7.8.07

Especial Copa 2014 - Copa do Mundo no Brasil?

A partir de hoje, postaremos aqui neste espaço uma série de reportagens apontando as várias nuances que envolvem a realização de Copa no Brasil. Essas matérias foram originalmente redigidas por alguns de nós do Opinião FC (Azank, André, Felipe e Jota) para o hiperdocumento da Disciplina de Jornalismo Digital II, ministrada pelo professor Mauro de Souza Ventura. A Copa no Brasil é possível?

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, reconhece: O país deve se modernizar para receber a maior competição de futebol do planeta


JOTA ASSIS


A Federação Internacional de Futebol (FIFA) tem em seus planejamentos trazer a Copa do Mundo para o Brasil em 2014. A Colômbia, outro país latino candidato a sediar o torneio, já desistiu da disputa de quem vai sediar o maior torneio de futebol do planeta. “Tudo indica que o Brasil realmente será o país sede em 2014, mas devemos nos preparar desde já”, argumenta Toni de Paula, radialista esportivo da rádio Jovem Pan.

Para o radialista o país deve saber direcionar a verba empregada de maneira correta, para que após o torneio haja um retorno de benefícios para a população. “A maioria dos brasileiros ama o futebol e seria importante sediar uma Copa novamente, mas ainda faltam muitas melhorias, como o trânsito caótico das grandes cidades, o problema aéreo e a falta de segurança. Temos 7 anos para tentar mudar esse panorama”, complementa.Paula cita como exemplo, os jogos Pan Americanos, que estão sendo realizados com sucesso no Rio de Janeiro e explica que “o governo em parceria com a CBF pode muito bem trazer as mudanças necessárias para que a competição de futebol seja realizada no país”.

O jornalista e historiador Luciano Dias Pires também aponta os problemas atuais que o Brasil enfrenta, mas no seu entender, o país não deve trazer a Copa do Mundo, “pois os problemas que estamos enfrentando hoje não fazem do Brasil um bom candidato”.

Pires relembra a Copa de 1950 e explica que na época o contexto era outro, “para se ter uma idéia, a Segunda Guerra Mundial tinha acabado fazia pouco tempo, o Brasil estava recebendo muitos imigrantes e as inovações tecnológicas concebidas durante a guerra estavam em pleno vapor. Todo o contexto favorecia a realização do torneio”.

“Com estádios sem uma boa infra-estrutura, a segurança deficitária e desempregos, o Brasil teria que repensar a possibilidade de sediar um torneio de tão grande expressão e colocar em primeiro plano a resolução desses problemas”.
Pires acredita que seria necessário “um grande salto econômico para conseguirmos sediar novamente uma Copa com sucesso".

3.8.07

Made in Brasil

Quac! Alexandre Pato engrossa a lista de exportação e vai para o Milan
Para estrangeiros, jogadores brasileiros viraram mercadorias

Diego (Atlético-MG); Ilsinho (São Paulo), Gladstone (Cruzeiro), Schiavi (Grêmio) e Fellype Gabriel (Cruzeiro); Marcelo Mattos (Corinthians), Cléber Santana (Santos), Michael (Palmeiras) e Renato (Flamengo); Araújo (Cruzeiro) e Welliton (Goiás).

Diante da safra tão ruim de atletas que percorrem os gramados brasileiros no Campeonato Nacional, poderíamos elencar o time acima como uma reunião entre os poucos destaques deste ano. Poderíamos. Isto é, se o time acima ainda estivesse atuando pelo Brasileirão de 2007...

Na medida que os anos se passam, mais jogadores abandonam o futebol tupiniquim mais recentemente. O portal virtual da Globo divulgou nesta última semana uma matéria que relatava números acerca do assunto. Segundo a reportagem, durante o período que corresponde ao primeiro semestre de 2007 (de janeiro a julho), cerca de 600 atletas foram vendidos para o mercado estrangeiro.

Além disso, a matéria apresenta dados alarmantes: cada vez mais os nossos jogadores saem mais jovens e por preços mais baratos. Em 2005, os 804 jogadores que se aventuraram em terras estrangeiras renderam 159,2 milhões de dólares para o país (média de 19,8 mil dólares cada). Se o mesmo cálculo for realizado através do preço dos atletas, concluimos que neste ano, até agora, cada jogador foi negociado pela média de 8,3 mil dólares cada. Ou seja, em dois anos, nossos atletas desvalorizaram-se em quase 60% de seu valor.

Hoje em dia, os jogadores abandonam seus clubes para irem cada vez mais longe. Atualmente até os petrolíferos times do Oriente Médio são procurados. Mas será que tudo isso compensa? Sinceramente, salvo algumas exceções, normalmente essas negociações não dão em nada.

O jogador brasileiro precisa perder esta mania de pensar que o futebol estrangeiro é a terra das mil maravilhas. De nada adianta sair do país, se você ainda não tem potencial o suficiente para se manter numa relativa posição de tranquilidade em sua equipe. O jogador não se adapta, joga mal, come mal e às vezes nem receber salário, recebe (como ocorreu com Denílson, por exemplo). É justamente esta afobação que faz atletas como Wágner, Ibson e companhia voltarem ao solo brasileiro.

Mas, como resolver este problema cultural? Já que este dilema é algo que já aparece implicitamente na cabeça do jogador quando ele surge, a solução seria instruir melhor nossos atletas e olhar para as categorias de base com maior respeito e dedicação. Os clubes têm de exercer uma política mais autoritária e menos comercial, sim.

Somente assim, empresários sentir-se-íam ameaçados o suficiente a ponto dos clubes conseguirem segurar seus atletas por mais tempo. E talvez, quem sabe, voltaríamos a ver grandes jogadores desfilando todo seu futebol-arte.

2.8.07

O último apaga a luz!

Quando Thierry Henry decidiu deixar o Arsenal para defender as cores do Barcelona, o que se viu foi o desamparo que os Gunners e sua torcida ficaram diante da perda de seu maior ídolo e do enfraquecimento gradativo que a equipe sofreu durante os últimos três anos. A negociação de 24 milhões de euros levou o craque francês para Espanha e junto com ele também foi embora a esperança do Arsenal em fazer frente a Chelsea, Manchester e até mesmo Liverpool na Premier League.


A debandada de jogadores do Arsenal começou para valer no final da temporada 2005/2006 quando os londrinos perderam o título da Champions League para o Barcelona. Peças importantes do elenco que a dois antes havia sido campeão invicto do Campeonato inglês como o meia francês Robert Pires foi para o Villareal, o holandês Dennis Bergkamp que se aponsentou, Ashley Cole que se transferiu para o Chelsea, assim como o zagueiro Soul Campbell que foi para o Portsmouth deixaram o time debilitado. Para completar, o atacante Reyes ainda foi jogar no Real Madrid e se tornou ídolo nas terras merengues.

Na tentativa de suprir a ausência de alguns nomes e dar respaldo para o trabalho de mais de 10 anos no clube, a diretoria trouxe os meias Tomas Rosicky e Júlio Batista e o zagueiro William Gallas. Além disso, subiu para o time principal o jovem talento Theo Walcott que logo seria convocado para defender a seleção inglesa na Copa do Mundo de 2006 mesmo sem ter estourado na Barclay´s Cup.

Passada a última temporada, o quarto lugar obtido pelo time foi recompensador após um começo de campeonato que ia do ruim ao péssimo. Derrotas e empates consecutivos logo nas primeiras rodadas fizeram com que o Arsenal já demonstrasse que não iria brigar pelo título. Com a diretoria envolta na construção do Emirates Stadium o dinheiro acabou se esvaindo dos cofres e mais peças acabaram se perdendo.

O sueco Fredrik Ljunberg trocou o clube pelo West Ham. Jeremie Aliadere, jovem atacante francês, se transferiu para o Midlesbrough. Júlio Batista provavelmente irá embora também. De qualquer forma, o golpe mais duro foi a perda de seu maior artilheiro Thierry Henry, líder do time nas conquistas das temporadas 2001/2002 e 2003/2004 da Premier League, onde foi o maior goleador em ambas.

Sem muitas perspectivas de contratações, o clube trouxe nomes de pouca relevância como o atacante brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva e o zagueiro do Auxerre Bacary Sagna., pouco para um time acostumado a ser grande.


Hoje no papel da quarta potência do futebol inglês, o Arsenal aposta nos seus jovens jogadores para fazer frente aos “bichos papões” Chelsea e Manchester. Fábregas, Van Persie e Walcott ganharam notoriedade no time que ainda conta com o ex-saopaulino Denillson. A média de idade do time é de 23 anos o que faz a torcida ter esperanças futuras porém com questionamento sobre o presente. O grande temor agora é perder também alguns destes jogadores antes do fechamento da janela de negociações européias pios a impressão que se têm é de que todo mundo quer sair do Arsenal neste momento.


A desculpa pela falta de reforços esta nos gastos com o Emirates Stadium, fato aceitável porém perigoso. Levada as devidas proporções e realidades, quando o São Paulo se voltou para a reforma do Morumbi e deixou seu time enfraquecido em matéria de contratações, uma fila de quase dez anos sem vencer um título de relevância ocorreu. Que os Gunners tenham uma sorte melhor!!

1.8.07

O Pior Cego...

No dito popular, o pior cego é aquele que não quer ver. Esse é o nosso presidente da Confederação Brasileira de Futebol, o qual disse ontem ao Estadão que muitos jogadores chegavam breacos a concentração da Seleção durante a Copa do Mundo da Alemanha. Segundo Teixeira, após o dia de folga, os jogadores só retornavam ao hotel de madrugada e alcolizados. Ainda ele criticou o clima de festa durante a preparação brasileira na cidade suíça de Weggis, onde turistas pagavam fortunas para assistir os treinos da Seleção. Criticou diretamente a forma de Ronaldo à época do Mundial e indiretamente Parreira, que teoricamente deveria colocar ordem na casa. “Era óbvio que aquilo não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?”, dizia Teixeira, com ares de indignação.

Presidente, vou lhe dizer o que ningúem (finge) que vê. Ninguém vê que o senhor só deu essa declaração para fortalecer o “disciplinador” Dunga, valorizado após a conquista da Copa América. O título tem sua importância, mas o novo treinador vendeu a alma dos nossos armadores para encher nosso time de raça e de volantes. Ninguém vê que após o fiasco na Copa, Parreira foi enxotado da Seleção, mas as seleções de base continuam sucateadas e sem um trabalho sério, causas que levaram o Brasil a dois fiascos recentes, um no Mundial sub-20 (pior campanha brasileira da história) e no Pan (perdemos para o Equador em casa!). Ninguém vê que o senhor está há mais de uma década no comando da CBF e os campeonatos nacionais continuam com nível técnico cada vez mais baixo, onde os clubes brasileiros perdem jogadores para países como México, Ucrânia e Arábia com a maior facilidade. Se o senhor, que ocupa o cargo máximo da entidade e acompanhava a rotina da Seleção na Copa, como o senhor não viu? Ou talvez fingiu que não viu...

Falta de visão

No quesito clubes, podemos dar a venda nos olhos dos diretores do Flamengo. A demissão de Ney Franco após o jogo contra o Corinthians não tem qualquer senso de nexo e racionalidade. O mesmo Ney Franco que foi campeão carioca há alguns meses atrás tendo um time tecnicamente pior que o Botafogo, foi enxotado do Flamengo. Até sua demissão, o time estava com três jogos a menos que os principais candidatos ao descenso, havia perdido seu principal jogador (Renato) e estava sem o seu artilheiro (Obina). Mas esses fatores não sensibilizaram o cartola Kleber Leite, responsável por algumas das mais catastróficas ações dentre os dirigentes brasileiros. Não contente em demitir Ney, o cartola se superou e prontamente trouxe Joel Santana, “especialista” em treinar equipes cariocas na pindaíba. Entre um título carioca e uma salvada de rebaixamento, Joel vai pulando no comando técnico dos clubes cariocas. Será que Joel é o cara para montar bons elencos?

Pra completar, depois da demissão de Franco, que estava há mais de um ano no Flamengo – fato esse raro no Brasil, ainda mais no Flamengo – os reforços começaram a chegar. Roger (que jogou meio tempo na partida derradeira de Ney), Ibson, Fábio Luciano e talvez o bom volante Jônatas. Assim fica fácil, né Joel?

31.7.07

Eldorado Gelado

Nos últimos anos, Rússia e Ucrânia – dois países pertencentes a ex-URSS – tem sido o destino de muitos jogadores de qualidade, sejam eles consagrados ou promessas em seus países/clubes de origem. Considerando que a Vischaya League (Ucrânia) e a Premier League (Rússia) não estão entre as principais ligas européias, pelo menos no que diz respeito a parte técnica, porque esses países do Leste Europeu se tornaram uma espécie de “Eldorado” para muitos jogadores?

Após o desmembramento da União Sovética, em 1991, surgiram as ligas russa e ucraniana, sendo que anteriormente somente as principais equipes das ex-repúblicas soviéticas formavam a Soviet Top League, a Liga Soviética de Futebol. E no período em que foi disputada, de 1936 a 1991, a supremacia de russos e ucranianos era evidente. Nesse período de 55 anos, as equipes russas conquistaram 34 títulos e as ucranianas, 16.

A supremacia de equipes como o Dínamo de Kiev (13 títulos), Spartak Moscou (12 títulos) e CSKA (7 títulos) se confirmou nas novas ligas locais. Em 15 campeonatos russos, o Spartak ganhou nove títulos e o CSKA venceu três. Na Ucrânia, o domínio é mais marcante. Em 16 campeonatos, 12 foram vencidos pelo Dínamo de Kiev.

Recentemente, os russos descobriram no futebol um grande filão financeiro. Basta ver que investidores donos de ex-estatais soviéticas são maciços investidores do esporte bretão, como Romam Abramovitch e o obscuro Boris Berezovsky, entre outros. Essa tendência injetou dinheiro e craques nas ligas. E o exemplo mais palpável disso é o surgimento e afirmação do Shakhtar Donetsk na região. Resposável por quebrar a seqüência de nove campeonatos consecutivos do Dínamo de Kiev, os “Miners” já conquistaram três campeonatos ucranianos e conseguiram chegar a fase principal da Champions League na temporada passada. Toda essa ascendência meteórica tem como figura principal o seu presidente, Rinat Akhmetov, proprietário da maior fortuna da Ucrânia, estimada pela revista Forbes em cerca de 4 bilhões de dólares. Akhmetov, que já foi proprietário de antigas estatais e atualmente é o principal acionista da SCM Holdings (que controla indústrias de ferro e mineração), assumiu a presidência do Shakhtar em 1996 prometendo levar o clube ao patamar dos grandes europeus. E o manda-chuva ucraniano não mediu esforços nem dinheiro para chegar a sua meta. Já havia contratado o meia Elano, valorizadíssimo após o Brasileiro de 2004, por cerca de 10 milhões de dólares. Para esta temporada, a equipe laranja já gastou cerca de 40 milhões de euros em reforços: Trouxe o lateral-direito Ilsinho por 11 milhões de euros, o atacante Cristiano Lucarelli – que marcou 20 gols no último Calcio pelo Livorno – por oito milhões de euros e Nery Castillo, destaque da última Copa América atuando pela seleção mexicana, por vultuosos 20 milhões de euros, saindo mais caro que Henry -que custou 14 milhões ao Barcelona. No âmbito interno, trouxe reforços como o goleiro Andriy Pyatov e o zagueiro Volodymyr Yezerskiy, revelações da seleção ucraniana sub-21, além do artilheiro do último campeonato ucraniano, Oleksandr Hladky. E os dois países também se tornaram exportadores de atletas os grandes centros. Recentemente, o romeno Ciprian Marica foi vendido pelo Shakhtar ao Stuttgart por oito milhões de euros.

Investidas do Shakthar a parte, lembremos que muitos brasileiros já estão no futebol russo e ucraniano. Alguns exemplos:
Shakhtar Donetsk: Elano, Fernandinho, Jádson, Luiz Adriano, Brandão e Ilsinho
Dínamo de Kiev: Corrêa, Kleber, Diogo Rincon, Michel e Rodrigo
CSKA: Vágner Love, Jô, Daniel Carvalho, Ramón e Dudu Cearense
Spartak Moscou: Géder, Mozart e Welliton

Mesmo com a procedência duvidosa da maioria desses investimentos, Ucrânia e Rússia começam a se tornar um dos destinos mais rentáveis para os atletas, que ja começam a optar por clubes de lá, ao invés de pequenos e médios de países como Portugal, França e Holanda. Será que no frio russo ou ucraniano, onde os campeonatos têm que parar durante três meses, devido ao inverno rigoroso, está o ouro? Como na lenda do Eldorado, a qual dizia que as construções eram de ouro e as riquezas, inesgotáveis, Rússia e Ucrânia brilham aos olhos dos futebolistas. Mesmo com campeonatos previsíveis (onde poucos times têm reais chances de vencer) e o quase ostracismo profissional.