Atlético Paranaense em 2001, alcançou a Seleção. Leo Moura, ídolo no Flamengo, vive às turras com a torcida que tanto o aclamou. O episódio do último fim de semana apenas comprova isto.

Talvez os maiores (e únicos) destaques deste Brasileiro sejam Apodi e Jonathan. Apesar de marcar muito pouco, Apodi é um dos maiores referenciais ofensivos no Vitória. Incansável, apresenta-se em todos os setores do campo e sempre marca seus golzinhos.

Ademais, Jonathan destaca-se por sua regularidade. Eficiente no apoio e seguro na marcação, o ala cruzeirense demonstra muita força física. Se amadurecer um pouco mais e parar de cometer lances bobos, ele tem chances reais de chegar à Seleção.

O mais engraçado disso tudo é o fato de não convivermos com o mesmo problema no time de Dunga. Afinal, nossos dois laterais, Daniel Alves e Maicon, certamente estão entre os melhores do mundo. Paradoxal, não é mesmo?

Que existe algo errado, existe. Por que, dentre tantos atletas, não conseguimos ver um lateral direito que tenha qualidade? Azar? Creio que não. Prefiro concordar com a teoria de Paulo Autuori, que após assumir o Grêmio exigiu que todas as categorias de base tricolores assumissem o mesmo esquema tático: o 4-4-2.

Quando questionado, Autuori apenas rebateu: “Quando as categorias de base do Brasil implantaram o sistema de três zagueiros em seus esquemas, deixamos de produzir laterais que saibam marcar e meias que saibam pensar”. Fico com ele.

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4.8.09

Fragilidade exposta no Interior

POR WILLIAM DOUGLAS - Matéria originalmente reproduzida pela Agência Bom Dia, em 3 de agosto de 2008

Copa Federação Paulista, Copa Estado de São Paulo, Copa Coca-Cola, Copa Bandeirantes e hoje, Copa Paulista. Nomes diferentes de um torneio que existe há mais de uma década, mas que ainda não caiu no gosto da torcida. A prova que a competição ainda não é bem assimilada pelos torcedores está na média de público, abaixo de 400 pagantes nas quatro primeiras rodadas. Os número só não são piores graças ao São Bernardo
.
O vice-presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, justifica a competição como necessária para manter os times do Estado em atividade no segundo semestre, após o fim das Séries A-1, A-2 e A-3 do Paulista. Porém, o torneio também abre espaço para os times “B”, como Paulista, Ponte Preta, Palmeiras, Ituano e Mirassol. Coincidência ou não, estes clubes estão entre os que tem as piores médias de público no torneio, já que suas torcidas estão mais preocupadas com a disputa do Campeonato Brasileiro. Mesmo equipes que disputam apenas a Copa Paulista, e são tradicionais do Interior, como o Noroeste, América de Rio Preto, Botafogo de Ribeirão e Ferroviária não empolgam os seus torcedores.

De acordo com o professor Marcelo Proni, economista especializado em futebol e professor da Unicamp, um dos problemas do torneio é conceder uma vaga no Campeonato Brasileiro, como acontecia em anos anteriores, com um lugar na Série C. “A equipe campeã se classifica para a Copa do Brasil, mas este não é um prêmio que compense o investimento para ter um time competitivo”, constata.

Segundo o professor Proni, sem a vaga resta aos clubes usar o torneio para investir nas categorias de base e, para as equipes que estão na segunda e terceira divisão, focar o trabalho visando o ano seguinte, com apoio do departamento de marketing, o que pouco acontece. “Acho melhor o clube continuar em atividade do que sem competições, mas o departamento de marketing tem de fazer promoções, ter profissionais que motivem os torcedores”, analisa. Ainda de acordo com o economista, a parceria com empresários que administrem os departamentos de futebol pode ajudar os clubes a melhorar este cenário, montando times mais fortes, tornando assim a competição atrativa para os torcedores. “O clube tem de ter cuidado para a médio e longo prazo não se abdicar das categorias de base. Eu entendo a situação destes clubes, é difícil manter as equipes. Mas, sabemos que um planejamento a longo prazo seria melhor.”

Projeto faz do São Bernardo exceção

Apenas três confrontos da Copa Paulista tiveram público superior a mil pagantes nas quatro primeiras rodadas. Um entre Linense e Rio Preto e os outros dois com mando do São Bernardo, contra Palmeiras e Juventus. Diante do Moleque Travesso, o público chegou a 4.345 pagantes, a maioria, empregados de empresas parceiras do clube, fundado em 2004.

“Desde a metade da Série A-2 deste ano começamos com uma campanha de venda de ingressos nas empresas da região. Elas compram o ingresso e distribuem aos funcionários”, explica o diretor de futebol do clube, Edgard Montemor. A estratégia não para por aí. “Temos uma equipe que faz faixas avisando dos jogos e carros de som nas ruas”, conta.

O planejamento também pode ser visto em campo. O elenco é praticamente o mesmo que disputou a segunda divisão do Estadual. “Mantivemos a base e no fim do ano vamos contratar mais três ou quatro reforços para lutar pelo acesso”, diz o dirigente, mostrando seguir a receita do economista Marcelo Proni, de usar o campeonato como preparação para o Estadual seguinte.
Para o diretor, a meta é ambiciosa: repetir o vizinho Santo André, conquistar a competição e ir para a Copa do Brasil. “Em termos de estrutura garanto que estamos na frente do Santo André e São Caetano”, desafia Edgard.

Meia-entrada ‘burla’ regulamento

A meia-entrada virou uma arma dos clubes que disputam a Copa Paulista para driblar o regulamento. O preço mínimo para entradas é de R$ 8, de acordo com o artigo 23 do regulamento. Porém, a maioria dos torcedores não gastam mais que R$ 5. O preço do ingresso geralmente é R$ 10, mas os clubes vendem apenas meia-entrada. Os boletins financeiros das quatro primeiras rodadas provam: na maioria dos jogos o número de meia-entradas vendido foi maior que o de ingressos inteiros. (Sertãozinho x Noroeste , XV de Piracicaba x Botafogo, Atlético Sorocaba x Ponte Preta , alguns exemplos da quarta rodada, disputada no último fim de semana. Todos os boletins financeiros dos Jogos da Copa Paulista, aqui). No jogo Votoraty x Ituano, todos os 387 torcedores que compareceram ao estádio pagaram meia-entrada. No duelo entre São Bernardo e Juventus, 4.344 torcedores pagaram meia, um o ingresso inteiro.

Mesmo com a evidente infração, Rogério Caboclo, vice-presidente financeiro da Federação Paulista, não se mostra preocupado. “O artigo 21 do Estatuto do Torcedor estabelece que a comercialização de ingressos é de responsabilidade do clube mandante. A legislação não determina a quantidade de meia entrada a ser comercializada”, diz, em entrevista por e-mail.

2.8.09

Gastar é preciso

Em um mercado de transferências sacudido pela megalomania do Real Madrid e pela grande troca entre Barcelona e Inter, dois times da “elite” européia parecem ter parado no tempo e correm sério risco de um desempenho apenas como coadjuvantes em 2009/10: o Milan, do recém-promovido técnico Leonardo e o Arsenal, do descobridor de talentos Arsène Wenger.

“Este elenco não é suficiente para os compromissos que temos, precisamos contratar mais alguns”, diagnostica o próprio Leonardo (notícia da Trivela, aqui), que deixou o cargo de dirigente para ser treinador rossoneri. Uma aposta acertada e que poderia dar certo, assim como Guardiola deu no Barcelona. Mas o Milan não investe de acordo para reforçar o elenco e continuar o processo de renovação, tão necessário ao clube. O Milan perdeu Kaká – principal jogador da equipe nas últimas três temporadas – , algumas opções no elenco (que nem eram tão boas assim) como Shevchenko e Beckham, além da aposentadoria do lendário Maldini. Ao passo que chegaram ao clube apenas o zagueiro estadunidense Oguchi Onyewu e o mediano lateral Massimo Oddo, que retornou de empréstimo do Bayern.

Há pouco mais de 20 dias de sua estréia no Calcio, contra o Siena, o Milan é um time sem perspectiva de títulos. Na pré-temporada, tivemos um esboço disso. No World Football Challenge, derrotas para Chelsea, América do México e para a rival Inter. Na Audi Cup, goleada sofrida diante do Bayern e empate diante de um Boca, também enfraquecido. Mesmo com Leonardo tentando mudar a filosofia tática da equipe, faltam peças. Ronaldinho Gaúcho é uma incógnita, Pato ainda se mostra um pouco inconstante e não se pode confiar o comando de ataque ao irregular Borriello ou ao eficiente, mas veterano Inzaghi. O único alento até aqui parece ser a entrada de Thiago Silva na zaga. Analisando friamente, Inter e Juventus estão muito à frente do Milan, que parece no mesmo patamar de equipes como a Roma e a Fiorentina para esta temporada.

O caso do Arsenal tem motivações diferentes, mas o final pode ser igual ao do Milan. Enfraquecido gradualmente nos últimos anos, desde a conquista da Premier League invicta em 2003/04 e o vice-campeonato europeu em 2005/06. Wenger sempre repôs a saída de um medalhão com a aposta em um garoto talentoso, como nos casos de Fabregas, Van Persie, Walcott e Adebayor. A perda de Adebayor e Kolo Touré para o Manchester City e a única contratação do zagueiro belga Vermaelen são os movimentos de mercado da equipe até aqui. "Acho que nós estamos fortes o bastante, mas, se pudermos contratar, vamos contratar. Só que, na Inglaterra, as pessoas pensam que todos os problemas podem ser resolvidos com a contratação de jogadores", analisa o técnico, de acordo com a Trivela.

Mesmo com o enfraquecimento do tricampeão Manchester United e a estagnação de Chelsea e Liverpool – mas que ao contrário dos Gunners, tem opções de elenco – o Arsenal não aposta em grandes aquisições. E corre sério risco de ficar fora da zona da Champions caso o time do Manchester City, que fez boas aquisições, dê “liga”. Além da dependência em jogadores como Fabregas e Van Persie, o time apostará nos retornos dos lesionados Rosicky e Eduardo da Silva. Mas ao contrário de uma equipe como o Milan, o Arsenal faz parte do chamado Big Four inglês, mas é mero coadjuvante há alguns anos. E a torcida quer títulos.

Apesar das necessidades e das carências no elenco, ambos parecem se mover a passos de tartaruga para renovar/reforçar o elenco. E se perceberem isso em meio a temporada, terão que sair à caça de reforços em janeiro. E talvez seja tarde para salvar um fiasco na temporada.

31.7.09

O mais valioso

Artigo escrito originalmente para o site Olheiros - http://www.olheiros.net/artigo.aspx?id=1337

Se a geração portuguesa de Luís Figo e Rui Costa iniciou o processo de trazer Portugal de volta aos holofotes do futebol mundial, Cristiano Ronaldo representa a mescla daquela “geração de ouro” lusitana e os talentos da safra seguinte, da qual é o maior ícone. Curiosamente, segue alguns dos passos de Figo, maior talento individual do futebol português após o lendário Eusébio. Além de herdar a camisa 7 e a tarja de capitão envergadas por ele durante o período de 15 anos em que defendeu Portugal – entre 1991 e 2006 –, também é oriundo das categorias de base do Sporting, já foi eleito como o melhor do mundo pela FIFA e se transferiu ao Real Madrid como a contratação mais cara da história do futebol – em 2000, Figo se transferiu por € 61 milhões.

“O Real é o clube mais importante no mundo, o melhor clube do mundo. Acho que Ronaldo já ganhou tudo que podia no Manchester, que é outro grande time, mas ele deveria ter outros objetivos agora. O Real lhe daria a chance de ser mais importante, ser mais relevante”, afirmou Figo ao jornal espanhol Marca. Com 24 anos, Cristiano Ronaldo chega aos merengues a peso de ouro e com a missão de levar a equipe novamente ao topo, ao lado do também estelar Kaká. Acostumado a cobranças e grandes responsabilidades desde cedo e sempre em meio às polêmicas de sua agitada vida extra-campo, é um dos ícones dessa segunda geração galática do Real de Florentino Pérez. E talento para tal, o madeirense já demonstrou que possui.

Talento precoce

Cristiano Ronaldo deu seus primeiros chutes pelo pequeno Andorinha, equipe de sua cidade natal, Funchal. De onde não demorou a se transferir para o Nacional da Ilha da Madeira, em 1993. Com apenas dez anos e após boas apresentações com a equipe alvinegra madeirense, Ronaldo chamou a atenção do Sporting, que o levou para as fileiras de Alcochete, a academia de futebol sportinguista, em 1997. E o Sporting marcaria o início de sua meteórica carreira como atleta profissional.

Com apenas 16 anos, o jovem e rebelde Cristiano foi promovido do sub-16 ao time principal – passando por todas as categorias – em apenas uma temporada. Estreou entre os profissionais aos 17, diante da Inter de Milão, no Estádio José Alvalade, em partida válida pela fase eliminatória da Liga dos Campeões, em agosto de 2002. O então camisa 28 substituiu o espanhol Toñito, aos 13 minutos da etapa final. Contudo, os Leões - comandados pelo romeno Läszlo Bölöni - acabaram eliminados após derrota por 2 a 0. Apesar de algumas boas jogadas, o jovem talento fez partida discreta. Não tardou a estrear como titular na partida da Liga Portuguesa frente ao Moreirense, em outubro de 2002, onde anotou dois gols. Terminaria aquela temporada com 31 partidas e cinco gols marcados. De quebra, já conquistaria ainda o seu primeiro título como profissional, o da Liga Portuguesa.

Sua ascensão meteórica no futebol se acentuaria ainda mais em 2003. Após a inauguração do novo José Alvalade – reconstruído para a Euro 2004 – na partida amistosa contra o Manchester United de Alex Ferguson, Cristiano chamou a atenção do escocês, ao liderar o triunfo de sua equipe sobre os Red Devils por 3 a 1. Sondado anteriormente por Arsenal e Liverpool, o Manchester United não hesitou em gastar 12,5 milhões de libras para contar com o futebol do português, em agosto de 2003, mesmo mês em que foi convocado pela primeira vez para a seleção portuguesa de Felipão. Além da mudança de ares e status, mal sabia Cristiano que, treinado por Felipão e Ferguson, sua evolução técnica no futebol seria gigantesca.

A aposta de Ferguson no camisa 7

Desde o início, Alex Ferguson apostou suas fichas em Ronaldo. Em sua chegada ao Old Trafford, pediu a camisa 28 - a mesma com a qual apareceu profissionalmente pelo Sporting. Mas Ferguson insistiu para que o gajo usasse a mítica camisa 7, defendida por grandes jogadores da história mancuniana como Bobby Robson, George Best, Eric Cantona e David Beckham, como forma de incentivá-lo diante de tão grande desafio. Deu certo.

A estreia de Ronaldo no United aconteceu em agosto de 2003, contra o Bolton, pela Premier League. O primeiro gol pelo veio em novembro, na vitória de 3 a 0 sobre o Portsmouth. A espantosa habilidade e agilidade ainda careciam de um estilo de jogo mais objetivo. Contudo, para uma temporada de estreia aos 18 anos, Cristiano obteve números excelentes: atuou em 40 partidas, marcou seis gols e deu quatro assistências. O primeiro título em Manchester veio na FA Cup, naquela mesma temporada, diante do modesto Milwall. Na vitória por 3 a 0, Ronaldo mostrou personalidade e contribuiu com o gol inaugural da final. Ainda venceria com o Man Utd a Copa da Liga Inglesa em 2005/06, mas era muito jovem e intempestivo para liderar tecnicamente aquela equipe.

Porém, na temporada 2006/07, Ronaldo começou a se tornar peça primordial dos Red Devils. Foi o terceiro artilheiro da Premier League, com 17 gols. Também foi fundamental para levar o time às semifinais da Liga dos Campeões. Mas no duelo particular diante do Milan de Kaká, ele e o United pararam diante da fabulosa temporada do seu futuro companheiro de Real. O brasileiro seria eleito o melhor do mundo naquele ano de 2007, com o português alcançando o segundo posto. Sempre vaidoso com relação aos prêmios individuais - cada vez mais frequentes em sua carreira - passou a perseguir o troféu que havia lhe escapado com o revés para Kaká e o Milan.

A temporada seguinte trouxe a confirmação de todo o seu potencial e técnica e afastou o estigma de jogador “firuleiro” e que “amarela” em jogos decisivos. Em uma temporada impecável, sagrou-se artilheiro da Premier League, com 31 gols e da Liga dos Campeões, com oito. Mas numa situação que só acontece no futebol, Ronaldo quase foi do céu ao inferno em seu grande momento da carreira clubística: a final da Champions contra o Chelsea, disputada em Moscou. Autor do tento que abriu o placar, viu os Blues empatarem e a partida se arrastar para uma dramática decisão por pênaltis.

Na terceira cobrança, o camisa 7 bateu mal e Cech defendeu. No entanto, Terry e Anelka “aliviaram a barra” do gajo, ao desperdiçar as penalidades que fizeram o United campeão europeu. Coroou uma temporada fantástica de 42 gols em 49 partidas, com oito assistências. Ainda ajudou a erguer as taças da Copa da Liga Inglesa, da Community Shield e do Mundial de Clubes da Fifa. Com justiça, alcançou a tão almejada alcunha de melhor do mundo pela Fifa.

Iniciou 2008/09 se recuperando de uma contusão no tornozelo direito que o deixaria fora de combate por quase três meses. Mesmo não repetindo a temporada brilhante anterior, foi peça importante no tricampeonato inglês do Manchester United e no vice-campeonato europeu, após a derrota para o Barcelona. No duelo particular com Messi, Cristiano não rendeu o esperado e viu o rival argentino brilhar com a fabulosa equipe culé. Campeão de quase tudo em seis temporadas no futebol inglês e após 196 jogos e 84 gols pelo United, não fazia mais questão de esconder o desejo de brilhar no Real Madrid, sonho que se concretizou graças à maior transferência da história do futebol: € 94 milhões, com o português convertendo-se no jogador mais bem pago da atualidade, em cifras que atingem os € 13 milhões anuais.

Portugal: de esperança a capitão

Cristiano Ronaldo chegou à seleção portuguesa pela primeira vez em 2002, no Europeu Sub-17. Trajado com a camisa 7, não conseguiu levar Portugal às quartas de final do torneio vencido pelos suíços. Também acumulou passagens pelas equipes sub-18 e sub-21 dos Tugas.

No entanto, seu primeiro grande momento com a seleção lusitana foi durante a Euro 2004, disputada em seus domínios. Com apenas seis convocações, foi chamado por Felipão para a competição. Cristiano saiu do banco marcou seu primeiro gol pela seleção principal na derrota por 2 a 1 frente aos gregos na estreia. Ganhou a vaga na equipe titular a partir da partida contra a Espanha e seguiu nessa condição até a final, inclusive anotando outro tento na semifinal diante da Holanda. Na decisão, amargou a maior decepção da carreira, ao parar na quase intransponível defesa da Grécia, que novamente bateu os portugueses, desta vez por 1 a 0.

Mesmo com a frustração da perda de um campeonato que parecia ganho, Ronaldo seria figura constante nas próximas convocatórias de Portugal. Presente também na seleção olímpica em Atenas 2004 – desta vez como grande estrela do time -, o camisa 7 fez péssimo torneio e foi eliminado do torneio com a seleção portuguesa precocemente, ainda na primeira fase.

Na Copa do Mundo de 2006 foi titular absoluto na campanha do quarto lugar – a melhor desde o terceiro lugar de 1966 – e marcou seu único gol no Mundial da Alemanha diante do Irã, na primeira fase. Na Euro 2008, Portugal era cotada como uma das favoritas ao título. Mas em um continental irregular de Ronaldo e do restante do elenco, os portugueses foram eliminados nas quartas-de-final, na derrota por 3-2 diante dos alemães.

Ronaldo deixou sua marca no torneio, diante da República Tcheca. Promovido provisoriamente à capitão no amistoso entre Brasil e Portugal, disputado no Emirates Stadium, em fevereiro de 2007, o meia-atacante foi, gradualmente, ganhando a tarja em definitivo, principalmente após a chegada de Carlos Queiroz ao comando da seleção. Acumula atualmente pela seleção portuguesa a marca de 64 partidas e 22 gols. Tudo isso com apenas 24 anos de idade e pouco mais de seis deles dedicados à seleção principal.

O sonho Real

Sondado pelo Real desde sua primeira renovação de contrato, em 2007, a vontade de Cristiano em atuar no Santiago Bernabéu foi crescendo gradualmente. O status, a mística e o glamour merengue chamavam sua atenção e cada vez mais especulava-se sobre a sua milionária transferência. Uma oferta de 80 milhões de euros foi feita em 2008, mas o Manchester United relutava em vender sua maior estrela. No entanto, o sucesso do Barcelona na Europa e a volta de Florentino Pérez à presidência do Real foram fatores preponderantes na montagem de um elenco estelar - a reedição dos galácticos, elenco milionário formado pelo mesmo Pérez no início desta década, ao trazer jogadores do quilate de Figo, Zidane e Beckham. A segunda geração promete ser tão badalada quanto a primeira, com as contratações milionárias do próprio Ronaldo (€94 milhões), Kaká (€67 milhões), Benzema (€35 milhões) e Albiol (€15 milhões).

Mais maduro e ao lado do excelente Kaká, o destaque português tem a missão de reconduzir os merengues ao topo da Europa, deixando um pouco de lado a sua individualidade, que, por vezes, é exagerada. Sem nenhuma questão de modéstia após a concretização da maior transferência da história do futebol, cravou: “quero ser o melhor de todos os tempos e fazer história no Real Madrid. Esse é o meu objetivo”. Resta saber se tal pretensão – que soa demasiada - poderá se tornar realidade. Esse é o estilo Ronaldo de ser: técnica, polêmica e megalomania, caminhando juntos.

27.7.09

Ótimo negócio

Concretizou-se uma das transferências mais complexas dos últimos tempos envolvendo mais de um atleta. Por 45 milhões de euros, Ibrahimovic foi para o Barcelona e a Inter ainda recebeu Eto’o em definitivo mais o bom meia Hleb, por empréstimo. A operação de 66 milhões de euros no total – a terceira mais cara da história do futebol – foi excelente para todos: times e jogadores envolvidos.

É óbvio que a perda de Ibrahimovic será a mais sentida, já que o sueco vinha sendo o principal jogador da Inter nas últimas duas temporadas. Na minha visão, é um dos três melhores atacantes da atualidade, atravessa ótimo momento e tem 27 anos, normalmente a faixa etária onde a maioria dos jogadores atingem ao auge da combinação física e técnica. Mesmo com a sentida perda, a Inter recebe um Eto’o que se não é tão bom quanto Ibra, chega próximo. E ambos são nascidos no mesmo ano (1981). Eto’o deixa o Barcelona como o terceiro maior artilheiro da história do clube, ao lado de Rivaldo, ambos com 130 gols. Já Hleb, pouco aproveitado em um meio campo que se acertou com Yaya Touré, Iniesta e Xavi, pode se tornar uma opção mais valiosa para o técnico Mourinho. Qualidade para isso, o bielorrusso mostrou durante a sua passagem pelo Arsenal.

Já o Barcelona incrementa ainda mais o seu poderoso ataque, com um jogador tão goleador quanto o camaronês, mas que é muito mais técnico. E que substitui um Eto’o que há tempos não era unanimidade no Barcelona, apesar das boas jornadas. O atacante quase cogitou sumir no futebol uzbeque, no início da última temporada, já que Guardiola considerava não utilizá-lo. Porém, ele foi aproveitado e foi peça importante no triplete do Barça em 2008/09, sendo vice-artilheiro de La Liga, com 30 gols. Ibrahimovic chega ao Barcelona na melhor fase de sua carreira, evidenciada com a artilharia da Série A italiana, com 25 gols. E com sede de títulos europeus, algo que a Inter não conseguiu lhe proporcionar. Um ataque formado por Messi, Henry e Ibrahimovic, que antes parecia um devaneio de um jogador de Winning Eleven, agora se faz real.

Usando aquele bordão famoso de um deputado paulista: “estando bom para ambas as partes...”

Em tempo (29/07): Hleb não acertou com a Inter e foi emprestado ao Stuttgart. A Inter foi compensada financeiramente pelo Barcelona. Ainda assim, acho que foi um bom negócio.