25.7.09

Efetivar ou não, eis a questão

Muricy Ramalho é apresentado:
Tetra à vista?

Nesta última sexta-feira, o Palmeiras apresentou seu novo treinador: Muricy Ramalho. Depois da novela que envolveu a efetivação ou não do interino Jorginho, a diretoria palmeirense preferiu confiar na experiência do atual tricampeão nacional.

Uma coisa é certa. Jorginho cumpriu o seu papel. Com um aproveitamento superior a 70% (quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota) o interino conseguiu elevar o time às primeiras posições apresentando um futebol coeso e muito brigador. Até mesmo o setor defensivo, antigo “calcanhar de aquiles” da Era Luxa, melhorou.

Também sob seu comando, o volante Souza merecidamente ganhou mais espaço (até se machucar), Diego Souza reencontrou seu bom futebol e até o inconstante Obina ganhou mais confiança e começou a marcar os seus golzinhos. Então, por que não efetivá-lo?

Se Muricy é muito mais experiente e tarimbado, acostumado a atalhos que poderão fazer o Verdão tornar-se pentacampeão brasileiro nas retas finais do torneio, Jorginho, em contrapartida, conhece muito melhor o ambiente e o perfil de cada atleta.

Longe de mim, duvidar da competência e do trabalho de Muricy Ramalho. Só acredito que, pelo menos em curto prazo, o ex-são paulino terá um desempenho mais irregular que seu antecessor.

Por ser um pouco pragmático e deveras teimoso, penso que o novo treinador perderá preciosos pontos neste início. Afinal, ao assumir o comando de uma equipe, Muricy destacou-se sempre por sua regularidade, nunca por sua rápida adaptabilidade.

Engraçado mesmo, é pensar que a diretoria só repensou sua atitude em efetivar Jorginho ou não, após o mesmo levar a equipe à parte de cima da tabela. Ou alguém acha que Belluzzo abriria o cofre para pagar 600 mil reais mensais a Muricy, se Jorginho tivesse ido pior das pernas e não conseguisse alavancar o Verdão?

23.7.09

Galo paraguaio?

Diego Tardelli comemora seu gol na partida contra o Fluminense
Rumo ao bicampeonato?

Oito vitórias, quatro empates e uma derrota. 27 gols marcados e apenas 13 sofridos. Após 13 rodadas disputadas, poucos acreditariam que o Atlético Mineiro teria um desempenho tão constante neste início de temporada.

A performance do atual líder impressiona. Não somente venceu Cruzeiro e Grêmio, rivais diretos pela conquista do título, como também passou por Santos, Sport e Atlético Paranaense fora de seus domínios.

Grande parte do mérito desta campanha apresenta-se no banco de reservas. Mesmo com um elenco meramente mediano, o treinador Celso Roth monta uma tática defensiva que privilegia o ponto forte de seus atacantes: o contra-ataque. Durante os jogos, os rivais quase não têm oportunidades de fazer gols.

Com um forte poder de marcação, a trinca de volantes formada por Jonilson, Renan e Márcio Araújo passa tranqüilidade ao time, enquanto que o veterano Júnior, agora deslocado para a meia, garante o ponto de equilíbrio da equipe na armação de jogadas. Na frente, Éder Luís e Diego Tardelli, este em grande fase, dão conta do recado.

Além disso, a vinda do goleiro Aranha caiu como uma luva, já que os torcedores sequer guardam alguma lembrança do contestado Juninho. Nem mesmo a ausência de um lateral-direito de ofício tem prejudicado o esquema.

Contudo, não consigo visualizar esse time como um virtual candidato ao título. A semi-dependência atleticana nos gols de Diego Tardelli (que pode ser vendido), a falta de opções no banco e as últimas contratações do clube, como Pedro Oldoni e Rentería, não inspiram confiança.

Acredito que, assim como o Grêmio em 2008, Roth não manterá o alto aproveitamento do time que, por sua vez, acabará derrapando em partidas teoricamente fáceis. Afinal, o Galo ainda não se encontra em pé de igualdade diante adversários mais fortes.

20.7.09

Cultura inútil

Dizem que a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. Na hora em que os resultados não ocorrem como o esperado no futebol – principalmente brasileiro - , em 99% dos casos, quem paga o pato é o técnico. É como nos filmes antigos, onde o culpado era sempre o mordomo. Essa obviedade esconde falta de tato, de racionalidade e de planejamento por parte dos cartolas.

Só entre os 40 clubes das Séries A e B, foram 22 trocas de treinador em apenas doze rodadas – correspondente a pouco menos de um terço das competições. Alguns clubes como o Náutico, por exemplo, trocaram de técnico mais de uma vez. Me arrisco a dizer que em pelo menos 90% dos casos, as demissões ocorrem mais por pressão de imprensa e torcida do que por análise de um trabalho previamente planejado. Um exemplo disso é o Fluminense, que já teve três treinadores (até esta segunda, 20/07): Renê Simões, Carlos Alberto Parreira e Vinícius Eutrópio, que depois de efetivado no cargo, já está ameaçado após duas derrotas. Renê Simões foi responsável direto por salvar o Fluminense do rebaixamento do Brasileirão 2008, mas após maus resultados no “importantíssimo” Campeonato Carioca, foi mandado embora após vencer o Nacional/PB, pela Copa do Brasil. À época, o diretor de futebol do Fluminense, Alexandre Faria, disse ao IG: "Ele realizou um belíssimo trabalho à frente do Fluminense em 2008, classificando a equipe para a Copa Sul-Americana em 2009. Infelizmente o time ainda não engrenou nesta temporada e chegamos ao consenso de que é necessária a mudança do comando técnico da equipe. Buscaremos, com bastante calma e critério, o melhor nome possível para dirigir a equipe".

Chegando com discurso de reformulação e trabalho a longo prazo e sem reforços significantes, Parreira durou pouco mais de três meses à frente do time das Laranjeiras. No meio da briga entre o clube e o patrocinador, o time claramente era vítima, refletido nos maus resultados. Mas ainda assim, Parreira que foi demitido. O discurso agora era o de dar chances ao até então interino Eutrópio, o que já parece descartado pelos dirigentes tricolores, que já declararam correr atrás de um profissional mais “experiente”. Em levantamento pelo GloboEsporte.com, o Fluminense é o líder em trocas de treinador na era dos pontos corridos, superando Flamengo e Atlético/MG, com 17 trocas em pouco mais de seis anos (uma média de quase três técnicos por ano!).

A novela Jorginho no Palmeiras é outro exemplo. Os bons resultados conquistados – quatro vitórias e um empate, levando o time à liderança com o Atlético/MG – não deixam o até então interino mais experiente na função. É óbvio que ele começa sua carreira agora e ainda tem que ser mais tarimbado no cargo. Mas a diretoria do Palmeiras insiste em esconder o jogo. Não seria mais fácil dizer as reais intenções, até para evitar especulações e não expor o elenco?

Em seu início no Manchester United, Ferguson ficou quase cinco anos sem ganhar títulos de expressão com o Manchester United e agora é um dos técnicos mais importantes da história do clube, mais de 20 anos depois. No Brasil, como nos casos de Muricy no São Paulo, Adílson no Cruzeiro e Mano Menezes no Corinthians, os trabalhos a longo prazo surtiram bons frutos. Ainda existem casos onde há o desgaste entre o técnico e o elenco e a situação fica insustentável, como no caso de Luxemburgo no Palmeiras e Mancini no Santos. No entanto, na maioria dos casos, a cultura do futebol brasileiro é cruel. Atirar primeiro e depois perguntar quem é.

16.7.09

O que tem faltado?

Pelo terceiro ano consecutivo, a equipe adversária fez a festa em um estádio completamente lotado para comemorar o título da Copa Libertadores da América: se em 2007 o Boca Juniors derrotou o Grêmio no Olímpico e em 2008 foi a vez da LDU bater o Fluminense no Maracanã, dessa vez foi o Estudiantes que venceu o Cruzeiro em pleno Mineirão e levou o tetracampeonato da Libertadores.

Apesar do bom empate conseguido na primeira partida, a equipe celeste não conseguiu impor o jogo que tinha lhe rendido ate então os 100% de aproveitamento jogando em casa, e viu o Estudiantes, comandado com maestria pelo veterano Juan “La Brujita” Verón, 34 anos, virar a partida, para a tristeza dos mais de 65 mil torcedores que compareceram para incentivar o Cruzeiro.

Apesar da melhor campanha, os mineiros precisam reconhecer os méritos dos argentinos, que mereceram o título pelas duas partidas da grande final. Mesmo não dando nenhum espetáculo, a equipe de La Plata soube se impor e aproveitou as poucas chances que teve. Apesar de sair perdendo, os jogadores do Estudiantes não perderam a calma e calaram o Mineirão.

O que chama a atenção é que essa foi a sexta final consecutiva em que uma equipe brasileira foi derrotada por uma estrangeira. O Boca passou por Palmeiras em 2000, Santos em 2003 e Grêmio em 2007; o São Caetano perdeu a decisão de 2001 para o Olímpia; e, como citado acima, o Fluminense foi batido pela LDU, antes do Cruzeiro. Com a cruel constatação de que todas as decisões foram realizadas no Brasil. E ainda, na minha opinião – com exceção feita ao Grêmio em 2007 - , em todas as outras finais, os times brasileiros tinham totais condições de levantar o caneco.

Nem se pode usar a catimba como desculpa dessa vez. Claro, os argentinos valorizaram em muitos momentos na partida, houve momentos de confusão, mas não foi aquela clássica demonstração da artimanha platina.

O que tem faltado aos times brasileiros? Alem da técnica, da tática e dos talentos individuais, ainda falta algo mais numa competição como a Libertadores, como a catimba, a concentração e a eficiência para aproveitar as poucas oportunidades ou o erro dos adversários. Os brasileiros teriam sentido demais a pressão em vencer o nobre torneio continental? O problema seria psicológico? É difícil explicar. Não tenho uma resposta. Talvez seja um pouco de tudo isso.

Em tempo: pelo terceiro ano consecutivo, a equipe que eliminou o São Paulo perdeu a final, e jogando em casa. Isso que é jogar urucubaca hein...

11.7.09

Nem tudo está perdido

Há pouco mais de dois meses, o Internacional vencia o Campeonato Gaúcho invicto. Muitos torcedores e jornalistas exaltavam não só o feito Colorado – com média de gols superior a três, 67 em 21 jogos – mas o bom futebol mostrado pelos comandados de Tite, principalmente D’Alessandro, Nilmar e Taison. À época, relatei no blog no post “O melhor do Brasil?” que o Inter jogava, sem dúvidas, futebol vistoso. Mas necessitava ser confrontado por times mais técnicos e tarimbados, já que no Gauchão enfrentou um Grêmio com a cabeça na Libertadores, além de adversários fracos no certame local e na Copa do Brasil, que até então, ainda estava em seu início.

Hoje, a situação daqueles que exaltavam o Inter se inverte, como é de praxe na louca roda-gigante que é a cabeça dos torcedores e de alguns jornalistas esportivos. Após as derrotas ante o Corinthians – em dois jogos duríssimos pela final da Copa do Brasil – e LDU – pela final da Recopa – o time já “não presta”, a fase boa já passou e outros absurdos do gênero. Principalmente do meio-campo pra frente, o Inter é um time excelente. Se não perder Nilmar para a Europa, melhor ainda.

O calcanhar de Aquiles colorado parece ser a defesa. Kleber – apesar de ser integrante da Seleção Brasileira – vive mau momento; Bolívar não consegue mais quebrar o galho como lateral-direito e por aquele setor, se iniciaram várias jogadas dos últimos gols sofridos pela equipe; Índio, Álvaro e Danny Morais parecem não se acertar no miolo de zaga, como visto nos gols sofridos pelo Inter em jogadas aéreas e infiltrações pelo meio da defesa. A direção poderia aproveitar a abertura da janela de transferências para trazer ao menos um zagueiro e um ala direito para tentar recolocar o time nos eixos, novamente. Perdeu também muito rendimento individual do seu trio ofensivo D'Ale-Taison-Nilmar, além de jornadas irregulares de Magrão. O único que manteve o bom futebol desde o início de ano foi o incansável Guiñazu, também peça imprescindível para este início de recuperação colorada.

Por mais dolorosos que os vices possam parecer, o Inter tem grandes chances de título e de vaga na Libertadores. É o atual líder do Brasileirão – jogando muitas partidas com o time misto ou reserva, até aqui – e está longe de ser um time que vá sofrer qualquer tipo de um grande desmanche. O problema deve ser a pressão em cima de Tite, principalmente se a equipe não se recuperar nas próximas rodadas do campeonato nacional. Certamente, o divisor de águas para o contestado técnico será o Grenal do próximo dia 19. Uma derrota para o principal rival certamente derrubará o treinador, assim como aconteceu com Celso Roth na partida em que os gremistas foram eliminados pelos colorados no Gauchão. Perder dois títulos e a invencibilidade de sete partidas diante do maior rival em menos de um mês seria uma combinação letal ao técnico, que passa a conviver com a grande sombra de dois treinadores disponíveis no mercado nacional: Luxemburgo e Muricy, com o último tendo grande identificação e familiaridade com o Beira-Rio.